“A única obrigação é ser
feliz.”
Ser feliz é uma das
coisas mais importantes da nossa vida. Quando não nos sentimos felizes, algo
deve estar errado e uma mudança drástica é necessária. Temos de nos lembrar porém que a
infelicidade não tem causa externa.
Normalmente costumamos imputar a
responsabilidade a algo fora de nós mesmos. Isto, no entanto, é uma desculpa. A
infelicidade pode ser desencadeada de fora, mas o exterior não a cria.
Quando, por exemplo, somos insultados, o insulto vem de fora, mas a raiva está
dentro de nós. Ela não é causada pelo insulto. Se não gerássemos a energia da
raiva dentro de nós, o insulto permaneceria impotente. Ele não nos perturbaria.
As causas da infelicidade estão sempre dentro de nós porque nós somos a causa
da nossa vida. Quando entendermos isso verdadeiramente então nós estaremos
prontos para iniciar uma jornada de transformação.
Vale aqui repetir o que
disse a grande alma, que em sua ultima vida chamou-se Francisco Cândido Xavier: “Não
podemos voltar atrás para fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar
agora para fazer um novo fim”.
Muito interessante esta parte do livro O Poder
do Agora que transcrevi abaixo. Alguém comenta um instante de sua vida em que
percebeu diferenças numa árvore que antes já havia visto, mas não a tinha
percebido como naquele instante. Isto me lembrou duma experiência que tive num
domingo em que estava sentado sozinho e olhava distraidamente para o céu que
aparecia através da copa das árvores à minha frente. Em certo momento
deslumbrei-me com uma aura de energia perfeitamente delineada ao redor de toda
aquela árvore. A experiência foi tão marcante que quis olhar mais detidamente
aquela visão de uma energia belíssima. No instante em que minha mente racional
entrou em ação, toda aquela beleza desapareceu e novamente só podia ver o que
sempre vira... só uma árvore.
Em
outra ocasião há muito mais tempo atrás eu estava participando de uma palestra
onde mais de um palestrante fizeram uso da palavra. Um falava baixo e tinha o
aspecto cansado o outro foi vibrante e seu entusiasmo contagiou a plateia. O
detalhe é que pude perceber, mesmo que por poucos instantes, a aura dos dois
palestrantes. O primeiro tinha uma aura pequena quase colada ao corpo, ao passo
que a do segundo reverberava a uma boa distância ao seu redor.
Provavelmente
nos dois momentos acima descritos tive experiências semelhantes à da pessoa que
faz o comentário inicial.
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)
Acessando o poder do
Agora
Momentos atrás,
quando você falou sobre o eterno presente e a irrealidade do passado e do
futuro, peguei-me olhando através da janela para uma determinada árvore. Já a
tinha olhado muitas vezes antes, mas agora foi diferente. Não percebi muita
diferença na forma externa, exceto que as cores pareciam mais vivas. Mas havia
uma dimensão adicional que antes eu não tinha notado. É difícil de explicar.
Não sei bem, mas achei ter percebido alguma coisa invisível, como se fosse a
essência daquela árvore, ou melhor, um espírito interior. E, de alguma forma,
era como se eu fosse parte dela. Percebo, agora, que nunca tinha visto de fato
a árvore, apenas uma imagem plana e morta. Quando olho para a árvore agora,
parte daquela impressão ainda permanece, mas posso sentir que ela está
desaparecendo. A experiência já está parecendo algo do passado. Será que alguma
coisa como essa pode ser considerada mais do que um vislumbre passageiro?
Por um instante, você se libertou
do tempo. Ao se concentrar no presente, pôde perceber a árvore sem o enquadramento
da mente. A consciência do Ser tornou-se parte da sua percepção. Suprimir a dimensão
do tempo faz surgir um tipo diferente de conhecimento, que não “mata” o
espírito que mora dentro de cada criatura e de cada coisa. Um conhecimento que
não destrói o aspecto sagrado nem o mistério da vida, e que contém um amor e
uma reverência profundos por tudo o que é. Um conhecimento sobre o qual a mente
nada sabe.
