Quando se fala em “consciência” imediatamente vem-nos à mente o que percebemos através dos cinco sentidos físicos e a nossa relação com as coisas externas ao nosso corpo. Mas existe um outro tipo de consciência que vai além da consciência simples e da autoconsciência. É a chamada Consciência Cósmica.
É fácil e lógico acreditar que à semelhança de todos os outros tipos de evolução, a evolução da consciência humana também esteja acontecendo desde o início da sua criação. Assim, pouco a pouco começam a aparecer no mundo pessoas que já demonstram ter alcançado um tipo de consciência mais elevado do que a maioria das pessoas. Daí, depreende-se que a humanidade como um todo, um dia, alcançará este tipo de consciência.
Richard Maurice Bucke, M.D. que em sua vida ocupou a superintendência médica do asilo para insanos do Hospital Londres, Canadá, escreveu uma obra intitulada Consciência Cósmica – Estudo da evolução da mente humana. Nela ele comenta vários casos de pessoas que teriam alcançado este tipo de consciência. Dentre estes casos citados, destacamos aqui os nomes de: Gautama, o Buda; Jesus, o Cristo; Paulo, o apóstolo; Plotinus; Maomé; Dante Aligneri; Bartolomé Las Casas; Juan Yepes; Francis Bacon; Jacob Boehme; Willian Blake; Honoré de Balzac; Walt Whitman e Edward Carpenter.
O livro é relativamente extenso, porém interessante uma vez que além de explicar os diversos tipos de consciência, traz extratos de citações daqueles que alcançaram algum nível da consciência cósmica e comentários de outros autores sobre estas pessoas especiais.
Vou transcrever aqui apenas uma parte do seu prefácio:
Vou transcrever aqui apenas uma parte do seu prefácio:
"Que é Consciência Cósmica? Este trabalho é uma tentativa de resposta a esta pergunta. Não obstante, parece-nos razoável explicá-lo em prefácio breve, escrito em linguagem tão simples quanto possível, como forma de abrir as portas a uma exposição mais elaborada, que deve ser alcançada no corpo do trabalho. Consciência Cósmica seria, pois, uma forma de consciência mais elevada do que a normalmente possuída pelo homem comum. Essa é a chamada autoconsciência e é aquela faculdade sobre a qual repousa toda a nossa vida (tanto subjetiva como objetiva), que não é comum em nós e nos animais mais elevados, exceto naquela pequena porção que deriva dos poucos individuos que tiveram a consciência mais elevada, acima mencionada.
Para que se torne o assunto mais claro, é necessário compreender que há três formas, ou graus, de consciência.
(1) Consciência Simples, possuida pela metade superior do reino animal. Em função dessa faculdade, um cachorro ou um cavalo tem tanta consciência dos fatos sobre si mesmo como o homem; eles também estão conscientes de seus membros e corpo e sabem que aqueles são uma parte de si mesmos.
