domingo, 27 de novembro de 2011

A simplicidade da vida

   Ao criar este blog eu sabia que não seria fácil mantê-lo em atividade. Criamos tantas atividades ao longo da vida que para atendê-las temos de nos desdobrar. As nossas metas, nossos ideais, nossos desejos são correntes que criamos com as quais nos acorrentamos.
   Hoje percebi que ainda não havia feito nenhuma postagem este mês que finda. Isto me fez lembrar da minha amiga Maria Neta. Outro dia ela chamou minha atenção para o fato de que eu estava escrevendo pouco aqui.
   Parei por alguns instantes a fim de pensar num tema para abordar aqui. Havia uma música tocando e sem me dar conta, eu viajei na magia da melodia. Naquele momento em que a atividade mental diminuiu uma sensação de prazer invadiu o meu ser envolto pelas vibrações da música.
   No cotidiano não nos damos conta de como a vida é simples quando a deixamos fluir sem interferências ou explicações. Realmente nós a complicamos com nossos desejos  e ideais.
   As nossas necessidades são poucas e simples. O ser humano necessita muito pouco para viver e sentir-se feliz. Pena que tenhamos sido programados para competir na sociedade atual.  Foram criados padrões de beleza, de sucesso, de comportamento. A mídia é usada para nos impingir estes padrões que uma vez aceitos, nos forçam a andar como uma boiada que vai para o matadouro. Passamos a lutar para conseguir satisfazer desejos que, as vezes, nem eram nossos. Há quem diga que desejo é uma necessidade enlouquecida. Quanto mais tentamos satisfazê-lo, mais ele pedirá.
   Há algum tempo atrás, convivi com um jovem que realizava, temporariamente, uma atividade na mesma área onde eu trabalhava aqui em Brasília. Ele era noivo e sua amada residia em Patos de Minas, MG. O pai da moça tinha um pequno comércio lá. Quase todo fim de semana ele viajava para vê-la. O emprego dele era estável com garantia de futuro. Certo dia ele veio se despedir porque se demitira para ir morar na cidade da noiva. Perguntei-lhe o que o motivara a tomar a decisão de abandonar um trabalho estável pela vida simples e até certo ponto insegura de uma cidade menor. Qual a minha surpresa quando ele me disse fora por causa de uma conversa que haviamos tido algum tempo atrás. Disse-me que refletira sobre o comentário que eu fizera de que nós precisávamos muito pouco para ser feliz e chegara a conclusão de que a sua felicidade estava lá e não aqui em Brasília. Mais tarde eu soube que ele realizara o seu sonho de casar com a moça.
   Vivemos em função das decisões que tomamos. Tomamos nossas decisões em função dos nossos desejos. Parece que começam a aparecer problemas quando temos muitos desejos e eles começam a ficar grandes demais.
   Dizem que a grande sabedoria da vida está em andarmos no caminho do meio. Mas até mesmo para trilharmos este caminho é preciso que não seja de forma forçada. Toda vez que tentamos suprimir algo, ele começa a se tornar significativo para nós. O problema reside na preocupação de viver de tal forma. Ocupar-se é bom. Nocivo é pré ocupar-se porque nos tornamos tensos. A naturalidade desaparece. Assim, se vez por outra saímos do caminho do meio, não há nada de errado com isso. O importante é que não nos culpemos por ter agido assim. Nenhum bem material irá conosco ao deixarmos este corpo. Os nossos sentimentos e as nossas experiências, isto sim é algo que vale a pena vivenciar da melhor maneira possível. Deixemos, pois a vida fluir sem culpas, sem mágoas, sem stress ... em paz.
   E assim, fica o meu desejo de que possamos viver em paz e harmonia até que nos encontremos outra vez.

domingo, 30 de outubro de 2011

Desiderata




Desiderata - Max Ehrmann


Ouça agora a sabedoria do sábio: "Siga placidamente em meio ao barulho e à pressa e lembre-se da paz que se encontra no silêncio. Tanto quanto possível, sem se humilhar, viva bem com todas as pessoas. Fale sua verdade clara e mansamente. Escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; eles também têm uma história para contar.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas; elas afligem o espírito. Se você se comparar com outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, pois sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Viva intensamente seus ideais e o que você já pode realizar. Mantenha-se interessado em sua carreira, por mais humilde que seja; ela é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. Tenha cautela nos negócios, pois o mundo é cheio de armadilhas. Mas não deixe que isso venha a cegá-lo para a presença da virtude; muitas pessoas lutam por grandes ideais e em todos os lugares a vida é cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Sobretudo não finja afeição. Nem seja cínico quanto ao amor; pois, diante de toda aridez e de todo o desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Aceite delicadamente o conselho dos anos, renunciando graciosamente às coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se em caso de um inesperado infortúnio. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão.

