terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Orgulho e Vaidade

            Senti vontade de abordar o tema destes dois perigosos sentimentos porque quando começamos a perceber o verdadeiro significado da vida é quase impossível não fazermos uma auto-análise. Se olharmos atentamente e com sinceridade nossa maneira de pensar e agir perceberemos alguns traços em nosso ser destes dois vilões. Tenho ouvido pessoas usarem o termo orgulho em dois sentidos. Um quando realizam algo e se sentem satisfeitos com o resultado (“sinto-me orgulhoso do que fiz”). Outro quando uma pessoa recusa-se em mudar sua opinião mesmo quando todos os fatos apontam na direção contrária (“deixe de ser tão orgulhoso e aceite os fatos”).
            Fernando Pessoa abordou o orgulho dizendo que ele é a consciência, certa ou errada, do nosso próprio mérito. Depreendo daí que talvez ele quisesse referir-se a “consciência certa” quando a pessoa realmente possui méritos e tem consciência disto. Já sobre a vaidade ele diz que ela é a consciência, certa ou errada da evidência do nosso mérito para os outros.
            O orgulho resulta, portanto, da idéia que fazemos de nós mesmos, mas quase sempre, essa idéia não é real, isto porque é muito difícil conseguirmos ver a nós próprios como realmente somos no cotidiano. Estamos acostumados com vernizes sociais. Nosso ego quer sempre ser afagado e prefere sempre ouvir gentilezas a verdade nua. Nosso ego através da mente é um especialista em arranjar desculpas e justificativas para nossas falhas. Não somos humildes o suficiente para aceitar isso. Nunca devemos confundir humildade com deixar-se humilhar. A verdadeira humildade não é uma falsa modéstia, mas o reconhecimento claro da realidade que nos envolve, tal qual ela é. É algo mais inerente ao intelecto do que à moralidade.
            Voltando a analisar uma pessoa orgulhosa no sentido de que não aceita a veracidade dos fatos em detrimento de sua opinião, observamos que as pessoas que convivem com ele notam de forma clara o ridículo pelo qual ele passa e por serem gentis ocultam-lhe este fato, mas evitam-no sem deixá-lo saber por quê.
            A diferença entre o orgulho e a vaidade é que enquanto este é uma espécie de loucura que nos afasta da realidade de como as coisas realmente são. O orgulho, portanto, é a convicção íntima de ser melhor, ainda que ninguém o veja. A vaidade é uma insinceridade, uma hipocrisia. Um desejo secreto de ser o que não somos para causar uma boa impressão no ambiente onde vive. Uma pessoa orgulhosa geralmente também é vaidosa enquanto que uma pessoa vaidosa nem sempre é orgulhosa.
            Poucas pessoas possuem visão interior correta, ou seja, a capacidade de observarem a si mesmas, fazendo uma autocrítica justa, não tendenciosa. Quem possui essa visão interior consegue avaliar a si mesmo, sem ilusões. A visão interior correta é o resultado de esforço, de auto-análise, de reflexão, de maturação do próprio espírito. Ainda somos imaturos espiritualmente, pois quando resolvemos fazer alguma observação sobre nós mesmos a nossa deformada visão interior só vê aquilo que possa servir de base para o nosso orgulho, a nossa vaidade. Por isso geralmente só vemos as coisas positivas, principalmente aquelas que acreditamos, ou nos interessa acreditar que possuímos.
            Na verdade costumamos nos ver numa condição muito superior à realidade. As qualidades que observamos em nós, nos parecem bem maiores do que são, e os defeitos que temos e que anulam muitas das nossas qualidades Nossos defeitos, geralmente não os conseguimos ver ou os vemos com os olhos da complacência.
            Não haverá crescimento interior enquanto camuflarmos nossas falhas. Precisamos ser verdadeiros conosco mesmos. Acredito mesmo que esta é a principal finalidade de estarmos aqui na Terra - a de evoluirmos através das experiências.
            Desejo a todos um Feliz Natal e uma semana de Paz e Harmonia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Raiva e Ódio


De todas as emoções que nos afligem tanto o ódio como a raiva situa-se na parte mais alta de todos os males. Estes dois sentimentos são tão parecidos que talvez alguma pessoa ache que são iguais.


O dicionário define raiva como a privação de raciocínio lógico, falta de calma, distúrbio do equilíbrio emocional e o ódio como um sentimento de profunda antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor profundo, horror, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo.


Assim vemos que o ódio é mais profundo que a raiva. Enquanto a raiva seria mais uma emoção, o ódio seria, predominantemente, um sentimento. O que é certo, segundo a medicina, é que ambos são nocivos à nossa saúde.


A raiva aumenta significativamente os riscos de ter algum problema sério de saúde. Durante um acesso de raiva nossos vasos sanguíneos se contraem aumentando a pressão arterial e aumenta a agregação de placas causando uma oclusão das coronárias que como consequência poderá causar um infarto do miocárdio. Fora isso, se a pessoa for alérgica poderá ter uma crise ou se tiver uma úlcera digestiva terá seu estado agravado.


Médicos pesquisadores descobriram que as pessoas que se irritam têm três vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com mais calma e serenidade. Segundo eles, isso ocorre porque o organismo libera uma carga extra de adrenalina no sangue e é essa adrenalina que causa os efeitos citados acima.


Já se sabe que quem fuma tem até cinco vezes mais possibilidades de sofrer um ataque cardíaco, pessoas de vida sedentária apresentam risco 50% maior de ter problemas de coração. Agora, depois de muitos estudos sabe-se que a influência da raiva no desenvolvimento de doenças cardíacas é comparável a essas causas anteriormente conhecidas, e mais, independentemente delas. Isso quer dizer que, se a pessoa não tiver nenhuma dessas condições relacionadas ao desenvolvimento de doenças cardíacas, mas for raivosa, estará igualmente sujeito a elas.


A raiva sendo apenas uma emoção gera apenas estresse e não mágoa. Já o ódio sendo um sentimento provoca mágoa crônica, angústia e frustração. Ele consome o equilíbrio interno e sendo mais durável é compatível com um câncer, com arteriosclerose, com diabetes ou hipertensão crônica.


Observando a natureza podemos perceber que até mesmo animais podem sentir raiva quando defendem o seu território ou lutam por uma fêmea. No entanto passada a causa do evento eles voltam a ter um comportamento normal sem mágoa alguma.


No livro A arte de lidar com a raiva, escrito a partir de palestras do Dalai Lama, ele cita que em termos gerais o propósito da nossa existência seria a busca da felicidade e da realização e que para experimentar mais plenamente esse nível de alegria e felicidade a chave é a atitude mental da pessoa. Ele ressalta alguns fatores que contribuem para alcançarmos a felicidade: saúde, conforto (mesmo que com simplicidade) e um círculo de amigos.


Por ser muito interessante a abordagem feita sobre o assunto vou transcrever a seguir um excerto do livro.
Para que possamos aproveitar plenamente, com o objetivo de desfrutar uma vida feliz e realizada, o estado de espírito da pessoa é crucial. Se há pensamentos de ódio lá no fundo, ou uma raiva forte e intensa, a saúde fica arruinada. Com isso um dos fatores que contribuem para a felicidade é destruído. Mesmo quando se tenha bens maravilhosos, a pessoa sente vontade, num momento de raiva ou ódio, de jogar tudo fora, de quebrar tudo. Portanto não há garantia de que a riqueza por si só possa proporcionar a alegria ou a realização que procuramos. Da mesma forma quando se experimenta um estado de intensa raiva ou ódio, até mesmo um amigo íntimo parece frio e distante, talvez irritante.


O que isso indica é que o nosso estado de espírito é crucial para determinar se vamos ou não encontrar alegria e felicidade. Assim quanto maior o nível de serenidade da mente, maior a paz de espírito e maior a capacidade de desfrutar uma vida alegre e feliz.