A mente não pode conhecer a
árvore. O que ela conhece são apenas fatos ou informações sobre a
árvore. A minha mente não pode conhecer você, só rótulos, julgamentos,
fatos e opiniões sobre você. Só o Ser conhece diretamente.
Há um lugar para a mente e para o conhecimento da
mente. Situa-se na prática do dia-a-dia. Entretanto, quando a mente domina
todos os aspectos da nossa vida, incluindo as relações com outras pessoas e com
a natureza, transforma-se em um parasita monstruoso que, se não reprimido, pode
acabar matando todo o tipo de vida no planeta e, finalmente a si mesmo, ao
matar quem o hospeda.
Você teve uma breve visão de como a ausência do
tempo pode transformar nossa percepção. Mas não basta uma experiência, não
importa quanto ela seja linda ou profunda. O que é necessário, e o que nos
interessa, é uma mudança definitiva na consciência.
Portanto, rompa com o velho
padrão de negação e resistência ao momento presente. Torne uma prática desviar
a atenção do passado e do futuro, afaste-se da dimensão do tempo na vida
diária, tanto quanto possível. Se você achar difícil entrar diretamente no
Agora, comece observando como a sua mente tende a fugir do Agora. Vai notar que
geralmente imaginamos o futuro como algo melhor ou pior do que o presente.
Imaginar um futuro melhor nos traz esperança e uma antecipação do prazer.
Imaginá-lo pior nos traz ansiedade. Ambos os casos são ilusões. Ao observarmos
a nós mesmos, um maior grau de presença surge automaticamente em nossas
vidas. No momento em que percebemos que não estamos presentes, estamos
presentes. Sempre que formos capazes de observar nossas mentes, deixamos de
estar aprisionados. Um outro fator surgiu, algo que não pertence à mente: a presença
observadora.
Esteja presente como alguém que
observa a mente e examine seus pensamentos, suas emoções, assim como suas
reações em diferentes circunstâncias. Concentre seu interesse não só nas
reações, mas também na situação ou na pessoa que leva você a reagir. Perceba
também com que frequência a sua atenção está no passado ou no futuro. Não
julgue nem analise o que você observa. Preste atenção ao pensamento sinta a
emoção, observe a reação. Não veja nada como um problema pessoal. Sentirá então
algo muito mais poderoso do que todas aquelas outras coisas que você observa,
uma presença serena e observadora por trás do conteúdo da sua mente: o
observador silencioso.
Uma presença intensa se faz
necessária quando certas situações provocam uma reação de grande carga emocional,
como, por exemplo, no momento em que acontece uma ameaça à nossa autoimagem, um
desafio na vida que nos causa medo, quando as coisas “vão mal” ou quando um
complexo emocional do passado vem à tona. Nessas situações, tendemos a nos tornar
“inconscientes”. A reação ou a emoção nos domina, “passamos a ser” ela.
Passamos a agir como ela. Arranjamos uma justificativa, erramos, agredimos,
defendemos... só que não somos nós e sim uma reação padronizada, a mente em seu
modo habitual de sobrevivência.
Identificar-se com a mente dá a
ela mais energia, enquanto observar a mente retira a sua energia. Identificar-se
com a mente gera mais tempo, enquanto observar a mente revela a dimensão do
infinito. A energia retirada da mente se transforma em presença. No momento em
que conseguimos sentir o que significa estar presente, fica muito mais fácil
escolher simplesmente escapar da dimensão do tempo e entrar mais profundamente
no Agora. Isso não prejudica nossa capacidade de usar o tempo – passado ou futuro
– quando precisamos nos referir a ele em termos práticos. Nem prejudica nossa
capacidade de usar a mente. Na verdade, estar presente aumenta nossa
capacidade. Quando você usar a mente de verdade, ela estará mais alerta, mais focalizada.
(Continua)
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