Certo dia, num
fim de semana, eu estava conversando com minha neta e ela fez um comentário que
me lembrou de meu falecido pai. Ela disse em tom de chateação: “Não gosto do
domingo à tarde” e quando lhe perguntei por que, ela arrematou: “ah, porque na
segunda-feira e tenho de voltar para a escola”. Todos os anos quando se
aproximava o natal o humor de meu pai mudava. Não sei exatamente porque, mas
ele ficava chateado e triste. Hoje pela manhã eu estava lendo um capitulo do
livro “Treinando a emoção para ser feliz”,
do Augusto Cury e encontrei certa identificação no texto do livro com os
sentimentos da minha neta e do meu pai.
No
capítulo que fala das emoções Eckhart Tolle diz que a mente comporta
pensamentos e emoções e que um alimenta o outro num ciclo crescente. Acho
interessante comparar as ideias de Augusto Cury com as de Tolle por isto vou
reproduzir a seguir o texto que li do livro Treinando
a emoção para ser feliz.
Boa
leitura e uma excelente semana cheia de experiências felizes.
Pensamentos desencadeiam emoções
Muitos pensadores tem
procurado estudar a emoção, mas não poucos ficam mais confusos à medida que
avançam. O que são sentimentos? Que natureza constitui as emoções? Às vezes
estamos nos patamares mais altos da tranquilidade e, de repente, detonamos o
gatilho da ansiedade e irritação. Como transformamos as emoções tão
rapidamente? Por que temos facilidade para governar o mundo que nos envolve,
mas grandes dificuldades para governar as emoções? Qual a relação que as
emoções têm com os pensamentos?
Cada ser humano é um mundo de
mistérios. Nunca pense que você é um ser comum e sem importância. Há mais
mistérios no cerne da sua alma humana do que no universo. Os fenômenos
psicológicos são mais complexos do que os físicos.
A emoção deve influenciar todos os
campos da razão, mas não deve escravizá-la. Quem é governado pela razão é
calculista e insensível e quem é governado pela emoção é hipersensível. As duas
situações adoecem a alma humana.
Lembro-me de um empresário que
começou a ter medo de empobrecer. Sua saúde financeira estava ótima, mas sua
mente era perturbada com a ideia do empobrecimento. A emoção entrou em cena e
deu realismo à fantasia. Ele vivenciou tanto essa ideia que gerou intensa
ansiedade. Depois de um mês, o paciente estava andando corcunda, imaginando que
iria pedir esmola à porta de um templo.
Não há ninguém que não pense
tolices. Você teria coragem de chamar os seus amigos e parentes para dar uma
conferência sobre todos os pensamentos que passam em sua mente? Pensamos tantos
absurdos que acho que ninguém se animaria a fazer tal conferência. Alguns têm
muitos motivos para serem felizes, mas os pensamentos que produzem roubam-lhes
a paz. Cuidado com os pensamentos que geram autopunição, perfeccionismo,
preocupações exageradas.
Há pensamento sem emoção, mas não há
emoção sem pensamento. Precisamos ter esse conceito. Você pode pensar sem sentir,
mas não sente sem pensar. As emoções são desencadeadas pelos pensamentos, ainda
que eles sejam inconscientes ou pouco perceptíveis. As únicas exceções são as
emoções induzidas por drogas ou por transtornos metabólicos.
Aquele dia no qual você acordou pela
manhã apreensivo e ansioso e não entendeu a causa de sua ansiedade pode estar
associado a pensamentos perturbadores contidos nos sonhos produzidos logo antes
do despertar ou a pensamentos sutis que você produziu logo ao acordar, tais
como “a vida não tem sentido”, “parece que não dá nada certo comigo”, “hoje vai
ser um dia daqueles”. Seus pensamentos acalmam ou agitam as águas da sua
emoção.
Da qualidade dos seus pensamentos
deriva-se a qualidade de suas emoções. Cuide do que você pensa e estará cuidado
do presente e do futuro de sua emoção. Muitos fazem inúmeros seguros para se
proteger dos problemas futuros, mas não administram seus pensamentos para
assegurar que tenham uma emoção feliz. A indústria do seguro fecha a porta da
frente para a insegurança e o mundo das ideias negativas abre todas as janelas
do fundo para ela entrar. Que espécie estranha e paradoxal é a nossa?
