“A emoção é
mais saudável quanto mais estável ela for e quanto mais
perdurarem os
sentimentos que alimentam o prazer e a serenidade”.
Augusto Cury
Já
fizemos algumas postagens sobre os sentimentos que são despertados em nós. Na
última postagem colocamos um excerto do livro Treinando a emoção para ser feliz, do médico, psiquiatra,
psicoterapeuta e escritor Augusto Jorge Cury. Este assunto é bastante
interessante porque a emoção é algo que está nos momentos de alegria e felicidade
como também em momentos desagradáveis. Compreender o que é a emoção e aprender a
nos preparar adequadamente para lidarmos com ela de forma a minimizarmos os
momentos desagradáveis eu creio que é algo sumamente importante. A compreensão
dos processos internos nos tornará mais capazes de enfrentar as dificuldades do
dia a dia.
Mas
o que realmente é a emoção? Do que ela é feita? Será que seremos capazes de
alcançar o domínio para que nossas emoções sejam somente de alegria e prazer?
Na
sequência do seu livro Augusto Cury lança um pouco de luz exatamente sobre
estas questões. Vejamos o que ele diz:
O que é a
emoção?
A emoção é um campo de energia em
continuo estado de transformação. Produzimos centenas de emoções diárias. Elas
se organizam; se desorganizam e se reorganizam num processo contínuo e inevitável.
O ideal é que o círculo de transformação da emoção seguisse uma trajetória
prazerosa, ou seja, que um sentimento de alegria se transformasse num
sentimento de paz, que se transformasse numa reação de amor, que se
transformasse numa experiência contemplativa. Mas, na realidade, o que ocorre
na vida de cada ser humano é que a alegria se converte em ansiedade, o prazer
em irritabilidade, enfim, as emoções se alternam.
Não é possível para a natureza humana
ter uma emoção continuamente prazerosa. Não existe, como muitos psicólogos
pensam, equilíbrio emocional. A emoção passa por inevitáveis ciclos diários.
Entretanto, a emoção é mais saudável quanto mais estável ela for e quanto mais
perdurarem os sentimentos que alimentam o prazer e a serenidade.
A tolerância é um atributo dos fortes
e não dos fracos. A tolerância produz
profunda estabilidade no campo da energia emocional. Só se constrói a tolerância
se primeiro se construir a capacidade de compreender as limitações dos outros.
Quanto
mais uma pessoa for intolerante, mais será invadida pelos comportamentos dos
outros, mais instável e angustiada será. O mesmo princípio ocorre com a capacidade
de perdoar. Perdoar não é sinal de fraqueza, mas de grandeza. Só os fortes perdoam.
Só eles conseguem ver o que está por detrás dos comportamentos dos outros. A arte do perdão protege a emoção. A capacidade de perdoar e de ser tolerante
depende de um treinamento.
Consta que Jesus tenha alertado seus
discípulos para “orar e vigiar”. Este alerta serve muito bem no momento atual.
Veremos na continuação do livro do Eckhart Tolle, abaixo, que na maioria do
tempo vivemos numa inconsciência e que nestes momentos a mente se torna nossa
governante. É importante vigiar os nossos pensamentos para sermos senhores de
nós mesmos.
Que possamos a cada dia sermos mais
conscientes de nós mesmos para termos cada vez mais Paz e Harmonia.
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle)
A inconsciência comum
e a inconsciência profunda
O que você quer dizer com diferentes níveis de
inconsciência?
Como você provavelmente sabe, o ser
humano se desloca constantemente entre fases do sono em que sonha e que não
sonha. Da mesma forma, a maioria das pessoas, quando acordada, se alterna entre
a inconsciência comum e a inconsciência profunda. Chamo de inconsciência comum
essa identificação com os nossos processos de pensamentos e emoções, nossas
reações, desejos e aversões. É o estado normal da maioria das pessoas. Nesse
estado, somos governados pela mente e não temos consciência do Ser. Não se
trata de um estado de sofrimento agudo ou de infelicidade, mas de um nível
baixo e contínuo de desconforto, descontentamento, enfado ou nervosismo, como
uma espécie de estática ao fundo. Talvez você não perceba muito bem essa
situação porque ela já faz parte da nossa vida “normal”, da mesma forma que
você não percebe um barulho contínuo ao fundo, como o zumbido do
ar-condicionado, até ele parar. Quando isso acontece de repente, ocorre uma
sensação de alívio. Muitas pessoas usam a bebida, as drogas, o sexo, a comida,
o trabalho, a televisão, ou até mesmo o ato de fazer compras como anestésicos,
em uma tentativa inconsciente para acabar com esse desconforto básico. Quando
isso acontece, uma atividade que poderia ser muito agradável, se feita com
moderação, passa a ter um componente de compulsão ou dependência, e tudo o que
se obtém sob essa influência traz uma sensação de alívio por um período
extremamente curto.
A sensação de desconforto da
inconsciência comum se transforma no sofrimento da inconsciência profunda, ou
seja, um estado de sofrimento ou infelicidade mais agudo e mais perceptível
quando as coisas “vão mal”, quando o ego é ameaçado ou quando existe um desafio
maior, tal como uma perda real ou imaginária em nossa situação de vida, ou um
conflito numa relação. A inconsciência profunda é uma versão ampliada da inconsciência
comum, da qual difere na intensidade, mas não na espécie.
Na inconsciência comum, uma
resistência habitual ou uma negação daquilo que é cria um desconforto que a maioria
das pessoas aceita como algo normal. Quando essa resistência se intensifica
através de algum desafio ou ameaça ao ego, faz aflorar uma negatividade intensa
que se manifesta sob a forma de raiva, medo profundo, agressão, depressão, etc.
A inconsciência profunda significa, com frequência, que o sofrimento começou e
que você passou a se identificar com ele. A violência física não aconteceria
sem o estado de inconsciência profunda. Ela pode explodir com facilidade quando
as pessoas geram um campo coletivo de energia negativa.
O melhor indicador do nível de
consciência é a maneira como você lida com os desafios da vida. É através
desses desafios que uma pessoa já inconsciente tende a se tornar mais
profundamente inconsciente, e uma pessoa consciente a se tornar mais
intensamente consciente. Podemos nos valer de um desafio para nos acordar ou
para permitir que ele nos empurre para um sono ainda mais profundo. O sonho no
nível da inconsciência comum se transforma, então, em pesadelo.
Se você não consegue estar presente
mesmo em situações normais, como, por exemplo, quando está sozinho em uma sala,
caminhando no campo ou ouvindo alguém, certamente não será capaz de permanecer consciente
quando alguma coisa “vai mal”. Será dominado por uma reação, que é sempre, em
última análise, alguma forma de medo, e empurrado para uma inconsciência
profunda. Esses desafios são os seus testes. Só o modo como você lida com eles
lhe mostrará onde você está no que se refere ao seu estado de consciência, e
não a quantidade de horas que você consegue ficar sentado com os olhos
fechados.
Portanto, é fundamental colocar mais
consciência em sua vida durante as situações comuns, quando tudo está correndo
de modo relativamente tranquilo. É assim que se aumenta o poder de presença.
Ele gera um campo energético de alta frequência vibracional em você e ao seu
redor. Nenhuma inconsciência, nenhuma negatividade, nenhuma discórdia ou
violência pode penetrar nesse campo e sobreviver, do mesmo modo que a escuridão
não consegue sobreviver na presença da luz.
(Continua)
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