Cabe ressaltar, no entanto, que quando falamos num estado de serenidade mental ou paz de espírito, não devemos confundir com um estado de completa insensibilidade e apatia em que não há sentimento, como se a pessoa estivesse completamente vazia. Não é a isto que nos referimos quando falamos de serenidade da mente e paz de espírito. A genuína paz de espírito está enraizada na afeição e compaixão. Há um nível elevado de sensibilidade e sentimento envolvido. Portanto, enquanto carecermos de disciplina interior, de serenidade da mente, nunca poderemos alcançar o sentimento de alegria e de felicidade que procuramos, quaisquer que sejam as facilidades ou condições externas que possamos ter. Por outro lado, se possuímos essa qualidade interior é possível levar uma vida alegre e feliz, mesmo que não tenhamos as circunstâncias externas que são normalmente consideradas necessárias para isso.


Se examinarmos como surgem os pensamentos de raiva ou ódio, vamos descobrir que, de um modo geral, ocorrem quando nos sentimos magoados, quando sentimos que fomos tratados com injustiça por alguém, ao contrário de nossas expectativas. Se no mesmo instante, analisarmos a maneira como a raiva aflora, poderemos observar que contém um elemento protetor, como se fosse um amigo para ajudar em nossa batalha, ou a consumar a vingança contra a pessoa que nos infligiu tanto mal. Ou seja, o pensamento de raiva ou ódio apresenta-se como um escudo, como uma proteção. Na realidade, porém, isso não passa de uma ilusão. É um estado mental distorcido.


Se alguém foi tratado com injustiça e a situação não foi resolvida, as consequências para a pessoa responsável podem ser extremamente negativas. Uma situação assim exige uma neutralização forte. Em tais circunstâncias, é possível que, por compaixão pelo responsável e sem gerar raiva ou ódio, a pessoa assuma uma posição firme e adote contramedidas vigorosas.

Desejo a você uma semana de paz e harmonia.

domingo, 16 de setembro de 2012

Sabemos Escolher?

            Tomar a decisão correta sobre nosso destino torna-se um fator da mais alta relevância. Normalmente ao tomarmos uma decisão o fazemos baseados em nossa experiência. Quando não possuímos conhecimento em determinada área temos de aprender mais sobre o assunto ou aceitar a opinião de quem domina a área em questão. A nossa decisão produzirá resultados que serão bons ou razoáveis se nossa escolha foi acertada e resultados medíocres ou ruins se a escolha foi errada.
            A meu ver o caos em que se encontra o mundo hoje é consequência de escolhas mal feitas. Mais uma vez estamos em plena campanha eleitoral. A exceção do Distrito Federal a população escolherá representantes para os municípios. Vivemos numa democracia – “o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Isto na verdade é apenas um slogan, pois o povo, como um todo, não pode deter o poder. Por isso ele tem de delegar este poder. Assim, na verdade, não é o povo que governa, mas as pessoas que são escolhidas pelo povo. Quais os critérios desta escolha? Como se administra esta escolha? O povo é capaz de escolher a pessoa certa? Será que ele foi treinado, educado para esta vida democrática? Na verdade não. Os interesses dos que detêm o poder é manter o povo exatamente assim porque as massas ignorantes podem ser exploradas e manobradas com facilidade.
            Normalmente as pessoas votam por questões arbitrárias. Alguém fala bem e é um bom orador e por isso passa uma imagem bonita, mas isto não significa que ele será um bom vereador, prefeito, governador ou presidente. Será que as pessoas já tomaram consciência da maneira como votam? Que critério usam? Fico pensando como se poderia mudar o quadro político que vivenciamos atualmente. O Brasil sempre foi um país de conchavos. Na mudança do império para a República, D. Pedro (pai) diz ao seu filho: “Se é para qualquer aventureiro tomar o poder, melhor que seja para você, meu filho”. Algum tempo depois se ouviu o Grito do Ipiranga.
            Para mudar é preciso que haja uma tomada de consciência muito grande de todos os brasileiros. Sou bastante propenso a concordar com a visão do filósofo Bhagwan Shree Rajneesh.
Quando vivo ele defendia a idéia de que o mundo deveria viver num regime chamado “meritocracia”. Segundo ele “meritocracia” significa que só as pessoas instruídas numa determinada área deveriam ter permissão para votar nesta área. Por exemplo: somente os educadores do país deveriam votar no cargo de ministro da educação. Talvez então tivéssemos o melhor ministro da educação possível. Da mesma forma só votariam para ministro das finanças apenas pessoas que conhecessem profundamente finanças e assim por diante em todas as áreas em que seriam necessários ministros. Uma vez escolhidos os ministros, teríamos a “nata” da genialidade que por sua vez, escolheria o presidente ou o primeiro-ministro.
            Atualmente ao atingir 16 anos considera-se a pessoa apta para votar. Mas só o fato de fazer 16 anos não é suficiente para uma pessoa saber escolher certo. Em geral alguém com esta idade  não têm experiência nenhuma dos problemas da vida e suas complexidades. Com certeza uma pessoa com pós-graduação em determinada área saberá escolher muito melhor dentro da sua área. Desta maneira teríamos um governo instruído, competente e culto. Qualidades necessárias para levar a bom têrmo o País. Cabe ressaltar que além de todas estas qualidades é imperativo que a honra seja parte intrínseca do caráter daqueles que irão decidir os destinos de todos nós.
            Eu sei que esta postagem parece fugir da finalidade deste blog, mas como disse Gandhi: "quando um indivíduo evolui, o grupo a que ele pertence também evolui".  Façamos, portanto, a nossa parte.
            Finalizando, deixo para reflexão, o vídeo com a belíssima interpretação de Rolando Boldrin da montagem de um texto da poetisa Cleide Canton com uma fala de Rui Barbosa, pois ele é adequado aos tempos atuais.
            Que tenhamos uma semana mais consciente em Paz e Harmonia.


sábado, 8 de setembro de 2012

A Importância do Ser Humano

   Todo começo é difícil. Quando somos jovens e nossos pais provêem nosso sustento, muitas vezes achamos chato aceitar as normas impostas por eles, já que não somos independentes. Quando, porém tomamos as rédeas do nosso destino, descobrimos como pode ser difícil realizarmos nossos sonhos se não estivermos adequadamente preparados para a luta pela sobrevivência. Numa ordem natural, as primeiras necessidades a serem alcançadas seriam: alimento, vestuário e um teto para nos abrigar. Depois viria o lazer e a formação de uma nova família para a perpetuação da espécie. Como o tempo é uma questão de consciência, envolvidos na luta pela sobrevivência e para alcançar padrões por nós mesmos criados, não o perceberíamos passar e logo estaríamos findando mais um ciclo. Aparentemente isto é tudo o que se pode esperar da vida. Mas, será que a vida é só isso?

   Conheço pessoas que acreditam apenas na materialidade da vida. Estes afirmam que acreditam não haver nada mais além deste mundo físico. Penso que estas pessoas não cogitam em refletir mais profundamente sobre o que é a vida ou sobre a morte, O que ela é? Qual problema é resolvido pelo morrer? Observa-se neste mundo que todas as coisas têm uma razão para a qual elas estão aí. Assim, há um propósito por trás de cada criação. Desde a menor célula até o mais complexo grupo de células organizado de forma inteligente. Portanto, deixar de buscar respostas para as questões acima é acreditar que estamos aqui apenas para satisfazer nossas necessidades primárias e secundárias e depois simplesmente desaparecer. Será que todas as maravilhas da terra, do ar, da água e do fogo; todo o sustento tirado da natureza; todo o progresso de incontáveis civilizações existiria apenas para nutrir e sustentar, fornecendo alimento e ocupação a este minúsculo ser de duas pernas cujo corpo físico foi criado com os elementos desta mesma natureza? Pensar assim é acreditar que o ser humano não tem importância e que o mundo continuaria a existir sem ele.

