quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Poder do Agora - Parte 15


Há tempos atrás eu ouvi um relato dando conta que certo fito terapeuta respondera à pergunta como ele aprendera o uso das ervas para curar doenças, dizendo que ele apenas chegava perto delas e o seu uso para cura vinha a sua mente. Na verdade ele não sabia explicar como isto acontecia. No entanto ele ajudou muita gente que estava doente com suas ervas medicinais.

Na semana passada eu estava lendo o livro “O homem que amava as gaivotas” e me deparei com algo que poderia ser a explicação para o conhecimento daquele “homem das plantas”, como era chamado. Tudo começa com a seguinte história:

“Era uma vez um homem que vivia na praia e amava as gaivotas. Todas as manhãs ele descia até o mar para passear com as gaivotas. E mais de uma centena de pássaros vinha brincar com ele. Um dia seu pai lhe disse: Eu ouço as gaivotas ao seu redor, passeando com você – traga algumas para brincar comigo. No dia seguinte, quando ele foi até o mar, as gaivotas ficaram voando acima dele, mas não desceram.”

A explicação que o autor deu é que os animais não pensam, eles apenas sentem. As gaivotas teriam sentido que havia algo estranho no homem naquele dia e por isso não desceram.

O sentimento é a linguagem da existência, ao passo que a razão é a linguagem da humanidade. No livro ele cita Lukman como o fundador da medicina Yunani. Dizem que Lukman se aproximava das plantas e lhes perguntava: “Qual a maior utilidade de vocês? Que doença você podem ajudar a curar?” E contam que ele descobriu a utilidade de milhares de plantas só sentindo-as. A resposta às suas perguntas vinha à sua mente como se a planta respondesse: “você pode me usar para curar tuberculose (por exemplo); eu posso ajudar”.

Isto parece mito, não é verdade? No entanto dizem que tudo que ele descobriu foi comprovado por experimentos científicos.

Outro relato encontrado neste mesmo livro refere-se a uma experiência num laboratório em Nova York. Um cientista estava trabalhando com insetos e havia um cacto ligado a um instrumento que registra as vibrações das plantas. No instante que o cientista jogou uma minhoca em água fervente, o instrumento ligado à planta registrou uma intensa vibração. Foi como se a planta sentisse a vida da minhoca se esvaindo e estivesse reclamando.

Certa vez eu assisti a um programa de TV onde algo semelhante foi feito. Havia uma planta ligada a um instrumento. Quando o demonstrador aproximava-se dela com a verdadeira intenção de cortar um ramo com uma tesoura, o aparelho registrava uma grande oscilação ao passo que quando ele ameaçava cortar o ramo de mentirinha, o instrumento não registrava nem uma mudança na oscilação dando a impressão de que a planta sentia a verdadeira intenção da pessoa que ameaçava cortar seu ramo.

Quem já não ouviu relato de alguma planta ter secado depois de alguma pessoa com uma vibração estranha ter se aproximado dela? É o que comumente se chama de “olhar de seca pimenteira”. Da mesma forma já vimos a beleza de plantas que são tratadas com carinho.

Já coloquei a citação a seguir e embora não conheça o autor, mas como gosto muito dela vou repetir a dose:
"Todas as coisas do Universo estão interligadas. Assim, se pisares numa flor as próprias estrelas reclamarão". 

            Acho que é interessante refletir sobre isso. Paz e Harmonia.



Continuação do livro O poder do agora – de Eckhart Tolle

 

A negatividade e o sofrimento têm raízes no tempo

 

Mas acreditar que o futuro será melhor do que o presente nem sempre é uma ilusão. O presente pode ser terrível e as coisas podem melhorar no futuro, e muitas vezes melhoram.

 

O futuro, geralmente, é uma réplica do passado. É possível haver mudanças superficiais, mas as transformações reais são raras e dependem da possibilidade de estarmos presentes para dissolver o passado, acessando o poder do Agora. O que percebemos como futuro é uma parte intrínseca do nosso estado de consciência do momento. Se a nossa mente carrega um grande fardo do passado, vamos sentir isso. O passado se perpetua pela fa1ta de presença. O que dá forma ao futuro é a qualidade da nossa percepção do momento presente, e o futuro, é claro, só pode ser vivenciado como presente.

