quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Poder do agora - parte 11


“Em vez de pedir as coisas que gostamos,

é mais sábio gostar do que temos. 

 

          Qual o propósito da vida? Sua Santidade o Dalai Lama diz que o propósito da nossa existência é a felicidade. Mas onde está a felicidade? Um homem com grande sabedoria disse que a vida é uma dádiva. Ela simplesmente nos foi dada de presente. Assim como a vida, o amor e a felicidade também são dádivas. Elas (as dádivas) não podem ser conquistadas. Não podem ser forçadas. Estas coisas simplesmente acontecem independente do nosso ego. Independente da nossa vontade.
 
          O esforço que fazemos em busca da felicidade são atividades do pequeno ego e não do Ser interior. Diz-se que a vida, a felicidade e o amor não podem ser forçados porque são presentes da vida do Todo. Com a primeira respiração inicia-se a vida. A partir daí o novo ser não pode por vontade própria prender sua respiração. Porisso dizemos que uma dádiva não é um direito. É um presente. É tolice pensar que através de esforço, trabalho, posição social ou qualquer outra forma de ação conquistaremos a felicidade.
 
          Assim como a vida é uma dádiva, tudo o que é inerente a ela também o é. Podemos esperar de forma receptiva por ela, mas não podemos exigir o direito a ela.
 
          Existe algumas coisas que se forem forçadas a acontecer acabam produzindo um efeito contrário, mas quando não há nenhuma interferência do ego elas simplesmente acontecem. Assim como a criação mental, a felicidade é uma destas coisas. Um exemplo mais simples que acredito todos já tenham vivenciado é o sono. Quando desejamos dormir não adianta ficar forçando o sono. É preciso relaxar sem nenhum esforço para que o sono aconteça.
 
          Como alcançar então a felicidade? O caminho não é buscá-la diretamente. A vida anda em círculos. Ela não é direta. Então parece ser mais fácil ser feliz sendo sutil. É como se tivessemos persuadindo-a  de forma indireta. O problema é que as pessoas definem padrões para serem felizes. Pensam que a felicidade virá com um carro novo ou com um barco ou ainda com uma conta bancária polpuda. Aí quando alcançam a meta estipulada, descobrem que tudo aquilo pode trazer conforto, alguma alegria temporária, mas com certeza não é felicidade.
 
          Esta conversa toda me lembrou a estória de um caipira que estava sendo visitado por um amigo bem sucedido da cidade. Estava o caipira sentado na rede com sua mulher enrolando um cigarro de palha quando o amigo lhe pergunta:
          - O amigo nunca pensou em evoluir e melhorar de vida?
          - Prá que? - respondeu o caipira.
          - Para comprar um carro novo ou uma casa nova.
          - Prá que? - insistiu o caipira.
          - Para ter uma vida melhor e viver tranquilamente.
          - Ora, eu já vivo em paz na minha casinha com a minha muiezinha. Num priciso fazê todo esti trabaio prá vivê bem.
 
          Bem alguém pode até concordar com o amigo rico e dizer que dinheiro não traz felicidade, mas ajuda.
          Não temos nada contra ganhar dinheiro para poder viver bem neste mundo, mas ele só serve para adquirir coisas mundanas. Ele só serve para satisfazer nossos desejos e necessidades físicas. Felicidade é um estado de espírito. Não é material. Conheço pessoas ricas e outras tantas pobres que são infelizes. Desejos partem do ego. É muito comum confundir-se paixão com amor ou felicidade com alguma alegria passageira.
          Parece que é preciso desligar-se. Abandonar o esforço. É um estado de entrega à vida sem tentarmos determinar como vamos ser felizes. As belezas da vida já estão aí. Não precisam ser conquistadas. A grande maioria das pessoas não acreditando, adiam a alegria de viver o momento presente.

          Uma ótima semana em paz e harmonia.

(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckahrt Tolle)

O fim da ilusão do tempo

            É praticamente impossível deixarmos de nos identificar com a mente. Estamos mergulhados nela. Como se ensina um peixe a voar?

            O segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele pára, a menos que você escolha utilizá-lo.

            Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e de realização. Ambos são ilusões.