Ao lado de uma disciplina saudável, seja gentil consigo mesmo. Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas; você tem direito de estar aqui. E, quer você entenda, quer não, o universo está se desenrolando como deveria. Portanto, fique em paz com Deus, seja qual for a forma como você o concebe. E, quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na confusão ruidosa da vida, mantenha a paz em sua alma. A despeito de todas as fraudes, enganações e sonhos perdidos, este ainda é um mundo belo. Seja alegre. Esforce-se para ser feliz".

Este parece ser um documento intrigante mas com profundos conceitos. É necessário refletir sobre o texto, após lê-lo ou ouví-lo várias vezes afim de compreendê-los. Os direitos autorais pertencem a Max Ehrmann, todavia quem já leu todos os outros poemas deste autor refere-se a Desiderata como totalmente diferente das demais obras dele. É como se fosse uma gota de oleo na água. Não tem o seu estilo. Na primeira edição de um livro de Max Ehrmann registrado em 1927, onde consta este belo texto, há um comentário sobre a lenda de que este texto teria sido encontrado na igreja de St. Paul, em Baltimore, EUA, em 1684.

Curioso observar que certos documentos aparecem, desaparecem e tornam a aparecer de tempos em tempos. A exemplo de Desiderata, a voz do silêncio de Helena P. Blavatski, luz no caminho de Mabel Collins entre outros, sejam obras cujo conteúdo era mais antigo do que quando foi lançado por seus autores. Não estamos dizendo que estes autores não tenham escrito tais obras. Acreditamos que realmente as tenham escrito. O que se sugere é que de alguma forma eles vislumbraram um conhecimento que já existia. Diz-se que quando uma pessoa está adequadamente receptiva, uma verdade começa a fluir através dela e assim, algo valioso que estava esquecido, perdido, pode voltar como algo novo ocupando novamente um espaço em nossa fraca memória.

Vivemos num mundo ruidoso onde "tempo é dinheiro". Como se o dinheiro fosse a coisa mais importante. Dinheiro é importante apenas como um meio para alcançar algo. Um fenomeno interessante acontece quando de repente vemos muitas pessoas correndo numa direção. Temos a tendencia de correr também, mesmo sem saber porque. Assim, na vida passamos a obrigar nossos filhos a viverem uma vida stressante para que um dia eles possam ter melhores condições de competir neste mundo ruidoso. E quando chegarem lá, será que valeu a pena? Viver o momento presente, isto sim é o mais importante. O presente é a única coisa que existe. O passado já foi presente e o futuro ainda o será. Viver bem não significa necessariamente ter muito dinheiro. Todos sabemos que existem coisas que ele não compra. Sentimento é uma delas. Não se pode comprar verdadeiramente os sentimentos das pessoas.

A mensagem do texto acima é um chamado para uma maneira de viver cautelosa, mas verdadeira. "Seja você mesmo"; "busque a felicidade"; "não finja afeição"; "mantenha a paz em sua alma". É preciso parar, desligar a TV para não sofrer influência da mídia e então, repensar os nossos objetivos.

Que possamos alcançar a compreensão para vivermos em Paz e Harmonia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Arrependimento

Há um momento, na vida de cada pessoa, em que ela alcança a compreensão de que a única coisa que realmente levará desta vida é a compreensão advinda das experiências aqui vivenciadas. Quando isto acontece pode-se dizer que um grande passo foi dado na evolução de tal pessoa.



Desde pequenos somos orientados a lutar pela sobrevivência. Para isso vamos à escola, fazemos faculdade buscando sempre conhecimentos que nos possibilitem conquistar um bom emprego para termos uma vida confortável. Tudo isso é necessário, mas neste percurso somos levados a mostrar sempre uma imagem bela de nós mesmo que, muitas vezes, ela não seja verdadeira. Este é o instante em que começamos a nos corromper no sentido de nos afastarmos do nosso verdadeiro eu. Nosso equilíbrio interior é quebrado. Criamos máscaras que usamos ao nos relacionarmos com outras pessoas. O fato de agirmos de forma a sempre parecermos bons é uma tentativa de sermos aceitos pela sociedade. Ninguém gosta de conviver com o lado ruim das pessoas. Mas isto é superficial.



Alguém já disse que se "arranharmos" a pintura externa do santo que se quer parecer, o lado verdadeiro aparece. Ou seja, basta, as vezes, uma pressão um pouco maior para tudo acontecer. Uma "fechada" no trânsito ou algo que fuja do nosso controle torna-se motivo suficiente para que a máscara caia. Então o que se faz ou diz mostra a nossa expressão verdadeira que estava por baixo da máscara. Quase sempre nos arrependemos posteriormente. Passada a tensão, nos mostramos arrependidos e pedimos desculpas por nossa atitude ou por alguma palavra rude que tenhamos proferido e que provavelmente magoou a outra pessoa. Aceita as desculpas tudo fica bem, seguimos nosssa vida, mas quando menos se espera novamente caímos no mesmo erro.



