“O amor nunca fere
ninguém.”
Quando um relacionamento
acaba, um ou o outro ou ainda os dois se sentem feridos. Não raro há quem culpe
o amor pelo seu estado lamentável. Grandes pensadores e psicólogos que tratam
de relacionamentos afetivos dizem que “se alguém está se sentindo ferido pelo
amor, é sinal que exista outra coisa nela, que não é o amor e que está
provocando esta dor.” O que as pessoas chamam de amor pode ocultar muitas
coisas nada amorosas. A mente humana é muito astuta quando se trata de enganar
os outros e a si mesma. Normalmente a mente coloca lindos rótulos em
coisas feias, ela tenta colocar flores onde há feridas.
O
termo amor é muito mal empregado pelas pessoas. O que normalmente a maioria
chama de amor não é outra coisa do que luxúria. Esta sim acaba ferindo, porque
desejar alguém como um objeto é uma ofensa a essa pessoa. Isto realmente é um
insulto. Muito pouco tempo a luxúria consegue fingir que é amor porque bastam
alguns arranhões neste “amor” para que a verdade apareça. Olhar alguém com
luxúria é reduzir a outra pessoa a uma coisa, a uma mercadoria que se consegue
comprar em qualquer lugar. Ninguém gosta de ser usado.
Há uma grande diferença
entre luxúria e amor. Ela usa a outra pessoa para satisfazer alguns desejos.
Quando estes desejos foram preenchidos o outro pode ser descartado porque não
tem mais utilidade. O Amor é o oposto. Ele respeita o outro como um fim em si
mesmo. Todavia o amor só pode ser verdadeiro se não houver um ego por trás
dele. Caso contrário só será uma viagem do ego. Isto acontece porque o desejo
de dominar está enraizado muito profundamente em cada um. Normalmente este
desejo não aparece com sua roupagem. Ele vem sempre enfeitado parecendo uma
coisa bonita.
Vejamos o exemplo de um
amor entre pais e filhos. Os pais nunca dizem que os filhos pertencem a
eles, mas sua atitude mostra que pensam assim. Os pais sempre dizem que querem
que os filhos sejam inteligentes, felizes e saudáveis, mas se tudo estiver de
acordo com a ideia que os pais fazem do que seja inteligente, saudável e feliz.
Um marido que é ciumento
e possessivo não tem amor pela esposa. Isto não passa de dominação porque na
cabeça dele ela só pode se sentir feliz com ele.
Da mesma forma as
mulheres dizem que amam seus maridos, no entanto se ele quiser encontrar seus
amigos, logo ela estará magoada porque acha que ele a está trocando por seus
amigos. Novamente aparece a figura do domínio em perigo.
O amor na forma mais pura
é alegria compartilhada. Ele não pede nada em troca. Não espera nada. O amor é
unilateral. Não é uma troca de mercadorias.
As pessoas dizem que quem
ama tem ciúme. Ciúme é medo de perder. O medo é o oposto do amor, pois ele significa
que toda a energia do amor desapareceu. O amor é aproximar-se do outro sem medo,
com plena confiança de que será recebido. O medo é uma sepultura, o amor é um
templo. No amor a vida chega ao seu apogeu, no medo a vida escorre para a
morte. O medo fede, o amor é perfumado.
Tenhamos receio do ego,
da luxúria, da ganância, da possessividade, do ciúme, mas nunca do amor. O amor
é divino. Ele é como a luz. Quando existe luz, não há escuridão. Quando existe
amor, não existe medo.
Uma bela semana de Paz,
Harmonia e muito amor.
* - *
(Continuação do livro o Poder do Agora de
Eckhart Tolle.)
Abandonando o tempo psicológico
Aprenda a usar o tempo nos
aspectos práticos da sua vida – podemos chamar de “tempo do relógio” –, mas
retorne imediatamente para perceber o momento presente, tão logo esses assuntos
práticos tenham sido resolvidos. Assim, não haverá acúmulo do “tempo
psicológico”, que é a identificação com o passado e a projeção compulsiva e
contínua no futuro.
O tempo do relógio não diz
respeito apenas a marcar um compromisso ou programar uma viagem. Inclui aprender
com o passado, para não repetir os mesmos erros indefinidamente. Estabelecer
objetivos e trabalhar para alcançá-los. Predizer o futuro através de padrões e
leis, que podem ser físicas, matemáticas, etc. Aprender com o passado e adotar
as ações apropriadas com base em nossos prognósticos.
Mas, mesmo aqui, no âmbito da
vida prática, onde não podemos agir sem uma referência ao passado ou ao futuro,
o momento presente permanece como um fator essencial, porque qualquer ação do
passado é relevante e se aplica ao agora.
