Vivemos atualmente num mundo de muitas crenças. Crer é acreditar. Acreditar em algo sem, contudo ter vivenciado aquilo em que se acredita. Portanto crer não é saber. O saber é como uma flor que desabrocha. Para alcançarmos a sabedoria é preciso buscar a verdade. Isto, porém é um trabalho estritamente pessoal. Não pode haver indermediários. As outras pessoas podem nos sugerir algo, mas não podem fazer a busca por nós.
Assim, acredito que ninguém deveria ser condicionado, a partir a infância ou mesmo mais tarde, a aceitar esta ou aquela crença. As pessoas deveriam ser ajudadas a saber pesquisar para encontrar a sua verdade preservando assim a sua liberdade. No entanto, usa-se a desculpa de que uma criança não tem discernimento para escolher e então impingimos a ela a nossa verdade. A verdade é um tesouro que não pode ser obtido de outra pessoa. Precisamos encontrá-la por nós mesmos.
Esta busca por ser um tanto quanto trabalhosa, poucas pessoas estão dispostas a enfrentá-la. A busca da verdade requer reflexão, discernimento, sensatez e muito questionamento. A maioria das pessoas, porém prefere a crença porque para crer não é preciso esforço. Um mundo competitivo, como o nosso, em que a lei do menor esforço gera maior rendimento, faz com que as pessoas se habituem a este tipo de comportamento aceitando-o como bom e verdadeiro.
Observe: Os controles remotos tornam a vida menos trabalhosa. Já não precisamos levantar da cadeira para trocar o canal de TV ou a faixa musical que estiver tocando no nosso aparelho de som. Esquecemos que estes pequenos esforços geram saúde. Parece controverso: trabalhamos muito acumulando dinheiro para podermos ficar parados e depois gastamos nosso dinheiro, nas academias ou com médicos, para consertar os defeitos que a ociosidade causou ao nosso corpo.
Quando os políticos fazem sua propaganda não nos damos ao trabalho de pesquisar para descobrir o quanto de verdade existe no que eles dizem. Depois de eleitos, percebemos que este ou aquele político, em quem votamos, estava apenas interessado no seu cargo e no dinheiro público que viria a passar pela sua mão.
A indústria alimentícia nos enche de aditivos (conservantes, corantes, estabilizantes, etc.) que não tem nenhum valor nutritivo, mas são usados para dar maior vida útil aos alimentos embalados. Os fast-food (comida rápida) nos enchem de colesterol. Tudo porque é trabalhoso fazer um alimento mais saudável e porque vivemos correndo o tempo todo.
Olhando com calma, percebe-se que todo esforço é saudável tanto para o corpo quanto para a mente. É por isso que não devemos nos intimidar pelo esforço de buscar a verdade e com isso a nossa verdadeira liberdade de pensamento. Metade do caminho para a verdade terá sido percorrida quando decidimos sinceramente não sermos mais vítimas de crenças. Este é o maior esforço a ser feito. A partir de então, não precisaremos mais buscá-la. Ela naturalmente virá até nós. Basta que fiquemos em silêncio para recebê-la.
O Profeta de Gibran Khalil Gibran aborda o autoconhecimento assim: "Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites, mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que o vosso coração sabe. Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamentos. Quereis tocar com os dedos o corpo nu dos vossos sonhos. A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr , murmurando para o mar. O tesouro de vossas profundezas ilimitadas precisa revelar-se a vossos olhos. Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos e não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou sonda, porque o Eu é um mar sem limites e sem medidas..."
A verdade é eterna. Descobri-la significa tornar-se parte da eternidade. A verdade já foi chamada de Deus, Nirvana e muitos outros nomes pelas pessoas, mas só pode ser vivenciada no silêncio, na serenidade e na paz interior.
A todos os nossos desejos intensos de Harmonia e Paz e que este ano de 2012, seja pleno de discernimento e compreensão nas vivências que certamente ele nos trará.
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