   Mas se a humanidade não tiver importância, porque então ela foi criada? Porque então, teriam as magníficas forças da evolução aberto uma trilha ao longo dos ciclos da criação para produzir o ser humano? Enquanto não tivermos respondido a estas questões, a vida realmente parecerá vaga e insatisfatória. Sobre todas as coisas continuará pairando a sombra da morte. A criação continuará parecendo uma farsa cruel por meio da qual, as civilizações surgem apenas para desaparecer sem deixar vestígios. Desta forma todo o trabalho se torna fútil; toda educação vã e toda esperança sem sentido.

   Somente quando homens e mulheres aprenderem que suas vidas não são infinitamente pequenas, mas infinitas e que cada um possui em seu interior uma Força, um Ser, uma Forma individual consciente que, com sua energia radiativa, atrai e acomoda para seu uso tudo que é necessário para a consecução de seus anseios, sejam eles, o de continuar a vida neste planeta ou partir para outras esferas. Só então ficara claramente entendido que a Natureza, como um todo, é súdita e serva de uma Energia Radiante – que é em Si Mesma, a imagem ou emanação de Deus, e que assim sendo, ela tem um papel a desempenhar no perene movimento em direção ao Mais Alto eternamente.


   Para refletir:

   “Na plenitude da felicidade cada dia é uma vida inteira.” (Goethe).



sábado, 18 de agosto de 2012

Alquimia Interior

             Dizem que a “mola” que move o mundo é o questionamento, a interrogação, a busca. Foram os questionamentos que impulsionaram a mente de algumas pessoas para descobrir ou revelar algum conhecimento novo.

É claro que há pessoas para as quais nada precisa ser feito – “o tempo passa, a primavera chega e a grama cresce sozinha” e para estes, esta maneira leve de viver, satisfaz. Existem outros, porém, como disse Mirna Amarante, que querem entender o segredo de si mesmos, da natureza, da criação, da vida e da morte e quem sabe até trabalhar com eles para o desenvolvimento próprio e da humanidade. Gosto de pensar que faço parte deste grupo de pessoas, pois não me sinto satisfeito em apenas ver o tempo passar.
De todos os grandes questionamentos o “quem sou eu?” talvez seja o mais importante deles. Dizem que o tempo dedicado à busca da resposta a esta pergunta pode levar uma ou muitas vidas sucessivas. Esta busca foi denominada a Grande Obra pelos antigos filósofos e alquimistas. Uma olhada atenta na história da humanidade nos mostra que inúmeros métodos e técnicas foram desenvolvidos para facilitar essa busca. Alguns sistemas são apenas fantasias. Mas na origem de todos os métodos autênticos há uma mesma sabedoria: o Todo não precisa ser buscado em meio às múltiplas manifestações do mundo exterior. O Todo, a Energia ou Mente Suprema, pode ser encontrado no mais profundo de cada um de nós, pois ele é a nossa própria essência impessoal que ao manifestar-se na matéria gera uma consciência individualizada. Esta consciência de individuo é o que chamamos de personalidade e ela, embora necessária para nossa evolução, causa a ilusão de separação. Isto acontece porque nossos sentidos físicos não conseguem perceber as energias mais sutis do nosso ser. Desta forma, temos a sensação de sermos algo à parte do Todo.
Os verdadeiros métodos procuram ensinar ao buscador o caminho para vencer a ilusão da personalidade e assim restabelecer a sua ligação com o Todo. Quem entra por este caminho tem de romper os condicionamentos gerados, muitas vezes, por conceitos familiares, religiosos, sociais e, atualmente, pela mídia.
A televisão é o principal veículo de rápida divulgação das informações. Através dela sabemos o que acontece em qualquer parte do mundo em poucos instantes. Por outro lado ela é uma perigosa ferramenta muito usada pelos poderes políticos e econômicos. Alguns programas e anúncios da televisão moldam padrões, geram ambições, exacerbam desejos e contribuem para desagregar a instituição familiar.  A imagem pronta, transmitida por ela, é boa quando se trata de mostrar algo específico, mas por outro lado, tira-nos o trabalho de pensar e assim enfraquece a nossa criatividade. Nosso veículo de expressão aqui na terra, nosso corpo, tem uma tendência à inércia. Desta forma, preferimos olhar uma imagem pronta a usarmos o poder de criação do nosso cérebro e assim vamos perdendo a capacidade de raciocinar e criar mentalmente.
Quero deixar claro que não sou contra a televisão em si. Existem muitos programas bons, mas as mensagens subliminares veiculadas nas imagens de determinados anúncios, filmes e novelas são poderosas no que tange a determinar nosso comportamento e decisões. Por isso, ao assistir programas de TV, devemos fazê-lo com um olhar crítico. Atentos à mensagens subjetivas. Uma vez desenvolvido este senso crítico, o efeito danoso destas mensagens é enfraquecido.
Buscar um reencontro com nossa fonte original, em meio a este bombardeio de informações do mundo atual, requer coragem e perseverança. Coragem para poder se libertar de padrões impostos e perseverança para não desistir da busca por sabedoria. Na verdade este é um trabalho de alquimia interior.
Todos aqueles que nos trouxeram algo novo, tiveram “insights” de suas descobertas. De alguma forma sua mente harmonizou-se e determinado conhecimento foi acessado. Já perceberam como a solução de um problema nos vem à mente quando, depois de algum tempo pensando nele, nos abstraímos permitindo que a mente fique livre. É como se estivéssemos falando com alguém por um radio e após uma pergunta disséssemos “câmbio” encerrando nossa fala e então ficamos silentes para ouvir o que o outro tem a dizer.
Alquimia é transformação. Alguns antigos alquimistas pesquisavam uma fórmula para transformar chumbo em ouro. Outros dedicaram-se a pesquisar a transmutação de sentimentos e seu resultado no ser humano.
Podemos dizer que ao pegarmos um limão e misturamos seu sumo à água e açúcar fazendo uma deliciosa limonada, estamos realizando um processo alquímico. Um exemplo de alquimia interior é quando passamos por um evento desagradável, mas usando o poder de decidir nossa vida, transmutamos o dissabor não deixando que este evento torne todo o nosso dia um inferno. Acredito que era isto que Chico Xavier sugeria quando disse que “ninguém pode voltar atrás para fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.
Quando falamos em alquimia interior, imediatamente nos vem à mente as figuras de Saint Germain e sua discípula Helena Petrovna Blavatsky que foi a grande responsável pela estruturação da Teosofia. Helena já dizia que existem campos de força que são responsáveis por efeitos psicológicos e espirituais. Para ela estes campos e o seu poder são acessíveis ao ser humano desde que ele desenvolva capacidades que estão além dos cinco sentidos físicos.
Um exemplo destas forças são os Sete Raios Cósmicos. Eles são partículas estruturais da Criação. Cada um dos raios representa uma cor, uma nota musical e uma qualidade. Os raios projetam força. Força difere da energia por que ela (a força) é direcionada e específica. Tudo o que existe em manifestação foi tingido pelos raios. Pode-se dizer que eles servem para criar o caráter de formas particulares de vida. Assim cada um de nós possui a característica do raio que participou de nossa criação.  

