quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Crenças

No que acreditamos? O que é a nossa crença? Geralmente acreditamos em algo que o nosso raciocínio lógico aprova. No entanto, algum tempo depois, novos fatos vem para mudar a nossa crença. Tem sido assim desde o começo dos tempos. Acreditava-se que a Terra era plana até Nicolau Copérnico dizer o contrário (foi queimado por isso). As pessoas acreditavam que a Terra era plana.

Quando escrevi o Terceiro Céu, quis mostrar exatamente essa mudança na verdade de cada um. Então, se nossa visão da verdade está sempre mudando, o que é realmente importante? Algumas vezes já me surpreendi pensando sobre este fato. Por isso a seguir coloco alguns excertos do livro "Faça o seu coração vibrar", como forma de levá-lo a uma reflexão sobre este tema.


"... Só as pessoas cegas acreditam na luz. Aquelas que tem olhos não acreditam na luz, elas simplesmente a vêem. A verdade não pode ser transferida. A verdade não pode ser entregue a você por outra pessoa, porque ela não é uma mercadoria. Não é um objeto. É uma experiência.

A verdade precisa de olhos meditativos. Se você não tiver olhos meditativos, então toda a sua vida resume-se a fatos mortos, sem qualquer relação entre si, acidentais, sem sentido, embaralhados ... É só um fenômeno casual.

Se você vê a verdade, tudo entra nos eixos. Tudo se encaixa em harmonia, tudo começa a ter significância.

Lembre-se sempre de que a significância é a sombra da verdade. E aqueles que vivem apenas nos fatos levam uma vida totalmente sem sentido.

Ninguém pergunta: "Você acredita no botão de rosa?" Não é necessário. Você pode ver: a rosa está alí ou não está. Somente o que não faz parte das nossas vivências precisa de crença.

A palavra religião tem que ser entendida. Ela é expressiva: significa juntar as partes de modo que elas deixem de ser partes e se tornem o todo.

Cada parte se torna o todo em união. Cada parte, separada, está morta. Unidas, uma nova qualidade aparece - a qualidade do todo. E levar essa qualidade à vida é o propósito da religião.

Ela não tem nada a ver com Deus ou com o Diabo. Mas, da maneira como as religiões funcionam neste mundo, elas mudaram toda a sua qualidade, mudaram sua própria estrutura. Em vez de fazer dela uma ciência de integração, de modo que os homens não sejam muitos, mas um só, as religiões do mundo todo ajudaram a humanidade a esquecer até mesmo do significado da palavra.

A religião não deve ser algo em que acreditar, mas algo para ser vivido, algo para se vivenciar. Não é uma crença na sua cabeça, mas um aroma em todo o seu ser.

Teístas e ateístas são vítimas igualmente. A pessoa verdadeiramente religiosa não tem nada a ver com a Bíblia, com o Alcorão ou com o Bhagavad Gita. A pessoa religiosa está em profunda comunhão com a existência.

Ao ver o pôr-do-sol, por um instante você esquece seu estado de separação e passa a ser o pôr-do-sol. Esse é o momento em que sente a beleza dele. Mas, no instante em que diz "que lindo pôr-do-sol", deixa de senti-lo - você volta para a sua entidade separada e fechada do ego. Agora é a mente falando. E esse é um dos mistérios: a mente pode falar e ela não sabe, o coração sabe tudo e não pode falar.

O conhecimento gratifica o ego. A sabedoria só acontece quando o ego desaparece, quando é esquecido ..."


Parece que nos enganamos ao nos maravilharmos com uma flor, que é finita, quando o que é eterno é a beleza mostrada por ela. Com o amor verdadeiro também é assim. Ele é como a beleza que sentimos e não sabemos explicar. Poucas pessoas sabem amar e, por isso, poucos sabem dizer adeus quando chega a hora de uma separação. Sabemos que tudo que teve um começo também tem um fim. Quando se ama verdadeiramente uma pessoa, um relacionamento pode terminar sem dor, raiva, fúria, ressentimentos e sem qualquer reclamação. No amor verdadeiro o que fica é uma eterna gratidão, pela beleza dos momentos vividos a dois. Raiva e tristeza são frutos do ego.

O amor na verdade é um mergulho na eternidade. Como disse o poeta Vinicius de Moraes, "Que o amor seja eterno enquanto dure".