Alguns sentem angústia ao entardecer
e não compreendem o motivo. Quando sai o dia e entra a noite eles se recolhem
dentro de si e aumentam a sua solidão. Alguns querem riscar do mapa o domingo à
tarde, pois têm necessidade de movimento, de ver gente. Se eles ficam sem
grandes atividades, caem na rotina, se interiorizam e aceleram a produção de
pensamentos negativos. Desse modo eles abrem as janelas para a solidão e o
tédio.
Precisamos garimpar o prazer nos
pequenos estímulos do ambiente que nos cerca Tudo parece comum aos nossos
olhos, embora tudo seja um mistério. Você pensa que conhece as pessoas com quem
trabalha e convive, mas não conhece nem a sala de visita de sua personalidade.
A vida parece insolúvel rotina, mas no fundo tudo é tão novo. Até a lembrança
do passado nunca é a mesma. Ao resgatar o passado acrescentamos cores e sabores
do presente.
Há sempre algo novo dento da mesmice
e belo dentro da rotina. Aqueles que olham os lírios dos campos dessa maneira
sempre consideração sua beleza mais sublime do que as vestes de um grande rei,
como o fez o mestre da emoção, Jesus o Cristo.
(Continuação do livro o Poder do Agora de Eckhart Tolle)
ESTRATÉGIAS DA MENTE
PARA EVITAR O AGORA
A perda do agora: a
ilusão central
Mesmo que eu aceite que o tempo é uma ilusão, que diferença
isso fará na minha vida? Tenho que continuar a viver em um mundo absolutamente
dominado pelo tempo.
O entendimento intelectual é
apenas mais uma crença e não vai fazer muita diferença para a nossa vida. Para
perceber essa verdade temos que vivenciá-la. Quando cada célula do nosso corpo
está tão presente que vibra com a vida, e quando conseguimos sentir essa vida a
cada momento como a alegria do Ser, podemos dizer que estamos livres do tempo.
Mas ainda tenho de pagar as contas e sei que vou envelhecer
e morrer, exatamente como todas as pessoas. Como posso dizer que estou livre do
tempo?
As contas de amanhã não são um
problema. A degeneração do corpo não é um problema. A perda do Agora é o
problema, ou melhor, a ilusão central que transforma uma situação simples, um
acontecimento ou uma emoção em um problema pessoal e em sofrimento. Perder o
Agora é perder o Ser.
Livrar-se do tempo é livrar-se da
necessidade psicológica tanto do passado quanto do futuro. Isso representa a
mais profunda transformação de consciência que você possa imaginar. Em casos
muito raros, essa mudança na consciência acontece de forma drástica e radical,
de uma vez por todas. Quando isso acontece, normalmente é através de uma
completa rendição, em meio a um sofrimento intenso. Muitas pessoas, entretanto,
têm de trabalhar para obtê-la.
Depois dos primeiros vislumbres
do estado atemporal de consciência, passamos a viver em um vaivém entre a
dimensão do tempo e a presença. Primeiro você começa a perceber que a sua
atenção raramente está no Agora. Entretanto, saber que você não está
presente já é um grande sucesso. O simples saber já é presença – mesmo
que, no início, dure só alguns segundos no tempo do relógio antes de
desaparecer outra vez. Depois, com uma frequência cada vez maior, você escolhe
dirigir o foco da consciência para o momento presente.
Você se torna capaz de ficar
presente por períodos mais longos. Portanto, antes que sejamos capazes de nos estabelecer
com firmeza no estado de presença, oscilamos, periodicamente, de um lado para o
outro, entre a consciência e a inconsciência, entre o estado de presença e o
estado de identificação com a mente. Perdemos o Agora várias vezes, mas
retornamos a ele. Por fim, a presença se torna o estado predominante.
A maioria das pessoas nunca
vivencia a presença. Ela acontece apenas de modo breve e acidental, em raras
ocasiões, sem ser reconhecida pelo que é. Muitos seres humanos não se alternam
entre a consciência e a inconsciência, mas somente entre diferentes níveis de
inconsciência.
(Continua)
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