Reforma
Toda reforma
traz em si a dificuldade de se alterar os padrões já estabelecidos. A primeira
dificuldade a ser vencida é a tomada da decisão de fazer a alteração
necessária. Quando se trata de uma reforma física numa residência (como a
que estou fazendo agora e que tem me absorvido quase que completamente) pode-se
elaborar um plano para que os entulhos e a quebradeira nos atrapalhem o mínimo
possível. Dentro deste plano avalia-se a possibilidade de um aproveitamento
útil dos resíduos. Como minha residência fica em uma área rural, a
possibilidade de aproveitamento é bem grande. Terras e cascalhos podem ser
usados para tapar buracos da estrada ou servir de base para rampas de acesso;
madeiras velhas podem ser cortadas para serem queimadas no fogão a lenha ou num
forno de pizza e assim por diante. No entanto por mais bem elaborado que seja o
plano de trabalho sempre haverá o desconforto do barulho, da poeira, da terra
na porta da casa, dos móveis sendo levados para outros cômodos a fim de liberar
o espaço. Esta é uma situação onde se aplica perfeitamente o ditado
“não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos”. Quase sempre uma vez
concluída a obra, um ambiente melhor e mais agradável fica disponível para nós.
Fazemos uma reforma para melhorar as condições existentes e ela ficará tão boa
quanto maior dedicação tivermos para realiza-la.
Quando a
reforma não é física e sim em nossa personalidade as “coisas” ficam um pouco
mais complexas. Em primeiro lugar quando se trata de mudar os nossos próprios conceitos
quase sempre evitamos ou adiamos a tomada da decisão. Agimos assim porque
sempre temos convicção de que nossa maneira de ser é a mais certa. Talvez até
possa ser a mais correta para nós mesmos. No entanto o ser humano não é uma ilha
e como ser social precisa conviver com outras pessoas que também tem sua
maneira peculiar de pensar e agir.
Quase sempre
chegamos à conclusão de que temos de mudar nossa maneira de ser em virtude de
duas premissas: Uma, a mais dolorosa, é quando sofremos o embate da vida e
acabamos no “fundo do poço”; a outra acontece em função de estudo e pela compreensão
de que a mudança faz parte da dinâmica do universo. Quando compreendemos que
nossas verdades mudam com a evolução através do tempo, passamos a não reagir
frente à necessidade de uma melhora nas características da nossa personalidade.
Na primeira
hipótese a tomada de decisão é uma necessidade e embora difícil, tem um sabor
de esperança. No segundo caso não há sofrimento. Há apenas desejo de
aperfeiçoamento. Tal como na reforma física, a grande jogada é saber aproveitar
os restos. Quando reciclamos nossos valores é preciso fazê-lo de forma sincera
a fim de que mesmo inconscientemente haja uma alquimia no que seriam restos de
antigos valores. O mais importante, porém é que esta reforma seja feita por nós
mesmos e não por causa de alguém.
Desejo uma semana de Harmonia, Paz, Alegria e Força.
(Continuação
do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)
Todos os problemas
são ilusões da mente
É
como se um grande peso tivesse sido tirado dos meus ombros. Sinto-me leve...
mas os problemas ainda estão lá me esperando, não estão? Ainda não foram
resolvidos. Será que não os estou evitando apenas temporariamente?
Se você estivesse no paraíso, sua
mente não demoraria a encontrar algum problema. Não se trata, basicamente, de
solucionar seus problemas. Trata-se de perceber que não existem problemas.
Apenas situações com que temos de lidar agora ou deixar de lado e aceitar como
uma parte do “ser” neste momento, até que se transformem ou possam ser
negociadas. Os problemas são criados pela mente e precisam de tempo para sobreviver.
Eles não conseguem sobreviver na atualidade do agora.
Focalize sua atenção no Agora e
verifique quais são os seus problemas neste exato momento.
Não estou obtendo uma resposta
porque é impossível termos problemas quando toda a nossa atenção está inteira
no Agora. Pode ser que haja uma ou outra situação que você precise resolver ou
aceitar. Por que transformar isso em problema? Por que transformar tudo em
problema? A vida já não é bastante desafiadora do jeito que é? Para que
precisamos de problemas? A mente, inconscientemente, adora problemas porque
eles podem ser de vários tipos. Isso é normal e doentio. A palavra “problema”
significa que estamos lidando mentalmente com uma situação, sem que exista um
propósito real ou uma possibilidade de agir no momento, e também que estamos
inconscientemente fazendo dele uma parte do nosso sentido de eu interior.
Ficamos tão sobrecarregados pela nossa situação de vida que perdemos o sentido
da vida, ou do Ser. Ou então vamos carregando na mente o peso insano de uma
centena de coisas que iremos fazer ou poderemos ter de fazer no futuro, em vez
de focalizarmos a atenção sobre uma coisa que podemos fazer agora.
Quando criamos um problema,
criamos sofrimento. Por isso, é preciso tomar uma decisão simples: não importa
o que aconteça, não vou criar mais sofrimento nem problemas para mim. É uma
escolha simples, mas radical. Ninguém faz uma escolha dessas a menos que esteja
verdadeiramente sufocado pelo sofrimento. E não se consegue levar esse tipo de
decisão adiante a não ser acessando o poder do Agora. Se não criar mais sofrimento
para si mesmo, você não criará também para os outros. Deixará, assim, de
contaminar nosso lindo planeta, seu próprio espaço interior e a psique humana
coletiva com a negatividade da criação de problemas.
Se você alguma vez esteve numa
situação de emergência, de vida ou morte, saberá que isso não foi um problema.
A mente não teve tempo para se distrair e transformar a situação em
problema. Numa emergência de verdade, a mente pára. Ficamos absolutamente
presentes no Agora, e algo infinitamente mais poderoso passa a dominar. Essa é
a razão pela qual existem inúmeros relatos de pessoas comuns que, de uma hora
para outra, tornaram-se capazes de façanhas incrivelmente corajosas. Numa
situação de emergência, ou você sobrevive ou morre. Em qualquer dos casos, não
é um problema.
Algumas pessoas ficam furiosas
quando me ouvem dizer que os problemas são ilusões. É que estou ameaçando
afastar delas a imagem que têm de si próprias. Elas investiram muito tempo num
falso sentido de eu interior. Durante muitos anos, definiram inconscientemente
suas identidades de acordo com os problemas que tiveram. Quem seriam sem eles?
Uma grande porção do que as
pessoas dizem, pensam ou fazem é, na verdade, motivada pelo medo, que está
sempre ligado com o foco no futuro e com o estar fora de contato com o Agora.
Se não existirem problemas no Agora, não existirá o medo.
Caso apareça uma situação com a
qual você precise lidar agora, a sua ação vai ser clara e objetiva, se conseguir
perceber o momento presente. Tem muito mais chances de dar certo. Não será uma
reação vinda do condicionamento da sua mente no passado, mas sim uma resposta
intuitiva à situação. Em situações em que a mente teria reagido, você vai achar
mais eficaz não fazer nada. Fique só centrado no Agora.
(Continua)
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