domingo, 29 de dezembro de 2013

Memória e Imaginação



                Todos nós somos dotados com uma memória que nos possibilita relembrar eventos passados para podermos conviver adequadamente ou resolver algum problema. Fico pensando como seria nossa vida se não conseguíssemos lembrar quem são as pessoas do nosso convívio ou de como se resolve um problema de matemática que tenhamos aprendido no dia anterior.

                Certa vez assisti ao filme “Como se fosse a primeira vez”. Era a história de uma mulher que não conseguia lembrar-se das coisas que ocorreram com ela no dia anterior. O mocinho que se apaixonou por ela, tinha que conquistá-la todos os dias já que ela não se lembrava do dia anterior.

                Esta reflexão nos mostra como a memória é tão importante para conseguirmos viver neste mundo. Recentemente li que produzimos aproximadamente 60 milhões de pensamentos num dia normal e que 95% deles são lembranças de dias anteriores trazidas da memória. Apenas 5% são pensamentos novos. Isto começa a ser um problema quando uma pessoa (na verdade a grande maioria) tem o hábito de remoer eventos negativos.

                Sabemos que os pensamentos afetam a química do corpo. Portanto lembrar e relembrar os momentos, ditos ruins, da vida acaba se tornando um hábito extremamente nocivo à saúde. Se refletirmos atentamente nós veremos que não temos o controle eventos deste mundo. Não podemos controlar o trânsito caótico ou o humor das pessoas a nossa volta, mas podemos controlar a nossa atitude em relação estas coisas. A nossa mente é a única coisa que temos certamente o poder de controlar . E a mente é a ferramenta de criação do mundo particular de cada um.

                Vamos voltar um pouquinho à questão dos hábitos. Sabemos que o hábito de fumar é nocivo à nossa saúde. Tudo começa como uma experiência. Fumamos um e ele não nos parece bom, mas se por alguma razão continuarmos a fumar por algum tempo, nosso organismo se adapta e quando tentamos deixar de fumar ele reclama.
               Lembro como foi comigo. Eu tinha aproximadamente 14 anos quando tive acesso a um maço de cigarros. A sensação de uma experiência nova e na ocasião, proibida para um adolescente me fez sentir importante. O gosto era horrível. Todavia me senti  "importante" igual aos mais velhos embora não entendesse como alguém poderia apreciar aquele gosto. Há momentos, na vida, que prestamos atenção àquela voz silente dentro de nós e para mim ela disse: “Porque continuar com isso se tu não estás apreciando o gosto”? Felizmente eu a escutei e vagarosamente fui jogando fora um a um os cigarros restantes.

                O hábito de remoer dissabores também se adquire pela repetição. Se toda vez que nos acontece algo que não é agradável tivermos o hábito de refletir para procurar a lição que certamente existe em cada evento, mudaríamos o enfoque e o sofrimento não existiria. Toda dificuldade é um degrau no nosso aprendizado. Uma vez compreendido, evoluímos.

                Imaginação é a capacidade que temos de criar ou inventar. Lembram-se daqueles 5% de pensamentos novos. Eles são gerados através do uso da imaginação. Ainda nos dias de hoje pensadores bem preparados usam apenas um centésimo de 1% do potencial da mente. Portanto exercitar a imaginação nos transformará em pessoas criativas e bem sucedidas capazes de exercer o domínio sobre nossa mente para criarmos o nosso mundo individual da forma como quisermos.

                Em Paz e Harmonia.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O amor ao próximo


            A vida é um constante fluir de experiências. Desde cedo aprendemos a buscar o pão de cada dia para sobrevivermos neste mundo. Na maioria das vezes somos gentis e amáveis com patrões, clientes, conhecidos e desconhecidos porque de alguma forma, talvez inconscientemente, acreditemos que eles serão úteis para nossa sobrevivência ou para nossa satisfação íntima. No entanto, quando se trata dos que estão mais próximos de nós (filhos, esposa, marido, irmãos, etc.), há uma tendência global de não sermos tão amáveis ou gentis.

            Não importa aqui tentar explicar a razão para este comportamento, até porque não temos competência para tal, mas basta observarmos para ver que isto acontece constantemente em relacionamentos de pessoas intelectuais, mas também nos relacionamentos de pessoas simples.

            A célebre frase do Mestre dos mestres diz: “ama o próximo como a ti mesmo” e creio que nos dias de hoje poderíamos acrescentar: principalmente quando a pessoa estiver mais próxima de ti. O fato é que muitas vezes descuidamos daqueles que participam mais de perto da nossa jornada nesta vida e  assim deixamos de lado a maior oportunidade de amar.

            O amor é a energia que torna a vida mais bela e nos dá forças para superar as dificuldades. Sem amor, até os mais ricos não passam de miseráveis internamente. É preciso ser grande internamente para dizer com sinceridade a quem, embora conosco, tenhamos deixado de dar a devida atenção: “obrigado por existir na minha vida. Desculpe se não lhe dei a atenção que você merece”.

            É bastante lógico supor que, quem nasceu em nosso grupo familiar, para ali veio a fim de vivenciar experiências comuns e por isso não são menos importantes que as demais pessoas que cruzam nosso caminho. Na verdade temos uma dívida de amor para com estes, pois com a sua participação mais constante em nossa vida ajudam nosso crescimento interior.
             Doar-se é enfim um gesto de amor. Dar atenção, carinho e principalmente compreensão torna-nos seres dignos e merecedores da maior dádiva: a vida.
              Em Paz e Harmonia.
 
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Pensamentos e Ansiedade


                Existem algumas coisas na nossa vida  com as quais convivemos sem nunca nos questionarmos como elas se processam. Nossos pensamentos são um bom exemplo disso. Afinal, como são formados os pensamentos? Alguma vez o caro visitante desta pagina já se fez esta pergunta? Aparentemente somos senhores de nossos pensamentos. Será que é a nossa vontade que produz os pensamentos.

