“Sou um desnorteado. Quando todo
mundo é brilhante, somente eu não sou brilhante; quando todo mundo parece
Inteligente, sou estúpido.” (Lao Tse)
Vivenciar o
presente com toda intensidade, deixando de lado tanto quanto possível as
ansiedades por um futuro que talvez nunca chegue até nós é como grandes
pensadores dizem que é a melhor maneira de viver. Na citação acima o que Lao
Tse talvez quisesse dizer é que ele não calculava sua vida. Apenas a vivia sem
tentar decifrá-la ou saber para onde ela o estava levando. Isto me lembra do
Zeca Pagodinho com sua musica “deixa a vida me levar, vida leva eu...”.
Realmente
não é fácil silenciar os pensamentos, mas com algum esforço é possível. Percebo
isso quando procuro sentir as batidas do meu coração. No instante em que sinto
meu coração pulsar e fico consciente do seu bater, por alguns instantes os
pensamentos param. No entanto, no instante em que relaxo o foco da consciência
nele, os pensamentos retornam.
Quem já não se
percebeu tendo um pensamento indecoroso e teve de usar a força de vontade para
afastá-lo da mente. É quando percebemos claramente que não desejávamos ter
criado aquele pensamento. De acordo com o autor não fomos nós que o criamos,
mas a mente.
No seguimento
de hoje do livro O Poder do Agora veremos que uma pessoa que assistia a uma
palestra do autor sobre o assunto discorda dele quando cita que se não usamos a
mente, ela assume o comando. Logo depois, porém concorda que não consegue parar
seus pensamentos.
*-*
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)- Qual o maior obstáculo para vivenciar essa realidade?
Identificar-se
com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Ser
incapaz de parar de pensar é uma aflição terrível, mas ninguém percebe porque
quase todos nós sofremos disso e, então, consideramos uma coisa normal. O ruído
mental incessante nos impede de encontrar a área de serenidade interior, que é
inseparável do Ser. Isso faz com que a mente crie um falso eu interior que
projeta uma sombra de medo e sofrimento sobre nós. Examinaremos esses pontos
detalhadamente, mais adiante.
O
filósofo Descartes acreditava ter alcançado a verdade mais fundamental quando
proferiu sua conhecida máxima: “Penso, logo existo”. Cometeu, no entanto, um
erro básico ao equiparar o pensar ao Ser e a identidade ao pensamento. O
pensador compulsivo, ou seja, quase todas as pessoas, vivem em um estado de
aparente isolamento, em um mundo povoado de conflitos e problemas. Um mundo que
reflete a fragmentação da mente em uma escala cada vez maior. A iluminação é um
estado de plenitude, de estar “em unidade” e, portanto, em paz. Em unidade
tanto com o universo quanto com o eu interior mais profundo, ou seja, o Ser. A
iluminação é o fim não só do sofrimento e dos conflitos internos e externos
permanentes, mas também da aterrorizante escravidão do pensamento. Que
maravilhosa libertação!
Se
nos identificamos com a mente, criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos,
imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações
verdadeiras. Essa tela se situa entre você e o seu eu interior, entre você e o
próximo, entre você e a natureza, entre você e Deus. E essa tela de pensamentos
que cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existe você e um “outro”
totalmente à parte. Esquecemos o fato essencial de que, debaixo do nível das
aparências físicas, formamos uma unidade com tudo aquilo que é. Por “esquecermos”
quero dizer que não sentimos mais essa unidade como uma realidade evidente por
si só.
Podemos
até acreditar que isso seja uma verdade, mas não mais a reconhecemos como
verdade. Acreditar pode até trazer conforto. No entanto, a libertação só pode
vir através da vivência pessoal. Pensar se tornou uma doença. A doença acontece
quando as coisas se desequilibram. Por exemplo, não há nada de errado com a
divisão e a multiplicação das células no corpo humano. Mas, quando esse
processo acontece sem levar em conta o organismo como um todo, as células se
proliferam e temos a doença.
Se
for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando
a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso,
não é você que usa a sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não
usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua mente.
Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você.
- Não
concordo muito com isso. É verdade que penso muito sem um objetivo definido,
como a maioria das pessoas, mas ainda posso escolher como usar a minha mente
para ter e conseguir coisas, e faço isso o tempo todo.
Só porque podemos resolver palavras
cruzadas ou construir uma bomba atômica não significa que estejamos usando a
mente. Assim como os cães adoram mastigar ossos, a mente adora transformar
dificuldades em problemas. É por isso que ela resolve palavras cruzadas e
constrói bombas atômicas. Mas essas coisas não interessam a você. Pergunto então: você consegue se livrar
da sua mente quando quer? Já encontrou o botão que a “desliga”?
- A idéia é parar de pensar
completamente? Não, não consigo, a não ser por um ou dois segundos.
Então, é porque a mente está usando
você. Estamos tão identificados com ela que nem percebemos que somos seus
escravos. É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e
passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. A liberdade começa
quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso
nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de
consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de
inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da
inteligência.
Percebemos também que todas as coisas
realmente importantes como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria e a paz interior
surgem de um ponto além da mente. É quando começamos a acordar.
(Continua)
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