“Em vez de pedir as coisas que gostamos,
é mais sábio gostar do que temos.
”
Qual o propósito da vida?
Sua Santidade o Dalai Lama diz que o propósito da nossa existência é a felicidade. Mas onde está a felicidade? Um homem com grande sabedoria disse que a vida é uma dádiva. Ela simplesmente nos foi dada de presente. Assim como a vida, o amor e a felicidade também são dádivas. Elas (as dádivas) não podem ser conquistadas. Não podem ser forçadas. Estas coisas simplesmente acontecem independente do nosso ego. Independente da nossa vontade.
O esforço que fazemos em busca da felicidade são atividades do pequeno ego e não do Ser interior. Diz-se que a vida, a felicidade e o amor não podem ser forçados porque são presentes da vida do Todo. Com a primeira respiração inicia-se a vida. A partir daí o novo ser não pode por vontade própria prender sua respiração. Porisso dizemos que uma dádiva não é um direito. É um presente. É tolice pensar que através de esforço, trabalho, posição social ou qualquer outra forma de ação conquistaremos a felicidade.
Assim como a vida é uma dádiva, tudo o que é inerente a ela também o é. Podemos esperar de forma receptiva por ela, mas não podemos exigir o direito a ela.
Existe algumas coisas que se forem forçadas a acontecer acabam produzindo um efeito contrário, mas quando não há nenhuma interferência do ego elas simplesmente acontecem. Assim como a criação mental, a felicidade é uma destas coisas. Um exemplo mais simples que acredito todos já tenham vivenciado é o sono. Quando desejamos dormir não adianta ficar forçando o sono. É preciso relaxar sem nenhum esforço para que o sono aconteça.
Como alcançar então a felicidade? O caminho não é buscá-la diretamente. A vida anda em círculos. Ela não é direta. Então parece ser mais fácil ser feliz sendo sutil. É como se tivessemos persuadindo-a de forma indireta. O problema é que as pessoas definem padrões para serem felizes. Pensam que a felicidade virá com um carro novo ou com um barco ou ainda com uma conta bancária polpuda. Aí quando alcançam a meta estipulada, descobrem que tudo aquilo pode trazer conforto, alguma alegria temporária, mas com certeza não é felicidade.
Esta conversa toda me lembrou a estória de um caipira que estava sendo visitado por um amigo bem sucedido da cidade. Estava o caipira sentado na rede com sua mulher enrolando um cigarro de palha quando o amigo lhe pergunta:
- O amigo nunca pensou em evoluir e melhorar de vida?
- Prá que? - respondeu o caipira.
- Para comprar um carro novo ou uma casa nova.
- Prá que? - insistiu o caipira.
- Para ter uma vida melhor e viver tranquilamente.
- Ora, eu já vivo em paz na minha casinha com a minha muiezinha. Num priciso fazê todo esti trabaio prá vivê bem.
Bem alguém pode até concordar com o amigo rico e dizer que dinheiro não traz felicidade, mas ajuda.
Não temos nada contra ganhar dinheiro para poder viver bem neste mundo, mas ele só serve para adquirir coisas mundanas. Ele só serve para satisfazer nossos desejos e necessidades físicas. Felicidade é um estado de espírito. Não é material. Conheço pessoas ricas e outras tantas pobres que são infelizes. Desejos partem do ego. É muito comum confundir-se paixão com amor ou felicidade com alguma alegria passageira.
Parece que é preciso desligar-se. Abandonar o esforço. É um estado de entrega à vida sem tentarmos determinar como vamos ser felizes. As belezas da vida já estão aí. Não precisam ser conquistadas. A grande maioria das pessoas não acreditando, adiam a alegria de viver o momento presente.
Uma ótima semana em paz e harmonia.
(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckahrt Tolle)
O fim da ilusão do tempo
É praticamente impossível deixarmos
de nos identificar com a mente. Estamos mergulhados nela. Como se ensina um
peixe a voar?
O
segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são
inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele pára, a menos que você escolha
utilizá-lo.
Estar
identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a compulsão para vivermos
quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma
preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o
momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado
nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e de
realização. Ambos são ilusões.
Mas, sem o tempo, qual seria a razão
de nossa existência? Não teríamos objetivos a alcançar, nem mesmo saberíamos
quem somos. O tempo é algo precioso
e acho que precisamos aprender a utilizá-lo com sabedoria, em vez de
desperdiçá-lo.
O
tempo não tem nada de precioso, porque é uma ilusão. Aquilo que achamos ser
precioso não é o tempo, mas um ponto que está fora dele: o Agora. Isso é
realmente precioso. Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no
futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.
Por
que o Agora é a coisa mais importante que existe? Primeiramente, porque é a única coisa. É tudo o que existe. O eterno
presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda a nossa vida, o único
fator que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve uma época em que a
nossa vida não fosse agora, nem haverá. Em segundo lugar, o Agora é o único
ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente. É o
nosso único ponto de acesso para a área atemporal e amorfa do Ser.
Nada
existe fora do Agora
O passado e o futuro não são tão
reais quanto o presente? Afinal, o passado determina quem somos e de que forma
agimos no presente. E os nossos objetivos futuros determinam as atitudes que
tomamos no presente.
Você
ainda não captou a essência do que estou dizendo por que está tentando entender
mentalmente. A mente não pode entender esse assunto. Só você pode. Por favor, preste atenção ao
seguinte:
Você
alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora?
Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do
Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?
Nada
jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.
Nada
jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.
O
que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um
Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e
fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente.
Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora. Quando pensamos sobre o
futuro, fazemos isso no Agora. Obviamente o passado e o futuro não têm
realidade própria. Do mesmo modo como a lua não tem luz própria e apenas
reflete a luz do sol, o passado e o futuro são apenas reflexos pálidos da luz,
do poder e da realidade do eterno presente. A realidade deles é “emprestada” do
Agora.
A
essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em
que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar
o foco da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parece
vivo, irradia energia, emanada do Ser.
(Continua)