                Roque Perrone, analista junguiano, diz que o pensamento é uma capacidade da mente, é um poder-fazer. Diz que sem o cérebro a mente não tem sua ferramenta de atuação e sem o pensamento a mente não tem finalidade para produzir ou realizar. Diz ele também que se nossa mente estiver ligada ao passado, estará atuando no córtex (parte externa cinzenta do cérebro), se no presente, estará no neocórtex (áreas mais evoluídas do córtex cerebral), e ao futuro, estará nos lobos temporais.

                Se pararmos para observar, veremos que os pensamentos não são contínuos. Entre um e outro existe uma fração de tempo em que não há pensamentos. Augusto Cury psiquiatra e pesquisador da mente compara este espaço entre os pensamentos a um caos onde um pensamento se desorganiza e novamente torna a se organizar em outros pensamentos. Um detalhe interessante é que ninguém consegue manter o mesmo pensamento indefinidamente. Todo pensamento tem um começo e tem um fim, assim como as emoções (alegria, tristeza, etc.) e tudo mais neste mundo.

                Para Cury o caos da energia psíquica gera uma dinâmica que desorganiza experiência psíquica produzindo uma ansiedade extremamente saudável, que ele chama de ansiedade vital. E é esta ansiedade que estimula a criatividade, a curiosidade e o desejo explorador.

                Pode-se dizer que ela é a mola propulsora para tudo o que fazemos. Segundo o pesquisador, o processo todo anda por quatro fases:

                - O caos psíquico gera a ansiedade vital.

                - A ansiedade vital estimula a leitura da memória.

                - A leitura da memória ativa a produção de pensamentos e emoções.

                - Os pensamentos e emoções novamente experimentam o caos reiniciando o processo.

                Uma descoberta extremamente interessante que Augusto Cury fez em suas pesquisas foi que os pensamentos podem entrar em um ciclo construtivo perigoso. Quando a ansiedade vital é hiperestimulada por agentes externos como a TV, internet, moda, competitividade profissional e informações escolares,  ela gera uma hiperprodução de pensamentos e imagens mentais. Por sua vez essa hiperprodução pode destruir a tranquilidade e é capaz de levar a um intenso desgaste do córtex cerebral, produzindo uma intensa fadiga, esquecimento, bloqueio da criatividade, impulsividade, irritabilidade e uma série de sintomas psicossomáticos.

                Parece que aí reside o maior problema dos dias de hoje, porque tanto crianças como adultos excitam demasiadamente sua ansiedade por causa do sistema em que vivemos. Alguns conseguem minimizar este problema praticando meditação ou pelo menos ficando alguns instantes por dia em pleno silêncio procurando não pensar em nada enquanto buscam apenas sentir o seu corpo colocando o foco de sua consciência em cada parte dele. Este tipo de exercício é salutar quando praticado sistematicamente.
               O avanço tecnológico trouxe conforto, mas a ignorância dos processos mentais aliada ao modo atual de viver acaba gerando, com raras exceções, uma sociedade estressada, com cansaço mental e sem criatividade.

                Em Paz e Harmonia.

domingo, 10 de novembro de 2013

Tempo de Mudanças

            Como é bom quando trazemos para o mundo real, através de nossos atos, um sonho que estava apenas em nossa mente. Viver é um constante ato de realizar nossos anseios. Algo que não tem preço é podermos olhar para o objeto de nossa realização e saborearmos o feito. O prazer se torna completo quando, para realizarmos tal feito sentimos que não ofendemos ou magoamos as pessoas que estiveram conosco durante o percurso para alcançarmos nosso objetivo.

            Ampliando nosso raciocínio podemos dizer que viver é um ato de realizar sonhos. Temos que ter em mente, porém, que outras pessoas também têm seus sonhos, sua vida e que qualquer relacionamento só sobrevive se houver respeito para com o parceiro.

          O avanço tecnológico criou muitas coisas boas para nossa vida facilitando a realização de nossos sonhos. Com a diminuição do tempo para realizar as coisas, porém, perdeu-se o prazer da realização em si. É como se o prazer só fosse encontrado no final quando todo o trabalho foi realizado. A ânsia para concluir uma tarefa afasta o prazer da realização. No mundo de hoje maioria das pessoas perde por não saber mais curtir cada momento necessário para a realização dos seus sonhos.  Gabriel Garcia Marquez disse muito bem: Todo mundo quer viver em cima da montanha,  sem saber que a verdadeira felicidade está  na forma de subir a escarpada.

            É preciso acordar do pesadelo que é viver os dias atuais. Precisamos ter sempre em mente o que é o mais importante. Será nosso trabalho ou as pessoas que conosco vivem? Vejo relacionamentos falindo e os princípios básicos de uma vida correta serem corrompidos em nome do “olho por olho e dente por dente”. Ah! se me fazem isso, dizem, então lhes faço isso e mais aquilo. O problema é que no momento de raiva esquecemos que isso e mais aquilo não faziam parte da nossa maneira de ser e então corrompemos nossa verdade.

            Mas sempre é tempo de mudar...





Em Paz e Harmonia.

domingo, 3 de novembro de 2013

O pão psiquico


            Quando você gosta de ler e seus amigos sabem disso, certamente pode esperar muitos livros como presentes. Comigo não foi diferente. A cada festa, onde se trocam presentes tenho sido presenteado com ótimos livros. Hoje comecei a ler uma destas relíquias: A sabedoria nossa de cada dia, do renomado escritor, psiquiatra e pesquisador da psicologia, Augusto Cury.

            Ao ler as primeiras páginas senti a necessidade de compartilhar com alguém um pouco do que li porque acredito que seja extremamente importante. Neste livro o autor analisa, sob os olhos da psicologia, a segunda parte da oração mais conhecida: O Pai Nosso. Durante muitos anos o autor pesquisou a vida de Jesus e o resultado deste trabalho vem a público através de alguns livros. Este que estou lendo é um deles.

            Qualquer pessoa, que esteja buscando mais conhecimento sobre si mesmo encontra nos livros deste pesquisador fundamentos para ampliar sua auto compreensão.

