"Analise uma janela: não passa de um buraco em uma
parede, mas por causa dela todo cômodo se enche de luz.
Assim, quando a mente está aberta e livre dos próprios
pensamento, a vida se desenrola sem esforço e o mundo
todo se enche de luz." Stephen Mitchell
É impressionante como fazemos a maior parte das atividades simples de forma quase automática. O rítimo mundo atual praticamente obriga o ser humano a andar muito rápido. Perdemos a capacidade de apreciar as coisas que fazemos. Quando menos percebemos, nossos filhos já cresceram. Fica a sensação de que estamos perdendo algo a todo instante.
Lembro com saudade do tempo em que residi numa vila em Foz do Iguaçu,PR. Quase todas as noites nos reuniamos com os vizinhos para tocar violão e bater papo de forma bem descontraída. Quando a lua vinha nos fazer companhia então, a noite ficava muito mais linda. Bons tempos aquele em que podiamos apenas sentir a vida fluindo sem pressa de chegarmos a algum lugar. Hoje, lendo "O Poder do agora" sinto que estávamos no caminho certo. A felicidade parece ser um conjunto de pequenas coisas que deram certo.
***
Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle
Libertando-se
da sua mente
-
O que
você quer dizer exatamente por “observar o pensador”?
Quando
alguém vai ao médico e diz: “Ouço uma voz dentro da minha cabeça”,
provavelmente será encaminhado a um psiquiatra. De uma forma ou de outra,
praticamente todas as pessoas ouvem uma voz, ou algumas vozes, o tempo todo
dentro da cabeça. São os processos
involuntários do pensar – que acreditamos que não podemos interromper –,
manifestando-se como monólogos ou diálogos contínuos.
Você já deve ter cruzado na rua com
pessoas “doidas” falando sem parar ou resmungando consigo mesmas. Isso não tem
nada de diferente do que acontece com você e com outras pessoas “normais”,
exceto que vocês não falam alto. A voz comenta, especula, julga, compara,
desculpa, gosta, desgosta etc. A voz não precisa ser relevante para a situação
do momento, pois ela pode estar revivendo o passado recente ou remoto, ou
ensaiando, ou imaginando possíveis situações futuras. Neste último caso, ela
imagina sempre as coisas indo mal e com resultados desfavoráveis. É o que se
chama de preocupação. Às vezes, essa trilha sonora é acompanhada de imagens ou
“filmes mentais”.
Mesmo
que tenha alguma relação com o momento, a voz será interpretada em termos do
passado. Isso acontece porque a voz pertence à mente condicionada, que é o
resultado de toda a nossa história passada, bem como dos valores culturais
coletivos que herdamos. Assim, vemos e julgamos o presente com os olhos do
passado e construímos uma imagem totalmente distorcida. Não é raro que a voz se
torne o pior inimigo de nós mesmos. Muitas pessoas vivem com um torturador em
suas cabeças, que as ataca e pune sem parar, drenando sua energia vital. Essa é
a causa de muita angústia e infelicidade, assim como de doenças.
A
boa notícia é que podemos nos libertar de nossas mentes. Essa é a
única libertação verdadeira. Dê o primeiro passo nesse exato momento. Comece a
prestar atenção ao que a voz diz, principalmente a padrões repetitivos de
pensamento, aquelas velhas trilhas sonoras que você escuta dentro da sua cabeça
há anos. É isso que quero dizer com “observar o pensador”. É um outro modo de
dizer o seguinte: ouça a voz dentro da sua cabeça, esteja lá presente, como uma testemunha.
Seja
imparcial ao ouvir a voz, não julgue nada. Não julgue ou condene o que você
ouve, porque fazer isso significaria que a mesma voz acabou de voltar pela
porta dos fundos. Você logo perceberá: lá
está a voz e aqui estou eu, ouvindo-a e observando-a.
Sentir
a própria presença não é um pensamento, é algo que surge de um ponto além da
mente.