Que possamos todos ter uma semana de Paz e Harmonia.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A Inquietude da Mente

Muito se tem dito sobre o poder da mente e como desenvolvê-la. Eu era um menino ainda quando, numa visita ao meu avô materno, tive nas minhas mãos por alguns instantes um livro que ele estava lendo. Neste livro havia alguns exercícios que me chamaram a atenção. Naquela época eu não olhava nos olhos das pessoas. Talvez por timidez ou por medo da reação delas. Um dos exercícios que li naquele livro, destinava-se a fortalecer o olhar. Já em casa, eu o pratiquei de forma reservada e finalmente, depois de algum tempo, conseguia olhar nos olhos das pessoas ao cumprimentá-las ou mesmo ao falar-lhes. Pode não parecer, mas aqueles poucos instantes que tive aquele livro em minhas mãos foram fundamentais para uma melhoria na minha maneira de ser e agir.

Quando me tornei adulto, buscando novos conhecimentos me deparei com o estudo da mente. O crescimento intelectual é relativamente fácil de ser conduzido, mas treinar a mente para a concentração era para mim algo extremamente difícil. Parecia que ela se rebelava e voltava aos antigos hábitos. Eu tentava fazê-la parar e ela escapava. Novamente eu a levava para o assunto em que tentava me concentrar e, quando menos esperava, descobria que estava pensando em outra coisa. Às vezes nem lembrava mais em que estava me concentrando. Não era uma tarefa fácil fazê-la aquietar-se.

Levei algum tempo para perceber que não é da natureza da mente ser quieta. Ela é como um computador que está sempre trabalhando. Quando estamos aprendendo alguma coisa, necessitamos colocar nossa consciência naquilo que estamos estudando para que possa ser transferido para a mente. Quando estamos aprendendo datilografia, por exemplo, repetimos os exercícios com a consciência nos dedos correspondentes à letras a serem escritas. Uma vez dominada a técnica, não mais precisamos pensar com qual dedo vamos escrever tal letra. A parte robotizada da mente faz isso. Depreende-se então que depois que aprendemos alguma coisa, ela deixa de fazer parte da nossa consciência e é enviada para o inconsciente.

Muito mais fácil do que tentar aquietar a mente é deixá-la de lado. Tudo o que temos de fazer é observar. Não importa que pensamentos estejam passando em nossa cabeça, não devemos interferir. Qualquer pensamento que dermos seguimento se tornará uma disciplina porisso não devemos prender os pensamentos. Apenas observar. Com esta atitude a mente começa a desaparecer. É neste silêncio que conseguimos descobrir nosso verdadeiro ser. E descobri-lo é entrar em sintonia com algo que realmente vale a pena.

Uma boa semana em Paz e Harmonia.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Idosos - Estamos fazendo a nossa parte?


Domingo é o dia do sol (sunday em inglês). Quando se está em contato com a natureza, as manhãs de domingo se apresentam com um brilho diferente. Então, lá estava eu apreciando a manhã deste domingo, enquanto me dirigia para um lugar muito especial. Meu destino era um local que foi criado para dar a qualquer pessoa que alí chegue, além da família, momentos nos quais possa desfrutar de paz num clima apropriado para a reflexão.

Meus três cães me acompanhavam neste passeio dominical. As paredes externas forradas com pedras de arenito, meio que se confundem com a vegetação seca neste período do ano. O silêncio só era quebrado pelo canto dos pássaros. Tem-se a impressão que até o seu canto é diferente nos domingos. "Jack", meu mais antigo companheiro, acostumado com a rotina domingueira, deitou-se na entrada como se fosse um guardião daquele local sagrado. Ali, embalado por melodias suaves, que elevam a vibração de nossos pensamentos, é onde sempre vou reabastecer as "baterias" num encontro comigo mesmo. Depois de uma profunda interiorização, é costume ler algo para satisfazer minha ânsia por conhecimentos já agora num nível objetivo.

Aproveito este espaço para colocar uma parte do texto lido, dando a todos que o lerem, a oportunidade de refletir sobre o que ele contém:

... "Terrível carga é a velhice, tanto para o homem como para os animais; e a humanidade dobra o peso dessa carga pela sua cruel negligência. Para com uma criança recém-nascida desfazem-se em cuidados e afeição, mas para um homem ou mulher curvados ao peso dos anos, reservam a sua indiferença, mais do que o seu cuidado; seu aborrecimento, mais do que a sua simpatia. Tão impacientes são em ver um recém-nascido crescer e tornar-se adulto, como em ver uma pessoa idosa ser engolida pela cova.