             As pesquisas do autor mostram que o mestre Jesus veio para revelar para a humanidade um Deus que está menos interessado nas falhas humanas e mais no próprio ser humano. Para Jesus os erros são secundários. Lembram-se do caso da prostituta que ia ser apedrejada e que ele defendeu, arriscando sua própria integridade física?  Pois bem, o escritor Augusto nos remete a refletir sobre nossas próprias atitudes com relação aos filhos ou a outros eventos de nossa vida. Ele nos faz a seguinte pergunta: Você valoriza mais seus filhos ou os erros que eles cometem?

            Augusto Cury compara aquele que prioriza os erros a um promotor sem qualquer tolerância. Na pergunta seguinte ele nos faz refletir sobre nossos relacionamentos: Você valoriza mais as pessoas que o frustra ou as frustrações que elas lhe causam? E aí ele toca na ferida que normalmente acaba com os relacionamentos. Continuando, ele diz: “É fácil dizer que valorizamos mais a pessoa do que suas falhas, mas nossas reações ante os erros dos outros frequentemente denunciam o contrário”.

            Para este brilhante pesquisador, a vida de Jesus demonstra que, para ele, primeiro deve-se alimentar, cuidar, proteger e proporcionar prazer ao ser humano para depois ensiná-lo a lidar com seus erros.

            Augusto Cury, em seu livro, nos exorta a não exigir muito de quem está desnutrido; que não se cobre de quem está ferido nem se puna quem não tem nem forças para a jornada. Pois “uma pessoa que cobra muito dos outros, está apta para trabalhar num banco, mas não a conviver com pessoas. Um pai que cobra excessivamente dos filhos não está apto a educar”.

            Como se falou em alimento eu creio ser adequado citar aqui o significado dado pelo autor para o pão.

            Analisando a frase “o pão nosso de cada dia nos daí hoje” o autor nos mostra três classes de pães. Apenas citando o físico e do espiritual ele  se detém a comentar o alimento psicológico já que psicologia é a sua área. Este é o tipo de pão que nutre a psique. A sua falta afeta até mesmo as sociedades mais ricas. Enquanto que há um bilhão de famintos fisicamente existem seis bilhões de pessoas psiquicamente esfomeadas do único alimento que não poderia faltar. Embora todo o avanço tecnológico, estamos padecendo de uma desnutrição psíquica sem precedentes. E o pior é que a maioria não tem consciência da sua condição miserável. A angústia, a insegurança, a flutuação do humor e os sintomas psicossomáticos são sinais de uma psique desnutrida. E por isso, nos dias de hoje, os índices de violência, os conflitos sociais, transtornos emocionais, a competição predatória, a crise de diálogo, a discriminação, a diminuição da auto-estima e a tirania da beleza são tão elevados.

            Se nunca o fizemos, talvez seja a hora de pararmos um pouco para refletirmos sobre as seguintes questões: Onde nos enquadramos? Quanto nos falta de tranqüilidade? Somos pacientes, ou nos irritamos facilmente com pequenas contrariedades? Nossa emoção é estável e prazerosa ou vivemos uma constante insatisfação?

            É possível enganar muitas pessoas com uma ou outra de nossas máscaras sociais, mas o pior doente é aquele que não percebe ou não quer ver sua própria ferida.
 
             Fiquemos em Paz e Harmonia.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Centelhas de Sabedoria - O Poder do agora - parte 25

Do livro de Mirdad, de Mikhail Naimy coletei algumas frases para montar este vídeo.



Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle
 
O passado não consegue sobreviver diante da presença

Você disse que pensar ou falar sobre o passado é um dos caminhos pelos quais evitamos o presente. Mas, além do passado do qual nos lembramos e com que talvez nos identifiquemos, não existe um outro nível de passado dentro de nós mais enraizado? Falo sobre o passado inconsciente, que condiciona nossas vidas, em especial as experiências dos primeiros anos da infância, até mesmo as experiências de vida passada. Existem também os condicionamentos culturais, tão relacionados ao lugar e ao período histórico em que vivemos.Todas essas coisas determinam o modo como vemos o mundo, o que pensamos, que tipo de relacionamentos mantemos, como vivemos. Como poderíamos nos livrar disso tudo? Quanto tempo isso levaria? E se conseguíssemos, o que restaria?

O que resta quando terminam as ilusões?

Não há necessidade de investigar o nosso passado inconsciente, exceto à medida que ele for se manifestando no presente, na forma de um pensamento, de uma emoção, de um desejo, de uma reação ou de algo externo que nos aconteça. Uma eventual curiosidade quanto ao passado inconsciente poderá ser satisfeita através dos desafios do presente. Quanto mais penetramos no passado, mais ele se torna um buraco sem fundo.

Haverá sempre alguma coisa a mais. Você pode pensar que precisa de mais tempo para entender o passado ou se livrar dele ou, em outras palavras, que o futuro irá finalmente livrá-lo do passado. Isso é ilusão. Só o presente pode nos livrar do passado. Uma quantidade maior de tempo não consegue nos livrar do tempo. Acesse o poder do Agora. Essa é a chave.

O que é o poder do Agora?

Nada mais do que o poder da sua presença, da sua consciência libertada das formas de pensamento. Portanto, lide com o passado no nível do presente. Quanto mais atenção você der ao passado, mais energia estará dando a ele e mais probabilidades terá de construir um eu interior baseado nele. Não confunda as coisas. A atenção é essencial, mas não em relação ao passado como passado. Dê atenção ao presente. Dê atenção ao seu comportamento, às suas reações, seu humor, seus pensamentos, suas emoções, medos e desejos, da forma como eles acontecem no presente. Ali está o seu passado. Se você consegue estar presente o bastante para observar todas essas coisas, não de modo crítico ou analítico, mas sem julgamentos, significa que você está lidando com o passado e dissolvendo-o através do poder da sua presença. Não é procurando no passado que você vai se encontrar. Você vai se encontrar estando no presente.

O passado não pode ser útil para nos ajudar a compreender por que fazemos certas coisas, reagimos de determinadas maneiras, ou por que, inconscientemente, criamos nossos dramas particulares?

