domingo, 4 de agosto de 2013

O Poder do Agora - Parte 21


                O desejo é sempre para o futuro. Não se pode desejar no presente. No aqui e agora só podemos vivenciar, mas nunca desejar. O problema com o desejo é que o futuro é algo que não existe. Não é real. Alguém já disse: “O futuro é um ponto obscuro que jamais virá para a luz”. O nosso ego só referencia-se com o passado e tenta alcançar o futuro. Para viver o presente não se precisa de passado nem de futuro. O presente é o momento de ser e também do Ser.

                Quando era pequeno me ensinaram a rezar para Deus me ajudar. Peça a Deus em suas orações, diziam. Hoje estou propenso a acreditar que Deus não se importa com o futuro, porque Ele sempre é. Ele nunca será e nunca foi. Passado e futuro pertencem ao ego. Desta forma não adianta pedir nada a Deus. Quando pedimos é porque temos um desejo a ser atendido. O mais correto seria agradecer ao Supremo Ser por tudo que temos. Então se o Criador não está no passado nem no futuro a oração não deve conter desejos, mas apenas agradecimentos.

                Assim, inspirado na poesia Ave Maria do Peão peço que Odilon Ramos, seu autor, me permita adaptar um pouquinho o texto a fim de deixar aqui o meu agradecimento: Graças Patrão por tudo que me deste. Por este pedaço de terra que precisei regar com meu suor, mas que aprendi a amar desde o começo. Pela minha parceira desta ronda da vida que está sempre de prontidão para me ajudar na tarefa mais árdua ou para sorver um mate comigo na hora do sossego. Reparto com ela esta fé e o orgulho pela vida simples que tenho...
               A ti que visitas esta página Paz, alegria e harmonia.
 
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle)
O que eles estão buscando?
Carl Jung relata, em um de seus livros, uma conversa mantida com um chefe indígena norte-americano para quem a maioria das pessoas brancas tinha rostos tensos, olhos espantados e um ar cruel. O chefe disse: “Estão sempre buscando alguma coisa. O que eles estão procurando? Os brancos sempre querem alguma coisa. Estão sempre agitados e descontentes. Não sabemos o que desejam. Achamos que são loucos”.
Não há dúvidas de que a tendência a uma permanente sensação de desconforto começou muito antes do surgimento da civilização industrial ocidental, mas foi na civilização ocidental, que hoje cobre quase todo o planeta, inclusive grande parte do Leste, que ela se manifestou de uma forma aguda sem precedentes. Ela já estava presente no tempo de Jesus e também seiscentos anos antes, no tempo de Buda, e muito antes desse tempo. “Por que vocês estão sempre ansiosos?”, Jesus perguntou aos discípulos. “Será que os seus pensamentos ansiosos podem acrescentar um simples dia às vossas vidas?” Da mesma forma, Buda ensinou que a raiz do sofrimento pode ser encontrada em nossos desejos e ansiedades permanentes.
A resistência ao Agora como uma disfunção básica coletiva está intimamente ligada à perda da consciência do Ser e forma a base da nossa civilização industrial desumanizada. Freud também reconheceu a existência dessa tendência para o desconforto e escreveu sobre o assunto em seu livro O Mal-Estar na Civilização, mas não admitiu a verdadeira raiz da inquietação e falhou em perceber que é possível libertar-se dela. Essa disfunção coletiva criou uma civilização muito infeliz e extraordinariamente violenta, que se tornou uma ameaça não só para si mesma, mas para toda a vida do planeta.
Dissolvendo a inconsciência comum
Como podemos nos livrar desse desconforto?
Torne-o consciente. Observe as muitas maneiras pelas quais o desconforto, o descontentamento e a tensão surgem dentro de você, através de julgamentos desnecessários, resistência àquilo que é e negação do Agora. Qualquer coisa inconsciente se dissolve quando a luz da consciência brilha sobre ela. Se soubermos como dissolver a inconsciência comum, a luz da nossa presença irá brilhar intensamente e será muito mais fácil lidarmos com a inconsciência profunda. Mas, no início, talvez não seja muito fácil detectar a inconsciência comum porque a consideramos uma coisa normal.
Habitue-se a monitorar o seu estado mental e emocional através de uma auto-observação. “Estou me sentindo à vontade nesse momento?” é uma pergunta que você deve se fazer com frequência. Ou pode se questionar: “O que está acontecendo dentro de mim neste exato momento”? Mantenha o mesmo nível de interesse pelo que vai tanto no seu interior quanto no exterior. Se você captar corretamente o interior, o exterior se encaixará no lugar. A realidade principal está no interior, a realidade externa é secundária. Mas não responda logo a essas questões. Direcione a sua atenção para o interior. Olhe para dentro de você. Que tipo de pensamentos a sua mente está produzindo? O que você sente? Dirija a atenção para o seu corpo. Existe alguma tensão? Quando você perceber um certo desconforto, um ruído estático ao fundo, verifique que caminhos você está usando para evitar, resistir ou negar a vida, o Agora. Existem muitos caminhos pelos quais resistimos, inconscientemente, ao momento presente. Vou dar alguns exemplos. Com a prática, o seu poder de auto-observação, de monitorar o seu estado interior, se tornará mais aguçado.
(Continua)

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