terça-feira, 28 de setembro de 2010

Polaridades Energéticas e a Personalidade

"A busca pelo conhecimento sempre nos leva por caminhos desconhecidos e não raras vezes com experiências difíceis."


O caminho para o autodomínio, no nível da personalidade, reside na compreensão de que somos duais. Nossas reações polarizadas, tais como alegria e tristeza, amor e ódio, harmonia e discórdia, dar e receber, felicidade e infelicidade ... são movimentos naturais da polaridade. No momento em que tendemos a ir mais para um pólo sem considerar o outro, criamos desequilíbrio.

É preciso estar atento para perceber e compreender os fenômenos que nos acontecem. Ao invés de não sentir tristeza ou raiva, podemos compreender que embora nossa natureza seja bem-aventurada num determinado momento, podemos estar experimentando a tristeza. Este é um processo que exige nos identificarmos concosco mesmo ao nível do Ser, ou seja, além da dualidade, ao aceitarmos a atividade das leis da matéria. A isso podemos chamar de uma "requalificação" da energia. O sentimento de desamparo origina-se na crença de que somos somente matéria e também por crermos que estamos sujeitos à dualidade em todos os níveis. Zulma Reyo nos diz que a única maneira de trascender este ciclo vicioso é nos situarmos como Seres de Luz. É a união com o nosso Eu Superior. Quando isto acontece, percebemos que não somos nós que estamos tristes e sim a ação química do nosso corpo emocional que resulta em tristeza.

Há tipos diferentes de energia que influenciam e estimulam reações em nós. Quando compartilhamos nossas energias intimamente tanto fisicas, mental e emocional com alguém e esta pessoa afasta-se de nós por qualquer razão, em última análise, o que sentimos é a retirada da interação energética que existia entre nós e o outro.

A interação das energias nas relações é necessária aos processos tanto da vida como da expansão da consciência. Os sintomas dessa retirada emocional são tão dolorosos quanto os de uma doença. De fato o hábito, criado pela aderência de energias, é fundamental às leis da matéria, mas não às da luz.

Quantos de nós já não passou pelo sentimento de caos interior quando da separação de algum ente querido? Sentimos como se faltasse uma parte de nós mesmos. No instante em que isso acontece, experimentamos a ação da lei da matéria. O mesmo acontece quando podamos uma planta. Ela sofre e pode até murchar, mas depois se adaptará e voltará a crescer forte novamente. Mesmo que tenha sido reduzida à sua metade, voltará a equilibrar sua energia e será novamente um todo.

A personalidade que temos é um reflexo de como respondemos às nossas polaridades interiores. Poderemos ter uma personalidade alegre, triste, melancólica ou positiva. Tudo dependerá como lidamos com nossas polaridades e como programamos o nosso "computador" humano. Se formos tensos, medrosos ou tristes em nossa vida, por hábito, não poderemos ficar felizes. Porém, se damos ênfase à luz do sol ao invés da escuridão, certamente seremos luminosos. Criamos em nós mesmos de acordo com o que escolhemos para qualificar a energia de nossas respostas à vida. Estas respostas agem como um imã para qualidades semelhantes tanto construtivas quanto destrutivas.

Todos nós sabemos que quando estamos amando, tudo parece bonito e tudo é possivel. Mas, no momento em que alguma coisa cruza o nosso caminho e nos tira dessa condição, ficamos zangados e mal-humorados. Se alguém nos diz algo desagradável, tendemos a acreditar nele e o mundo que era belo de repente torna-se escuro.

O que aconteceu? Nós criamos uma reação emocional em cadeia, que se reflete de volta sobre nós mesmo e até sobre o ambiente em que estamos. Perdemos a visão, perdemos a identidade com o nosso Eu, como uma presença consciente neste mar de causa e efeito ao nosso redor.

Acho linda a canção "Tocando em Frente", composta, inspiradamente, por Almir Sater que em determinada parte nos diz a verdade de que: " Cada um de nós compõe a sua história. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz. E ser feliz..."