Quando ficamos mais conscientes do presente, podemos ter um insight sobre o porquê de determinados condicionamentos. Podemos perceber, por exemplo, se seguimos algum padrão nos nossos relacionamentos e podemos ver mais claramente coisas que aconteceram no passado. Fazer isso é bom e pode ser útil, mas não é essencial. O que é essencial é a nossa presença consciente. Ela dissolve o passado. Ela é o agente transformador. Portanto, não procure entender o passado, mas esteja presente tanto quanto conseguir. O passado não consegue sobreviver diante da sua presença, só na sua ausência.
(Continua)
 
                Observando o assunto de estarmos sempre buscando eventos do passado para nos projetarmos para o futuro, Augusto Cury que é psiquiatra, pesquisador da psicologia, em seu livro Revolucione sua qualidade de vida, coloca que os registros de nossas memórias não podem ser apagados. Se um evento passado nos causou dor, ficar lembrando-se do mesmo só o realimentará aumentando sua força em nos causar desconforto. Mas como não podemos apagar tal registro da nossa memória, a única coisa que nos resta é edita-lo acrescentando sistematicamente novas imagens que devemos criar para neutralizar o efeito nocivo do evento passado que nos causou dor.
                Vale a pena ler com atenção o livro acima citado porque seu conteúdo é extremamente simples de entender e nos abre novos horizontes além de nos ensinar algumas técnicas para gerenciar nossas emoções.
                  Uma ótima semana em Paz e Harmonia.
 


domingo, 15 de setembro de 2013

O Poder do Agora - Parte 24

     É bastante comum, quando estamos engajados num projeto, nos preocuparmos com o resultado a ser alcançado, descuidando da execução propriamente dita. Li certa vez um homem conseguiu remar uma canoa por muitos quilômetros. Ao ser inquirido como conseguira tal façanha ele respondeu que havia sido aconselhado a pensar apenas no quilômetro seguinte. Isto fez com que ele mantivesse o foco em sua atividade mais imediata sem se preocupar com o resultado final.
     Neste capítulo do livro O Poder do Agora  Eckhart Tolle toca exatamente neste ponto. Boa leitura e uma ótima semana em Paz e Harmonia.
 
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle)

O propósito interno da nossa jornada de vida

Posso perceber a verdade do que você está dizendo, mas ainda acho que devíamos ter um propósito em nossa jornada, do contrário, ficamos sem rumo. Propósito significa futuro, não significa? Como conciliar isso com o viver no presente?

 Ao partir numa jornada, é claro que ajuda muito sabermos para onde vamos ou, ao menos, a direção geral que estamos tomando. Entretanto, não podemos esquecer de que a única coisa real sobre a nossa jornada é o passo que estamos dando neste exato momento. Isso é tudo o que existe.

Nossa jornada de vida tem um propósito externo e um interno. O propósito externo é o de alcançarmos o objetivo ou destino, realizarmos o que estabelecemos cumprir, adquirirmos uma coisa ou outra, o que, é claro, envolve o futuro. Mas, se o destino ou os passos que vamos dar no futuro tomam tanto nossa atenção que se tornam mais importantes do que o passo que estamos dando agora significa que perdemos completamente o propósito interno da vida, que não tem nada a ver com onde estamos indo ou com o que estamos fazendo, mas tudo a ver com o de que modo. Esse propósito interno não está relacionado com o futuro e sim com a qualidade da nossa consciência no momento presente. O propósito externo pertence à dimensão horizontal de tempo e espaço enquanto o interno diz respeito ao aprofundamento do Ser na dimensão vertical do eterno Agora. Nossa jornada externa pode conter um milhão de passos enquanto a jornada interna só tem um, que é o passo que estamos dando neste exato momento. Quando tomamos maior consciência desse passo, percebemos que ele já contém dentro de si todos os outros passos, assim como o nosso destino. Esse único passo se vê transformado em uma expressão da perfeição, um ato de grande beleza e qualidade. Ele terá nos levado para dentro do Ser e a luz do Ser brilhará através dele. Este é tanto o propósito quanto à realização da nossa jornada interior: a jornada para dentro de nós mesmos.

Faz diferença se alcançamos nosso propósito externo, se somos bem-sucedidos ou se fracassamos?

Faz diferença se você não tiver alcançado seu propósito interno. Depois disso, o propósito externo é só um jogo que você pode apreciar e querer continuar jogando. Pode acontecer também de você falhar em seu propósito externo e, ao mesmo tempo, ter pleno sucesso em seu propósito interno. Ou de outra forma até mais comum, pode obter riqueza externa e pobreza interna, ou “ganhar o mundo e perder a alma”, nas palavras de Jesus. Claro que, no fim, cada propósito externo está condenado a “fracassar” mais cedo ou mais tarde, simplesmente porque está sujeito à lei da não permanência de todas as coisas. Quanto mais cedo você perceber que o propósito externo não pode lhe proporcionar uma satisfação duradoura, melhor. Depois de ter constatado as limitações do seu propósito externo, você desiste da expectativa irreal de que ele deveria fazer a sua felicidade e torna-o subserviente ao seu propósito interno.
(Continua)
 

domingo, 1 de setembro de 2013

Quem ou o que somos. - O Poder do Agora - Parte 23


                Em seu livro Os segredos do Pai-Nosso, Augusto Cury confessa que foi um dos ateus mais críticos que já existiram. No entanto, depois de intensa reflexão, se convenceu de que não há discurso ateísta que aplaque a ansiedade inconsciente do ser humano pela compreensão da vida e pela continuidade da existência. O vácuo da inexistência, diz ele, imposto pela morte nos perturba profundamente e só não se inquieta quem não o analisou.

                Explicando tal afirmação ele diz:
            Tal inquietação, longe de ser negativa é uma fonte inesgotável que impulsiona o saber e alimenta a produção teólogos, religiosos, filósofos, pensadores e cientistas. Sempre haverá um prazer na mente humana pelo desconhecido, pela superação das intempéries. Sempre haverá o desejo irrefreável de desvendar o Autor da existência.