E planejar ou trabalhar para
atingir um determinado objetivo é feito agora. O principal foco de
atenção das pessoas i1uminadas é sempre o Agora, embora elas tenham uma noção
relativa do tempo. Em outras palavras, continuam a usar o tempo do relógio, mas
estão livres do tempo psicológico.
Esteja alerta quando praticar
isso, para que você, sem querer, não transforme o tempo do relógio em tempo
psicológico. Por exemplo, se você cometeu um erro no passado e só agora
aprendeu com ele, está utilizando o tempo do relógio. Por outro lado, se você
considerar isso mentalmente e daí resultar uma autocrítica, um sentimento de
remorso ou de culpa, então você está transformando o erro em “meu”. Ele passou
a ser uma parte do seu sentido de eu interior e se transformou em tempo
psicológico, que está sempre relacionado a um falso sentido de identidade. A
dificuldade em perdoar envolve, necessariamente, uma pesada carga de tempo
psicológico.
Se estabelecemos um objetivo e
trabalhamos para alcançá-lo, estamos empregando o tempo do relógio. Sabemos bem
aonde queremos chegar, mas respeitamos e damos atenção total ao passo que
estamos tomando neste momento. Se insistimos demais nesse objetivo, talvez
porque estejamos em busca de felicidade, satisfação ou de um sentido mais
completo do eu interior, deixamos de respeitar o Agora. E ele é reduzido a um
mero degrau para o futuro, sem nenhum valor intrínseco. O tempo do relógio se
transforma então em tempo psicológico. Nossa jornada deixa de ser uma aventura
e passa a ser encarada como uma necessidade obsessiva de chegar, de possuir, de
“conseguir”. Aí, não somos mais capazes de ver nem de sentir as flores pelo
caminho, nem de perceber a beleza e o milagre da vida que se revela em tudo ao
redor, como acontece quando estamos presentes no Agora.
Consigo
ver a importância suprema do Agora, mas não posso concordar quando você diz que
o tempo é uma
completa ilusão.
Quando afirmo que “o tempo é uma ilusão”, não tenho
intenção de fazer nenhuma afirmação filosófica. Estou apenas chamando a atenção
para um fato simples, a1go tão óbvio que você pode achar difícil de entender e
até mesmo considerar sem sentido. Mas perceber isso será como cortar com uma
espada todas as camadas de “problemas” criadas pela mente. Repito que o momento
presente é tudo o que temos. Nunca há um tempo em que a nossa vida não é “este
momento”. Não é verdade?
A insanidade do tempo psicológico
Não teremos qualquer dúvida de
que o tempo psicológico é uma doença mental se olharmos para as suas
manifestações coletivas. Elas ocorrem, por exemplo, na forma de ideologias como
o comunismo, o nacional socialismo ou qualquer nacionalismo, ou de sistemas rígidos
de crenças religiosas, que atuam na suposição implícita de que o bem maior
repousa no futuro e que, portanto, o fim justifica os meios. O fim é uma idéia,
um ponto na mente projetado no futuro, quando a salvação, sob a forma de
felicidade, satisfação, igualdade, libertação, etc., será alcançada. Muitas
vezes, os meios para atingir o fim são a escravidão, a tortura e o assassinato
de pessoas no presente.
Por exemplo, estima-se que cerca
de cinquenta milhões de pessoas foram assassinadas para promover a causa do
comunismo e levar a um “mundo melhor” na Rússia, na China e em outros países!
Esse é um exemplo terrível de como uma crença em um paraíso no futuro cria um
inferno no presente. Resta alguma dúvida de que o tempo psicológico é uma
doença mental séria e perigosa?
De que forma esse padrão mental
opera em sua vida? Você está sempre tentando chegar a algum lugar além
daquele onde você está? A maior parte do que você faz é apenas um meio
para alcançar um determinado fim? A satisfação está sempre em outro lugar ou
restrita a breves prazeres como sexo, comida, bebida e drogas, ou relacionada a
uma emoção ou excitação? Você está sempre pensando em vir a ser, adquirir,
alcançar ou, em vez disso, está à caça de novas emoções e prazeres? Você acha
que, quanto mais bens adquirir, uma pessoa se sentirá melhor ou
psicologicamente completa? Está à espera de um homem ou de uma mulher que dê um
sentido à sua vida?
No estado normal de consciência,
o poder e o infinito potencial criativo do Agora estão completamente encobertos
pelo tempo psicológico. Nossa vida perde a vibração, o frescor, o sentido de
encantamento. Os velhos padrões de pensamento, emoção, comportamento, reação e
desejo são encenados repetidas vezes, como um roteiro dentro da nossa mente que
nos dá uma identidade, mas distorce ou encobre a realidade do Agora. A mente,
então, desenvolve uma obsessão pelo futuro, buscando fugir de um presente
insatisfatório.
(Continua)
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