(2) Acima dessa Consciência Simples, que tanto o homem como os animais possuem, o homem tem outra denominada Autoconsciência. Em virtude dessa faculdade, o homem está consciente não apenas das árvores, das pedras, da água, de seus próprios membros e corpo, mas torna-se consciente de si mesmo como uma entidade distinta, separada do restante do universo. É tão bom quanto certo que nenhum animal possa ter consciência de si mesmo dessa forma. Ainda mais, por meio da autoconsciência, o homem (que sabe como o animal sabe) torna-se capaz de tratar seus própios estados mentais como objetos de consciência. O animal está imerso em sua consciência como um peixe no mar. Ele não pode, nem em imaginação, livrar-se dela por um só instante, para concebê-la como é. Mas o homem, em virtude da autoconsciência, pode colocar-se fora de si mesmo e pensar: "Sim, o pensamento que me ocorreu sobre aquele assunto é verdadeiro; Eu sei que é verdadeiro e sei que sei que é verdadeiro." Perguntaram ao escritor: "Como você sabe que os animais não podem pensar da mesma maneira?" A resposta é simples e conclusiva: Não há evidência de que um animal possa pensar assim, pois, se pudesse, imediatamente o saberiamos. Entre duas criaturas que vivem juntas, como os cachorros ou cavalos e o homem, cada um deles autoconsciente, a coisa mais natural do mundo seria que se estabelecesse a comunicação. Ainda da forma como é, com psicologias tão diversas como as que temos, nós o fazemos através da observação dos seus atos, penetrando na mente do cachorro quase que tão livremente que percebemos o que aí se passa. Sabemos que o cachorro vê e ouve, cheira e prova; sabemos que possui inteligência pois adapta os meios ao fim e que raciocina. Caso fosse autoconsciente, nós o saberiamos a muito tempo. E se não o sabemos é porque nenhum cachorro, cavalo ou elefante jamais teve autoconsciência. Ainda há mais: na autoconciência do homem está armazenado tudo o que não é humano. A linguagem está para o objetivo como a autoconsciência está para o subjetivo. Autoconsciência e linguagem (dois em um, pois são duas metades da mesma coisa) são condições sine qua non para a vida humana social: os costumes, instituições, industrias de todas a espécie, todos os tipos de arte. Se algum animal possuisse autoconsciência, certamente construiria sobre essa faculdade mestra, tal como fez o homem, uma superestrutura de linguagem, com hábitos racionais, indústrias e arte. Mas nenhum animal o fez, donde podemos concluir que nenhum animal tem autoconsciência.
Como o homem domina a autoconciência e a linguagem, isso criou um enorme abismo entre ele e as criaturas mais elevadas que possuem apenas consciência.
(3) Consciência Cósmica é a terceira forma, tão acima da Autoconsciência como essa se encontra acima da Consciência Simples.
Nessa forma, sobrexistem tanto a Autoconsciência como a Consciência Simples, da mesma forma que a Consciência Simples sobrexiste quando a Autoconsciência é adquirida; mas, acrescida a ela, está a nova faculdade.
A principal característica da Consciência Cósmica é, como o próprio nome indica, a consciência do cosmo, da vida e da ordem do universo.
Juntamente com a consciência do cosmo ocorre uma iluminação intelectual que por si mesma situaria o individuo em um novo plano de existência, convertendo-o, praticamente, em membro de uma nova espécie. Acrescente-se a isso um estado de exaltação e jubilo e uma aceleração do sentido moral totalmente surpreendente e mais importante, tanto para o indivíduo como para a raça, do que o poder intelectual. Juntamente com isso surge o que poderíamos chamar de um sentido de imortalidade, uma consciência da vida eterna, não como convicção de que algum dia a alcançará, mas como a certeza de que já a possui. .........."
Ainda sobre o mesmo assunto encontrei na rede, um arquivo de áudio de um discurso proferido por Tonio Luna. Em vida ele foi radialista e membro da Ordem Rosacruz - Amorc. Embora um pouco extenso o discurso aborda com com extrema clareza o tema da Consciência Cósmica.
Discurso sobre Conciência Cósmica - por Tonio Luna.
Estas mudanças em nossa consciência da vida humana e de seus valores que decorrem da consciência cósmica, são muito habilmente expressadas nas seguintes palavras do Dr. Harvey Spencer Lewis, primeiro Imperator da Ordem Rosacruz do atual ciclo:
"Depois que o estudante, em busca da evolução da consciência, inicia sua jornada na verdadeira senda do desenvolvimento cósmico, verifica que seus passos o estão levando não a coisas de utilidades materiais, melhores e mais caras. Mas, na realidade, para longe destas coisas, ou seja, para lugares simples, menos dispendiosos e saudáveis. Ele constata que a vestimenta mais simples é a mais bela em si mesma e mais satisfatória para suas vibrações pessoais, do que a mais requintada veste de qualquer cor. Deste modo ele busca as mais simples e entretanto as mais belas coisas da vida."
Uma ótima semana de Harmonia e Paz.
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