            Einstein também foi consumido por essa inquietação. Não se contentou em produzir conhecimento sobre a relação espaço-tempo. Queria entender Aquele que inaugurou e fundamentou os elementos da existência. Desejava perscrutar a mente de Deus. Sócrates instigava os seus jovens discípulos com o pensamento: “Conhece-te a ti mesmo!”. Todavia, não é possível conhecer sem perguntar. Não é possível perguntar sem duvidar. Não é possível duvidar sem experimentar ansiedade. Este tipo de ansiedade é saudável, pois abre as janelas da inteligência e nos dá prazer nos desafios.
            Na era da computação e da internet o conhecimento é oferecido pronto, um “fast-food” intelectual inclusive nas universidades. Os jovens não experimentam aventura, ansiedade pelo desconhecido. Não sabem perguntar, duvidar e produzir novas ideias.

            A rotina social e o consumismo entorpecem nossa capacidade de ficar atônitos com a vida. O incomum tornou-se comum. Milhões de pessoas acordam, levantam, seguem uma agenda engessada, atormentam-se com problemas, sem nunca golpear a inteligência com a lâmina das perguntas.
            Raramente alguém indaga: O que é a existência? Sou um ser humano ou uma máquina de atividades? Sou um aparelho de consumir ou um mundo a ser descoberto? Ingerimos poucas ideias e muitos produtos. Não percebemos que existir como ser consciente é o mistério dos mistérios. Não entendemos que não sabemos quase nada sobre as questões mais relevantes da existência.

            Somos uma partícula que surge na arena da existência e logo desaparece. Apesar da pequenez do ser humano, nosso pensamento caminha na esfera da imaginação mais rápido do que a luz, e é mais fértil do que o solo mais rico. Perambulamos apreensivos durante algumas dezenas de anos em nossa breve trajetória existencial usando o aparelho psíquico para tentar desvendar o desconhecido, em especial a vida. Perguntar é o nosso destino. Sabemos muitas coisas sobre o mundo físico e biológico, mas sabemos pouquíssimo sobre nós mesmos. Sobre a nossa psique.
                E você já se perguntou quem realmente é?

                Permaneça em Paz e Harmonia.

(Continuação do livro o Poder do Agora de Eckhart Tolle.)

Onde quer que você esteja, esteja por inteiro

Você pode dar outros exemplos da inconsciência comum?

Observe quando estiver reclamando, com palavras ou pensamentos, de uma situação que envolva você – pode ser alguém que fez ou disse algo que lhe aborreceu, algo sobre a sua situação de vida, o lugar onde mora, ou até mesmo o tempo. Reclamar é sempre uma não aceitação de algo que é. Essa atitude contém invariavelmente uma carga negativa inconsciente. Quando você reclama, transforma-se em vítima. Quando fala, você está no controle. Portanto, mude a situação agindo ou falando, caso necessário ou possível, ou então fuja da situação ou mesmo aceite-a. Tudo o mais é loucura.

A inconsciência comum é sempre relacionada, de algum modo, com a negação do Agora. O Agora, naturalmente, também implica o aqui. Você está resistindo ao aqui e agora? Algumas pessoas prefeririam estar num outro lugar. O “aqui” delas nunca é suficientemente bom. Observe-se e verifique se isso acontece em sua vida. Onde quer que você esteja, esteja lá por inteiro. Se você acha insuportável o seu aqui e agora e isso lhe faz infeliz, há três opções: abandone a situação, mude-a ou aceite-a totalmente. Se você deseja ter responsabilidade sobre a sua vida, deve escolher uma dessas opções e deve fazê-lo agora. Depois, arque com as consequências. Sem desculpas. Sem negatividade. Sem poluição física. Mantenha limpo o seu espaço interior.

Se você tomar qualquer atitude, abandonando ou mudando a situação, livre-se primeiro da negatividade. Uma atitude originada no discernimento tem mais efeito do que uma originada na negatividade.

Uma atitude qualquer é muitas vezes melhor do que nenhuma atitude, especialmente se há muito tempo você está paralisado numa situação infeliz. Se for uma atitude errada, ao menos você aprenderá alguma coisa, caso em que deixará de ser um erro. Se você não agir, nada aprenderá. Será que o medo está evitando que você tome uma atitude? Admita o medo, observe-o, concentre-se nele, esteja totalmente presente. Isso corta a ligação entre o medo e o pensamento. Não deixe o medo nascer em sua mente. Use o poder do Agora. O medo não pode prevalecer sobre ele.

Se não há mesmo nada a fazer e você não pode mudar a situação, então aceite o aqui e agora totalmente, abandonando toda a resistência interior. O falso e infeliz eu interior, que adora sentir-se miserável, ressentido ou com pena de si mesmo, não consegue mais sobreviver. Isso se chama rendição. A rendição não é uma fraqueza. Há uma grande força nela. Somente alguém que se rendeu tem poder espiritual. Através da rendição, você se livrará da situação internamente. É possível que você perceba uma mudança na situação sem que tenham sido necessários maiores esforços da sua parte. De qualquer forma, você está livre.

Ou haverá algo que você “deveria” estar fazendo, mas não está? Levante-se e faça agora. Ou, em vez disso, aceite totalmente a sua inatividade, preguiça ou passividade neste momento, se esta é a sua escolha. Mergulhe nela por inteiro. Desfrute-a. Seja tão preguiçoso ou inativo quanto puder. Se você fizer isso conscientemente, logo sairá dela. Ou talvez não. Em qualquer dos casos, não há nenhum conflito interior, nenhuma resistência, nenhuma negatividade.