Que possamos todos ter uma semana de Paz e Harmonia.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Estados Mentais Negativos

De todos os estados mentais negativos que atuam como obstáculos à nossa felicidade ( presunção, arrogância, ciúme, desejo, inveja e intolerância) pode-se dizer que a raiva e o ódio são os mais danosos à nossa saúde física e mental. O filósofo Sêneca descreveu a raiva como "a mais hedionda e frenética de todas as emoções". Estudos científicos demonstram os efeitos destrutivos da raiva e do ódio. Os pesquisadores desta área acumularam tantas provas dos efeitos danosos da hostilidade que hoje ela é ato um importante fator de risco de doenças cardíacas figurando ao lado (e quiçá acima) do colesterol ou da pressão alta. No entanto, não precisamos nos fundamentar em pesquisas científicas para perceber como estas emoções interferem no nosso discernimento a ponto de causar danos irreversíveis nos relacionamentos.

Embora existam alguns raros casos em que a raiva, movida pela compaixão, pode ser considerada positiva, em geral ela gera rancor e ódio. Já o ódio é sempre negativo. Não se pode superar a raiva e o ódio, suprimindo-os. Podemos, no entanto, cultivar preventivamente os antídotos para estes sentimentos: a paciência, a tolerância e muito entusiasmo. Quando nos dedicamos à prática da paciência e da tolerância estamos, em última análise, empreendendo um combate antecipado ao ódio e a raiva. Tenhamos em mente que quem sai vencedor nesta luta, pode ser considerado um herói.

O entusiasmo cresce com a descoberta dos efeitos benéficos da tolerância e da paciência. Todavia quando algo nos acontece fazendo brotar um intenso ódio dentro de nós, nesse instante, ele nos domina totalmente e destroi nossa paz mental. Quando o ódio e a raiva surgem com esta intensidade, eles sufocam a melhor parte do nosso cérebro, que é a capacidade de discernir entre o certo e o errado assim como as consequências a curto e longo prazo dos nossos atos.

O ódio é muito diferente de um inimigo humano normal. Uma pessoa precisa comer, dormir e realizar outras funções, de modo que ela não dispõe de 24 horas para dedicar-se ao seu projeto de nos destruir. Já o ódio não tem outra função que a de nos destruir. Ao nos conscientizamos disso, deveríamos tomar a decisão de nunca dar a oportunidade para que o ódio surja dentro de nós.

Outro problema é que o ódio ou a raiva, se deixados à vontade ou sem controle, costumam agravar-se e continuar a crescer. Existem níveis diferentes destes sentimentos destrutivos. Quando se trata de uma intensidade branda da raiva, até podemos enfrentá-la de frente porque ainda temos algum discernimento, mas quando a intensidade é muito alta, talvez o melhor fosse simplesmente deixá-la de lado até que possamos nos acalmar. É o famoso conselho: "conte até dez" (ou mais).

Assim, o que realmente podemos fazer para evitar ou minimizar estes dois sentimentos negativos é a prática cotidiana da tolerância e da paciência.

Que possamos todos ter uma semana de Paz e Harmonia.
Bibliografia: A Arte da Felicidade de H. C. Cutler

sábado, 4 de setembro de 2010

Compaixão

Aprendemos desde pequenos que devemos ter compaixão pelos que sofrem. A par do que aprendemos na infância a palavra compaixão toma maior importância quando analisamos sua definição e os aspectos que envolvem este sentimento.

Numa conversa com o Dalai Lama, o Dr. Howard C. Cutler pediu a ele que definisse o termo. Sua Santidade respondeu assim:
"A compaixão pode ser definida aproximadamente em termos de um estado mental que não é violento, não prejudicial e não agressivo. É uma atitude mental baseada no desejo de que os outros se livrem do seu sofrimento e está associada a uma sensação de compromisso, responsabilidade e respeito para com o outro".

