Existem
algumas coisas na nossa vida com as quais convivemos sem nunca nos questionarmos
como elas se processam. Nossos pensamentos são um bom exemplo disso. Afinal, como
são formados os pensamentos? Alguma vez o caro visitante desta pagina já se fez
esta pergunta? Aparentemente somos senhores de nossos pensamentos. Será que é a
nossa vontade que produz os pensamentos.
Roque
Perrone, analista junguiano, diz que o
pensamento é uma capacidade da mente, é um poder-fazer. Diz que sem o
cérebro a mente não tem sua ferramenta de atuação e sem o pensamento a mente
não tem finalidade para produzir ou realizar. Diz ele também que se nossa mente
estiver ligada ao passado, estará atuando no córtex (parte externa cinzenta do
cérebro), se no presente, estará no neocórtex (áreas mais evoluídas do córtex
cerebral), e ao futuro, estará nos lobos temporais.
Se
pararmos para observar, veremos que os pensamentos não são contínuos. Entre um
e outro existe uma fração de tempo em que não há pensamentos. Augusto Cury
psiquiatra e pesquisador da mente compara este espaço entre os pensamentos a um
caos onde um pensamento se desorganiza e novamente torna a se organizar em
outros pensamentos. Um detalhe interessante é que ninguém consegue manter o
mesmo pensamento indefinidamente. Todo pensamento tem um começo e tem um fim,
assim como as emoções (alegria, tristeza, etc.) e tudo mais neste mundo.
Para
Cury o caos da energia psíquica gera uma dinâmica que desorganiza experiência
psíquica produzindo uma ansiedade extremamente saudável, que ele chama de
ansiedade vital. E é esta ansiedade que estimula a criatividade, a curiosidade
e o desejo explorador.
Pode-se
dizer que ela é a mola propulsora para tudo o que fazemos. Segundo o
pesquisador, o processo todo anda por quatro fases:
-
O caos psíquico gera a ansiedade vital.
-
A ansiedade vital estimula a leitura da memória.
-
A leitura da memória ativa a produção de pensamentos e emoções.
-
Os pensamentos e emoções novamente experimentam o caos reiniciando o processo.
Uma
descoberta extremamente interessante que Augusto Cury fez em suas pesquisas foi
que os pensamentos podem entrar em um ciclo construtivo perigoso. Quando a
ansiedade vital é hiperestimulada por agentes externos como a TV, internet,
moda, competitividade profissional e informações escolares, ela gera uma
hiperprodução de pensamentos e imagens mentais. Por sua vez essa hiperprodução
pode destruir a tranquilidade e é capaz de levar a um intenso desgaste do
córtex cerebral, produzindo uma intensa fadiga, esquecimento, bloqueio da
criatividade, impulsividade, irritabilidade e uma série de sintomas
psicossomáticos.
Parece
que aí reside o maior problema dos dias de hoje, porque tanto crianças como
adultos excitam demasiadamente sua ansiedade por causa do sistema em que
vivemos. Alguns conseguem minimizar este problema praticando meditação ou pelo
menos ficando alguns instantes por dia em pleno silêncio procurando não pensar
em nada enquanto buscam apenas sentir o seu corpo colocando o foco de sua
consciência em cada parte dele. Este tipo de exercício é salutar quando
praticado sistematicamente.
O avanço tecnológico trouxe conforto, mas a ignorância
dos processos mentais aliada ao modo atual de viver acaba gerando, com raras exceções,
uma sociedade estressada, com cansaço mental e sem criatividade.
Em
Paz e Harmonia.
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