Você está sofrendo de estresse? Pensa tanto no futuro que o presente está reduzido a um meio para chegar lá? O estresse é causado pelo estar “aqui” embora se deseje estar “lá”, ou por se estar no presente desejando estar no futuro. É uma divisão que corta a pessoa por dentro. Criar e viver com essa divisão é insano. O fato de que todas as pessoas estão agindo assim não torna ninguém menos insano. Se você não pode fugir disso, tem de se movimentar rápido, trabalhar rápido, ou até mesmo correr, sem se projetar no futuro e sem resistir ao presente. Quando se movimentar, trabalhar e correr, faça tudo por inteiro. Desfrute o fluxo de energia, a alta energia desse momento. Agora não há mais estresse, não há mais divisão por dois, apenas o movimento, a corrida, o trabalho. Desfrute essas atitudes. Ou você também pode abandonar tudo e se sentar num banco do parque. Mas, ao fazê-lo, observe a sua mente. Pode ser que ela diga: “Você devia estar trabalhando. Está perdendo o seu tempo”. Observe a mente. Sorria para ela.

O passado toma uma grande parte da sua atenção? Você frequentemente fala e pensa sobre ele, tanto de forma positiva quanto negativa? As grandes coisas que você conquistou, suas experiências e aventuras, ou as coisas horrorosas que lhe aconteceram, ou talvez que você fez a alguém? Será que seus pensamentos estão gerando culpa, orgulho, ressentimento, raiva, arrependimento ou autopiedade? Então, você está não só dando mais força ao falso eu interior, como também ajudando a acelerar o processo de envelhecimento do seu corpo através da criação de um acúmulo de passado na sua psique. Constate isso observando à sua volta aquelas pessoas que têm uma forte tendência para se apegar ao passado.

Morra para o passado a cada instante. Você não precisa dele. Refira-se a ele apenas quando totalmente relevante para o presente. Sinta o poder do momento presente e a plenitude do Ser. Sinta a sua presença.

Você tem preocupações? Tem muitos pensamentos do tipo “e se”? Você está identificado com a mente, que está se projetando num futuro imaginário e criando o medo. Não há como enfrentar tal tipo de situação, porque ela não existe. É um fantasma mental. Você pode parar com essa insanidade que corrói a saúde e a vida aceitando simplesmente o momento presente. Perceba a sua respiração. Sinta o ar entrando e saindo do seu corpo. Sinta o seu campo interno de energia. Tudo com o que você sempre teve que lidar, tudo que teve de enfrentar na vida real, em oposição às projeções imaginárias da mente, é o momento presente. Pergunte-se qual é o seu problema neste exato momento, não no ano que vem, ou amanhã ou daqui a cinco minutos. O que está errado neste exato momento? Você pode sempre enfrentar o Agora, mas não pode jamais enfrentar o futuro, nem tem de fazer isso. A resposta, a força, a atitude certa estarão à sua disposição quando você precisar, nem antes, nem depois.

“Algum dia vou fazer isso”. Seu objetivo está tomando de tal modo a sua atenção que o momento presente é apenas um meio para atingir um fim? Está consumindo a alegria das coisas que você faz? Você está esperando para começar a viver? Se você desenvolver esse tipo de padrão mental, não importa o que você adquira ou alcance, o presente nunca será bom o bastante. O futuro sempre parecerá melhor. Uma receita perfeita para uma insatisfação permanente, você não acha?

Você está sempre “esperando” alguma coisa? Quanto tempo da sua vida você passou esperando? Chamo “espera de pequena escala” à espera na fila do correio, num engarrafamento de automóveis, no aeroporto, por alguém que vai chegar, um trabalho que precisa ser terminado, etc. Chamo de “espera em grande escala” à espera pelas próximas férias, por um emprego melhor, pelos filhos crescerem, por uma relação verdadeiramente significativa, pelo sucesso, para ficar rico, para ser importante, para se tornar iluminado. Não é raro que as pessoas passem a vida toda esperando para começar a viver.

Esperar é um estado mental. Significa basicamente desejar o futuro e não querer o presente. Você não quer o que conseguiu e deseja aquilo que não conseguiu. Em qualquer dos tipos de espera você, inconscientemente, cria um conflito interior entre o seu aqui e agora, onde você não quer estar, e o futuro projetado, onde você quer estar. Essa situação reduz grandemente a qualidade da sua vida ao fazer você perder o presente.

Não há nada de errado em nos empenharmos para melhorar a nossa situação de vida. Podemos melhorar a situação da nossa vida, mas não podemos melhorar a nossa vida. A vida é básica.

A vida é o Ser interior mais profundo. É um todo, completo, perfeito. A nossa situação de vida se constitui das nossas circunstâncias e experiências. Não há nada de errado em estabelecermos metas e nos empenharmos para conseguir bens. O erro reside em usar isso como um substituto para o sentimento da vida, para o Ser. O único ponto de acesso a isso é o Agora. Agimos, assim, como um arquiteto que não dá atenção às fundações de uma construção, mas que gasta um bom tempo trabalhando na superestrutura.

Por exemplo. Muitos de nós estamos à espera da prosperidade. Ela pode não acontecer no futuro. Quando respeitamos, admitimos e aceitamos completamente a realidade do presente – onde estamos, quem somos, o que estamos fazendo agora –, quando aceitamos o que temos, significa que estamos agradecidos pelo que conseguimos, pelo que é, pelo Ser. A gratidão pelo momento presente e pela plenitude da vida atual é a verdadeira prosperidade. Não está no futuro. Então, no tempo certo, essa prosperidade se manifesta para nós de várias maneiras.

Se você não encontra satisfação nas coisas que possui, se tem um sentimento de frustração ou de aborrecimento por não ter tudo o que quer no presente, isso pode levá-lo a querer enriquecer, mas, mesmo que consiga milhões, continuará a ter uma sensação de que falta alguma coisa. Talvez o dinheiro lhe compre muitas experiências excitantes, embora passageiras, deixando sempre uma sensação de vazio e estimulando uma necessidade de gratificação física ou psicológica ainda maior. Você não vai se conformar em simplesmente Ser e, assim, sentir a plenitude da vida agora – a verdadeira prosperidade.

Portanto, desista da espera como um estado da mente. Quando você se vir escorregando para a espera... pule fora. Venha para o momento presente. Apenas seja e aprecie ser. Quando estamos presentes, nunca precisamos esperar por nada. Portanto, da próxima vez que alguém disser “desculpe por ter feito você esperar”, sua resposta pode ser: “Está tudo bem, não estava esperando. Estava aqui contente comigo, com meu eu interior”.

