Senti vontade de abordar o tema destes dois perigosos
sentimentos porque quando começamos a perceber o verdadeiro significado da vida
é quase impossível não fazermos uma auto-análise. Se olharmos atentamente e com
sinceridade nossa maneira de pensar e agir perceberemos alguns traços em nosso
ser destes dois vilões. Tenho ouvido pessoas usarem o termo orgulho em dois
sentidos. Um quando realizam algo e se sentem satisfeitos com o resultado
(“sinto-me orgulhoso do que fiz”). Outro quando uma pessoa recusa-se em mudar
sua opinião mesmo quando todos os fatos apontam na direção contrária (“deixe de
ser tão orgulhoso e aceite os fatos”).
Fernando
Pessoa abordou o orgulho dizendo que ele é a consciência, certa ou
errada, do nosso próprio mérito. Depreendo daí que talvez ele quisesse
referir-se a “consciência certa” quando a pessoa realmente possui méritos e tem
consciência disto. Já sobre a vaidade ele diz que ela é a consciência,
certa ou errada da evidência do nosso mérito para os outros.
O
orgulho resulta, portanto, da idéia que fazemos de nós mesmos, mas quase
sempre, essa idéia não é real, isto porque é muito difícil conseguirmos ver a
nós próprios como realmente somos no cotidiano. Estamos acostumados com
vernizes sociais. Nosso ego quer sempre ser afagado e prefere sempre ouvir
gentilezas a verdade nua. Nosso ego através da mente é um especialista em
arranjar desculpas e justificativas para nossas falhas. Não somos humildes o
suficiente para aceitar isso. Nunca devemos confundir humildade com deixar-se
humilhar. A verdadeira humildade não é uma falsa modéstia, mas o reconhecimento
claro da realidade que nos envolve, tal qual ela é. É algo mais inerente ao
intelecto do que à moralidade.
Voltando
a analisar uma pessoa orgulhosa no sentido de que não aceita a veracidade dos
fatos em detrimento de sua opinião, observamos que as pessoas que convivem com
ele notam de forma clara o ridículo pelo qual ele passa e por serem gentis
ocultam-lhe este fato, mas evitam-no sem deixá-lo saber por quê.
A
diferença entre o orgulho e a vaidade é que enquanto este é uma espécie de
loucura que nos afasta da realidade de como as coisas realmente são. O orgulho,
portanto, é a convicção íntima de ser melhor, ainda que ninguém o veja. A
vaidade é uma insinceridade, uma hipocrisia. Um desejo secreto de ser o que não
somos para causar uma boa impressão no ambiente onde vive. Uma pessoa orgulhosa
geralmente também é vaidosa enquanto que uma pessoa vaidosa nem sempre é
orgulhosa.
Poucas
pessoas possuem visão interior correta, ou seja, a capacidade de observarem a
si mesmas, fazendo uma autocrítica justa, não tendenciosa. Quem possui essa
visão interior consegue avaliar a si mesmo, sem ilusões. A visão interior
correta é o resultado de esforço, de auto-análise, de reflexão, de maturação do
próprio espírito. Ainda somos imaturos espiritualmente, pois quando resolvemos
fazer alguma observação sobre nós mesmos a nossa deformada visão interior só vê
aquilo que possa servir de base para o nosso orgulho, a nossa vaidade. Por isso
geralmente só vemos as coisas positivas, principalmente aquelas que
acreditamos, ou nos interessa acreditar que possuímos.
Na
verdade costumamos nos ver numa condição muito superior à realidade. As qualidades
que observamos em nós, nos parecem bem maiores do que são, e os defeitos que
temos e que anulam muitas das nossas qualidades Nossos defeitos, geralmente não
os conseguimos ver ou os vemos com os olhos da complacência.
Não
haverá crescimento interior enquanto camuflarmos nossas falhas. Precisamos ser
verdadeiros conosco mesmos. Acredito mesmo que esta é a principal finalidade de
estarmos aqui na Terra - a de evoluirmos através das experiências.
Desejo a todos um Feliz Natal e uma semana de Paz e Harmonia.
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