Contraste.
Após
ter iniciado a caminhada numa senda de luz, muitas vezes desejei compartilhar
com os menos favorecidos a paz e a tranqüilidade que a compreensão me trouxera.
Percebi, porém, após vários trabalhos neste sentido, que as pessoas mais pobres
só participaram das reuniões por nós realizadas onde passávamos algum
conhecimento espiritual, para receber os donativos que distribuíamos. Não posso
negar que houve certa decepção da minha parte quanto ao que eu achava ser uma
contribuição para a evolução interior daquelas pessoas. Raros foram os que
continuaram a busca por mais compreensão.
Hoje
compreendo que cada um está num nível de compreensão e só consegue perceber o
mundo de acordo com a sua compreensão. Percebi também que o contraste é
fundamental para que se possa ver claramente. Não é a toa que se escreve com
giz branco em quadro negro. Mas, o que tem a ver o contraste com a busca por
iluminação? A verdade é que quando temos tudo o que precisamos materialmente,
ainda resta uma insatisfação. É como um vazio, uma incompletude. De repente nos
chega a percepção de que somos bem sucedidos externamente e pobres
internamente.
Se
olharmos para a história, veremos que todos os que são considerados avatares
eram ricos quando empreenderam a sua busca interior. Embora Buda não fosse
velho ele era rico quando iniciou sua busca por iluminação. Ele alcançou a
iluminação com cerca de vinte e nove anos. Se pesquisarmos, veremos que todos
os outros avatares do oriente foram reis ou príncipes.
O
contraste entre a riqueza exterior em contrapartida à pobreza interior desperta
uma forte e real vontade para alcançarmos uma satisfação interna semelhante à
alcançada externamente. São os pratos da balança da vida tentando se equilibrar
harmonicamente.
A
verdadeira harmonia acontece quando equilibramos a satisfação interna com o
sucesso externo. Quando uma pessoa é materialmente e espiritualmente pobre não
há contraste e em consequência ela não tendo como comparar ainda não encontra
impulso para uma busca por mais evolução interior.
Acredito
que o ser humano, sendo parte deste mundo, tem direito a ser bem sucedido externa
e internamente, malgrado os desmandos políticos ajam, na maioria das vezes,
contra.
Que possas ter uma semana de paz e
harmonia.
(Continuação do livro O Poder do
Agora de Eckhart Tolle)
Um
salto quântico na evolução da consciência
Tive
breves lampejos desse estado de liberdade da mente e do tempo que você
descreveu, mas o passado e o futuro são tão fortes que não consigo mantê-los
afastados por muito tempo.
O modelo da consciência condicionada pelo tempo está
profundamente enraizado na psique humana. Mas o que estamos fazendo aqui é
parte de uma profunda mudança que está se formando na consciência coletiva do planeta
e ainda mais: o despertar da consciência dissociada do sonho da matéria, da
forma e da separação. O fim do tempo. Estamos rompendo com padrões mentais que
dominaram a vida humana por eras. Padrões mentais que criaram um sofrimento
inimaginável, em larga escala. Não estou empregando a palavra demônio. É mais útil
chamar de inconsciência ou insanidade.
Essa
ruptura com o antigo modelo de consciência, ou melhor, inconsciência, é algo
que temos de fazer ou vai acontecer de qualquer maneira? Em outras palavras,
essa mudança é inevitável?
É uma questão de perspectiva. O fazer e o acontecer são,
na verdade, um processo único. Como somos únicos e formamos um todo com a
consciência, não podemos separar os dois. Mas não há uma garantia absoluta de
que os seres humanos vão conseguir. O processo não é inevitável nem automático.
Nossa cooperação é uma parte essencial do processo. Independentemente de como
você o veja, trata-se de um importante salto na evolução da consciência, assim
como a nossa única chance de sobreviver como raça.
A alegria do ser
Para demonstrar como você se deixou dominar pelo tempo
psicológico, experimente usar o critério
de se perguntar se existe alegria, naturalidade e leveza no que você está
fazendo. Se não existir, é porque o tempo está encobrindo o momento
presente e a vida está sendo percebida como um encargo ou uma luta.