Por que isto acontece? Será que realmente estávamos arrependidos na vez anterior? Acredito que não. O que normalmente acontece é que passado o momento de raiva, vemos que a nossa imagem de bom moço ficou avariada e a única maneira de consertá-la é pedindo desculpas ou perdão. A pessoa que foi ofendida e estava magoada com a nossa atitude ou palavra, normalmente aceita as desculpas.



Na nossa mente a coisa acontece mais ou menos assim: se pedimos desculpas ou perdão por algo e a outra pessoa, também preocupada em parecer bom, nos perdoa, fica tudo bem e nos sentimos em paz com nossa imagem. Por outro lado, se ela não nos perdoar então, na maioria das vezes, também nos sentimos bem com nossa imagem porque fomos humildes e pedimos perdão e o problema passou a ser da outra pessoa que para nós passará a ser vista como uma pessoa ruim que não é capaz de perdoar. Neste caso jogamos a responsabilidade sobre o ofendido porque ele não foi bom e magnânimo para nos perdoar. Isto na verdade não é arrependimento. É apenas uma forma esperta de reparar a nossa imagem.



Eu tenho um amigo que de vez em quando usa uma expressão bastante humorada e que vou citar para ilustrar este fato. Ele brinca dizendo: "depois que inventaram o me perdoe, nunca mais matei ninguém".



No mundo atual todos se preocupam com a sua imagem. Usa-se esta forma de arrependimento para solucionar um ato que se pratica num momento de raiva ou desequilíbrio.



O verdadeiro arrependimento não se refere aos nossos atos, mas a toda uma qualidade de ser. Isto implica em alcançarmos uma profunda compreensão de que determinados padrões de nosso comportamento não são corretos e consequentemente será preciso uma mudança real nos nossos princípios.



Em aramaico, idioma que Jesus usava, o termo usado para arrependimento tinha o significado de retorno. Retorno à sua essência verdadeira. Ao equilíbrio interior. Retorno a um reto viver. Retorno à divina consciência que existe dentro de cada um e que alerta quanto ao certo ou errado.



Estamos enganando a nós mesmos. Esta atitude não melhora a nossa personalidade. Não melhora a única coisa que vamos levar quando o fim das experiências desta vida chegar. Hoje os valores estão em ordem inversa. Valorizamos vaidosamente o ego, aquilo que mostramos aos outros, em detrimento da nossa divina essência.



Que possamos todos ter uma ótima semana em Paz e Harmonia.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A difícil tarefa de mudar nossas verdades.

Todos nós, em alguma ocasião já passamos pela dificuldade de mudar um conceito que era tido como verdade por nós. Mesmo o fato de termos de mudar um tipo de atividade que já era rotineiramente realizada para um novo modelo, causa reações antagônicas.


Há alguns anos atrás eu trabalhava em um local por onde circulavam muitos documentos que eram redirecionados para várias subseções. Com o advento da informática, foi criado um programa de computador para controlar a situação de cada documento que ali entrasse e ele fosse redirecionado a fim de ser ter uma exata posição de cada documento e sua solução. Este trabalho até então era feito manualmente com a ajuda de pastas, assinaturas, etc. Embora o novo sistema fosse bem mais ágil e eficiente, muitas foram as reações à sua implantação. De tal monta foram estas reações contrárias que a chefia teve de usar de extrema energia para que os contrários aceitassem trabalhar no novo sistema.


Então uma pergunta parece gritar em nossa mente: por que é tão difícil aceitarmos uma mudança? Na semana passada comecei a ler o livro "Palavras de fogo" do Osho e nele encontrei uma interessante reflexão feita por este grande pensador sobre este assunto. Em determinada parte do livro o autor referindo-se ao fato de os judeus não terem aceitado Jesus como o Messias tão esperado por eles, assim como os hindus não aceitaram Buda, diz:


" Ele veio para ajudar; ele veio para preencher uma aspiração de eras, mas não o receberam. Isto é algo muito irônico, mas sempre aconteceu. Jesus nasceu judeu: os judeus não o aceitaram. Buda nasceu hindu: os hindus não o aceitaram. É assim que sempre foi. Por quê? Porque sempre que um homem como Jesus ou Buda nasce, ele é tanta rebelião que tudo que está estabelecido é abalado.


Um homem comum vive no passado - e para o homem comum o passado é mais importante, porque o passado já está estabelecido, enraizado. Ele tem muita coisa do passado em jogo, tem muito investimento no passado. Por exemplo, se de repente eu vou até você e lhe digo que o modo como você está rezando é errado e você esteve rezando deste modo por cinquenta ano - agora há muito em jogo. Acreditar em mim será acreditar que seus cinquenta anos foram inúteis. Acreditar em mim será desacreditar cinquenta anos de sua vida; acreditar em mim será acreditar que esteve sendo tolo durante cinquenta anos. Isto é demais! Você lutará. Você se defenderá.


