Quando
você gosta de ler e seus amigos sabem disso, certamente pode esperar muitos livros como
presentes. Comigo não foi diferente. A cada festa, onde se trocam presentes
tenho sido presenteado com ótimos livros. Hoje comecei a ler uma destas
relíquias: A sabedoria nossa de cada dia,
do renomado escritor, psiquiatra e pesquisador da psicologia, Augusto Cury.
Ao
ler as primeiras páginas senti a necessidade de compartilhar com alguém um
pouco do que li porque acredito que seja extremamente importante. Neste livro o
autor analisa, sob os olhos da psicologia, a segunda parte da oração mais
conhecida: O Pai Nosso. Durante muitos anos o autor pesquisou a vida de Jesus e
o resultado deste trabalho vem a público através de alguns livros. Este que
estou lendo é um deles.
Qualquer
pessoa, que esteja buscando mais conhecimento sobre si mesmo encontra nos
livros deste pesquisador fundamentos para ampliar sua auto compreensão.
As
pesquisas do autor mostram que o mestre Jesus veio para revelar para a
humanidade um Deus que está menos interessado nas falhas humanas e mais no
próprio ser humano. Para Jesus os erros são secundários. Lembram-se do caso da
prostituta que ia ser apedrejada e que ele defendeu, arriscando sua própria integridade física? Pois bem, o escritor Augusto nos remete a
refletir sobre nossas próprias atitudes com relação aos filhos ou a outros
eventos de nossa vida. Ele nos faz a seguinte pergunta: Você valoriza mais seus
filhos ou os erros que eles cometem?
Augusto
Cury compara aquele que prioriza os erros a um promotor sem qualquer
tolerância. Na pergunta seguinte ele nos faz refletir sobre nossos
relacionamentos: Você valoriza mais as pessoas que o frustra ou as frustrações
que elas lhe causam? E aí ele toca na ferida que normalmente acaba com os
relacionamentos. Continuando, ele diz: “É fácil dizer que valorizamos
mais a pessoa do que suas falhas, mas nossas reações ante os erros dos outros
frequentemente denunciam o contrário”.
Para
este brilhante pesquisador, a vida de Jesus demonstra que, para ele, primeiro
deve-se alimentar, cuidar, proteger e proporcionar prazer ao ser humano para
depois ensiná-lo a lidar com seus erros.
Augusto
Cury, em seu livro, nos exorta a não exigir muito de quem está desnutrido; que não se cobre de quem está ferido nem se
puna quem não tem nem forças para a jornada. Pois “uma pessoa que cobra muito dos outros, está apta para trabalhar num
banco, mas não a conviver com pessoas. Um pai que cobra excessivamente dos
filhos não está apto a educar”.
Como
se falou em alimento eu creio ser adequado citar aqui o significado dado pelo
autor para o pão.
Analisando
a frase “o pão nosso de cada dia nos daí
hoje” o autor nos mostra três classes de pães. Apenas citando o físico e do
espiritual ele se detém a comentar o alimento psicológico já que psicologia é a sua área. Este é o tipo de pão que nutre a
psique. A sua falta afeta até mesmo as sociedades mais ricas. Enquanto que há
um bilhão de famintos fisicamente existem seis bilhões de pessoas psiquicamente
esfomeadas do único alimento que não poderia faltar. Embora todo o avanço
tecnológico, estamos padecendo de uma desnutrição psíquica sem precedentes. E o
pior é que a maioria não tem consciência da sua condição miserável. A angústia,
a insegurança, a flutuação do humor e os sintomas psicossomáticos são sinais de
uma psique desnutrida. E por isso, nos dias de hoje, os índices de violência,
os conflitos sociais, transtornos emocionais, a competição predatória, a crise
de diálogo, a discriminação, a diminuição da auto-estima e a tirania da beleza
são tão elevados.
Se
nunca o fizemos, talvez seja a hora de pararmos um pouco para refletirmos sobre
as seguintes questões: Onde nos enquadramos? Quanto nos falta de tranqüilidade?
Somos pacientes, ou nos irritamos facilmente com pequenas contrariedades? Nossa
emoção é estável e prazerosa ou vivemos uma constante insatisfação?
É
possível enganar muitas pessoas com uma ou outra de nossas máscaras sociais,
mas o pior doente é aquele que não percebe ou não quer ver sua própria ferida.
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