           O 1o raio é azul e representa a Vontade de Deus, fé, proteção, força e poder. As pessoas que pertencem a este raio estão, geralmente, na chefia e possuem ilimitadas forças de poder e capacidade de "executar alguma coisa".
           O 2o raio é cor de ouro e representa Sabedoria, equilíbrio e iluminação. Pessoas deste raio são ligadas a ensinamentos (professores) e pessoas de coração compreensivo.
           O 3o raio é rosa e representa o Amor Divino, adoração, beleza e fraternidade. As pessoas que a ele pertencem amam a beleza em todas as formas de expressão e são amáveis e compassivas.
           O 4o raio é branco e representa a Pureza, a ressurreição e a ascensão. As pessoas que pertencem a este raio são artistas, músicos, arquitetos e são dotados de grande perseverança.
           O 5o raio é o raio verde da Verdade, da precisão da Lei. Em geral pertencem a este raio os cientistas, médicos, irmãs de caridade e curadores.
           O 6o raio é de cores vermelho-rubi e ouro, e representa a Paz, colaboração e dedicação à vida. Frequentemente, os que pertencem a este raio são sacerdotes, assim como pessoas com desejos ardentes, no culto divino, em servir a humanidade, e muitas vezes sem colher reconhecimento pelos serviços prestados.
           O 7o é o raio violeta da misericórdia, transformação e Liberdade. As pessoas que pertencem a este raio possuem muitas aptidões e em todos os aspectos grande amor pela Liberdade.
            Mais interessante do que a qualidade que os raios imprimem em sua criação, é sabermos que podemos usar sua força desde que desenvolvamos o potencial que está latente em nós. Quem desejar aprofundar o estudo dos sete raios poderá visitar vários sites que existem na rede e tratam deste assunto.
Que a Paz e a Harmonia esteja com todos.

domingo, 29 de julho de 2012

Chakras

     Estou consciente de que existem muitos sites abordando o tema dos chakras, no entanto eu estava preparando uma postagem que no seu bojo aparece este termo. Não é minha intenção aprofundar a abordagem deste estudo, mas tão somente usar esta postagem como uma introdução para temas futuros nos quais o termo chakra é usado.
     Chakra é um termo sânscrito (Sânscrito é uma língua da Índia, com uso litúrgico no Hinduísmo, Budismo, e Jainismo. Ele faz parte do conjunto das 23 línguas oficiais desse país.) que significa anel, roda, vórtices de energia vital, espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo. Os Chakras são centros de energia dentro do corpo físico e energético. Eles distribuem esta energia através de canais que nutrem órgãos e sistemas. Dessa forma eles fazem a comunicação entre os planos sutil e físico.
     O mais antigo registro sobre os chakras está nos Vedas que são considerados, por todos os eruditos Orientais e Ocidentais, como a mais antiga de todas as escrituras do mundo e a mais sagrada das obras sânscritas conhecidas.
     Perguntei à professora de Yoga, Denise H. Bandeira (www.yogalotus.com.br) se qualquer pessoa poderia tentar desenvolver seus chakras. Segundo ela uma pessoa comum só deve tentar desenvolver os seus chakras com um acompanhamento de um professor experiente no Yoga porque já houve pessoas que provocaram o despertar de chakras por acidente ou por usar uma prática de livros sem compreender o processo passo a passo e tiveram um desequilíbrio muito grande a ponto de serem internadas.
    O assunto é extremamente interessante, pois trata das energias que circulam em nosso corpo. Manter o corpo equilibrado energeticamente propicia saúde e harmonia.
    Os três vídeos a seguir explicam a função dos chakras e mostram a ligação do ser humano e o universo com uma excelente animação.

Parte 1


Parte 2



Parte 3



Que possamos ter uma excelente semana cheia de alegrias em paz e harmonia.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Mente Dividida

             As diferenças funcionais de cada sexo costumam ser motivos de discussões entre casais, dizem os psicólogos. Isto geralmente acontece quando os componentes do casal em litígio desconhecem como funciona a mente humana.

            Normalmente a mulher faz muitas voltas quando tem que abordar um assunto delicado e o homem não consegue entender o porquê de tantos "floreios", porque eles gostam de resolver tudo de forma simples e direta. Por outro lado, quando uma mulher pede ao seu companheiro para mudar determinada maneira de agir que a está incomodando, tal pedido via de regra é encarado por ele como uma crítica destrutiva e quase sempre a conversa acaba em discussão.

            Por que isto acontece? O que a mente tem a ver com isso? Talvez a compreensão de determinados aspectos dela possam nos ajudar a não entrarmos numa discussão deste tipo. O excerto a seguir foi extraído de uma palestra proferida pelo filósofo indiano Rajneesh Chandra Mohan Jain também conhecido pelo nome de OSHO.


            O ser é um, o mundo são muitos ... e entre os dois está a mente dividida, a mente dual. É como uma grande árvore, um carvalho antigo: o tronco é um, mas a árvore se divide em dois galhos principais, a bifurcação, principal da qual nascem mil e uma bifurcações. O ser é como o tronco da árvore. É um. Não é dual e a mente é a primeira bifurcação. Como a árvore que se divide em duas direções a mente se torna dialética: tese e antítese, homem e mulher, yin e yang, dia e noite, ioga e zen. Todas as dualidades do mundo se encontram basicamente na dualidade da mente. Abaixo da dualidade está a unicidade do ser.

            Estudos científicos descobriram a bastante tempo que o cérebro está dividido em dois hemisférios: direito e esquerdo. O hemisfério direito está ligado à mão esquerda e o hemisfério esquerdo está ligado à mão direita. O hemisfério direito é intuitivo, ilógico, irracional, poético, platônico, imaginativo, romântico e religioso. O hemisfério esquerdo é lógico, racional, matemático, aristotélico, científico e calculista. Estes dois hemisférios estão em constante conflito. A política básica do mundo existe dentro de nós. Podemos não ter consciência disso, mas em consequência do conflito existente, a coisa certa a fazer sempre estará em algum lugar entre estas duas faces da mente.

            Vivemos hoje numa sociedade em que a maioria das pessoas é destra e em consequência usa mais o lado esquerdo do cérebro. Então a maioria da humanidade pauta suas ações pelas características do hemisfério esquerdo do cérebro: é calculista, lógica e racional.

            Hoje somente 10 % das crianças nascem canhotas, mas são obrigadas a viver num mundo em que tudo é criado para os destros. Assim, aos poucos, sofrem a influência de quem usa o lado esquerdo do cérebro. Acredita-se que nos primórdios, a proporção era de 50% de destros e canhotos. Talvez muitos quando eram crianças nasceram canhotos, mas foram forçados a usar a mão direita e em consequência passaram a estimular mais o lado esquerdo do cérebro.

            Sabe-se que as pessoas menos intelectuais são mais intuitivas. Num mundo onde o grau de conhecimento e a intelectualidade são tão valorizados, percebe-se que só com a intuição o ser humano não consegue alcançar o sucesso e ser bem remunerado para levar uma vida confortável, o que é uma lástima para a evolução espiritual.

            O mesmo se aplica aos homens e às mulheres. As mulheres são do hemisfério direito, os homens do esquerdo. Os homens mandaram nas mulheres há séculos. O movimento feminista foi criado para mudar esta condição. No entanto ao equipararem-se aos homens, estas mulheres passaram a usar o hemisfério esquerdo tornando-se semelhantes a eles, racionais, argumentativas, aristotélicas. Perderam a graciosidade e tudo o mais que vem da intuição. Para lutar contra a tirania masculina, tiveram que aprender as mesmas técnicas dos homens.

            A luta é perigosa, pois quem luta acaba se tornando igual ao inimigo. O inimigo pode ser derrotado, mas ao final o vencedor só venceu porque assimilou as mesmas características do oponente.

            O conflito, portanto está dentro do ser humano. Se não for resolvido aí, não o será em nenhum outro lugar. O problema está entre as duas faces da mente.

            Existe uma ponte muito pequena e frágil entre elas. Se ela se partir nos tornamos duas pessoas e o fenômeno da esquizofrenia, da dupla personalidade ocorre. Uma pessoa assim é amável pela manhã e zangada à noite. Ela dividiu-se em duas pessoas. Mas a ponte pode ser reforçada a ponto de as duas mentes desaparecerem como duas e se tornarem uma. Então surge uma integração, uma cristalização. É o encontro do macho com a fêmea, interiores. É o encontro de yin e yang, de esquerdo e direito, de lógico e ilógico.

            Se cada um compreender essa bifurcação básica em sua árvore, compreenderá todo o conflito que se passa à sua volta e em seu interior."

