segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Idosos - Estamos fazendo a nossa parte?


Domingo é o dia do sol (sunday em inglês). Quando se está em contato com a natureza, as manhãs de domingo se apresentam com um brilho diferente. Então, lá estava eu apreciando a manhã deste domingo, enquanto me dirigia para um lugar muito especial. Meu destino era um local que foi criado para dar a qualquer pessoa que alí chegue, além da família, momentos nos quais possa desfrutar de paz num clima apropriado para a reflexão.

Meus três cães me acompanhavam neste passeio dominical. As paredes externas forradas com pedras de arenito, meio que se confundem com a vegetação seca neste período do ano. O silêncio só era quebrado pelo canto dos pássaros. Tem-se a impressão que até o seu canto é diferente nos domingos. "Jack", meu mais antigo companheiro, acostumado com a rotina domingueira, deitou-se na entrada como se fosse um guardião daquele local sagrado. Ali, embalado por melodias suaves, que elevam a vibração de nossos pensamentos, é onde sempre vou reabastecer as "baterias" num encontro comigo mesmo. Depois de uma profunda interiorização, é costume ler algo para satisfazer minha ânsia por conhecimentos já agora num nível objetivo.

Aproveito este espaço para colocar uma parte do texto lido, dando a todos que o lerem, a oportunidade de refletir sobre o que ele contém:

... "Terrível carga é a velhice, tanto para o homem como para os animais; e a humanidade dobra o peso dessa carga pela sua cruel negligência. Para com uma criança recém-nascida desfazem-se em cuidados e afeição, mas para um homem ou mulher curvados ao peso dos anos, reservam a sua indiferença, mais do que o seu cuidado; seu aborrecimento, mais do que a sua simpatia. Tão impacientes são em ver um recém-nascido crescer e tornar-se adulto, como em ver uma pessoa idosa ser engolida pela cova.

Os muito jovens e os muito velhos são ambos incapazes de cuidar de si, mas a incapacidade das crianças atrai o amoroso sacrifício e auxílio de todos, enquanto que a incapacidade dos velhos só desperta o auxílio resmunguento de alguns, e na verdade, os velhos merecem mais simpatia do que as crianças.

Quando a palavra tem de bater fortemente, e por muito tempo, para penetrar num ouvido que já foi sensível e alerta ao mais leve sussurro; quando os olhos que já foram límpidos, se tornam um salão de dança para as mais estranhas manchas e sombras; quando o pé que parecia dotado de asas se torna um bloco de chumbo, e a cabeça é um títere preso ao pescoço; quando o mó do moinho está gasta, e o próprio moinho é uma tenebrosa caverna; quando se levantar é suar com receio de cair, e o sentar-se é a dolorosa dúvida quanto ao levantar-se de novo; quando comer e beber é recear as consequências ou quando o não comer e não beber é ser presa da odiosa morte.

Sim, quando a velhice desce sobre uma pessoa, então é chegada a hora de emprestarmos a ela ouvidos e olhos e dar-lhe mãos e pés para amparar com nosso amor as forças que a abandonam. Fazê-la sentir que ela não é, de modo algum, menos amada pela vida nos dias de sua decadência, do que nos dias em que era uma criança que crescia ou um jovem a desenvolver-se.

Quatro vintenas de anos podem não ser mais do que um piscar de olhos em relação à eternidade. Para uma pessoa que semeou durante quatro vintenas de anos é muito mais do que isso. Ela é o alimento para todos aqueles que colhem hoje a sua vida. E qual a vida que não é colhida por todos?

Não estais vós colhendo, neste mesmo instante, a vida de todos os homens e mulheres que já caminharam nesta Terra? Que é o vosso falar senão a colheita do deles? Que são os vossos pensamentos senão a revolta dos seus pensamentos? Vossas próprias roupas, vosso alimento, vossos implementos, vossas leis, vossas tradições e convenções não são elas as roupas, as casas, o alimento, os implementos, as leis, tradições e as convenções dos que aqui estiveram e se foram embora antes?

Nenhuma coisa vós colheis uma vez só, mas as colheis sempre. Vós sois os semeadores, a colheita, os ceifeiros, o campo e a eira. Se a vossa colheita é pouca, olhai para a semente que semeaste em outros e a que permitistes que eles semeassem em vós.

Olhai também para o segador com sua foice e para a eira.

Uma pessoa idosa, cuja vida vós ceifastes e pusestes nos silos, certamente merece o vosso maior cuidado. Se amargardes com a vossa indiferença os seus anos que ainda são ricos em coisas para serem colhidas, aquilo que já colhestes e guardastes e o que ainda possais colher, amargará em vossa boca. O mesmo se pode dizer de um animal.

Não é honesto aproveitar a colheita e depois amaldiçoar o semeador e o ceifeiro.

Sede bondosos para com as pessoas de todas as raças e climas. Elas são o alimento para a vossa jornada em direção a Deus. Sede, principalmente, bondosos para com as pessoas de idade, pois a vossa falta de bondade pode estragar o alimento e não conseguireis chegar ao término da viagem.

Sede bondosos para com os animais de toda a espécie e idade. Eles são vossos auxiliares mudos, mas fiéis, no longo e árduo preparar para a jornada; mas sede especialmente bondosos para os animais idosos, para que, devido à dureza dos vossos corações, a sua fidelidade não se transforme em traição e o seu auxílio não passe a ser um estorvo." (excerto do Livro de Mirdad).
...

Ao longo da minha vida vi e ouvi muitos relatos de pessoas que foram abandonadas por seus parentes em um asilo. Infelizmente em nosso país, não é tradição zelar pelos mais velhos como forma de respeito por tudo o que proporcionaram aos seus decendentes.
O mais triste é ver que os idosos são impotentes para se opor. Aceitam, na maioria das vezes, isolarem-se do convívio familiar, para não dar trabalho, na fase da sua vida em que mais precisam dele. O amor, o carinho e o respeito para com os mais velhos devia ser uma constante do nosso dia a dia, como uma forma tradicional de educar os mais jovens e prepará-los para fazer o mesmo. Há uma frase que expressa bem isto: "Povo que não cultua a tradição, morre um pouco a cada geração".
Está mais do que na hora de despertarmos para mudar esta maneira de viver. Este é um ciclo vicioso que precisa ser quebrado. Primeiramente na casa de cada um, depois nas escolas e demais instituições para tornar este país mais digno.

Desejo uma boa semana em Paz e Harmonia.

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