Essas são apenas algumas das estratégias comuns da mente para negar o momento presente já incorporadas à inconsciência comum. São fáceis de passar despercebidas porque já estão entranhadas em nosso modo de vida, como o ruído de fundo do nosso eterno descontentamento. Mas, quanto mais você praticar o monitoramento do seu estado interior emocional e mental, mais fácil será perceber em que momento você foi capturado pelo passado e pelo futuro, bem como despertar da ilusão do tempo dentro do presente. Mas tenha cuidado porque o eu interior falso e infeliz, baseado na identificação com a mente, vive no tempo. Ele sabe que o presente significa sua própria morte e sente-se ameaçado. Fará tudo para afastar você do Agora. Tentará manter você preso ao tempo.

(Continua)

domingo, 18 de agosto de 2013

O Poder do Agora - Parte 22


            Neste capitulo do livro O Poder do Agora, abaixo, Tolle toca em algo extremamente importante e que normalmente passa despercebido. Estamos limpando ou poluindo o Planeta com nossos pensamentos e atitudes? Ainda hoje há quem não acredite que nossos pensamentos são energia capaz de perturbar a harmonia de um ambiente. Outros acreditam, mas vivem de forma inconsciente para este fato. Desta forma, as grandes cidades são uma fonte de stress.

            Várias pessoas que nos visitaram aqui no nosso “mundinho” rural expressaram sua surpresa pela paz que pode ser percebida no ambiente. Um destes visitantes não conteve as lágrimas pela emoção que sentiu quando aqui chegou. Uma senhora que aqui veio pela primeira vez confessou que só viera para acompanhar o marido. Era um sábado. À noite, já em sua casa, nos telefonou pedindo para voltar ao nosso convívio no dia seguinte. Acredito que para ela foi um domingo de uma paz e harmonia que há muito ela não sentia.
 
            Não tenho dúvida que estes eventos mostram nitidamente que a maneira de viver de cada um deixa seu ambiente impregnado com a sua energia. "Orai e vigiai (seus pensamentos)". (Jesus.)
 

              Que tenhamos uma ótima semana em Paz e Harmonia.
 
 
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                O pior cárcere não é o que aprisiona o corpo, mas o que asfixia a mente e algema a emoção. Sem liberdade, as mulheres sufocam o prazer. Sem sabedoria os homens se tornam máquinas de trabalhar. Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existência e desvendar seus mistérios. (Augusto Cury)
 

 
 
 

CURA QUÂNTICA, BARREIRAS

Existe uma porta mental chamada "eu não consigo”,
que nem a bomba mais potente consegue destruir,
nem o ladrão mais ágil consegue arrombar,
pois está solidificada na mente humana,
essa mente maravilhosa que possuímos,
capaz de construir maravilhas, e destruir vidas preciosas.

Os vícios, as situações que se repetem,
a maioria dos infortúnios, as guerras estúpidas,
angústias e doenças nervosas que levam gênios a loucura,
são retratos claros dessas portas mentais
que encarceram as pessoas que perdem a chave,
sem saberem como se libertar.

Uma depressão, por exemplo,
é uma cadeia de segurança máxima,
onde a pessoa se tranca e não vê mais nada além da sua dor,
da dor que nem sempre existe na realidade,
e que não podemos abrir, pois só ela tem a chave,
e essa chave, que chamamos de determinação,
Deus chama de "amor a vida"
.

Somente o reconhecimento desse verdadeiro tesouro,
que é a vida, pode nos libertar dessa cadeia mental,
livrar o homem do
"eu não consigo"
,
do
"eu não posso"
, das frases feitas de destruição,
da frustração de ver algum sonho não realizado,
da
libertação
de vícios que destroem a vida,
vida que Deus lhe entrega mais uma vez,
renovada, pronta para a sua vitória,
com essa
chave divina chamada "dia de hoje"
,
chave que permite mudar tudo,
começando agora com uma simples atitude mental:
amando-se incondicionalmente.


Viva a sua vitória, a sua mudança,
a libertação da prisão que você mesmo criou,
eis o dia, eis a chave:
é o amor, sublime amor, que Deus tem por você,
hoje e sempre, Amém.

Eu acredito em você!

Paulo Roberto Gaefke

 
 
 
Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle


Libertando-se da infelicidade

 

Você não está satisfeito com as atividades que desempenha? Talvez não goste de seu trabalho ou tenha se aborrecido por ter concordado em fazer alguma coisa, embora parte de você não goste e ofereça resistência. Tem algum ressentimento oculto em relação a alguém próximo a você? Percebe que a energia que você desprende por conta disso tem efeitos tão prejudiciais que você está contaminando a si mesmo e aos que estão ao seu redor? Dê uma boa olhada dentro de você. Existe algum leve traço de ressentimento ou má vontade? Se existe, observe-o, tanto no nível mental quanto no emocional. Que tipos de pensamento a sua mente está criando em torno dessa situação? Depois, observe a sua emoção, que é a reação do corpo a esses pensamentos. Sinta a emoção. Ela lhe parece agradável ou não? É uma energia que você escolheria para ter dentro de você? Você tem escolha?

 

Talvez a atividade seja tediosa, ou alguém próximo a você seja desonesto, irritante ou inconsciente, mas tudo isso é irrelevante. Não faz a menor diferença se os seus pensamentos e emoções a respeito da situação tenham ou não uma justificativa. O fato é que você está resistindo ao que é. Está transformando o momento atual num inimigo. Está criando infelicidade, um conflito entre o interior e o exterior. A sua infelicidade está poluindo não só o seu próprio ser interior e daqueles à sua volta, como também a psique coletiva humana, da qual você é uma parte inseparável. A poluição do planeta é apenas um reflexo externo de uma poluição interior psíquica gerada por milhões de indivíduos inconscientes, sem a menor responsabilidade pelos espaços que trazem dentro de si.

