Estudar e
compreender os mecanismos do nosso cérebro é uma das etapas para o autoconhecimento.
A tomada da
decisão é uma das partes difíceis em toda atividade que venhamos a empreender.
A vida nos coloca a todo instante numa posição em que temos de escolher. É como
se estivéssemos diante de uma encruzilhada e temos de tomar a decisão por qual
caminho iremos seguir.
Nesse
instante o cérebro desencadeia procedimentos para que possamos escolher a
alternativa mais adequada. No geral não percebemos este trabalho do cérebro. Na
realidade o nosso cérebro desencadeia três processos diante de cada escolha, no
entanto nenhum deles toma a decisão por si só. Um processo usa a lógica, o
outro usa a experiência e o último o instinto.
Cada
um utiliza a sua “ferramenta” específica e a sua solução é comparada com as dos
demais processos. Tal como quando três pessoas, que apresentam sua visão sobre
determinado assunto, a solução de um destes processos irá “falar” mais alto e
então o conjunto dos três apresenta o caminho a seguir. Basicamente é assim que
são tomadas as decisões e isso, às vezes, nos coloca em situação difícil.
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Experiência
Certamente
você já ouviu a frase “viver é aprender”. De fato estamos nesta vida para
vivenciar experiências e através delas vamos aprendendo e em consequência,
evoluindo. Todas as experiências que acumulamos na vida são guardadas pelo
cérebro, pois serão extremamente úteis em nosso futuro. Quando o resultado de
uma experiência foi bem sucedido sentimos prazer. Neste instante os neurônios
liberam dopamina. A dopamina é uma substância associada ao prazer e a tudo que
nos proporciona alegria. Assim, numa situação futura quando nos encontrarmos
numa situação similar àquela que nos deu prazer os neurônios liberam dopamina
antes de tomarmos a decisão. É um aviso para o resto do cérebro de que este
caminho é bom. Talvez até possamos lembrar-nos de um evento passado que foi
igual, mas são os neurônios que acessam nossa memória a todo instante e
controlam a dose de dopamina a ser enviada ao cérebro.
Por
outro lado, o jogo, o cigarro, o álcool e drogas tão também deixam sua marca
nesse sistema de recompensas. O prazer que tivemos com estes vícios também fica
registrado e nos estimula a repeti-lo em outras ocasiões. Este é o lado ruim
deste sistema.
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Instinto
O
instinto faz parte do sistema de preservação dos animais e dos seres humanos. É
uma espécie de vigilante que dispara impulsos que nos fazem agir de forma a
proteger a vida, buscar alimentos, procurar parceiros e competir. Ele é gerado
basicamente por duas áreas do cérebro: ínsula e amídala. Junto com o resto do
sistema, estas áreas levam impulsos como herança do homem de milhares de anos
atrás, que competia por tudo na natureza.
Mesmo após tanto tempo ele
continua a influenciar nossas escolhas, até mesmo quando a gente não quer.
Vamos discorrer sobre dois exemplos em que o instinto ora salvou ora matou.
Dirigir um
carro é basicamente um ato racional, mas em determinada ocasião só o instinto
pode salvar uma vida. Imaginemos uma situação em que dirigimos tranquila e
conscientemente, atentos ao transito e somos surpreendidos de repente por uma
criança correndo atrás de uma bola aparece bem na frente de nosso carro. Sem
tempo para raciocinar freamos ou jogamos o carro instintivamente para o lado a
fim de evitar o acidente.
No caso
seguinte o instinto de sobrevivência acabou matando as pessoas envolvidas. No
verão de 1949, bombeiros foram chamados para apagar um incêndio numa colina no
estado de Montana, EUA. As chamas estavam muito intensas e acuaram a brigada.
Assustados, os bombeiros fugiram sem dar atenção ao líder, Foreman Wagner
Dodge, que lhes pedia que ficassem parados. Foreman não correu, apenas queimou
o mato à sua frente e se deitou. O fogo chegou até ele, mas passou a seu lado,
onde havia vegetação como combustível. Ele usou a razão e talvez a experiência
e sobreviveu enquanto que seus treze colegas morreram.
Percebe-se que
o instinto é útil quando não temos tempo para recorrer à razão, mas quando
temos tempo a lógica talvez seja o melhor caminho.
- Lógica
(razão)
A lógica cuida
do futuro. Calcula, planeja para que as decisões sempre tenham resultados
positivos. Estima-se que aproximadamente 15 mil anos atrás, a humanidade
aprendeu que deveria guardar comida. Era a razão alertando que tempos difíceis
poderiam vir superando o instinto de sobrevivência. Sabe-se que quem faz dieta,
da mesma forma precisa manter o foco na razão o tempo todo para vencer a
vontade de comer.
A ciência
descobriu que o cérebro, graças ao Córtex pré-frontal, pensa no bem do nosso
futuro. Ele usa a lógica para julgar as consequências das decisões. O uso da
lógica é bom quando o resultado da escolha impõe mudanças drásticas ou tem
impacto no nosso futuro. Ao contrário não devemos usá-la quando o resultado da
escolha não seja definitivo para o futuro. Talvez aí as emoções façam uma
melhor escolha.
(baseado em artigo publicado pela revista superinteressante de setembro de 2011)Que possamos ter uma semana de Paz e Harmonia.