domingo, 24 de março de 2013

O Poder do Agora - Parte 7

O vídeo abaixo é alusivo ao tema.

Dádiva de Amor




            Acho que o capítulo de hoje do livro o Poder do Agora muito elucidativo. Considero extremamente interessante a abordagem que o autor faz sobre a formação do sofrimento dentro de nós. A resistência para aceitarmos os fatos sempre nos causa certo sofrimento. Uma reflexão sobre isso nos leva a crer que a não-aceitação é a causa do sofrimento.

            Ao ler o parágrafo abaixo onde o autor explica isso, lembrei-me de um episódio que presenciei quando estive no 1º Batalhão de Fronteira em Foz do Iguaçu no Paraná.

            Por um aspecto de higiene dentro das forças armadas, o corte de cabelo a uma altura baixoa faz parte do regulamento. Então certo dia o tenente Pedro (os nomes são fictícios) que era Comandante de uma Companhia de Fuzileiros determinou ao Sargento Carlos que ele cortasse o seu cabelo (que estava grande) e voltasse a se apresentar com a ordem cumprida. O sargento Carlos achando que seu cabelo não estava tão grande apenas o molhou e penteou bem rente indo em seguida apresentar-se como se o houvesse cortado.  O comandante percebendo a artimanha do sargento Carlos puniu-o com uma detenção por ter tentado enganar o seu comandante.

            Este tipo de punição vai para os registros de assentamentos e isso afeta o conceito que por sua vez, acaba retardando a promoção seguinte causando certo prejuízo na carreira do militar.

            Até aí nada tem a ver com o assunto da não-aceitação e o sofrimento, a não ser pelo fato de que o sargento Carlos não deu a mínima importância para a punição e suas consequências. Cumpriu-a e levou sua vida para frente. Algum tempo depois por ter chegado atrasado ao expediente o mesmo sargento foi novamente punido. Como da vez anterior, a punição não lhe causou nenhum desconforto. Mais um tempo se passou e novamente o sargento Carlos cometeu uma falta e quando o tenente Pedro o chamou, percebendo que as punições não surtiam o efeito apenas conversou e aconselhou o sargento a melhorar sua conduta junto à corporação, seus companheiros e comandados.

            A verdade é que o sargento Carlos apenas vivia a sua vida sem se preocupar com o futuro. Cumpria as punições e as aceitava sem reação nenhuma e em consequência sem sofrimento. É claro que não estamos aqui dizendo que a conduta do referido sargento fosse exemplar. Na época eu não conseguia entender como alguém poderia agir de tal forma.

 

Continuação do Livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle

CONSCIÊNCIA: O CAMINHO PARA ESCAPAR DO SOFRIMENTO


Não crie mais sofrimento no presente


Ninguém tem uma vida livre de sofrimento e mágoa. Não é uma questão de aprender a viver com isso, em vez de tentar evitar?

A maior parte do sofrimento humano é desnecessária. Ele se forma por si só, enquanto a mente superficial governa a nossa vida. O sofrimento que sentimos neste exato momento é sempre alguma forma de não-aceitação, uma forma de resistência inconsciente ao que é. No nível do pensamento, a resistência é uma forma de julgamento. No nível emocional, ela é uma forma de negatividade. O sofrimento varia de intensidade de acordo com o nosso grau de resistência ao momento atual, e isso, por sua vez, depende da intensidade com que nos identificamos com as nossas mentes. A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.

Por que a mente tem o hábito de negar ou resistir ao Agora? Porque ela não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e assim ela vê o atemporal Agora como algo ameaçador. Na verdade, o tempo e a mente são inseparáveis.

Imagine a Terra sem a vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Será que ainda haveria passado e futuro? Será que as perguntas “que horas são?” ou “que dia é hoje?” teriam algum sentido para um carvalho ou uma águia? Acho que eles ficariam intrigados e responderiam: “Claro que é agora. A hora é agora. O que mais existe?”

Não há dúvidas de que precisamos da mente e do tempo, mas, no momento, em que eles assumem o controle das nossas vidas, surgem os problemas, o sofrimento e a mágoa.

Para ter certeza de que permanece no controle, a mente trabalha o tempo todo para esconder o momento presente com o passado e o futuro. Assim, a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, ficam encobertos pelo tempo e a nossa verdadeira natureza é obscurecida pela mente. Todos nós sofremos ao ignorar ou negar cada momento precioso ou reduzi-lo a um meio para alcançar algo no futuro, algo que só existe em nossas mentes, nunca na realidade. O tempo acumulado na mente humana encerra uma grande quantidade de sofrimento cuja origem está no passado.

Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, não crie mais tempo, ou, pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de “criar” tempo? Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual. O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.

Às vezes, o momento atual é inaceitável, desagradável ou terrível.

As coisas são como são. Observe como a mente julga continuamente o comportamento, atribuindo nomes às coisas. Entenda como esse processo cria sofrimento e infelicidade. Ao observarmos o mecanismo da mente, escapamos dos padrões de resistência e podemos então permitir que o momento atual exista. Isso dará a você uma prova do estado de liberdade interior, o estado da verdadeira paz interior. Veja então o que acontece e parta para a ação, caso necessário ou possível.

Aceite, depois aja. O que quer que o momento atual contenha, aceite-o como uma escolha sua. Trabalhe sempre com ele, não contra. Torne-o um amigo e aliado, não seu inimigo. Isso transformará toda a sua vida, como por milagre.

 

(Continua)

 

            Que possamos viver cada momento em Paz e Harmonia.

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