 

Podemos ganhar 10 milhões de reais, mas esse tipo de mudança é apenas superficial. Vamos simplesmente continuar a representar os mesmos padrões condicionados, em ambientes mais luxuosos. Os seres humanos aprenderam a dividir o átomo. Em vez de matar dez ou vinte pessoas com um porrete de madeira, uma pessoa agora pode matar um milhão delas com um simples apertar de um botão. Será que isso é uma mudança real?

 

Se é a qualidade da nossa percepção neste momento que determina o futuro, então o que é que determina a qualidade da nossa consciência? O nosso grau de presença. Portanto, o único lugar onde pode ocorrer uma mudança verdadeira e onde o passado pode se dissolver é no Agora.

 

Toda a negatividade é causada pelo acúmulo de tempo psicológico e pela negação do presente. O desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas por excesso de futuro e pouca presença. A culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura, todas as formas de incapacidade de perdão são causadas por excesso do passado e pouca presença.

 

Muitos acham difícil acreditar na possibilidade de existir um estado de consciência absolutamente livre de toda a negatividade. E até o momento, esse é o estado de liberdade para o qual apontam todos os ensinamentos espirituais. É a promessa da salvação, não em um futuro ilusório, mas bem aqui e agora.

 

Talvez seja difícil reconhecer que o tempo é a causa do nosso sofrimento ou de nossos problemas. Acreditamos que eles são causados por situações específicas em nossas vidas, e, de um ponto de vista convencional, isso é uma verdade. Mas enquanto não lidarmos com a disfunção básica da mente – o apego ao passado e ao futuro e a negação do presente –, os problemas apenas mudam de figura. Se todos os nossos problemas, ou causas identificadas de sofrimento ou infelicidade, fossem milagrosamente solucionados no dia de hoje, sem que nos tornássemos mais presentes e mais conscientes, logo nos veríamos com um outro conjunto de problemas ou causas de sofrimento semelhantes, como uma sombra que nos seguisse aonde quer que fôssemos. Em última análise, o único problema é a própria mente limitada pelo tempo.

 

Não posso acreditar que algum dia venha a alcançar 'um ponto onde eu esteja completamente livre de problemas.

 

Você tem razão. Você nunca poderá alcançar esse ponto porque você está nesse ponto agora.

 

Não há salvação dentro do tempo. Você não pode se libertar no futuro. A presença é a chave para a liberdade. Portanto, você só pode ser livre agora.

(Continua)
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

On ou Off de que lado você está?

     Vale a pena assistir este video de Deivison Pedroza. Deivison é um excelente palestrante e no youtube se encontram vários videos motivacionais dele. Realmente precisamos refletir se é este o mundo que queremos para nossos filhos e netos.



     Quem já assistiu o filme Matrix chega a pensar que estamos vivendo algo parecido porque  este é um alucinante mundo onde a maioria vive uma ilusão. Que saudade dos dias da minha infância.

domingo, 19 de maio de 2013

O Poder do Agora - Parte 14


“O amor nunca fere ninguém.”

 

Quando um relacionamento acaba, um ou o outro ou ainda os dois se sentem feridos. Não raro há quem culpe o amor pelo seu estado lamentável. Grandes pensadores e psicólogos que tratam de relacionamentos afetivos dizem que “se alguém está se sentindo ferido pelo amor, é sinal que exista outra coisa nela, que não é o amor e que está provocando esta dor.” O que as pessoas chamam de amor pode ocultar muitas coisas nada amorosas. A mente humana é muito astuta quando se trata de enganar os outros e a si mesma. Normalmente a mente coloca lindos rótulos em coisas feias, ela tenta colocar flores onde há feridas.