            Que a Paz, a Harmonia e a Compreensão fortaleçam a frágil ponte que existe entre as duas faces da nossa mente.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Origem da Vida

   Segundo o professor Renato Las Casas do observatório da Universidade de Minas Gerais (www.observatorio.ufmg.br/pas37.htm), os cientistas que pesquisam a origem da vida na Terra basicamente seguem duas teorias: a primeira diz que a partir de elementos químicos, a vida se formou em nosso planeta. Esta é a chamada "Geração Espontânea" da vida. A segunda teoria supõe que a vida tenha vindo de fora da Terra é  chamada “Panspermia”.
   Pensadores ilustres como Anaxágora, Aristóteles, Santo Agostinho, São Tomaz de Aquino, René Decartes e Isaac Newton defenderam ao seu tempo uma ou outra destas teorias. Também cientistas como o médico Francesco Redi, Lord Kelvin e mais tarde Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe, entre outros, pesquisaram e ainda pesquisam como a vida teria se formado aqui na Terra.
   Todos eles, porém referem-se um estágio avançado da vida. Ou seja, que ela tenha se formando aqui num planeta que existia ou que ela tenha vindo de outro corpo celeste. A compreensão da origem da vida no universo, no entanto, ainda é muito mais complexa e certamente estamos muito longe de alcançá-la.
   A nós, pequenos mortais, que não somos nem cientistas nem filósofos, cabe apenas viver. Procurar viver da melhor forma possível, de preferência em harmonia com tudo o que existe. Muitas verdades são difíceis de serem explicadas.
   Meditar é um exercício que nos propicia momentos de paz. São momentos capazes de “recarregar as nossas baterias”. Quando paramos os afazeres diários para lermos uma bela mensagem enviada por algum amigo, ouvir uma música suave ou ainda, para relaxar, conseguimos diminuir o stress.
   A eficácia do relaxamento já é reconhecida. Grandes firmas já incluem uma pausa nos trabalhos, onde os funcionários são levados a praticar um relaxamento. Tal medida propicia um aumento na produtividade. Isto deveria ser um hábito rotineiro na vida de cada um. Deixando a lógica de lado e silenciando nossos sentidos objetivos entramos em harmonia com a nossa essência interior. Momentos assim, ainda que pequenos, elevam nossa frequência vibratória e fazem-nos ficar em paz conosco e com o mundo.
   O vídeo a seguir é uma tentativa de propiciar alguns instantes de reflexão.


Que esta seja uma ótima semana. Cheia de momentos alegres. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Caminhos Diferentes

            Curioso como o ego, gerado pela consciência objetiva, tem a tendência de sempre querer que os outros aceitem a sua verdade como sendo o único caminho a seguir. De onde vem esta ânsia para sempre querer ser o mais esperto; o mais sabido; o mais inteligente? Talvez seja algo inerente à própria vida. Talvez seja algo necessário, a ser burilado por cada um, para que haja crescimento.
            Basta olharmos para a natureza para ver quão diversa ela é. Acreditamos que a natureza seja uma manifestação da mente divina. No entanto, nós estamos sempre querendo colocar ordem nas coisas. Nosso pequeno ego imagina que o que foi bom para si também o será para os outros. Quando isto acontece num relacionamento fora da família, a outra pessoa simplesmente decide qual o caminho que vai tomar. Quando a imposição acontece dentro da família o relacionamento dos integrantes da mesma, tende a ter problemas. Cada pessoa vem a este mundo trazendo uma carga de experiências já vividas para aqui vivenciar novos eventos e assim, crescer um pouco mais.
            Se tudo o que existe é manifestação da Mente Divina, então nós também somos parte deste Todo. Cada personalidade é única em virtude de suas experiências. É razoável, pois, compreender e aceitar, que cada um deva seguir seu próprio caminho para ter seu próprio crescimento através de experiências que serão diferentes das vividas por outros.
            Por outro lado, quando a personalidade alma já tem um certo brilho e já domina algumas leis do universo, ainda assim, precisa estar atento para não sucumbir à vaidade ou falta de humildade na aplicação dos seus conhecimentos.
            Esta semana recebi uma belíssima apresentação em PPs formatada por Tereza Bandeira, gaúcha de Porto Alegre, que fala exatamente sobre isso.
            Tentei hospedar a apresentação num site para poder postá-la aqui. Mas tanto o áudio como os efeitos sumiram então resolvi adaptá-la num vídeo que para mim ainda é a forma mais fácil fazer o “upload” sem perder características. (Ainda não dominei a técnica de formatar apresentações on-line. Ficarei grato se alguém puder me ajudar.).
             O texto Caminhos Diferentes faz parte de um conjunto de lindas mensagens publicadas no livro Somente Amor. Irma de Castro Rocha é o nome real de Meimei,  autora do texto.  Ela passou pela transição (morte) em outubro de 1946, tendo sofrido muito no final de sua vida em virtude de uma doença. "Meimei" é uma expressão chinesa e significa amor puro. "Meu Meimei" era um tratamento carinhoso entre Irma e o marido quando em vida.
            A mensagem é curta, mas de grande beleza e profundos conceitos. Bastante útil para quem queira refletir um pouco sobre a personalidade.





Que possamos sempre pensar e agir de tal forma a gerarmos Paz e Harmonia onde quer que estejamos.

domingo, 3 de junho de 2012

Consciência Cósmica

    
     Quando se fala em “consciência” imediatamente vem-nos à mente o que percebemos através dos cinco sentidos físicos e a nossa relação com as coisas externas ao nosso corpo. Mas existe um outro tipo de consciência que vai além da consciência simples e da autoconsciência. É a chamada Consciência Cósmica.

     É fácil e lógico acreditar que à semelhança de todos os outros tipos de evolução, a evolução da consciência humana também esteja acontecendo desde o início da sua criação. Assim, pouco a pouco começam a aparecer no mundo pessoas que já demonstram ter alcançado um tipo de consciência mais elevado do que a maioria das pessoas. Daí, depreende-se que a humanidade como um todo, um dia, alcançará este tipo de consciência.

     Richard Maurice Bucke, M.D. que em sua vida ocupou a superintendência médica do asilo para insanos do Hospital Londres, Canadá, escreveu uma obra intitulada Consciência Cósmica – Estudo da evolução da mente humana. Nela ele comenta vários casos de pessoas que teriam alcançado este tipo de consciência. Dentre estes casos citados, destacamos aqui os nomes de: Gautama, o Buda; Jesus, o Cristo; Paulo, o apóstolo; Plotinus; Maomé; Dante Aligneri; Bartolomé Las Casas; Juan Yepes; Francis Bacon; Jacob Boehme; Willian Blake; Honoré de Balzac; Walt Whitman e Edward Carpenter.