 

Você pode parar de executar a tarefa que está lhe causando insatisfação, falar com a pessoa envolvida e expressar todos os seus sentimentos, ou livrar-se da negatividade que a sua mente criou em volta da situação e que não serve a nenhum propósito, exceto o de fortalecer um falso sentido do eu interior. É importante reconhecer essa inutilidade. A negatividade nunca é o melhor caminho para lidar com qualquer situação. Na verdade, na maior parte dos casos, ela nos paralisa, bloqueando qualquer mudança verdadeira. Qualquer coisa feita com uma energia negativa será contaminada por ela e dará origem a mais sofrimento. Além disso, qualquer estado interior negativo é contagioso, pois a infelicidade se espalha mais rapidamente do que uma doença física. Pela lei da ressonância, ela detona e alimenta a negatividade latente nos outros, a menos que sejam imunes, quer dizer, altamente conscientes.

 

Você está poluindo o mundo ou limpando a sujeira? Você é responsável pelo seu espaço interior, da mesma forma que é responsável pelo planeta. Assim no interior, assim no exterior: se os seres humanos limparem a poluição interior, deixarão então de criar a poluição externa.

 

Como podemos nos livrar da negatividade?

 

Descartando-a. Como nos livramos de um pedaço de carvão em brasa que está em nossas mãos? Como nos livramos de uma bagagem pesada e inútil que estamos carregando? Reconhecendo que não desejamos mais sofrer nem carregar peso, e deixando-os de lado.

 

A inconsciência profunda, como o sofrimento físico ou outro sofrimento profundo, como, por exemplo, a perda de uma pessoa amada, quase sempre necessita ser transformada através da aceitação combinada com a luz da presença, ou seja, através de uma atenção constante. Por outro lado, muitos padrões da inconsciência comum podem ser simplesmente descartados ao percebermos que não os queremos mais ou que não precisamos mais deles, que temos uma escolha e que não somos só um feixe de reflexos condicionados. Tudo isso indica que somos capazes de acessar o poder do Agora. Sem ele, não temos escolha.

 

Ao chamar algumas emoções de negativas, será que você não está criando uma polaridade mental de bom e mau, como mencionou anteriormente?

 

Não. A polaridade foi criada num estágio anterior, quando sua mente julgou o momento presente como mau. Foi esse julgamento que criou a emoção negativa.

 

Mas ao chamar algumas emoções de negativas, você não está querendo dizer que elas não deveriam estar ali, que não está certo ter essas emoções? Entendo que deveríamos nos permitir ter qualquer tipo de sentimento, sem julgar se ele é bom ou mau. Não há nada demais em estar com raiva, de mau humor, ou seja lá o que for, do contrário, nos sentiremos reprimidos, em conflito interior ou rejeitados. As coisas estão bem do jeito que são.

 

Sem dúvida. Quando um padrão mental, uma emoção ou uma reação forem observados, aceite-os. Você não está consciente o bastante para ter uma escolha em relação a esse assunto. Não se trata de um julgamento, apenas de um fato. Se você tivesse uma escolha, ou percebesse que, de fato, tem uma escolha, escolheria o sofrimento ou a alegria, o conforto ou o desconforto, a paz ou o conflito? Escolheria um pensamento ou um sentimento que separasse você do seu estado natural de bem-estar, da alegria da vida interior? Chamo de negativo a qualquer sentimento dessa natureza, o que significa simplesmente mau. Não no sentido de “você não deveria ter feito isso”, mas simplesmente o mau no sentido concreto, como sentir dor de estômago. Como é possível que os seres humanos tenham assassinado mais de 100 milhões de seus semelhantes apenas no século vinte?1 Pessoas infligindo um sofrimento de tal magnitude umas às outras está além de qualquer coisa que você possa imaginar. E isso sem considerar a violência física, mental e emocional, a tortura, o sofrimento e a crueldade que os homens continuam a infligir uns aos outros, bem como a outros seres vivos.

 

Será que agem assim em seu estado natural, em contato com a alegria da vida dentro deles? Claro que não. Somente aqueles que vivem num estado profundamente negativo, que se sentem de fato muito mal, poderiam ver tal realidade como um reflexo do modo como se sentem. No momento, essas pessoas estão empenhadas em destruir a natureza e o planeta que nos sustenta. Isso é inacreditável, mas é verdadeiro. O homem é uma espécie perigosamente insana e doente. Isso não é um julgamento, é um fato. É também um fato que a sanidade está lá, por baixo da loucura. A cura e a redenção estão disponíveis neste exato momento.

 

É verdade que, quando aceita seu ressentimento, o mau humor, a raiva, etc., você não sente mais necessidade de manifestá-los de maneira cega e tem menos chance de projetá-los sobre os outros. Mas eu me pergunto se você não está se iludindo. Quando uma pessoa vem praticando a aceitação por um tempo, como é o seu caso, chega um ponto em que precisa passar para o estágio seguinte, onde essas emoções negativas não são mais criadas. Se você não passa, a “aceitação” se torna apenas um rótulo mental que permite ao seu ego continuar a ser tolerante com a tristeza e, dessa forma, fortalecer o sentimento de separação das outras pessoas, do seu ambiente, do seu aqui e agora. Como você bem sabe, a separação é a base do sentido de identidade do ego. A aceitação verdadeira poderia transformar tudo de uma vez por todas. E se sabe, bem lá no fundo, que tudo “está bem” como você diz, será que esses pensamentos negativos viriam em primeiro lugar? Se não houver julgamento nem resistência ao que é, eles nem surgiriam. A sua mente diz que “tudo está bem”, mas no fundo você não acredita nisso, e assim os velhos padrões de resistência mental e emocional ainda estão ali. É isso o que nos faz mal.

 

Isso também não tem importância.

 

Você está defendendo o seu direito de ser inconsciente, o seu desejo de sofrer? Não se preocupe, pois ninguém vai lhe tirar esse direito. Ao perceber que um determinado tipo de alimento lhe faz mal, você continuaria a comer aquele alimento e insistiria em afirmar que não se importa em passar mal?

 

1 Sivard, R. L. World Military ans Social Expenditures. 1996. 16ª edição. Washington, D. C.: World Priorities,

1996. p. 7.

Continua.