“Quando se deseja o possível, o impossível também pode acontecer. Quando,
porém, se almeja o impossível, mesmo o possível se torna difícil.” (Osho)
Sabemos que tudo que se inicia um dia termina, ou seja, nascemos e um dia vamos morrer. Aprendemos que durante da vida podemos morrer a qualquer instante. Pode ser por um acidente, por uma doença ou por morte natural. Mas embora sabendo disso, lá no fundo de nós mesmos fica o pensamento de que não vai acontecer conosco. Pelo menos não agora. Postergamos a idéia da morte para um futuro incerto e ficamos com a ilusória sensação de que vai demorar muito para isto acontecer. Então deixamos o assunto de lado e voltamos a viver na inconsciência do real significado da nossa existência neste mundo físico.
Alguém me disse certa vez que no final da vida, quando nosso corpo já não agüenta mais funcionar por causa de doença ou mesmo por velhice, primeiro nos recusamos a sequer admitir que estejamos no fim. Numa segunda etapa, lutamos para nos manter vivo e finalmente num instante derradeiro, aceitamos nosso fim e nos entregamos abandonando todo o esforço para ficar na matéria.
Por outro lado, relatos de quem já passou pela experiência de quase morte (EQM), nos levam a acreditar que estes não têm nenhum temor por ver aproximar-se o fim da presente etapa nesta matéria.
Parece que eles compreenderam que o corpo é como uma casa onde seu dono vive. Parece que perceberam que assim como o corpo é só o lugar onde habitam, a mente é só um mecanismo que têm a disposição para viver adequadamente neste mundo físico. Em função deste tipo de experiência estas pessoas alcançaram um grau diferente de compreensão.
Ao refletirmos sobre a evolução vemos que dois tipos se apresentam. A evolução para vivermos neste mundo competitivo que de uns anos para cá desandou numa corrida alucinante e a evolução do ser espiritual. No mundo físico, quem tem uma energia lenta (“faísca atrasada”) não consegue acompanhar o ritmo com que as coisas acontecem, não tem como competir com os demais que tendo uma energia muito rápida consegue acompanhar o fluxo da evolução no planeta Terra. Parece até que estes estão a andar por atalhos já que estão sempre em dia com as últimas novidades. No entanto assim como avançam rapidamente também estão susceptíveis de retroceder de forma rápida.
Já quando a evolução em pauta é a espiritual, não há atalhos para avançar mais rápido. Desta forma quem está acostumado a andar mais devagar e segue o ciclo natural, dificilmente tende a retroceder. Tudo indica que estes são os que vivem em função apenas do que é possível, sem grandes desejos ou ambições.
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)
A busca do ego pela plenitude
Um outro aspecto do sofrimento emocional é uma profunda sensação de falta, de incompletude, de não se sentir inteiro. Em algumas pessoas isso é consciente, em outras, não. Quando está consciente, a pessoa tem uma sensação inquietante de que ela não é respeitada ou boa o bastante. Na forma inconsciente, essa sensação se manifesta indiretamente como um anseio, uma necessidade ou uma carência intensa. Em ambos os casos, as pessoas podem acabar buscando compulsivamente uma forma de gratificar o ego e preencher o buraco que sentem por dentro. Assim, empenham-se em possuir propriedades, dinheiro, sucesso, poder, reconhecimento ou um relacionamento especial, para se sentirem melhor e mais completas. Porém, mesmo quando conseguem todas essas coisas, percebem que o buraco ainda está ali e não tem fundo. As pessoas vêem, então, que estão realmente em apuros, porque não podem mais se enganar. Na verdade, elas continuam tentando agir como antes, mas isso se torna cada vez mais difícil.
Enquanto o ego dirige a nossa vida, não conseguimos nos sentir à vontade, em paz ou completos, exceto por breves períodos, quando acabamos de ter um desejo satisfeito. O ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Ele tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedades, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você.
Levou um susto? Ou sentiu um enorme alívio? Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte se aproximar. Morte significa um despojar-se de tudo o que não é você. O segredo da vida é “morrer antes que você morra” – e descobrir que não existe morte.
Capítulo três
ENTRANDO PROFUNDAMENTE NO AGORA
Não busque o seu eu interior dentro da mente
Sinto que ainda tenho muito a aprender sobre as atividades da minha mente, antes de poder chegar a algum lugar próximo da consciência ou iluminação espiritual.
Não, não tem. Os problemas da mente não podem ser solucionados no nível da mente. No momento em que compreendemos que não somos a nossa mente, não existe muito mais a aprender ou compreender. O máximo que podemos conseguir ao estudar a mente é nos tornarmos bons psicólogos, mas isso não nos levará para além da mente, do mesmo modo que estudar a loucura não basta para criar a sanidade. Já entendemos a mecânica básica do estado de inconsciência, ou seja, quando nos identificamos com a mente geramos um falso eu interior, o ego, que é um substituto do nosso verdadeiro eu interior enraizado no Ser. Passamos a ser “um ramo cortado da videira”, como Jesus pregou.
As necessidades do ego são intermináveis. Ele se sente vulnerável e ameaçado e, em consequência, vive em um estado de medo e carência. Quando entendemos esse funcionamento anormal da mente, não precisamos examinar todas as suas numerosas manifestações, nem transformá-lo em um problema pessoal complexo. O ego, é claro, adora fazer isso. Está sempre buscando algo em que se apegar para sustentar e fortalecer a ilusão que tem de si mesmo e para juntar aos seus problemas. Essa é a razão pela qual, para muitos de nós, o sentido do eu interior está intimamente ligado aos nossos problemas. Quando isso acontece, a última coisa que desejamos é nos livrar deles, porque isso significaria a perda do eu interior. Por isso, pode existir uma grande parte de investimento inconsciente do ego em mágoa e sofrimento.
Portanto, se reconhecermos que a raiz da inconsciência vem de uma identificação com a mente, o que naturalmente inclui as emoções, nós estaremos dando um passo para nos livrar da mente. Ficamos presentes. Quando estamos presentes, podemos permitir que a mente seja como é, sem nos deixar enredar por ela. A mente em si é uma ferramenta maravilhosa. O mau funcionamento acontece quando buscamos o nosso eu interior dentro dela e a confundimos com quem somos. É nesse momento que a mente torna-se egóica e domina toda a nossa vida.
(Continua)
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