            O livro é relativamente extenso, porém interessante uma vez que além de explicar os diversos tipos de consciência, traz extratos de citações daqueles que alcançaram algum nível da consciência cósmica e comentários de outros autores sobre estas pessoas especiais.
           Vou transcrever aqui apenas uma parte  do seu prefácio:
     "Que é Consciência Cósmica? Este trabalho é uma tentativa de resposta a esta pergunta. Não obstante,  parece-nos razoável explicá-lo em prefácio breve, escrito em linguagem tão simples quanto possível, como forma de abrir as portas a uma exposição mais elaborada, que deve ser alcançada no corpo do trabalho. Consciência Cósmica seria, pois, uma forma de consciência mais elevada do que a normalmente possuída pelo homem comum. Essa é a chamada autoconsciência e é aquela faculdade sobre a qual repousa toda a nossa vida (tanto subjetiva como objetiva), que não é comum em nós e nos animais mais elevados, exceto naquela pequena porção que deriva dos poucos individuos que tiveram a consciência mais elevada, acima mencionada.
Para que se torne o assunto mais claro, é necessário compreender que há três formas,  ou graus, de consciência.
     (1) Consciência Simples, possuida pela metade superior do reino animal. Em função dessa faculdade, um cachorro ou um cavalo tem tanta consciência dos fatos sobre si mesmo como o homem; eles também estão conscientes de seus membros e corpo e sabem que aqueles são uma parte de si mesmos.
     (2) Acima dessa Consciência Simples, que tanto o homem como os animais possuem, o homem tem outra denominada Autoconsciência. Em virtude dessa faculdade, o homem está consciente não apenas das árvores, das pedras, da água, de seus próprios membros e corpo, mas torna-se consciente de si mesmo como uma entidade distinta, separada do restante do universo. É tão bom quanto certo que nenhum animal possa ter consciência de si mesmo dessa forma. Ainda mais, por meio da autoconsciência, o homem (que sabe como o animal sabe) torna-se capaz de tratar seus própios estados mentais como objetos de consciência. O animal está imerso em sua consciência como um peixe no mar. Ele não pode, nem em imaginação, livrar-se dela por um só instante, para concebê-la como é. Mas o homem, em virtude da autoconsciência, pode colocar-se fora de si mesmo e pensar: "Sim, o pensamento que me ocorreu sobre aquele assunto é verdadeiro; Eu sei que é verdadeiro e sei que sei que é verdadeiro." Perguntaram ao escritor: "Como você sabe que os animais não podem pensar da mesma maneira?" A resposta é simples e conclusiva: Não há evidência de que um animal possa pensar assim, pois, se pudesse, imediatamente o saberiamos. Entre duas criaturas que vivem juntas, como os cachorros ou cavalos e o homem, cada um deles autoconsciente, a coisa mais natural do mundo seria que se estabelecesse a comunicação. Ainda da forma como é, com psicologias tão diversas como as que temos, nós o fazemos através da observação dos seus atos, penetrando na mente do cachorro quase que tão livremente que percebemos o que aí se passa. Sabemos que o cachorro vê e ouve, cheira e prova; sabemos que possui inteligência pois adapta os meios ao fim e que raciocina. Caso fosse autoconsciente, nós o saberiamos a muito tempo. E se não o sabemos é porque nenhum cachorro, cavalo ou elefante jamais teve autoconsciência. Ainda há mais: na autoconciência do homem está armazenado tudo o que não é humano. A linguagem está para o objetivo como a autoconsciência está para o subjetivo. Autoconsciência e linguagem (dois em um, pois são duas metades da mesma coisa) são condições sine qua non para a vida humana social: os costumes, instituições, industrias de todas a espécie, todos os tipos de arte. Se algum animal possuisse autoconsciência, certamente construiria sobre essa faculdade mestra, tal como fez o homem, uma superestrutura de linguagem, com hábitos racionais, indústrias e arte. Mas nenhum animal o fez, donde podemos concluir que nenhum animal tem autoconsciência.
     Como o homem domina a autoconciência e a linguagem, isso criou um enorme abismo entre ele e as criaturas mais elevadas que possuem apenas consciência.
     (3) Consciência Cósmica é a terceira forma, tão acima da Autoconsciência como essa se encontra acima da Consciência Simples.
Nessa forma, sobrexistem tanto a Autoconsciência como a Consciência Simples, da mesma forma que a Consciência Simples sobrexiste quando a Autoconsciência é adquirida; mas, acrescida a ela, está a nova faculdade.
     A principal característica da Consciência Cósmica é, como o próprio nome indica, a consciência do cosmo, da vida e da ordem do universo.
     Juntamente com a consciência do cosmo ocorre uma iluminação intelectual que por si mesma situaria o individuo em um novo plano de existência, convertendo-o, praticamente, em membro de uma nova espécie. Acrescente-se a isso um estado de exaltação e jubilo e uma aceleração do sentido moral totalmente surpreendente e mais importante, tanto para o indivíduo como para a raça, do que o poder intelectual. Juntamente com isso surge o que poderíamos chamar de um sentido de imortalidade, uma consciência da vida eterna, não como convicção de que algum dia a alcançará, mas como a certeza de que já a possui.   .........."

     Ainda sobre o mesmo assunto encontrei na rede, um arquivo de áudio de um discurso proferido por Tonio Luna. Em vida ele foi radialista e membro da Ordem Rosacruz - Amorc. Embora um pouco extenso o discurso aborda com com extrema clareza o tema da Consciência Cósmica.
Discurso sobre Conciência Cósmica - por Tonio Luna.



     Estas mudanças em nossa consciência da vida humana e de seus valores que decorrem da consciência cósmica, são muito habilmente expressadas nas seguintes palavras do Dr. Harvey Spencer Lewis, primeiro Imperator da Ordem Rosacruz do atual ciclo:

     "Depois que o estudante, em busca da evolução da consciência, inicia sua jornada na verdadeira senda do desenvolvimento cósmico, verifica que seus passos o estão levando não a coisas de utilidades materiais, melhores e mais caras. Mas, na realidade, para longe destas coisas, ou seja, para lugares simples, menos dispendiosos e saudáveis. Ele constata que a vestimenta mais simples é a mais bela em si mesma e mais satisfatória para suas vibrações pessoais, do que a mais requintada veste de qualquer cor. Deste modo ele busca as mais simples e entretanto as mais belas coisas da vida."

     Uma ótima semana de Harmonia e Paz.

 

domingo, 27 de maio de 2012

O Grande Mistério

     Depois de algum tempo ocupado com trabalhos mundanos, retorno para o mundo da reflexão. Acho que o  texto Grande Mistério que julgo ser de Tonio Luna, será adequado para este momento. Quantas vezes já o ouvi e ainda assim, quando torno a ouví-lo, sinto uma grande paz. Meus pensamentos se aquietam. Por alguns instantes volto a sentir-me Um com o Universo. Esta é a principal razão de eu querer compartilhá-lo com você. Espero que seja motivo de prazer para você também.



sexta-feira, 16 de março de 2012

Você é Parte do Todo

 "Todas as coisas do Universo estão interligadas. Assim, se pisares numa flor as próprias estrelas reclamarão." 

     Não conheço o autor desta citação, porém a cada progresso que fazemos na busca por maior conhecimento ela se mostra verdadeira. Os antigos místicos bem como ancestrais de várias civilizações de alguma forma sempre afirmaram que tudo no universo é uma coisa só.
     Ao usarmos um rádio ou telefone celular sabemos que a energia sonora da nossa voz é transformada  em impulso elétrico que, ao sair, novamente é transformado pela antena do aparelho em ondas eletromagnéticas que serão captadas por outro aparelho em lugar bem distante e novamente transformada em som num caminho inverso. Tudo isso é do conhecimento geral. Sabemos, usamos, mas não ficamos visualizando o processo o tempo todo.
     O universo parece ser como se fosse um infinito oceano de vibrações. Estas vibrações possuem comprimentos de onda diversos. Sabemos que os nossos olhos conseguem perceber determinadas frequências vibratórias que são transformadas em imagem de cabeça para baixo no fundo dos deles. No nosso cérebro essas imagens são novamente invertidas e ficam na posição que nos parece ao olhá-las. Sabemos também que existem muitas frequências vibratórias que o nosso aparelho visual não tem capacidade para perceber. Isto porém não quer dizer que elas não existam. Daí concluimos que existem duas formas da mesma coisa. Uma como ela é e outra como nós a percebemos.
     Podemos dizer então que tudo em sua essência é energia.  Em consequência lá na nossa origem não existe a separação entre um e outro. É por isso que dizemos que todos somos parte deste único oceano de energias.
     Quando chegamos a compreensão real de que a energia da qual somos formados é a mesma que a dos outros, percebemos que estamos sendo iludidos por nosso ego (note que o escrevo com letras minúsculas) e achamos que cada um de nós é um ser separado.
     As experiências de um psicólogo havaiano acabam nos mostrando como vivemos num mundo de ilusões. Quando li pela primeira vez sobre Ho´oponopono, fiquei interessado e decidi pesquisar mais. Descobri que em vários sites já fora contada a história do Dr. Ihaleakala Hew Len, psicólogo havaiano e seu trabalho de cura de criminosos insanos. Vou me permitir repeti-la aqui para ilustrar o que foi dito acima.
HO´OPONOPONO
Em havaiano HO´O significa "causa" e PONOPONO quer dizer "perfeição". Portanto Ho´oponopono significa "corrigir um erro" ou "tornar certo".
     O sistema Ho´oponopono foi criado pelo Dr. Len. Ele curou um pavilhão inteiro de pacientes criminais insanos da maior periculosidade, sem sequer ver ou tocar um deles. Como? Basicamente ele estudava a ficha do presidiário e tentava sentir dentro de si mesmo aquela enfermidade e invocando a força do amor ele apenas repetia: ME PERDOE - SINTO MUITO - TE AMO - SOU GRATO.