            Mas, sem o tempo, qual seria a razão de nossa existência? Não teríamos objetivos a alcançar, nem mesmo saberíamos quem somos. O tempo é algo precioso e acho que precisamos aprender a utilizá-lo com sabedoria, em vez de desperdiçá-lo.

            O tempo não tem nada de precioso, porque é uma ilusão. Aquilo que achamos ser precioso não é o tempo, mas um ponto que está fora dele: o Agora. Isso é realmente precioso. Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.

            Por que o Agora é a coisa mais importante que existe? Primeiramente, porque é a única coisa. É tudo o que existe. O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda a nossa vida, o único fator que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve uma época em que a nossa vida não fosse agora, nem haverá. Em segundo lugar, o Agora é o único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente. É o nosso único ponto de acesso para a área atemporal e amorfa do Ser.

         Nada existe fora do Agora

            O passado e o futuro não são tão reais quanto o presente? Afinal, o passado determina quem somos e de que forma agimos no presente. E os nossos objetivos futuros determinam as atitudes que tomamos no presente.

            Você ainda não captou a essência do que estou dizendo por que está tentando entender mentalmente. A mente não pode entender esse assunto. Só você pode. Por favor, preste atenção ao seguinte:

            Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?

            Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.

            Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.

            O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora. Quando pensamos sobre o futuro, fazemos isso no Agora. Obviamente o passado e o futuro não têm realidade própria. Do mesmo modo como a lua não tem luz própria e apenas reflete a luz do sol, o passado e o futuro são apenas reflexos pálidos da luz, do poder e da realidade do eterno presente. A realidade deles é “emprestada” do Agora.

            A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parece vivo, irradia energia, emanada do Ser.
 
(Continua)
 

domingo, 14 de abril de 2013

O Poder do Agora - Parte 10


“Quando se deseja o possível, o impossível também pode acontecer. Quando,
porém, se almeja o impossível, mesmo o possível se torna difícil.”     (Osho)



     Sabemos que tudo que se inicia um dia termina, ou seja, nascemos e um dia vamos morrer. Aprendemos que durante da vida podemos morrer a qualquer instante. Pode ser por um acidente, por uma doença ou por morte natural. Mas embora sabendo disso, lá no fundo de nós mesmos fica o pensamento de que não vai acontecer conosco. Pelo menos não agora. Postergamos a idéia da morte para um futuro incerto e ficamos com a ilusória sensação de que vai demorar muito para isto acontecer. Então deixamos o assunto de lado e voltamos a viver na inconsciência do real significado da nossa existência neste mundo físico.

     Alguém me disse certa vez que no final da vida, quando nosso corpo já não agüenta mais funcionar por causa de doença ou mesmo por velhice, primeiro nos recusamos a sequer admitir que estejamos no fim. Numa segunda etapa, lutamos para nos manter vivo e finalmente num instante derradeiro, aceitamos nosso fim e nos entregamos abandonando todo o esforço para ficar na matéria.

     Por outro lado, relatos de quem já passou pela experiência de quase morte (EQM), nos levam a acreditar que estes não têm nenhum temor por ver aproximar-se o fim da presente etapa nesta matéria.

     Parece que eles compreenderam que o corpo é como uma casa onde seu dono vive. Parece que perceberam que assim como o corpo é só o lugar onde habitam, a mente é só um mecanismo que têm a disposição para viver adequadamente neste mundo físico. Em função deste tipo de experiência estas pessoas alcançaram um grau diferente de compreensão.

     Ao refletirmos sobre a evolução vemos que dois tipos se apresentam. A evolução para vivermos neste mundo competitivo que de uns anos para cá desandou numa corrida alucinante e a evolução do ser espiritual. No mundo físico, quem tem uma energia lenta (“faísca atrasada”) não consegue acompanhar o ritmo com que as coisas acontecem, não tem como competir com os demais que tendo uma energia muito rápida consegue acompanhar o fluxo da evolução no planeta Terra. Parece até que estes estão a andar por atalhos já que estão sempre em dia com as últimas novidades. No entanto assim como avançam rapidamente também estão susceptíveis de retroceder de forma rápida.

