segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É difícil tomar uma boa decisão?


Estudar e compreender os mecanismos do nosso cérebro é uma das etapas para o autoconhecimento.

A tomada da decisão é uma das partes difíceis em toda atividade que venhamos a empreender. A vida nos coloca a todo instante numa posição em que temos de escolher. É como se estivéssemos diante de uma encruzilhada e temos de tomar a decisão por qual caminho iremos seguir.

                Nesse instante o cérebro desencadeia procedimentos para que possamos escolher a alternativa mais adequada. No geral não percebemos este trabalho do cérebro. Na realidade o nosso cérebro desencadeia três processos diante de cada escolha, no entanto nenhum deles toma a decisão por si só. Um processo usa a lógica, o outro usa a experiência e o último o instinto.

                Cada um utiliza a sua “ferramenta” específica e a sua solução é comparada com as dos demais processos. Tal como quando três pessoas, que apresentam sua visão sobre determinado assunto, a solução de um destes processos irá “falar” mais alto e então o conjunto dos três apresenta o caminho a seguir. Basicamente é assim que são tomadas as decisões e isso, às vezes, nos coloca em situação difícil.

                - Experiência

                Certamente você já ouviu a frase “viver é aprender”. De fato estamos nesta vida para vivenciar experiências e através delas vamos aprendendo e em consequência, evoluindo. Todas as experiências que acumulamos na vida são guardadas pelo cérebro, pois serão extremamente úteis em nosso futuro. Quando o resultado de uma experiência foi bem sucedido sentimos prazer. Neste instante os neurônios liberam dopamina. A dopamina é uma substância associada ao prazer e a tudo que nos proporciona alegria. Assim, numa situação futura quando nos encontrarmos numa situação similar àquela que nos deu prazer os neurônios liberam dopamina antes de tomarmos a decisão. É um aviso para o resto do cérebro de que este caminho é bom. Talvez até possamos lembrar-nos de um evento passado que foi igual, mas são os neurônios que acessam nossa memória a todo instante e controlam a dose de dopamina a ser enviada ao cérebro.

                Por outro lado, o jogo, o cigarro, o álcool e drogas tão também deixam sua marca nesse sistema de recompensas. O prazer que tivemos com estes vícios também fica registrado e nos estimula a repeti-lo em outras ocasiões. Este é o lado ruim deste sistema.

                - Instinto

                O instinto faz parte do sistema de preservação dos animais e dos seres humanos. É uma espécie de vigilante que dispara impulsos que nos fazem agir de forma a proteger a vida, buscar alimentos, procurar parceiros e competir. Ele é gerado basicamente por duas áreas do cérebro: ínsula e amídala. Junto com o resto do sistema, estas áreas levam impulsos como herança do homem de milhares de anos atrás, que competia por tudo na natureza.

Mesmo após tanto tempo ele continua a influenciar nossas escolhas, até mesmo quando a gente não quer. Vamos discorrer sobre dois exemplos em que o instinto ora salvou ora matou.

Dirigir um carro é basicamente um ato racional, mas em determinada ocasião só o instinto pode salvar uma vida. Imaginemos uma situação em que dirigimos tranquila e conscientemente, atentos ao transito e somos surpreendidos de repente por uma criança correndo atrás de uma bola aparece bem na frente de nosso carro. Sem tempo para raciocinar freamos ou jogamos o carro instintivamente para o lado a fim de evitar o acidente.

No caso seguinte o instinto de sobrevivência acabou matando as pessoas envolvidas. No verão de 1949, bombeiros foram chamados para apagar um incêndio numa colina no estado de Montana, EUA. As chamas estavam muito intensas e acuaram a brigada. Assustados, os bombeiros fugiram sem dar atenção ao líder, Foreman Wagner Dodge, que lhes pedia que ficassem parados. Foreman não correu, apenas queimou o mato à sua frente e se deitou. O fogo chegou até ele, mas passou a seu lado, onde havia vegetação como combustível. Ele usou a razão e talvez a experiência e sobreviveu enquanto que seus treze colegas morreram.

Percebe-se que o instinto é útil quando não temos tempo para recorrer à razão, mas quando temos tempo a lógica talvez seja o melhor caminho.

- Lógica (razão)

A lógica cuida do futuro. Calcula, planeja para que as decisões sempre tenham resultados positivos. Estima-se que aproximadamente 15 mil anos atrás, a humanidade aprendeu que deveria guardar comida. Era a razão alertando que tempos difíceis poderiam vir superando o instinto de sobrevivência. Sabe-se que quem faz dieta, da mesma forma precisa manter o foco na razão o tempo todo para vencer a vontade de comer.

A ciência descobriu que o cérebro, graças ao Córtex pré-frontal, pensa no bem do nosso futuro. Ele usa a lógica para julgar as consequências das decisões. O uso da lógica é bom quando o resultado da escolha impõe mudanças drásticas ou tem impacto no nosso futuro. Ao contrário não devemos usá-la quando o resultado da escolha não seja definitivo para o futuro. Talvez aí as emoções façam uma melhor escolha.
(baseado em artigo publicado pela revista superinteressante de setembro de 2011)

          Que possamos ter uma semana de Paz e Harmonia.

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