     Em entrevista o Dr. Len explicou que havia trbalhado no hospital Estatal do Havai por quatro anos. O pavilhão onde encerravam os criminosos loucos era perigoso e geralmente os psicólogos designados para trabalhar lá desistiam em um mês. Eles temiam ser atacados ou não se sentiam bem trabalhando naquele local. Assim, o Dr. Len passou a examinar a ficha de cada paciente, trabalhando em si mesmo. Enquanto trabalhava em si, a cura dos pacientes teve início:
     "Depois de alguns meses, foi permitido aos pacientes que deveriam ficar encarcerados, caminhar livremente. Outros que tinham que estar fortemente medicados começaram a diminuir sua medicação. E aqueles que jamais teriam nenhuma possibilidade de ser liberados, tiveram alta."
     "Não só isto, mas o pessoal começou a ir feliz para o trabalho."
     O Dr. Len afirmou: "Eu simplesmente estava curando aquela parte minha que tinha criado aquilo neles."

     Difícil de compreender e aceitar? Estamos caminhando para era em que processos como este serão corriqueiros. A Física Quântica mostra que somos todos um. O universo é interligado por uma teia invisível. Partindo deste princípio o mal de um é o mal de todos; a cura de um é a cura de todos. Ou seja, se deseja melhorar a vida, cure-se a si mesmo. Se deseja curar alguém, mesmo que seja um criminoso insano, o primeiro passo é acreditar que a insanidade dele também mora latente dentro de você mesmo. Cure-se e curará o outro. ("Queres reformar o mundo, reforma-te primeiro meu amigo" Desiderata II)
     "Amar a si mesmo é a melhor forma de melhorar-se e enquanto você se melhora, melhora o seu mundo", ensina o Dr. Len.
    
     Lembre-se: TUDO COMEÇA NA MENTE. O Ho´oponopono é um processo que vai purificando a mente de maneira segura e gradual.
     Ho´oponopono pode ser praticado por qualquer pessoa de qualquer cultura ou religião, porque Ho´oponopono é, simplesmente, A ARTE DE PERDOAR.
     Acredite ou não, o seu universo físico é uma criação de seus pensamentos. Se seus pensamentos são doentes, eles criarão uma realidade física doente. O contrário também é verdadeiro: se seus pensamentos são perfeitos, eles criarão uma realidade física igual. Temos que ter em mente que somos 100% responsáveis por criar o nosso universo físico tal como ele é. Desta forma também somos 100% responsáveis por corrigir nossos pensamentos doentes que criaram nossa realidade doente.
     Nada está fora. Tudo existe como pensamentos em nossa mente. Se realmente acreditamos que a Divindade nos criou, então  certamente ela sabe o que é correto e perfeito para nós. Se assim é, então porque somos pobres, infelizes e temos tantos problemas? Deus não nos criou imperfeitos, mas o ego da nossa consciência objetiva faz-nos acreditar que nós sabemos o que é melhor e agimos em de tal forma.

     No nosso subconsciente estão armazenadas todas experiências e pensamentos que já tivemos. Na verdade dizem que nossas decisões são norteadas por memórias conscientes e subconscientes. Quando tomamos uma decisão mais de 90% dela foi fundamentado em pensamentos que estão na mente subconsciente e só um pequeno percentual foi em função da nossa mente objetiva. Percebe-se por aí a importância de corrigirmos pensamentos errôneos que estão no subconsciente, mas que continuam dirigindo nossas ações.
     No entanto ao praticarmos ho´oponopono não devemos fazê-lo esperando um resultado específico. Nós não podemos pretender dizer à Divindade que resultados queremos com a nossa limpeza. Neste processo é preciso entregar-se e confiar mantendo-nos em paz. Vamos limpar apenas por limpar. Portanto, ao olhares para dentro de ti, faça-o com AMOR.

     Quando dizemos SINTO MUITO, estamos aceitando nossa responsabilidade. O pedido de PERDÃO é um agente transmutador. Na verdade não estás pedindo a Deus que te perdoe, estás pedindo a Ele que te ajude a perdoar a ti mesmo. (Já notaram como se fica leve depois de um pedido de perdão).
Quando dizemos TE AMO, liberamos a energia que estava bloqueada (o problema) e foi transmutada  em energia ativa. Isto faz com que voltemos a nos unir à Divindade. Finalmente o agradecimento (SOU GRATO - MUITO OBRIGADO) nos encherá de luz. Esta expressão de gratidão é a nossa fé que tudo será resolvido para o bem maior de todos os envolvidos. (Fonte: Ho’oponopono Brasil)
     
     Parece que a necessidade de fazer convencer, fazer alguém entender o nosso ponto de vista, de justificar, de converter, são jogos da nossa mente consciente querendo controlar os resultados. Quando um problema aparece, o nosso intelecto sempre procura alguém ou a alguma coisa para culpar. Não percebemos que a origem está sempre dentro de nós.

     Para aqueles que quiserem começar a sua limpeza de pensamentos, colocamos o audio a seguir como um exemplo. É claro que cada um poderá colocar uma música suave que seja do seu agrado como fundo musical, em um lugar silencioso e fazer ho´oponopono da sua maneira.

     Que possamos a cada  dia nos tornarmos conscientes da nossa responsabilidade pelo nosso mundo. Que Paz e a Harmonia esteja sempre em seu pensamento e em seu coração.

Exercício de Ho´oponopono

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Consciência - O que ela é.

     Todos nós, algum dia, já tivemos a impressão de que o tempo andou mais rápido nos momentos em que estivemos ou concentrados em nosso trabalho ou em algum evento social alegre. Quando crianças tinhamos a sensação de que os anos não passavam. Quem não sentiu a mesma sensação estando na recepção de um consultório médico e com muitas coisas para fazer depois da consulta?
     Em 1952 o físico alemão Winfried Otto Schumann demonstrou matematicamente picos no espectro da banda de frequências extremamente baixas da Terra. Mais tarde, em sua homenagem, este fenômeno recebeu o nome de ressonância Schuman. (mais detalhes no site: http://www.projetoportal.org.br/noticias/12-ciencia/32-entendendo-a-ressonancia-de-schumann.html )
     Algumas pessoas defendem o fato de que o aumento (de 7,83 para 13) dessa frequência faria com que sentíssemos o tempo andando mais rápido. Outros discordam desta teoria.

    Deixando de lado a ressonância Schumann, quero voltar o fato de que em algumas ocasiões ficamos plenamente conscientes do tempo e em outras não. Por isso acho interessante tentar entender o fenômeno da consciência.
     Através da consciência temos a sensação, podemos perceber e raciocinar. Ela é o aspecto mental da vida. Dinâmicamente ela nos permite desejar, imaginar e termos inspirações (insight).
     Funcionalmente a consciência nos permite reagir ao ambiente, mas também reagirmos às nossas próprias ações.
     As escolas místicas afirmam que a consciência exerce suas funções em forma de duas mentes: uma objetiva e uma subconsciente. A objetiva atuando através dos cinco sentidos tem por finalidade preservar o corpo físico. Quando, porém esta mente usando o cérebro (que é físico) nos permite recordar ou imaginar algo, mudamos seu nome e dizemos que ela é subjetiva. Já a mente subconsciente não depende dos sentidos físicos e acredita-se que ela persista após a morte do corpo físico.
     Esta consciência Divina no ser humano tem suas próprias faculdades para perceber e o seu próprio campo de manifestação (que não é físico). Esta consciência Divina, espiritual no ser humano é chamada de Eu interior.
     Existe um interrelacionamento entre a Consciência, a Força Vital e a Mente já que elas entram no corpo no mesmo instante. Da mesma forma, deixam conjuntamente o corpo quando este morre.
     Não se deve confundir mente com cérebro. Ele é um órgão físico e exerce algumas funções da mente. Em teste com animais comprovou-se que a mente continuou atuante de formas diferentes após a remoção do cérebro.
     Embora se fale em mente subconsciente e objetiva, talvez não existam dois tipos de mente, mas uma só manifestando-se em dois campos distintos. Considera-se esta mente que atua no ser humano parte da Mente Divina. Esta Mente Universal, onipresente seria constituída pela mente do Supremo Ser e da consciência  ou mente de todos os seres vivos. Assim, elas formariam um consenso de mente e pensamento no qual toda inspiração, toda idéia, toda forma de expressão universalmente importante seria registrada. Como se ela fosse um infinito banco de dados. As informações contidas nesse Divino banco de dados podem ser acessadas por nós desde que nos harmonizemos com estes registros adequadamente. Para isso uma condição indispensável é que a nossa mente objetiva seja adormecida o máximo possível. Aparentemente é isso que os psicólogos fazem quando induzem seus pacientes numa sessão de hipnose com regressão da memória.
     A Força Vital, por sua vez, é a energia que vitaliza o corpo no instante do nascimento e permance nele até o momento da sua morte. Embora a Força Vital provenha da mesma fonte de toda a energia, sua frequência vibratória é diferente (mais baixa) da energia da mente.