E quando se trata de uma raça... Por milhares de anos aquele povo esteve fazendo certas coisas e, então, vem um Jesus e bota tudo de cabeça para baixo! Tudo vira um caos novamente. Ele dissolve o que estava estabelecido, ele arranca tudo o que se pensava ser muito significativo, cria uma confusão. Mas ele não podia deixar de fazê-lo, porque ele trazia a coisa certa. Mas durante séculos estiveram acreditando que outra coisa era o certo. O que escolher - Jesus ou a tradição?"


Todos sabem que eles escolheram a tradição e estão até hoje esperando o Messias. A espera se tornou mais importante que o Messias. Para exemplificar melhor, mais abaixo Osho diz:


"Eis porque vocês verão mais gente nova perto de mim e menos gente velha, porque gente nova não tem muitos interesses investidos no passado. Na verdade, um jovem tem um futuro; um velho tem somente passado. O futuro significa morte; sua vida inteira é passada. Assim, quando um homem de setenta anos vem a mim, é muito difícil mudá-lo, porque setenta anos lutarão comigo. Quando vem um garotinho de sete anos, um pequeno Sidarta, não há com o que lutar. Ele pode se render absolutamente, não há nada - ele não tem passado algum, só futuro. Ele pode ser aventureiro, ele pode correr riscos; ele não tem nada a perder. Mas um velho tem muito a perder. É por isso que, se vier um erudito - uma pessoa que sabe muito e não conhece nada, ele lutará muito; ele terá toda a sorte de argumentos, irá se defender. Ele tem muito a perder. Mas quando vem um inocente que diz: eu não sei muito, não, ele se sente a vontade para soltar as rédeas."


O tema é interessante, porque a partir do momento em que compreendemos a natureza ou estrutura da nossa mente, poderemos olhar e analizar conceitos diferentes dos nossos com a mente aberta. Isto nos dá liberdade.


A vida é um constante fluir mudando e evoluindo a cada instante. Hoje é diferente de ontem. Amanhã será diferente de hoje. Assim tem que ser, pois esta é a dinâmica da evolução. Pensar que aquilo em que acreditamos não mudará nunca é não acreditar na vida.


Que possamos todos vivenciar uma semana de Paz e Harmonia.

sábado, 23 de julho de 2011

O Supremo Ser

Na eterna busca pela compreensão de si mesmo e do universo, algumas perguntas não cessam de martelar a mente dos buscadores: Por que Deus teria nos criado? Qual a finalidade de estarmos aqui? Como entender um mundo divinamente criado, cheio de dores e sofrimento? As respostas dadas a estas e outras questões pelas religiões não conseguem satisfazer plenamente estas dúvidas. Já não se consegue aceitar a imagem de Deus semelhante a de um pai bonzinho que deu vida a outro ser: seu filho. Ficamos com a sensação de que são dois seres separados. Mas se Deus é o todo, então nada pode estar fora dele ou de sua consciência.


Há poucos dias atrás, eu organizava alguns livros que estavam empilhados no porão da minha casa, quando um, intitulado A Potência do Nada - O vazio incondicionado e a infinitude do Ser, despertou minha atenção de forma insistente. Na ocasião eu não sabia quem o colocara ali. Mais tarde fiquei sabendo que uma filha o havia adquirido. O fato é que comecei a lê-lo.


Neste livro o autor Marcelo Malheiros Galvez, discorre sobre o Criador, a criatura e o Universo. O autor entra na seara da física e mecânica quântica para fundamentar conclusões interessantes. A bem da verdade, devo dizer que estas conclusões suavizaram um pouco, em mim, as dúvidas que descrevi no início deste texto.


Assim, para dar um idéia melhor do conteúdo do livro, vou transcrever a seguir a introdução que foi feita para esta obra.


"A vida do homem transcorre entre três infinidades que assinalam o limite e a insuficiência do seu conhecimento racional o infinitamente pequeno, de que se ocupa a física quântica; o infinitamente grande, tratado hoje pela cosmologia relativística; e o infinitamente complexo, objeto do estudo da biologia, da psicologia, da filosofia e da religião. O homem - o infinitamente conplexo - "habita", espacialmente, o ponto médio entre o micro e o macrocosmo. Devido à natureza de nossa percepção, é lícito dizer que o conhecimento racional transita precisamente entre estes dois limites materiais cognitivos. De fato, não compreendemos - e isso significa "conhecer" ou descrever - o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, que, por estarem além da fronteira da sensibilidade, podem ser chamados de realidades transfinitas ou transcognitivas.


