Muito se tem dito sobre o poder da mente e como desenvolvê-la. Eu era um menino ainda quando, numa visita ao meu avô materno, tive nas minhas mãos por alguns instantes um livro que ele estava lendo. Neste livro havia alguns exercícios que me chamaram a atenção. Naquela época eu não olhava nos olhos das pessoas. Talvez por timidez ou por medo da reação delas. Um dos exercícios que li naquele livro, destinava-se a fortalecer o olhar. Já em casa, eu o pratiquei de forma reservada e finalmente, depois de algum tempo, conseguia olhar nos olhos das pessoas ao cumprimentá-las ou mesmo ao falar-lhes. Pode não parecer, mas aqueles poucos instantes que tive aquele livro em minhas mãos foram fundamentais para uma melhoria na minha maneira de ser e agir.
Quando me tornei adulto, buscando novos conhecimentos me deparei com o estudo da mente. O crescimento intelectual é relativamente fácil de ser conduzido, mas treinar a mente para a concentração era para mim algo extremamente difícil. Parecia que ela se rebelava e voltava aos antigos hábitos. Eu tentava fazê-la parar e ela escapava. Novamente eu a levava para o assunto em que tentava me concentrar e, quando menos esperava, descobria que estava pensando em outra coisa. Às vezes nem lembrava mais em que estava me concentrando. Não era uma tarefa fácil fazê-la aquietar-se.
Levei algum tempo para perceber que não é da natureza da mente ser quieta. Ela é como um computador que está sempre trabalhando. Quando estamos aprendendo alguma coisa, necessitamos colocar nossa consciência naquilo que estamos estudando para que possa ser transferido para a mente. Quando estamos aprendendo datilografia, por exemplo, repetimos os exercícios com a consciência nos dedos correspondentes à letras a serem escritas. Uma vez dominada a técnica, não mais precisamos pensar com qual dedo vamos escrever tal letra. A parte robotizada da mente faz isso. Depreende-se então que depois que aprendemos alguma coisa, ela deixa de fazer parte da nossa consciência e é enviada para o inconsciente.
Muito mais fácil do que tentar aquietar a mente é deixá-la de lado. Tudo o que temos de fazer é observar. Não importa que pensamentos estejam passando em nossa cabeça, não devemos interferir. Qualquer pensamento que dermos seguimento se tornará uma disciplina porisso não devemos prender os pensamentos. Apenas observar. Com esta atitude a mente começa a desaparecer. É neste silêncio que conseguimos descobrir nosso verdadeiro ser. E descobri-lo é entrar em sintonia com algo que realmente vale a pena.
Uma boa semana em Paz e Harmonia.
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