“S”
Assim,
ouvir um pensamento significa que você está consciente não só do pensamento,
mas também de você mesmo, como uma testemunha daquele pensamento. Isso acontece
porque uma nova dimensão da consciência acabou de surgir. Quando você ouve o
pensamento, sente uma presença consciente, que é o seu eu interior mais
profundo, por trás ou por baixo do pensamento. O pensamento, então, perde o
poder que exerce sobre você e se afasta rapidamente, porque a mente não está
mais recebendo a energia gerada pela sua identificação com ela. Esse é o começo
do fim do pensamento involuntário e compulsivo.
Quando
um pensamento se afasta, percebemos uma interrupção no fluxo mental, um espaço
de “mente vazia”. No início, esses espaços são curtos, talvez apenas alguns
segundos, mas, aos poucos, se tornam mais longos. Quando esses espaços
acontecem, sentimos certa serenidade e paz interior. Esse e o começo do estado
natural de nos sentirmos em unidade com o Ser, que normalmente é encoberto pela
mente. Com a prática, a sensação de paz e serenidade vai se intensificar. Na
verdade, essa intensidade não tem fim. Você também vai sentir brotar lá de
dentro uma sutil emanação de alegria, que é a alegria do Ser.
Não
se trata de um estado de transe. Nada disso. Se o preço da paz fosse a perda da
consciência e o preço da serenidade, uma falta de vitalidade e de vivacidade,
então não valeria a pena. É exatamente o oposto. Nesse estado de conexão
interior, ficamos muito mais alertas. Estamos presentes por inteiro.
Ao
penetrarmos mais profundamente nessa área de “mente vazia”, como ela às vezes é
chamada no Oriente, começamos a perceber o estado de pura consciência. Nesse
estado, sentimos a nossa própria presença com tal intensidade e alegria que os
pensamentos, as emoções, nosso corpo, o mundo exterior – tudo se torna
insignificante comparado a este estado. No entanto, não é um estado egoísta, e
sim generoso. Ele nos transporta para um ponto além do que antes julgávamos ser
o nosso “eu interior”. Essa presença é essencialmente você e, ao mesmo tempo,
muito maior do que você.
“S”
Em
vez de “observar o pensador”, podemos também criar um espaço no fluxo da mente,
direcionando o foco da nossa atenção para o Agora. Torne-se consciente do momento. Isso é profundamente gratificante
de se fazer. Agindo assim, desviamos a consciência para longe da atividade da
mente e criamos um espaço de mente vazia, em que ficamos extremamente alertas e
conscientes, mas sem pensar. Essa é a essência da meditação.
Na
vida diária é possível pôr isso em prática dando total atenção a qualquer
atividade rotineira, normalmente considerada como apenas um meio para atingir
um objetivo, de modo a transformá-la em um fim em si mesma. Por exemplo, todas
as vezes que você subir ou descer as escadas em casa ou no trabalho, preste
muita atenção a cada passo, a cada movimento, até mesmo à sua respiração.
Esteja totalmente presente. Ou, quando lavar as mãos, preste atenção a todas as
sensações provocadas por essa atividade, como o som e o contato da água, o
movimento das suas mãos, o cheiro do sabonete, e assim por diante. Ou então,
quando entrar em seu carro, pare por alguns segundos depois que fechar a porta
e observe o fluxo da sua respiração. Tome consciência de um silencioso, mas
poderoso, sentido de presença. Para medir, sem errar, o seu sucesso nessa
prática, verifique o grau de paz dentro de você.
“S”
Portanto,
o passo mais importante na caminhada em direção à iluminação é aprendermos a
nos dissociar de nossas mentes. Todas as vezes que criamos um espaço no fluxo
do pensamento, a luz da nossa consciência fica mais forte. Um dia você pode se
surpreender sorrindo para a voz dentro da cabeça, como sorriria para as
travessuras de uma criança. Isso significa que você não está mais levando tão a
sério o que vai pela mente, Pois o seu eu interior não depende dela.
“S”
Continua
***
Alguma coisa mudou no site 4shared. Não estou conseguindo mais fazer upload de audios para usá-los aqui. Até tentei postá-los através do Drive do Google, mas não funcionou. Por isto retirei das postagens anteriores os áudios sobre o tema até que o problema seja solucionado.
Desejo uma ótima semana. Em Paz e Harmonia.
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