Aprendemos desde pequenos que devemos ter compaixão pelos que sofrem. A par do que aprendemos na infância a palavra compaixão toma maior importância quando analisamos sua definição e os aspectos que envolvem este sentimento.
Segundo o Dalai Lama basicamente existem dois tipos de compaixão: Um tipo de compaixão tem um quê de apego - o sentimento de controlar alguém, ou de amar alguém para que esta pessoa retribua o nosso amor. Este tipo de amor ou compaixão é totalmente parcial e tendencioso. Este tipo de relacionamento que tem por base a percepção e identificação da pessoa como amiga, pode levar a um certo apego emocional e a um sentimento de intimidade. No entanto, se houver uma mudança ínfima na situação, talvez uma desavença, ou se o amigo fizer algo que nos deixe furiosos, de repente, nossa projeção mental muda e o conceito de "meu amigo" já não está mais ali e o sentimento de amor passa a dar lugar ao ódio. Existe, porém, um outro tipo de compaixão que é desprovido desse apego. É a compaixão verdadeira. Esse tipo de compaixão tem por base o raciocínio de que todo ser humano tem um desejo inato de ser feliz e de superar o sofrimento exatamente como eu. E, exatamente como eu eles tem o direito natural de realizar essa aspiração fundamental. Com base no reconhecimento dessa igualdade, a pessoa desenvolve uma noção de afinidade e intimidade com os outros. Assim, pode-se sentir compaixão mesmo que a pessoa seja amiga ou inimiga. Este fundamento se apoia nos direitos fundamentais do outro em vez de na nossa projeção mental. A partir dele, portanto, geramos amor e compaixão. Essa é a verdadeira compaixão.
Num experimento David McClelland, psicólogo na Harward University, mostrou a um grupo de alunos um filme de Madre Teresa trabalhando entre os pobres e os doentes em Calcutá. Os estudantes relataram que o filme estimulou sentimentos de compaixão. Depois, ele analisou a saliva dos alunos e descobriu um aumento na imunoglobulina-A, um anticorpo que pode ajudar a combater infecções respiratórias. Em outro estudo realizado por James House, no Research Center da University of Michigan, os pesquisadores concluíram que a dedicação regular ao trabalho voluntário, em interação com os outros, com calor humano e compaixão, aumentava tremendamente a expectativa de vida, e provavelmente também a vitalidade geral. Muitos outros pesquisadores no novo campo da medicina da mente-corpo demonstraram conclusões semelhantes, que documentam que estados mentais positivos podem beneficiar a saúde física.
" Ao gerar a compaixão, iniciamos pelo reconhecimento de que não queremos o sofrimento e de que temos direito à felicidade. Isso pode ser verificado e legitimado pela nossa própria experiência. Reconhecemos então que as outras pessoas, exatamente como nós, também não querem sofrer e tem um direito à felicidade. Isso passa a ser a base para começarmos a gerar a compaixão. Comecemos visualizando uma pessoa que esteja em extremo sofrimento, alguém que esteja sentindo dor ou que esteja numa situação muito aflitiva. Durante os três primeiros minutos da meditação, reflitam sobre o sofrimento deste indivíduo com um enfoque mais analítico... pensem no seu intenso sofrimento e no estado lamentável dessa pessoa, em seguida, procurem associar tudo isso a vocês mesmos, com o seguinte enfoque, ´esse indivíduo tem a mesma capacidade de vivenciar a dor, a alegria, a felicidade e o sofrimento que eu tenho´. Procurem então permitir que venha a tona sua reação natural... um sentimento de compaixão por aquela pessoa. Procurem chegar a uma conclusão: constatando como é forte seu desejo de que essa pessoa se livre de tanto sofrimento. E resolvam que ajudarão essa pessoa a encontrar alívio. Para finalizar, concentrem sua mente de modo exclusivo naquele tipo de conclusão ou resolução e, durante os últimos minutos da meditação, procurem produzir na sua mente um estado amoroso ou norteado pela compaixão."
Que possamos todos ter um boa semana em Paz e Harmonia.
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