O
desejo é sempre para o futuro. Não se pode desejar no presente. No aqui e agora
só podemos vivenciar, mas nunca desejar. O problema com o desejo é que o futuro
é algo que não existe. Não é real. Alguém já disse: “O futuro é um ponto obscuro
que jamais virá para a luz”. O nosso ego só referencia-se com o passado e
tenta alcançar o futuro. Para viver o presente não se precisa de passado nem de
futuro. O presente é o momento de ser e também do Ser.
Quando
era pequeno me ensinaram a rezar para Deus me ajudar. Peça a Deus em suas
orações, diziam. Hoje estou propenso a acreditar que Deus não se importa com o
futuro, porque Ele sempre é. Ele nunca
será e nunca foi. Passado e futuro pertencem ao ego. Desta forma não adianta
pedir nada a Deus. Quando pedimos é porque temos um desejo a ser atendido. O mais
correto seria agradecer ao Supremo Ser por tudo que temos. Então se o Criador
não está no passado nem no futuro a oração não deve conter desejos, mas apenas
agradecimentos.
Assim,
inspirado na poesia Ave Maria do Peão
peço que Odilon Ramos, seu autor, me permita adaptar um pouquinho o texto a fim de deixar aqui o meu
agradecimento: Graças Patrão por tudo que
me deste. Por este pedaço de terra que precisei regar com meu suor, mas que
aprendi a amar desde o começo. Pela minha parceira desta ronda da vida que está
sempre de prontidão para me ajudar na tarefa mais árdua ou para sorver um mate
comigo na hora do sossego. Reparto com ela esta fé e o orgulho pela vida simples que tenho...
A ti que visitas esta página Paz, alegria e harmonia.
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle)
O que eles estão
buscando?
Carl Jung relata, em um de seus
livros, uma conversa mantida com um chefe indígena norte-americano para quem a
maioria das pessoas brancas tinha rostos tensos, olhos espantados e um ar
cruel. O chefe disse: “Estão sempre buscando alguma coisa. O que eles estão
procurando? Os brancos sempre querem alguma coisa. Estão sempre agitados e
descontentes. Não sabemos o que desejam. Achamos que são loucos”.
Não há dúvidas de que a tendência
a uma permanente sensação de desconforto começou muito antes do surgimento da
civilização industrial ocidental, mas foi na civilização ocidental, que hoje
cobre quase todo o planeta, inclusive grande parte do Leste, que ela se
manifestou de uma forma aguda sem precedentes. Ela já estava presente no tempo
de Jesus e também seiscentos anos antes, no tempo de Buda, e muito antes desse tempo.
“Por que vocês estão sempre ansiosos?”, Jesus perguntou aos discípulos. “Será
que os seus pensamentos ansiosos podem acrescentar um simples dia às vossas
vidas?” Da mesma forma, Buda ensinou que a raiz do sofrimento pode ser
encontrada em nossos desejos e ansiedades permanentes.
A resistência ao Agora como uma
disfunção básica coletiva está intimamente ligada à perda da consciência do Ser
e forma a base da nossa civilização industrial desumanizada. Freud também
reconheceu a existência dessa tendência para o desconforto e escreveu sobre o
assunto em seu livro O Mal-Estar na Civilização, mas não admitiu a
verdadeira raiz da inquietação e falhou em perceber que é possível libertar-se dela.
Essa disfunção coletiva criou uma civilização muito infeliz e
extraordinariamente violenta, que se tornou uma ameaça não só para si mesma,
mas para toda a vida do planeta.
Dissolvendo a
inconsciência comum
Como
podemos nos livrar desse desconforto?
Torne-o consciente. Observe as
muitas maneiras pelas quais o desconforto, o descontentamento e a tensão surgem
dentro de você, através de julgamentos desnecessários, resistência àquilo que é
e negação do Agora. Qualquer coisa inconsciente se dissolve quando a luz da
consciência brilha sobre ela. Se soubermos como dissolver a inconsciência
comum, a luz da nossa presença irá brilhar intensamente e será muito mais fácil
lidarmos com a inconsciência profunda. Mas, no início, talvez não seja muito
fácil detectar a inconsciência comum porque a consideramos uma coisa normal.
Habitue-se a monitorar o seu
estado mental e emocional através de uma auto-observação. “Estou me sentindo à
vontade nesse momento?” é uma pergunta que você deve se fazer com frequência.
Ou pode se questionar: “O que está acontecendo dentro de mim neste exato
momento”? Mantenha o mesmo nível de interesse pelo que vai tanto no seu
interior quanto no exterior. Se você captar corretamente o interior, o exterior
se encaixará no lugar. A realidade principal está no interior, a realidade
externa é secundária. Mas não responda logo a essas questões. Direcione a sua
atenção para o interior. Olhe para dentro de você. Que tipo de pensamentos a
sua mente está produzindo? O que você sente? Dirija a atenção para o seu corpo.
Existe alguma tensão? Quando você perceber um certo desconforto, um ruído
estático ao fundo, verifique que caminhos você está usando para evitar,
resistir ou negar a vida, o Agora. Existem muitos caminhos pelos quais
resistimos, inconscientemente, ao momento presente. Vou dar alguns exemplos.
Com a prática, o seu poder de auto-observação, de monitorar o seu estado
interior, se tornará mais aguçado.
(Continua)
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