Isso não significa que não possamos ter acesso a elas, mas tal possibilidade, no entanto, dependerá do desenvolvimento de novas formas de percepção, conhecimento e compreensão que, certamente, possímos como capacidades latentes dentro de nós.


Este livro é, acima de tudo, um exercício de reflexão a respeito da natureza de tais realidades, sobretudo sobre o mistério de Deus. Na sua elaboração, o pensamento do autor evoluiu até o ponto de compreender que Deus, homem e Universo constituem três aspectos de uma mesma realidade. São uma trilogia eterna e inseparável. Deus "é" somente pelo homem manifestado em um Universo físico. Da mesma forma, o homem só realiza sua humanidade - e torna-se plenamente homem - quando expressa e manifesta Deus em si mesmo no processo da evolução, no âmbito do Universo. E este, o campo onde o jogo da Criação tem lugar, nada é sem as leis divinas que o estruturam e o impulsionam em seu dinamismo descendente e ascendente, involutivo e evolutivo.


Deus é o aspecto universal, Uno e Ideal da Criação, enquanto o homem constitui o aspecto manifestado, vivente, múltiplo dessa mesma Criação. O objetivo do homem é realizar e manifestar o aspecto universal e Ideal de Deus no Universo de infinitas maneiras (cada indivíduo é Deus em Sua universalidade e unicidade, mas também constitui um aspecto de Deus concretamente manifestado, particular e "vivo" - Deus é a vida do individuo). É nesse ponto que Deus , como Deus, nasce do espírito do homem e no Universo real.


A vida do Universo é um jogo divino entre as possibilidades ideais e suas infinitas maneiras de se expressar na vida. A vida só existe no Universo. O Universo é um Ser vivo. É Deus, como totalidade, brincando de esconde-esconde, evoluindo, conhecendo-se eterna e infinitamente. E uma das maiores diversões de Deus é "brincar" de ser homem. Contudo, por paradoxal que possa parecer - e o paradoxo parece ser a única maneira de falar de Deus, como totalidade de possibilidades -, Deus é ao mesmo tempo o criador do homem e também sua criatura; é o alfa, o início, e ômega, o fim. Deus é o alfa porque cria o Universo e a vida, e é o ômega porque é constantemente recriado por ela, de tal modo que a evolução do homem e do Universo é a evolução de Deus. Enfim, Deus é inteligência objetiva, amor ativo e vontade dinâmica que penetra cada partícula do Universo e de nossas almas e espíritos. Como Nada que é Tudo, é absoluta liberdade. Liberdade essa que deve manifestar-se pelo homem, que é, também, pura liberdade e em essencia, Deus.


Deus pode ser visto, ainda, como a interioridade una e universal que toma consciência de Si mesmo por meio do indivíduo que vive na exterioridade múltipla do mundo. Nesse sentido, o homem é o "lugar" onde se encontram e se realizam o interior e o exterior, o temporal e o eterno, o finito e o infinito. O homem é a Coroa da Criação, porque é Deus existindo e vivendo no Universo."



Aproveitando algumas palavras do autor e outras que brotaram em minha mente, montei o áudio abaixo como forma de uma interiorização em busca de maior compreensão e integração com o Supremo Ser. O fundo musical é uma versão de "Amazing Grace" entoado no idioma Cherokee.


Que possamos todos vivenciar uma semana de Harmonia e Paz.





















domingo, 3 de julho de 2011

O Único Ser que Ama

Na última postagem coloquei um texto falando da Unidade versus individualismo. Porque parece que o efeito da consciência humana gera em nós uma falsa sensação de individualismo. Depois de alguns anos, hoje minhas mãos voltaram a tocar num pequeno livro, que contém três pérolas espirituais. Uma delas é de Curuppumullage Jinarajadasa. A sua leitura, faz perceber claramente a nossa posição dentro do esquema cósmico. Vou transcrever aqui parte do texto que é encimado pelo título:

O Amor que é força.


"Em todos os reinos visíveis e invisíveis só existe um Ser: Aquele que ama tudo que existiu e sempre existirá. Os homens O chamam por vários nomes: Senhor e Deus, Logos e Redentor, ou Deusa Sabedoria, e alguns ainda, Senhora do Lótus, Rainha da Pureza. Sua é toda a vida que existe.

A menor vibração que temos de força é derivada de Sua vida. E tanto o mais poderoso Salvador dos homens, a cujos pés milhões de sêres se prostraram, como o ente mais humilde, respiram a Sua vida com o Seu amor.

Através de todas as coisas, através da força, da matéria, da vida e da conciência, Ele ama. O mundo inteiro não é senão um fenômeno e uma manifestação brilhante do Seu amor.

Ele exerce o Seu amor por inexplicáveis e assombrosos caminhos. Age enérgica e firmemente no éter, forma pontos de força, agrupa-se em átomos e moléculas, e ama esse todo.