A ausência de alegria, naturalidade ou leveza no que
estamos fazendo não significa, necessariamente, que precisemos mudar o que estamos
fazendo. Talvez baste mudarmos o como. “Como” é sempre mais importante do
que “o que”. Verifique se você pode dar muito mais atenção ao fazer do
que ao resultado desejado através do fazer. Dê a sua inteira atenção para o que
quer que o momento apresente. Isso implica que você aceitou totalmente o que é,
porque não se pode dar atenção completa a alguma coisa e, ao mesmo tempo,
resistir a ela.
Ao respeitarmos o momento presente, toda a luta e a
infelicidade se dissolvem e a vida começa a fluir com alegria e naturalidade.
Ao agirmos com a consciência do momento presente, tudo o que fizermos virá com um
sentido de qualidade, cuidado e amor, mesmo a mais simples ação.
Portanto, não se preocupe com o resultado da sua ação,
basta dar atenção à ação em si. O resultado surgirá espontaneamente. Essa é uma
valiosa prática espiritual. No Bhagavad Gita, um dos mais antigos e mais
belos ensinamentos espirituais que existem, o desapego ao resultado da ação é
chamado Karma Yoga. É descrito como o caminho da “ação santificada”.
Ao fim dessa luta compulsiva contra o Agora, a alegria do
Ser passa a fluir em tudo o que fazemos. No momento em que a nossa atenção se
volta para o Agora, percebemos uma presença, uma serenidade, uma paz.
Não dependemos mais do futuro para obtermos plenitude e
satisfação, não o olhamos mais como salvação.
Consequentemente, não estamos mais presos aos resultados.
Nem o fracasso nem o sucesso têm o poder de alterar o estado interior do Ser.
Você acabou de encontrar a vida sob a situação de vida.
Na ausência do tempo psicológico, o nosso sentido do eu
interior provém do Ser, não do nosso passado pessoal. Assim, desaparece a
necessidade psicológica de nos tornarmos outra pessoa diferente de quem já somos.
No mundo, levando em conta a situação de vida, podemos nos tornar ricos,
conhecidos, bem-sucedidos, livres disso ou daquilo, mas, na dimensão mais
profunda do Ser, estamos completos e inteiros agora.
Nesse
estado de plenitude, ainda teríamos capacidade ou vontade de alcançar os
objetivos externos?
Claro que sim, mas sem as expectativas ilusórias de que
uma coisa ou alguém no futuro irá nos salvar ou nos fazer felizes. No que diz
respeito à situação de vida, podem existir coisas a ser alcançadas ou
adquiridas.
Vivemos no mundo da forma, dos lucros e perdas. Mas, em um
nível mais profundo, já estamos completos, e quando percebemos isso, tudo o que
fizermos será impulsionado por uma energia alegre e jovial. Estando livre do
tempo psicológico, não perseguimos mais os objetivos com uma determinação
implacável, movida pelo medo, pela raiva, pelo descontentamento ou pela
necessidade de nos tornarmos alguém. Nem permanecemos imóveis com medo de
falhar. Quando o nosso sentido profundo do eu interior é derivado do Ser,
quando nos livramos do “tornar-se” como uma necessidade psicológica, nem a
nossa felicidade nem o nosso sentido do eu interior dependem do resultado e,
assim, nos libertamos do medo. Não buscamos permanência onde ela não pode ser
encontrada, ou seja, no mundo da forma, dos lucros e perdas, do nascimento e da
morte. Nem esperamos que situações, condições, lugares ou pessoas nos tragam
felicidade, só para depois nos causarem sofrimento, quando nossas expectativas
não forem correspondidas.
Tudo inspira respeito, mas nada importa. As formas nascem
e morrem, ainda que estejamos conscientes de uma eternidade subjacente às
formas. Sabemos que “nada de verdade pode ser ameaçado”.
Quando este é o seu estado de Ser, como é possível não
alcançar o sucesso? Você já o alcançou.
(Continua)
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