     Já quando a evolução em pauta é a espiritual, não há atalhos para avançar mais rápido. Desta forma quem está acostumado a andar mais devagar e segue o ciclo natural, dificilmente tende a retroceder. Tudo indica que estes são os que vivem em função apenas do que é possível, sem grandes desejos ou ambições.

 
     É meu desejo que tenhamos uma semana de Paz e Harmonia com tudo que nos cerca. Boa leitura.


(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckhart Tolle.)

A busca do ego pela plenitude

Um outro aspecto do sofrimento emocional é uma profunda sensação de falta, de incompletude, de não se sentir inteiro. Em algumas pessoas isso é consciente, em outras, não. Quando está consciente, a pessoa tem uma sensação inquietante de que ela não é respeitada ou boa o bastante. Na forma inconsciente, essa sensação se manifesta indiretamente como um anseio, uma necessidade ou uma carência intensa. Em ambos os casos, as pessoas podem acabar buscando compulsivamente uma forma de gratificar o ego e preencher o buraco que sentem por dentro. Assim, empenham-se em possuir propriedades, dinheiro, sucesso, poder, reconhecimento ou um relacionamento especial, para se sentirem melhor e mais completas. Porém, mesmo quando conseguem todas essas coisas, percebem que o buraco ainda está ali e não tem fundo. As pessoas vêem, então, que estão realmente em apuros, porque não podem mais se enganar. Na verdade, elas continuam tentando agir como antes, mas isso se torna cada vez mais difícil.

 
Enquanto o ego dirige a nossa vida, não conseguimos nos sentir à vontade, em paz ou completos, exceto por breves períodos, quando acabamos de ter um desejo satisfeito. O ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Ele tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedades, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você.

 
Levou um susto? Ou sentiu um enorme alívio? Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte se aproximar. Morte significa um despojar-se de tudo o que não é você. O segredo da vida é “morrer antes que você morra” – e descobrir que não existe morte.



Capítulo três



ENTRANDO PROFUNDAMENTE NO AGORA


Não busque o seu eu interior dentro da mente
Sinto que ainda tenho muito a aprender sobre as atividades da minha mente, antes de poder chegar a algum lugar próximo da consciência ou iluminação espiritual.


Não, não tem. Os problemas da mente não podem ser solucionados no nível da mente. No momento em que compreendemos que não somos a nossa mente, não existe muito mais a aprender ou compreender. O máximo que podemos conseguir ao estudar a mente é nos tornarmos bons psicólogos, mas isso não nos levará para além da mente, do mesmo modo que estudar a loucura não basta para criar a sanidade. Já entendemos a mecânica básica do estado de inconsciência, ou seja, quando nos identificamos com a mente geramos um falso eu interior, o ego, que é um substituto do nosso verdadeiro eu interior enraizado no Ser. Passamos a ser “um ramo cortado da videira”, como Jesus pregou.
As necessidades do ego são intermináveis. Ele se sente vulnerável e ameaçado e, em consequência, vive em um estado de medo e carência. Quando entendemos esse funcionamento anormal da mente, não precisamos examinar todas as suas numerosas manifestações, nem transformá-lo em um problema pessoal complexo. O ego, é claro, adora fazer isso. Está sempre buscando algo em que se apegar para sustentar e fortalecer a ilusão que tem de si mesmo e para juntar aos seus problemas. Essa é a razão pela qual, para muitos de nós, o sentido do eu interior está intimamente ligado aos nossos problemas. Quando isso acontece, a última coisa que desejamos é nos livrar deles, porque isso significaria a perda do eu interior. Por isso, pode existir uma grande parte de investimento inconsciente do ego em mágoa e sofrimento.
Portanto, se reconhecermos que a raiz da inconsciência vem de uma identificação com a mente, o que naturalmente inclui as emoções, nós estaremos dando um passo para nos livrar da mente. Ficamos presentes. Quando estamos presentes, podemos permitir que a mente seja como é, sem nos deixar enredar por ela. A mente em si é uma ferramenta maravilhosa. O mau funcionamento acontece quando buscamos o nosso eu interior dentro dela e a confundimos com quem somos. É nesse momento que a mente torna-se egóica e domina toda a nossa vida.
(Continua)