Ora atrai e ora repele, sendo sempre isto duas feições do Seu amor. Positivo e negativo, união e desunião, são somente belos sonhos desse Seu amor.

Faz a morte aparecer, e é assim que o torpor surge com a vida. A planta, o animal, o homem, que são Sua vida, fanam-se e morrem.

Ainda o morrer é uma ilusão, porque morrem as formas para ressurgir nelas o Seu amor, que é a vida delas, que até Ela sobe.

E assim as formas se tornam mais aptas e com maiores possibilidades de revelar, mais do que antes, o Seu amor.

Se, porém, não pudéssemos sonhar com Ele, compreenderíamos não só porque Ele ama tão grandiosamente, como, também, porque destroi tão prodigiosamente, pois o amor deve sempre atingir o objetivo mais elevado.

Ele, o destruidor, é também a forma destruida; destroi para Ele próprio reconstruir em formas mais perfeitas, para amar mais gloriosamente através de cada forma que se sucede.

Cria os homens que se odeiam e injuriam, egosistas e miseráveis, crucis e guerreiros, que aparecem na vida apenas como estágios do Seu amor revelado. Sonha através de todos os homens; cada um é um sonho diário do Seu Ser, tanto o homem que fere como o que cura: ambos possuem o Seu amor, um em maior escala, outro em menor, pois, atrás de ambos Ele está, idealizando o dia em que o amor seja tudo em todos.

Porque do malvado Ele modelará o mártir e o guia, força para resistir e força para salvar; daquele que cura formará o sábio e o artista para retratar aquilo que só Ele pode produzir.

Egoismo e ganância, ódio e sensualidade, préstimos e renúncias, amor e devoção, são apenas estágios em Seus sonhos, em relação ao terno sonho de amor em que Ele vive.

O lírio, a rosa, a margarida , o miosotis e qualquer outra flor que vos agrade: poderemos dizer que uma é mais bela do que a outra? Não são todas elas flôres ou frutificação do sonho da planta, quando considerava sobre o seu futuro?

O mesmo acontece com os pensamentos concebidos, que são as religiões. Seja maior ou menor o relicário, contanto que seja o Seu relicário. Sua luz brotará do altar porque o Único que ama modela uma religião que não está limitada nem ao espaço nem ao tempo, a Religião de Sua Beleza. As nossas religiões mundanas não passam de experiências dessa Religião, que um dia há de existir.

........................"



Infelizmente não sei quem gravou o audio que está abaixo para poder citar a sua fonte. Há mais de vinte anos eu ouvi esta gravação e a guardei como uma relíquia. Por seguir a mesma linha de pensamento, gostaria de compartilhá-la com aqueles que acessarem esta página.


Que nossa vibração seja geradora de Harmonia e Paz até que nos encontremos outra vez.



IN ETERNO

sábado, 28 de maio de 2011

O Que Sou Eu?

Estávamos, certa vez, reunidos tentando entender um pouco mais profundamente o que somos. Lembro que na ocasião, algumas perguntas surgiram naturalmente. O que é o eu? Seria a alma aquilo que dizemos que está em evolução e que temos a sensação de ser um indivíduo? Mas se a alma é divina, precisaria evoluir? Então se não for a alma, o que está em evolução? Será que esta sensação de individualidade persistiria após a perda do corpo físico?


Além destas, muitas outras perguntas sobre o assunto vem à mente daquele que busca conhecimento e compreensão de si mesmo e do universo.


Posteriormente, organizando alguns livros na prateleira do meu ambiente de estudos, me deparei com um texto do Doutor em Filosofia H. Spencer Lewis que lança um pouco mais de luz sobre este tema de forma razoavelmente clara. Partindo do pressuposto que somos um ser dual com uma parte divina que ele chama de Eu Interior e outra em evolução que ele chama de eu exterior. Diz o texto:


"Será possível alcançar o Eu Interior para desenvolvê-lo e torná-lo superior ao eu exterior? Parece uma pergunta tão simples! Ela é usualmente feita de forma casual e ligada a outras perguntas de resposta fácil. Entretanto, esta pergunta envolve a operação de todo o domínio místico, espiritual e divino. Conhecer a resposta é conhecer todo o problema do domínio do Eu.

O que é o Eu? A menos que tenhamos uma completa compreensão de quem e o que seja o Eu, não poderemos responder a pergunta anterior. O Eu é a personalidade, dizem uns; é o caráter, dizem outros; outros ainda afirmam que é a individualidade. Na verdade, o Eu não é nenhum deles, mas todos eles e ainda mais. Influências externas podem dominar ou determinar nossa personalidade e assim moldar nossa vida. Mas o destino absoluto é determinado pelo caráter, e o caráter é formado pela vontade. Não somos indivíduos. Individualismo significa separação, distinção, isolamento determinado e liberdade ilimitada. É a própria antítese da unidade.