            O termo amor é muito mal empregado pelas pessoas. O que normalmente a maioria chama de amor não é outra coisa do que luxúria. Esta sim acaba ferindo, porque desejar alguém como um objeto é uma ofensa a essa pessoa. Isto realmente é um insulto. Muito pouco tempo a luxúria consegue fingir que é amor porque bastam alguns arranhões neste “amor” para que a verdade apareça. Olhar alguém com luxúria é reduzir a outra pessoa a uma coisa, a uma mercadoria que se consegue comprar em qualquer lugar. Ninguém gosta de ser usado.

Há uma grande diferença entre luxúria e amor. Ela usa a outra pessoa para satisfazer alguns desejos. Quando estes desejos foram preenchidos o outro pode ser descartado porque não tem mais utilidade. O Amor é o oposto. Ele respeita o outro como um fim em si mesmo. Todavia o amor só pode ser verdadeiro se não houver um ego por trás dele. Caso contrário só será uma viagem do ego. Isto acontece porque o desejo de dominar está enraizado muito profundamente em cada um. Normalmente este desejo não aparece com sua roupagem. Ele vem sempre enfeitado parecendo uma coisa bonita.

Vejamos o exemplo de um amor entre pais e filhos. Os pais nunca dizem que os filhos pertencem a eles, mas sua atitude mostra que pensam assim. Os pais sempre dizem que querem que os filhos sejam inteligentes, felizes e saudáveis, mas se tudo estiver de acordo com a ideia que os pais fazem do que seja inteligente, saudável e feliz.

Um marido que é ciumento e possessivo não tem amor pela esposa. Isto não passa de dominação porque na cabeça dele ela só pode se sentir feliz com ele.

Da mesma forma as mulheres dizem que amam seus maridos, no entanto se ele quiser encontrar seus amigos, logo ela estará magoada porque acha que ele a está trocando por seus amigos. Novamente aparece a figura do domínio em perigo.

O amor na forma mais pura é alegria compartilhada. Ele não pede nada em troca. Não espera nada. O amor é unilateral. Não é uma troca de mercadorias.

As pessoas dizem que quem ama tem ciúme. Ciúme é medo de perder. O medo é o oposto do amor, pois ele significa que toda a energia do amor desapareceu. O amor é aproximar-se do outro sem medo, com plena confiança de que será recebido. O medo é uma sepultura, o amor é um templo. No amor a vida chega ao seu apogeu, no medo a vida escorre para a morte. O medo fede, o amor é perfumado.

Tenhamos receio do ego, da luxúria, da ganância, da possessividade, do ciúme, mas nunca do amor. O amor é divino. Ele é como a luz. Quando existe luz, não há escuridão. Quando existe amor, não existe medo.

Uma bela semana de Paz, Harmonia e muito amor.
 

* - *

 

(Continuação do livro o Poder do Agora de Eckhart Tolle.)

Abandonando o tempo psicológico


Aprenda a usar o tempo nos aspectos práticos da sua vida – podemos chamar de “tempo do relógio” –, mas retorne imediatamente para perceber o momento presente, tão logo esses assuntos práticos tenham sido resolvidos. Assim, não haverá acúmulo do “tempo psicológico”, que é a identificação com o passado e a projeção compulsiva e contínua no futuro.

O tempo do relógio não diz respeito apenas a marcar um compromisso ou programar uma viagem. Inclui aprender com o passado, para não repetir os mesmos erros indefinidamente. Estabelecer objetivos e trabalhar para alcançá-los. Predizer o futuro através de padrões e leis, que podem ser físicas, matemáticas, etc. Aprender com o passado e adotar as ações apropriadas com base em nossos prognósticos.

Mas, mesmo aqui, no âmbito da vida prática, onde não podemos agir sem uma referência ao passado ou ao futuro, o momento presente permanece como um fator essencial, porque qualquer ação do passado é relevante e se aplica ao agora.

E planejar ou trabalhar para atingir um determinado objetivo é feito agora. O principal foco de atenção das pessoas i1uminadas é sempre o Agora, embora elas tenham uma noção relativa do tempo. Em outras palavras, continuam a usar o tempo do relógio, mas estão livres do tempo psicológico.