Segundo o Dalai Lama basicamente existem dois tipos de compaixão: Um tipo de compaixão tem um quê de apego - o sentimento de controlar alguém, ou de amar alguém para que esta pessoa retribua o nosso amor. Este tipo de amor ou compaixão é totalmente parcial e tendencioso. Este tipo de relacionamento que tem por base a percepção e identificação da pessoa como amiga, pode levar a um certo apego emocional e a um sentimento de intimidade. No entanto, se houver uma mudança ínfima na situação, talvez uma desavença, ou se o amigo fizer algo que nos deixe furiosos, de repente, nossa projeção mental muda e o conceito de "meu amigo" já não está mais ali e o sentimento de amor passa a dar lugar ao ódio. Existe, porém, um outro tipo de compaixão que é desprovido desse apego. É a compaixão verdadeira. Esse tipo de compaixão tem por base o raciocínio de que todo ser humano tem um desejo inato de ser feliz e de superar o sofrimento exatamente como eu. E, exatamente como eu eles tem o direito natural de realizar essa aspiração fundamental. Com base no reconhecimento dessa igualdade, a pessoa desenvolve uma noção de afinidade e intimidade com os outros. Assim, pode-se sentir compaixão mesmo que a pessoa seja amiga ou inimiga. Este fundamento se apoia nos direitos fundamentais do outro em vez de na nossa projeção mental. A partir dele, portanto, geramos amor e compaixão. Essa é a verdadeira compaixão.

Até aí praticamente nenhuma novidade, poderia alguém dizer. Vários palestrantes já disseram mais ou menos isso. No entanto existem benefícios para a nossa saúde com o desenvolvimento da compaixão. Nos últimos anos, houve muitos estudos que corroboram a idéia de que os sentimentos de compaixão e altruísmo tem um impacto positivo sobre a nossa saúde física e emocional.

Num experimento David McClelland, psicólogo na Harward University, mostrou a um grupo de alunos um filme de Madre Teresa trabalhando entre os pobres e os doentes em Calcutá. Os estudantes relataram que o filme estimulou sentimentos de compaixão. Depois, ele analisou a saliva dos alunos e descobriu um aumento na imunoglobulina-A, um anticorpo que pode ajudar a combater infecções respiratórias. Em outro estudo realizado por James House, no Research Center da University of Michigan, os pesquisadores concluíram que a dedicação regular ao trabalho voluntário, em interação com os outros, com calor humano e compaixão, aumentava tremendamente a expectativa de vida, e provavelmente também a vitalidade geral. Muitos outros pesquisadores no novo campo da medicina da mente-corpo demonstraram conclusões semelhantes, que documentam que estados mentais positivos podem beneficiar a saúde física.

Para finalizar este Post transcrevo a seguir a forma como o Dalai Lama orientou uma platéia de 1500 pessoas numa meditação sobre a compaixão. Sei que os adeptos da meditação, tão necessária neste mundo atribulado, possuem sua maneira de meditar, todavia, é sempre útil observar como aqueles que vivem de uma forma meditativa a executam.

" Ao gerar a compaixão, iniciamos pelo reconhecimento de que não queremos o sofrimento e de que temos direito à felicidade. Isso pode ser verificado e legitimado pela nossa própria experiência. Reconhecemos então que as outras pessoas, exatamente como nós, também não querem sofrer e tem um direito à felicidade. Isso passa a ser a base para começarmos a gerar a compaixão. Comecemos visualizando uma pessoa que esteja em extremo sofrimento, alguém que esteja sentindo dor ou que esteja numa situação muito aflitiva. Durante os três primeiros minutos da meditação, reflitam sobre o sofrimento deste indivíduo com um enfoque mais analítico... pensem no seu intenso sofrimento e no estado lamentável dessa pessoa, em seguida, procurem associar tudo isso a vocês mesmos, com o seguinte enfoque, ´esse indivíduo tem a mesma capacidade de vivenciar a dor, a alegria, a felicidade e o sofrimento que eu tenho´. Procurem então permitir que venha a tona sua reação natural... um sentimento de compaixão por aquela pessoa. Procurem chegar a uma conclusão: constatando como é forte seu desejo de que essa pessoa se livre de tanto sofrimento. E resolvam que ajudarão essa pessoa a encontrar alívio. Para finalizar, concentrem sua mente de modo exclusivo naquele tipo de conclusão ou resolução e, durante os últimos minutos da meditação, procurem produzir na sua mente um estado amoroso ou norteado pela compaixão."

Da mesma forma que quando desejamos o bem à outra pessoa, somos os primeiros a receber os benfícios, quando desejamos o mal também seremos os primeiros a ser afetados por tais sentimentos.

Que possamos todos ter um boa semana em Paz e Harmonia.