No estudo da matéria grosseira vemos que a ciência dividiu a substância em átomos, a menor unidade dos elementos que conserva uma identidade química. Mas embora os átomos sejam considerados criações primárias, eles não possuem um real individualismo. Os átomos de cada molécula podem parecer ter individualidade, no esquema das coisas tais como ocorrem em condições de laboratório, mas os cientistas sabem que cada átomo vibra com o espírito da vida de todos os átomos, que ele está relacionado a uma grande força. É parte de uma grande força. A força criativa que permeia todos os demais átomos. Nenhum átomo poderia existir como átomo independente daquela força ou de outros átomos. Este mesmo princípio se aplica às moléculas, a divisão seguinte da matéria. É a unidade dos átomos que forma a molécula e é a unidade das moléculas que forma a matéria. Por trás de tudo isto está a unidade da energia divina que forma o átomo.


UNIDADE


O corpo humano é uma criação material. Cada centímetro quadrado de carne é composto de minúsculos elementos, operando em unidade e manifestando-se através da unidade. Se toda a criação (o corpo humano), pode afirmar uma individualidade, por que não os milhões de células que compõe cada centímetro quadrado de carne? Sabemos por experiência o que acontece quando duas ou mais células de tecido ou dois ou mais corpúsculos do sangue proclamam sua individualidade e se separam dos demais e de seu trabalho unificado e cooperativo. O resultado é a doença. Há uma rebelião. Os que proclamam individualidade estão em desarmonia e subsequentemente são rejeitados. Declara-se uma guerra da unidade contra o individualismo. A medicina encontra mil e um termos diferentes para as condições fisiológicas ou mentais que decorrem desta guerra.


O mesmo acontece com o corpo ou a alma de cada homem, mulher ou criança. A grande energia criativa em nosso interior, à qual devemos nossa existência, é indivisível! Se compreendemos esta verdade, veremos de imediato que nenhuma alma ou espírito pode ser individualizado. A alma ou espírito é indeterminável, sem definição, indivisível. A matéria também é indivisível, pois toda substância é material e cada átomo, molécula, célula ou porção não é mais do que parte de um todo.


Mas os que proclamam individualidade não falam de matéria. Eles afirmam a individualidade, não de seu corpo mas da sua personalidade, sua alma. Eles desejam colocá-las à parte, distingui-las de todas as outras, e fazer delas idividualidades superiores. Desta forma eles destroem toda a harmonia com o universo e estabelecem as mesmas condições nos planos espiritual e planetário que existiam nas células de tecidos no mundo material. A unidade então é destruida, ou talvez seria melhor dizer interrompida e falta a harmonia. Isto é individualismo!


Entretanto, o Eu pode ser dominado e desenvolvido. O Eu, no sentido que lhe empresto, é a manifestação da personalidade, expressão da alma. A alma se manifesta através da matéria, através do corpo. A personalidade se expressa através da vontade do ser. Não podemos modelar a alma, porém podemos modelar os canais através dos quais a alma se expressa. Podemos desenvolver os atributos da alma e liderar esses atributos, treiná-los, para que façam aquilo que faz reinar o bem e o amor.


Nosso Eu interior deveria receber mais liberdade. Não deveria ficar tão encerrado dentro do corpo que não possa encontrar espaço para seu desenvolvimento, expansão ou expressão sem restrições. Uma forma de chegar a isso é reservar cinco minutos todas as noites, se possível, para uma silenciosa conversa com o Eu. Senten-se num quarto sem luzes fortes, em silêncio, e desviem os pensamentos das coisas materiais, do corpo. Procurem não perceber o corpo, ou o ambiente que os cerca, e deixem que o Eu interior domine tudo e se expanda. Concentrem a mente no Eu interior, aquela grande força que reside no mais íntimo de cada um, vejam e sintam seu contato com as infinitas energias e com a mente do universo.


Gradualmente, sentirão a harmonização com a Consciência Cósmica e sentirão paz, harmonia, amor, bondade e perfeição. Perderão o corpo, que é o manto, a cobertura, a casca que descobrirá a alma, e serão livres das limitações da matéria. Sentirão a alma fora de seu corpo, envolvendo-os como uma aura. Esta expansão será rejuvenescedora, jubilosa e divinamente bela. As mais maravilhosas sensações lhes advirão. Então conversem com seu Eu. Quaisquer sugestões, quaisquer palavras de encorajamento, esperança, amor e bondade que forem pensadas ou pronunciadas encontrarão receptividade imediata.


Quando procurarem, gradualmente, trazer para o interior do corpo a consciência expandida e voltar à percepção objetiva de seu ambiente, perceberão com que dificuldade a contém no espaço limitado de seu corpo. Esta sensação de expansão, desenvolvimento e progresso serão como um conhecimento da alma. Sentirão durante muitas horas a sensação de estar transbordando de bênçãos internas e infinitas graças."