Esteja alerta quando praticar isso, para que você, sem querer, não transforme o tempo do relógio em tempo psicológico. Por exemplo, se você cometeu um erro no passado e só agora aprendeu com ele, está utilizando o tempo do relógio. Por outro lado, se você considerar isso mentalmente e daí resultar uma autocrítica, um sentimento de remorso ou de culpa, então você está transformando o erro em “meu”. Ele passou a ser uma parte do seu sentido de eu interior e se transformou em tempo psicológico, que está sempre relacionado a um falso sentido de identidade. A dificuldade em perdoar envolve, necessariamente, uma pesada carga de tempo psicológico.

Se estabelecemos um objetivo e trabalhamos para alcançá-lo, estamos empregando o tempo do relógio. Sabemos bem aonde queremos chegar, mas respeitamos e damos atenção total ao passo que estamos tomando neste momento. Se insistimos demais nesse objetivo, talvez porque estejamos em busca de felicidade, satisfação ou de um sentido mais completo do eu interior, deixamos de respeitar o Agora. E ele é reduzido a um mero degrau para o futuro, sem nenhum valor intrínseco. O tempo do relógio se transforma então em tempo psicológico. Nossa jornada deixa de ser uma aventura e passa a ser encarada como uma necessidade obsessiva de chegar, de possuir, de “conseguir”. Aí, não somos mais capazes de ver nem de sentir as flores pelo caminho, nem de perceber a beleza e o milagre da vida que se revela em tudo ao redor, como acontece quando estamos presentes no Agora.

Consigo ver a importância suprema do Agora, mas não posso concordar quando você diz que o tempo é uma completa ilusão.

Quando afirmo que “o tempo é uma ilusão”, não tenho intenção de fazer nenhuma afirmação filosófica. Estou apenas chamando a atenção para um fato simples, a1go tão óbvio que você pode achar difícil de entender e até mesmo considerar sem sentido. Mas perceber isso será como cortar com uma espada todas as camadas de “problemas” criadas pela mente. Repito que o momento presente é tudo o que temos. Nunca há um tempo em que a nossa vida não é “este momento”. Não é verdade?

A insanidade do tempo psicológico

Não teremos qualquer dúvida de que o tempo psicológico é uma doença mental se olharmos para as suas manifestações coletivas. Elas ocorrem, por exemplo, na forma de ideologias como o comunismo, o nacional socialismo ou qualquer nacionalismo, ou de sistemas rígidos de crenças religiosas, que atuam na suposição implícita de que o bem maior repousa no futuro e que, portanto, o fim justifica os meios. O fim é uma idéia, um ponto na mente projetado no futuro, quando a salvação, sob a forma de felicidade, satisfação, igualdade, libertação, etc., será alcançada. Muitas vezes, os meios para atingir o fim são a escravidão, a tortura e o assassinato de pessoas no presente.

Por exemplo, estima-se que cerca de cinquenta milhões de pessoas foram assassinadas para promover a causa do comunismo e levar a um “mundo melhor” na Rússia, na China e em outros países! Esse é um exemplo terrível de como uma crença em um paraíso no futuro cria um inferno no presente. Resta alguma dúvida de que o tempo psicológico é uma doença mental séria e perigosa?

De que forma esse padrão mental opera em sua vida? Você está sempre tentando chegar a algum lugar além daquele onde você está? A maior parte do que você faz é apenas um meio para alcançar um determinado fim? A satisfação está sempre em outro lugar ou restrita a breves prazeres como sexo, comida, bebida e drogas, ou relacionada a uma emoção ou excitação? Você está sempre pensando em vir a ser, adquirir, alcançar ou, em vez disso, está à caça de novas emoções e prazeres? Você acha que, quanto mais bens adquirir, uma pessoa se sentirá melhor ou psicologicamente completa? Está à espera de um homem ou de uma mulher que dê um sentido à sua vida?

