Todos nós, algum dia, já tivemos a impressão de que o tempo andou mais rápido nos momentos em que estivemos ou concentrados em nosso trabalho ou em algum evento social alegre. Quando crianças tinhamos a sensação de que os anos não passavam. Quem não sentiu a mesma sensação estando na recepção de um consultório médico e com muitas coisas para fazer depois da consulta?
Em 1952 o físico alemão Winfried Otto Schumann demonstrou matematicamente picos no espectro da banda de frequências extremamente baixas da Terra. Mais tarde, em sua homenagem, este fenômeno recebeu o nome de ressonância Schuman. (mais detalhes no site: http://www.projetoportal.org.br/noticias/12-ciencia/32-entendendo-a-ressonancia-de-schumann.html )
Algumas pessoas defendem o fato de que o aumento (de 7,83 para 13) dessa frequência faria com que sentíssemos o tempo andando mais rápido. Outros discordam desta teoria.
Deixando de lado a ressonância Schumann, quero voltar o fato de que em algumas ocasiões ficamos plenamente conscientes do tempo e em outras não. Por isso acho interessante tentar entender o fenômeno da consciência.
Através da consciência temos a sensação, podemos perceber e raciocinar. Ela é o aspecto mental da vida. Dinâmicamente ela nos permite desejar, imaginar e termos inspirações (insight).
Funcionalmente a consciência nos permite reagir ao ambiente, mas também reagirmos às nossas próprias ações.
As escolas místicas afirmam que a consciência exerce suas funções em forma de duas mentes: uma objetiva e uma subconsciente. A objetiva atuando através dos cinco sentidos tem por finalidade preservar o corpo físico. Quando, porém esta mente usando o cérebro (que é físico) nos permite recordar ou imaginar algo, mudamos seu nome e dizemos que ela é subjetiva. Já a mente subconsciente não depende dos sentidos físicos e acredita-se que ela persista após a morte do corpo físico.
Esta consciência Divina no ser humano tem suas próprias faculdades para perceber e o seu próprio campo de manifestação (que não é físico). Esta consciência Divina, espiritual no ser humano é chamada de Eu interior.
Existe um interrelacionamento entre a Consciência, a Força Vital e a Mente já que elas entram no corpo no mesmo instante. Da mesma forma, deixam conjuntamente o corpo quando este morre.
Não se deve confundir mente com cérebro. Ele é um órgão físico e exerce algumas funções da mente. Em teste com animais comprovou-se que a mente continuou atuante de formas diferentes após a remoção do cérebro.
Embora se fale em mente subconsciente e objetiva, talvez não existam dois tipos de mente, mas uma só manifestando-se em dois campos distintos. Considera-se esta mente que atua no ser humano parte da Mente Divina. Esta Mente Universal, onipresente seria constituída pela mente do Supremo Ser e da consciência ou mente de todos os seres vivos. Assim, elas formariam um consenso de mente e pensamento no qual toda inspiração, toda idéia, toda forma de expressão universalmente importante seria registrada. Como se ela fosse um infinito banco de dados. As informações contidas nesse Divino banco de dados podem ser acessadas por nós desde que nos harmonizemos com estes registros adequadamente. Para isso uma condição indispensável é que a nossa mente objetiva seja adormecida o máximo possível. Aparentemente é isso que os psicólogos fazem quando induzem seus pacientes numa sessão de hipnose com regressão da memória.
A Força Vital, por sua vez, é a energia que vitaliza o corpo no instante do nascimento e permance nele até o momento da sua morte. Embora a Força Vital provenha da mesma fonte de toda a energia, sua frequência vibratória é diferente (mais baixa) da energia da mente.
Analizando o tema da consciência em seu livro A Potência do Nada, Marcelo Malheiros Galvez (formado em Direito, História e Filosofia pósgraduado em Teoria da Ciência) diz:
"Quando voltamos nossa atenção para a própria consciência e tentamos unicamente percebê-la, constatamos que ela é pura percepção (a razão é uma função que a ela se agrega, assim como a vontade). Em outros termos, quando me autopercebo, constato que "o que percebo em mim" é uma testemunha além dos próprios conteúdos da consciência. Vejo que não sou o corpo com suas afecções, nem as emoções, nem mesmo os pensamentos.
Sou alguma coisa por trás disso; sou aquela unidade em face da qual existem tais conteúdos; uma presença presente, um eu perceptivo, uma unidade que registra e vive. O que resta ao final desse processo é uma sensação de indeterminação, de vacuidade de ser ou de significado, mas, também por outro lado, curiosamente, de intensa cocretude e densidade. A consciência, neste caso, torna-se a um só tempo transparente e concreta. A testemunha que ela é ilumina tudo, revela-se individualizando-se de forma universal; eu sou tudo; tudo é eu. Em tal momento, os conceitos, as idéias, a memória pessoal, enfim, os possíveis conteúdos da consciência, desaparecem momentâneamente.
Mas qual a verdadeira natureza da consciência? Talvez a melhor definição, ainda que por analogia, seja "vazio". O fato é que ela não pode ser objeto de conhecimento porque é irredutivelmente sujeito (a condição de toda experiência). A única coisa que podemos saber é o que ela torna possível. Dizermos que ela constitui um receptáculo de conteúdos não explica muita coisa. Descrevemos suas funções, mas não podemos compreender sua possibilidade. Apenas sentimos o que é estar e ser consciente.
Em outros termos, a consciência não pode ser um possível objeto de conhecimento, pois não é possível de ser percebida pelos sentidos, apenas apreciada, em sua atividade, por si mesma. Constitui o núcleo de qualquer representação, seja esta uma sensação, uma percepção, um pensamento ou uma emoção. Sua possibilidade, sua realidade, está para além do próprio conhecimento discursivo, descritivo, embora seja a própria raiz da realidade, visto que é a possibilidade de qualquer coisa, uma vez que permite a precepção e a conscientização. Enfim, por não ser "alguma coisa", torna possível todas as coisas, à medida que estas só são, quando percebidas. Neste sentido, ela é um nada (que torna tudo possível); e como nada, uma unidade, um absoluto.
É precisamente esse vazio, esse nada, essa incompletude, essa carência de conteúdo, a origem da angústia da existência e, em última instância, a mola propolsora da ação do homem no mundo; da construção da cultura (que cria significados e dá sentido à existência) e da civilização. As outras carências que o movem, a fome, a sede, e demais necessidades, são meros reflexos desta carência maior que é a carência de ser; ser completo."
Que na quietude do silêncio possamos restabelecer em nós a Harmonia e a Paz.
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