domingo, 15 de dezembro de 2013

O amor ao próximo


            A vida é um constante fluir de experiências. Desde cedo aprendemos a buscar o pão de cada dia para sobrevivermos neste mundo. Na maioria das vezes somos gentis e amáveis com patrões, clientes, conhecidos e desconhecidos porque de alguma forma, talvez inconscientemente, acreditemos que eles serão úteis para nossa sobrevivência ou para nossa satisfação íntima. No entanto, quando se trata dos que estão mais próximos de nós (filhos, esposa, marido, irmãos, etc.), há uma tendência global de não sermos tão amáveis ou gentis.

            Não importa aqui tentar explicar a razão para este comportamento, até porque não temos competência para tal, mas basta observarmos para ver que isto acontece constantemente em relacionamentos de pessoas intelectuais, mas também nos relacionamentos de pessoas simples.

            A célebre frase do Mestre dos mestres diz: “ama o próximo como a ti mesmo” e creio que nos dias de hoje poderíamos acrescentar: principalmente quando a pessoa estiver mais próxima de ti. O fato é que muitas vezes descuidamos daqueles que participam mais de perto da nossa jornada nesta vida e  assim deixamos de lado a maior oportunidade de amar.

            O amor é a energia que torna a vida mais bela e nos dá forças para superar as dificuldades. Sem amor, até os mais ricos não passam de miseráveis internamente. É preciso ser grande internamente para dizer com sinceridade a quem, embora conosco, tenhamos deixado de dar a devida atenção: “obrigado por existir na minha vida. Desculpe se não lhe dei a atenção que você merece”.

            É bastante lógico supor que, quem nasceu em nosso grupo familiar, para ali veio a fim de vivenciar experiências comuns e por isso não são menos importantes que as demais pessoas que cruzam nosso caminho. Na verdade temos uma dívida de amor para com estes, pois com a sua participação mais constante em nossa vida ajudam nosso crescimento interior.
             Doar-se é enfim um gesto de amor. Dar atenção, carinho e principalmente compreensão torna-nos seres dignos e merecedores da maior dádiva: a vida.
              Em Paz e Harmonia.
 
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Pensamentos e Ansiedade


                Existem algumas coisas na nossa vida  com as quais convivemos sem nunca nos questionarmos como elas se processam. Nossos pensamentos são um bom exemplo disso. Afinal, como são formados os pensamentos? Alguma vez o caro visitante desta pagina já se fez esta pergunta? Aparentemente somos senhores de nossos pensamentos. Será que é a nossa vontade que produz os pensamentos.

                Roque Perrone, analista junguiano, diz que o pensamento é uma capacidade da mente, é um poder-fazer. Diz que sem o cérebro a mente não tem sua ferramenta de atuação e sem o pensamento a mente não tem finalidade para produzir ou realizar. Diz ele também que se nossa mente estiver ligada ao passado, estará atuando no córtex (parte externa cinzenta do cérebro), se no presente, estará no neocórtex (áreas mais evoluídas do córtex cerebral), e ao futuro, estará nos lobos temporais.

                Se pararmos para observar, veremos que os pensamentos não são contínuos. Entre um e outro existe uma fração de tempo em que não há pensamentos. Augusto Cury psiquiatra e pesquisador da mente compara este espaço entre os pensamentos a um caos onde um pensamento se desorganiza e novamente torna a se organizar em outros pensamentos. Um detalhe interessante é que ninguém consegue manter o mesmo pensamento indefinidamente. Todo pensamento tem um começo e tem um fim, assim como as emoções (alegria, tristeza, etc.) e tudo mais neste mundo.

                Para Cury o caos da energia psíquica gera uma dinâmica que desorganiza experiência psíquica produzindo uma ansiedade extremamente saudável, que ele chama de ansiedade vital. E é esta ansiedade que estimula a criatividade, a curiosidade e o desejo explorador.

                Pode-se dizer que ela é a mola propulsora para tudo o que fazemos. Segundo o pesquisador, o processo todo anda por quatro fases:

                - O caos psíquico gera a ansiedade vital.

                - A ansiedade vital estimula a leitura da memória.

                - A leitura da memória ativa a produção de pensamentos e emoções.

                - Os pensamentos e emoções novamente experimentam o caos reiniciando o processo.

                Uma descoberta extremamente interessante que Augusto Cury fez em suas pesquisas foi que os pensamentos podem entrar em um ciclo construtivo perigoso. Quando a ansiedade vital é hiperestimulada por agentes externos como a TV, internet, moda, competitividade profissional e informações escolares,  ela gera uma hiperprodução de pensamentos e imagens mentais. Por sua vez essa hiperprodução pode destruir a tranquilidade e é capaz de levar a um intenso desgaste do córtex cerebral, produzindo uma intensa fadiga, esquecimento, bloqueio da criatividade, impulsividade, irritabilidade e uma série de sintomas psicossomáticos.

                Parece que aí reside o maior problema dos dias de hoje, porque tanto crianças como adultos excitam demasiadamente sua ansiedade por causa do sistema em que vivemos. Alguns conseguem minimizar este problema praticando meditação ou pelo menos ficando alguns instantes por dia em pleno silêncio procurando não pensar em nada enquanto buscam apenas sentir o seu corpo colocando o foco de sua consciência em cada parte dele. Este tipo de exercício é salutar quando praticado sistematicamente.
               O avanço tecnológico trouxe conforto, mas a ignorância dos processos mentais aliada ao modo atual de viver acaba gerando, com raras exceções, uma sociedade estressada, com cansaço mental e sem criatividade.

                Em Paz e Harmonia.