    Analizando o tema da consciência em seu livro A Potência do Nada, Marcelo Malheiros Galvez (formado em Direito, História e Filosofia pósgraduado em Teoria da Ciência) diz:


     "Quando voltamos nossa atenção para a própria consciência e tentamos unicamente percebê-la, constatamos que ela é pura percepção (a razão é uma função que a ela se agrega, assim como a vontade). Em outros termos, quando me autopercebo, constato que "o que percebo em mim" é uma testemunha além dos próprios conteúdos da consciência. Vejo que não sou o corpo com suas afecções, nem as emoções, nem mesmo os pensamentos.
Sou alguma coisa por trás disso; sou aquela unidade em face da qual existem tais conteúdos; uma presença presente, um eu perceptivo, uma unidade que registra e vive. O que resta ao final desse processo é uma sensação de indeterminação, de vacuidade de ser ou de significado, mas, também por outro lado, curiosamente, de intensa cocretude e densidade. A consciência, neste caso, torna-se a um só tempo transparente e concreta. A testemunha que ela é ilumina tudo, revela-se individualizando-se de forma universal; eu sou tudo; tudo é eu. Em tal momento, os conceitos, as idéias, a memória pessoal, enfim, os possíveis conteúdos da consciência, desaparecem momentâneamente.
     Mas qual a verdadeira natureza da consciência? Talvez a melhor definição, ainda que por analogia, seja "vazio". O fato é que ela não pode ser objeto de conhecimento porque é irredutivelmente sujeito (a condição de toda experiência). A única coisa que podemos saber é o que ela torna possível. Dizermos que ela constitui um receptáculo de conteúdos não explica muita coisa. Descrevemos suas funções, mas não podemos compreender sua possibilidade. Apenas sentimos o que é estar e ser consciente.
     Em outros termos, a consciência não pode ser um possível objeto de conhecimento, pois não é possível de ser percebida pelos sentidos, apenas apreciada, em sua atividade, por si mesma. Constitui o núcleo de qualquer representação, seja esta uma sensação, uma percepção, um pensamento ou uma emoção. Sua possibilidade, sua realidade, está para além do próprio conhecimento discursivo, descritivo, embora seja a própria raiz da realidade, visto que é a possibilidade de qualquer coisa, uma vez que permite a precepção e a conscientização. Enfim, por não ser "alguma coisa", torna possível todas as coisas, à medida que estas só são, quando percebidas. Neste sentido, ela é um nada (que torna tudo possível); e como nada, uma unidade, um absoluto.
     É precisamente esse vazio, esse nada, essa incompletude, essa carência de conteúdo, a origem da angústia da existência e, em última instância, a mola propolsora da ação do homem no mundo; da construção da cultura (que cria significados e dá sentido à existência) e da civilização. As outras carências que o movem, a fome, a sede, e demais necessidades, são meros reflexos desta carência maior que é a carência de ser; ser completo."

Que na quietude do silêncio possamos restabelecer em nós a Harmonia e a Paz.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Crer ou Saber

   Vivemos atualmente num mundo de muitas crenças. Crer é acreditar. Acreditar em algo sem, contudo ter vivenciado aquilo em que se acredita. Portanto crer não é saber. O saber é como uma flor que desabrocha. Para alcançarmos a sabedoria é preciso buscar a verdade. Isto, porém é um trabalho estritamente pessoal. Não pode haver indermediários. As outras pessoas podem nos sugerir algo, mas não podem fazer a busca por nós.
   Assim, acredito que ninguém deveria ser condicionado, a partir a infância ou mesmo mais tarde, a aceitar esta ou aquela crença. As pessoas deveriam ser ajudadas a saber pesquisar para encontrar a sua verdade preservando assim a sua liberdade. No entanto, usa-se a desculpa de que uma criança não tem discernimento para escolher e então impingimos a ela a nossa verdade. A verdade é um tesouro que não pode ser obtido de outra pessoa. Precisamos encontrá-la por nós mesmos.
   Esta busca por ser um tanto quanto trabalhosa, poucas pessoas estão dispostas a enfrentá-la. A busca da verdade requer reflexão, discernimento, sensatez e muito questionamento. A maioria das pessoas, porém prefere a crença porque para crer não é preciso esforço. Um mundo competitivo, como o nosso, em que a lei do menor esforço gera maior rendimento, faz com que as pessoas se habituem a este tipo de comportamento aceitando-o como bom e verdadeiro.
   Observe: Os controles remotos tornam a vida menos trabalhosa. Já não precisamos levantar da cadeira para trocar o canal de TV ou a faixa musical que estiver tocando no nosso aparelho de som. Esquecemos que estes pequenos esforços geram saúde. Parece controverso: trabalhamos muito acumulando dinheiro para podermos ficar parados e depois gastamos nosso dinheiro, nas academias ou com médicos, para consertar os defeitos que a ociosidade causou ao nosso corpo.
   Quando os políticos fazem sua propaganda não nos damos ao trabalho de pesquisar para descobrir o quanto de verdade existe no que eles dizem. Depois de eleitos, percebemos que este ou aquele político, em quem votamos, estava apenas interessado no seu cargo e no dinheiro público que viria a passar pela sua mão.
A indústria alimentícia nos enche de aditivos (conservantes, corantes, estabilizantes, etc.) que não tem nenhum valor nutritivo, mas são usados para dar maior vida útil aos alimentos embalados. Os fast-food (comida rápida) nos enchem de colesterol. Tudo porque é trabalhoso fazer um alimento mais saudável e porque vivemos correndo o tempo todo.
   Olhando com calma, percebe-se que todo esforço é saudável tanto para o corpo quanto para a mente. É por isso que não devemos nos intimidar pelo esforço de buscar a verdade e com isso a nossa verdadeira liberdade de pensamento. Metade do caminho para a verdade terá sido percorrida quando decidimos sinceramente não sermos mais vítimas de crenças. Este é o maior esforço a ser feito. A partir de então, não precisaremos mais buscá-la. Ela naturalmente virá até nós. Basta que fiquemos em silêncio para recebê-la.
   O Profeta de Gibran Khalil Gibran aborda o autoconhecimento assim: "Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites, mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que o vosso coração sabe. Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamentos. Quereis tocar com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos. A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr , murmurando para o mar. O tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos. Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos e não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou sonda, porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas..."
   A verdade é eterna. Descobri-la significa tornar-se parte da eternidade. A verdade já foi chamada de Deus, Nirvana e muitos outros nomes pelas pessoas, mas só pode ser vivenciada no silêncio, na serenidade e na paz interior.
   A todos os nossos desejos intensos de Harmonia e Paz e que este ano de 2012, seja pleno de discernimento e compreensão nas vivências que certamente ele nos trará.