No estado normal de consciência, o poder e o infinito potencial criativo do Agora estão completamente encobertos pelo tempo psicológico. Nossa vida perde a vibração, o frescor, o sentido de encantamento. Os velhos padrões de pensamento, emoção, comportamento, reação e desejo são encenados repetidas vezes, como um roteiro dentro da nossa mente que nos dá uma identidade, mas distorce ou encobre a realidade do Agora. A mente, então, desenvolve uma obsessão pelo futuro, buscando fugir de um presente insatisfatório.

(Continua)

sábado, 11 de maio de 2013

O Poder do Agora - Parte 13


“A única obrigação é ser feliz.”

 

Ser feliz é uma das coisas mais importantes da nossa vida. Quando não nos sentimos felizes, algo deve estar errado e uma mudança drástica é necessária. Temos de nos lembrar porém que a infelicidade não tem causa externa.
Normalmente costumamos imputar a responsabilidade a algo fora de nós mesmos. Isto, no entanto, é uma desculpa. A infelicidade pode ser desencadeada de fora, mas o exterior não a cria. Quando, por exemplo, somos insultados, o insulto vem de fora, mas a raiva está dentro de nós. Ela não é causada pelo insulto. Se não gerássemos a energia da raiva dentro de nós, o insulto permaneceria impotente. Ele não nos perturbaria.
As causas da infelicidade estão sempre dentro de nós porque nós somos a causa da nossa vida. Quando entendermos isso verdadeiramente então nós estaremos prontos para iniciar uma jornada de transformação.
Vale aqui repetir o que disse a grande alma, que em sua ultima vida chamou-se Francisco Cândido Xavier: “Não podemos voltar atrás para fazer um novo começo, mas qualquer um pode começar agora para fazer um novo fim”.

            Muito interessante esta parte do livro O Poder do Agora que transcrevi abaixo. Alguém comenta um instante de sua vida em que percebeu diferenças numa árvore que antes já havia visto, mas não a tinha percebido como naquele instante. Isto me lembrou duma experiência que tive num domingo em que estava sentado sozinho e olhava distraidamente para o céu que aparecia através da copa das árvores à minha frente. Em certo momento deslumbrei-me com uma aura de energia perfeitamente delineada ao redor de toda aquela árvore. A experiência foi tão marcante que quis olhar mais detidamente aquela visão de uma energia belíssima. No instante em que minha mente racional entrou em ação, toda aquela beleza desapareceu e novamente só podia ver o que sempre vira... só uma árvore.

            Em outra ocasião há muito mais tempo atrás eu estava participando de uma palestra onde mais de um palestrante fizeram uso da palavra. Um falava baixo e tinha o aspecto cansado o outro foi vibrante e seu entusiasmo contagiou a plateia. O detalhe é que pude perceber, mesmo que por poucos instantes, a aura dos dois palestrantes. O primeiro tinha uma aura pequena quase colada ao corpo, ao passo que a do segundo reverberava a uma boa distância ao seu redor.

            Provavelmente nos dois momentos acima descritos tive experiências semelhantes à da pessoa que faz o comentário inicial.
 
            Uma ótima semana em Harmonia, Paz e Verdade.

 

(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)

 
Acessando o poder do Agora

 
Momentos atrás, quando você falou sobre o eterno presente e a irrealidade do passado e do futuro, peguei-me olhando através da janela para uma determinada árvore. Já a tinha olhado muitas vezes antes, mas agora foi diferente. Não percebi muita diferença na forma externa, exceto que as cores pareciam mais vivas. Mas havia uma dimensão adicional que antes eu não tinha notado. É difícil de explicar. Não sei bem, mas achei ter percebido alguma coisa invisível, como se fosse a essência daquela árvore, ou melhor, um espírito interior. E, de alguma forma, era como se eu fosse parte dela. Percebo, agora, que nunca tinha visto de fato a árvore, apenas uma imagem plana e morta. Quando olho para a árvore agora, parte daquela impressão ainda permanece, mas posso sentir que ela está desaparecendo. A experiência já está parecendo algo do passado. Será que alguma coisa como essa pode ser considerada mais do que um vislumbre passageiro?