Os muito jovens e os muito velhos são ambos incapazes de cuidar de si, mas a incapacidade das crianças atrai o amoroso sacrifício e auxílio de todos, enquanto que a incapacidade dos velhos só desperta o auxílio resmunguento de alguns, e na verdade, os velhos merecem mais simpatia do que as crianças.

Quando a palavra tem de bater fortemente, e por muito tempo, para penetrar num ouvido que já foi sensível e alerta ao mais leve sussurro; quando os olhos que já foram límpidos, se tornam um salão de dança para as mais estranhas manchas e sombras; quando o pé que parecia dotado de asas se torna um bloco de chumbo, e a cabeça é um títere preso ao pescoço; quando o mó do moinho está gasta, e o próprio moinho é uma tenebrosa caverna; quando se levantar é suar com receio de cair, e o sentar-se é a dolorosa dúvida quanto ao levantar-se de novo; quando comer e beber é recear as consequências ou quando o não comer e não beber é ser presa da odiosa morte.

Sim, quando a velhice desce sobre uma pessoa, então é chegada a hora de emprestarmos a ela ouvidos e olhos e dar-lhe mãos e pés para amparar com nosso amor as forças que a abandonam. Fazê-la sentir que ela não é, de modo algum, menos amada pela vida nos dias de sua decadência, do que nos dias em que era uma criança que crescia ou um jovem a desenvolver-se.

Quatro vintenas de anos podem não ser mais do que um piscar de olhos em relação à eternidade. Para uma pessoa que semeou durante quatro vintenas de anos é muito mais do que isso. Ela é o alimento para todos aqueles que colhem hoje a sua vida. E qual a vida que não é colhida por todos?

Não estais vós colhendo, neste mesmo instante, a vida de todos os homens e mulheres que já caminharam nesta Terra? Que é o vosso falar senão a colheita do deles? Que são os vossos pensamentos senão a revolta dos seus pensamentos? Vossas próprias roupas, vosso alimento, vossos implementos, vossas leis, vossas tradições e convenções não são elas as roupas, as casas, o alimento, os implementos, as leis, tradições e as convenções dos que aqui estiveram e se foram embora antes?

Nenhuma coisa vós colheis uma vez só, mas as colheis sempre. Vós sois os semeadores, a colheita, os ceifeiros, o campo e a eira. Se a vossa colheita é pouca, olhai para a semente que semeaste em outros e a que permitistes que eles semeassem em vós.

Olhai também para o segador com sua foice e para a eira.

Uma pessoa idosa, cuja vida vós ceifastes e pusestes nos silos, certamente merece o vosso maior cuidado. Se amargardes com a vossa indiferença os seus anos que ainda são ricos em coisas para serem colhidas, aquilo que já colhestes e guardastes e o que ainda possais colher, amargará em vossa boca. O mesmo se pode dizer de um animal.

Não é honesto aproveitar a colheita e depois amaldiçoar o semeador e o ceifeiro.

Sede bondosos para com as pessoas de todas as raças e climas. Elas são o alimento para a vossa jornada em direção a Deus. Sede, principalmente, bondosos para com as pessoas de idade, pois a vossa falta de bondade pode estragar o alimento e não conseguireis chegar ao término da viagem.

Sede bondosos para com os animais de toda a espécie e idade. Eles são vossos auxiliares mudos, mas fiéis, no longo e árduo preparar para a jornada; mas sede especialmente bondosos para os animais idosos, para que, devido à dureza dos vossos corações, a sua fidelidade não se transforme em traição e o seu auxílio não passe a ser um estorvo." (excerto do Livro de Mirdad).
...

Ao longo da minha vida vi e ouvi muitos relatos de pessoas que foram abandonadas por seus parentes em um asilo. Infelizmente em nosso país, não é tradição zelar pelos mais velhos como forma de respeito por tudo o que proporcionaram aos seus decendentes.
O mais triste é ver que os idosos são impotentes para se opor. Aceitam, na maioria das vezes, isolarem-se do convívio familiar, para não dar trabalho, na fase da sua vida em que mais precisam dele. O amor, o carinho e o respeito para com os mais velhos devia ser uma constante do nosso dia a dia, como uma forma tradicional de educar os mais jovens e prepará-los para fazer o mesmo. Há uma frase que expressa bem isto: "Povo que não cultua a tradição, morre um pouco a cada geração".
Está mais do que na hora de despertarmos para mudar esta maneira de viver. Este é um ciclo vicioso que precisa ser quebrado. Primeiramente na casa de cada um, depois nas escolas e demais instituições para tornar este país mais digno.

Desejo uma boa semana em Paz e Harmonia.