 
Por um instante, você se libertou do tempo. Ao se concentrar no presente, pôde perceber a árvore sem o enquadramento da mente. A consciência do Ser tornou-se parte da sua percepção. Suprimir a dimensão do tempo faz surgir um tipo diferente de conhecimento, que não “mata” o espírito que mora dentro de cada criatura e de cada coisa. Um conhecimento que não destrói o aspecto sagrado nem o mistério da vida, e que contém um amor e uma reverência profundos por tudo o que é. Um conhecimento sobre o qual a mente nada sabe.


A mente não pode conhecer a árvore. O que ela conhece são apenas fatos ou informações sobre a árvore. A minha mente não pode conhecer você, só rótulos, julgamentos, fatos e opiniões sobre você. Só o Ser conhece diretamente.


Há um lugar para a mente e para o conhecimento da mente. Situa-se na prática do dia-a-dia. Entretanto, quando a mente domina todos os aspectos da nossa vida, incluindo as relações com outras pessoas e com a natureza, transforma-se em um parasita monstruoso que, se não reprimido, pode acabar matando todo o tipo de vida no planeta e, finalmente a si mesmo, ao matar quem o hospeda.


Você teve uma breve visão de como a ausência do tempo pode transformar nossa percepção. Mas não basta uma experiência, não importa quanto ela seja linda ou profunda. O que é necessário, e o que nos interessa, é uma mudança definitiva na consciência.


Portanto, rompa com o velho padrão de negação e resistência ao momento presente. Torne uma prática desviar a atenção do passado e do futuro, afaste-se da dimensão do tempo na vida diária, tanto quanto possível. Se você achar difícil entrar diretamente no Agora, comece observando como a sua mente tende a fugir do Agora. Vai notar que geralmente imaginamos o futuro como algo melhor ou pior do que o presente. Imaginar um futuro melhor nos traz esperança e uma antecipação do prazer. Imaginá-lo pior nos traz ansiedade. Ambos os casos são ilusões. Ao observarmos a nós mesmos, um maior grau de presença surge automaticamente em nossas vidas. No momento em que percebemos que não estamos presentes, estamos presentes. Sempre que formos capazes de observar nossas mentes, deixamos de estar aprisionados. Um outro fator surgiu, algo que não pertence à mente: a presença observadora.


Esteja presente como alguém que observa a mente e examine seus pensamentos, suas emoções, assim como suas reações em diferentes circunstâncias. Concentre seu interesse não só nas reações, mas também na situação ou na pessoa que leva você a reagir. Perceba também com que frequência a sua atenção está no passado ou no futuro. Não julgue nem analise o que você observa. Preste atenção ao pensamento sinta a emoção, observe a reação. Não veja nada como um problema pessoal. Sentirá então algo muito mais poderoso do que todas aquelas outras coisas que você observa, uma presença serena e observadora por trás do conteúdo da sua mente: o observador silencioso.

 
Uma presença intensa se faz necessária quando certas situações provocam uma reação de grande carga emocional, como, por exemplo, no momento em que acontece uma ameaça à nossa autoimagem, um desafio na vida que nos causa medo, quando as coisas “vão mal” ou quando um complexo emocional do passado vem à tona. Nessas situações, tendemos a nos tornar “inconscientes”. A reação ou a emoção nos domina, “passamos a ser” ela. Passamos a agir como ela. Arranjamos uma justificativa, erramos, agredimos, defendemos... só que não somos nós e sim uma reação padronizada, a mente em seu modo habitual de sobrevivência.

 
Identificar-se com a mente dá a ela mais energia, enquanto observar a mente retira a sua energia. Identificar-se com a mente gera mais tempo, enquanto observar a mente revela a dimensão do infinito. A energia retirada da mente se transforma em presença. No momento em que conseguimos sentir o que significa estar presente, fica muito mais fácil escolher simplesmente escapar da dimensão do tempo e entrar mais profundamente no Agora. Isso não prejudica nossa capacidade de usar o tempo – passado ou futuro – quando precisamos nos referir a ele em termos práticos. Nem prejudica nossa capacidade de usar a mente. Na verdade, estar presente aumenta nossa capacidade. Quando você usar a mente de verdade, ela estará mais alerta, mais focalizada.

(Continua)

domingo, 5 de maio de 2013

O Poder do Agora - Parte 12

     Tenho encontrado pessoas que tem muitas dúvidas, mas também pessoas que são sempre negativas, do contra a tudo que aparece.  Aquele que é do contra mostra que já adotou um posicionamento. Já tem um preconceito e só lhe sobra tentar provar que seu preconceito é o certo. Olhando por este lado a dúvida não é tão ruim assim. A dúvida significa que aquela pessoa ainda não tem um conceito formado e porisso sua mente ainda está aberta para analizar o novo sem nenhuma tendência. Assim, a dúvida é um ótimo ponto para começar sua investigação. Diz-se que a dúvida é espiritual enquanto que a negatividade é doentia.
 
     Portanto quando tomarmos conhecimento de algo novo é sábio refletirmos antes de emitirmos qualquer parecer.
 
     Ao respeitavel leitor desejo uma semana cheia de experiências novas em Paz e Harmonia.


Continuação do livro O Poder do Agora de Eckahrt Tolle

A chave para a dimensão espiritual

 
Em situações em que a nossa vida está ameaçada pode ocorrer naturalmente essa mudança na consciência do tempo para o momento presente. A personalidade que tem um passado e um futuro retrocede e é substituída por uma presença consciente intensa, serena, mas, ao mesmo tempo, alerta. Sempre que uma reação se faz necessária, ela surge desse estado de consciência.

 
Muitas pessoas, embora não percebam, gostam de se envolver em atividades perigosas, como escaladas de montanhas, corridas de automóvel, voos de asa-delta, pela simples razão de que essas atividades as trazem para o Agora, livre do tempo, dos problemas, dos pensamentos e das obrigações pessoais. Nesses casos, desvia sua atenção do momento presente, nem que seja por um segundo, pode significar a morte. Infelizmente, essas pessoas passam a depender de uma atividade em particular para ficarem nesse estado. Mas você não precisa escalar a face norte do Eiger. Você pode entrar nesse estado agora.

 
Desde a antiguidade, mestres espirituais de todas as tradições apontam o Agora como a chave para a dimensão espiritual. Mas parece que isso permaneceu como um segredo. Com certeza, não é ensinado em igrejas ou em templos. Se você vai a uma igreja, pode ouvir passagens do Evangelho como “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”,ou “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”. A profundidade e a natureza radical desses ensinamentos não são reconhecidas. Parece que ninguém percebe que os ensinamentos foram formulados para serem vividos e, dessa forma, provocarem uma profunda transformação interior.

 
Toda a essência do zen consiste em caminhar sobre o fio da navalha do Agora, em estar tão absolutamente presente que nenhum problema, nenhum sofrimento, nada que não seja quem somos em essência, possa permanecer em nós. No Agora, na ausência do tempo, todos os nossos problemas se dissolvem. O sofrimento precisa do tempo e não consegue sobreviver no Agora.

 
O grande mestre zen Rinzai, visando desviar a atenção de seus alunos do tempo, levantava o dedo com frequência e perguntava calmamente: “O que está faltando neste exato momento?” Uma pergunta poderosa, que não requer resposta no plano da mente. É formulada para conduzir uma atenção profunda para o Agora. Outra questão muito usada na tradição zen é: “Se não é agora, então quando?”.

 
O Agora é também um ponto central no ensinamento do sufismo, o braço místico do islamismo. Os sufistas têm um ditado que diz: “O sufista é filho do momento presente”. Rumi, grande poeta e mestre do sufismo, também ensina: “Passado e futuro ocultam Deus de nossa vista, ponha fogo em ambos”.

 
Mestre Eckhart, um mestre espiritual do século treze, resumiu tudo isto com poucas e belas palavras, ao afirmar: “O que impede a luz de nos alcançar é o tempo. Não há maior obstáculo para Deus do que o tempo”.

 
Nota do autor: Eiger - Pico dos Alpes Berneses, na Suiça, com 3.970 metros de altitude.
(Continua)