O texto do Dr. Spencer é bastante claro e o exercício noturno sugerido no final é algo que merece uma atenção especial.


Que tenhamos todos os dias atitudes mentais capazes de nos envolver numa aura de Paz e Harmonia.


domingo, 24 de abril de 2011

Por que estamos aqui?

Lembro que algumas vezes já me ocorreu tentar saber, objetivamente, qual o principal motivo da presente encarnação, ou seja, o que eu vim fazer aqui. Acredito que, em algum momento, muitoas pessoas devem ter feito a si mesmo a mesma pergunta. Esta não é uma questão que possa ser respondida com facilidade.


Como nossa alma é parte da divina alma, depreende-se que as decisões principais quanto ao caminho que vamos seguir, sejam da nossa alma. Porém nossa personalidade, que está em evolução, também possui certo grau de decisão. É o que chamamos de livre-arbítrio. Através dele vamos fazendo nossas escolhas. Se o resultado delas não for positivo para a nossa evolução, pela compreensão ou pela dor, mudamos nossa maneira de agir. A capacidade de decisão correta da nossa personalidade varia segundo o nível de evolução que ela possui. Quando, porém estamos abertos para o mundo da alma, começamos a ser mais receptivos à sua silente voz. A partir daí a vontade da alma vai prevalecendo nas nossas escolhas porque passamos a aceitar a orientação interior.


Normalmente quando decidimos pautar nossos atos por princípios elevados, muitos problemas começam a aparecer. Pode até parecer, ao menos reflexivo, que o cósmico está conspirando contra nós, mas na verdade são provas necessárias à nossa purificação, pois são reais oportunidades de consolidarmos novos conceitos na nossa personalidade.


Durante este período pleno de oportunidades para exercermos nossas decisões corretamente, muitas vezes ainda erramos. Mas agora compreendendo nosso erro podemos nos arrepender adequadamente para prosseguirmos nossa purificação.


O verdadeiro arrependimento é aquele em que reconhecemos nosso erro e agimos adequadamente para corrigí-lo e equilibrá-lo. Muitos confundem o arrependimento com desculpas, lamentações e às vezes até lágrimas. Todavia estas atitudes, por si só, não modificam nossa personalidade para melhor. Compreendendo que erramos é preciso alterar nosso padrão de comportamento para nunca mais retornarmos ao mesmo erro. Assim, um mero pedido de desculpas, ainda que necessário, não pode ser confundido com arrependimento.


Vencidas as provas nossa personalidade vai aos poucos se tornando mais obediente às orientações da alma. É quando estamos aptos a compreendermos nossa missão principal como uma alma encarnada.


Que possamos todos ter uma semana Paz e Harmonia.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Serenidade

Um dos fatores que auxiliam a nossa saúde física, mental e emocional é a serenidade. No mundo atribulado em que vivemos, pode-se questionar: Como alcançar a serenidade? Primeiro temos de tomar consciência de que a serenidade é um fator interno. Não é algo que as coisas externas devam servir de empecilho. Lembram daquela frase de Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim". Pois é, tudo depende da nossa maneira de encarar os fatos. Em nossa vida existem coisas que naturalmente por nossa ação chegam a bom termo. Outras jamais poderemos evitar que aconteçam. Neste caso temos de tomar uma atitude de neutralidade, pois como diz o provérbio: "o que não tem remédio, remediado está".

Como a serenidade é algo interno ao nosso ser, não adianta tentar alcançá-la fora com pessoas tais, ambientes ou religiões tais. O trabalho a ser feito é dentro de nós mesmos.

Um dos fatores internos que contribuem para a perda da serenidade é o medo. Vivemos hoje num mundo onde o medo determina a nossa vida. As pessoas, num modo geral, sentem-se inseguras nos relacionamentos comerciais e emocionais. Por isso usam diversos artifícios para enfrentar isso: documentos assinados, normas de atitudes, procedimentos diversos em público, grades nas janelas, etc. Todos são artifícios externos que nem sempre dão certo. O medo como fator interno deve ser superado internamente.

Se refletirmos um pouco veremos que o medo é usado hoje como forma de coerção e controle. Inclusive nós mesmos, muitas vezes, o usamos exatamente desta mesma forma para manter o controle da situação quando nossos argumentos não surtem resultados positivos. Normalmente agimos assim com quem temos ascendência (filhos, empregados, etc.) ao invés de aproveitar a oportunidade e serenamente encontrarmos outra maneira de convencer quem quer que seja.

Há quem diga que a passagem e o consequente alinhamento do nosso sistema solar com o centro da galáxia, em 2012, farão ocorrer eventos capazes de causar o fim desta era do medo. Diz-se que nesta ocasião a humanidade subirá um degrau na espiral evolutiva.

Voltando à nossa linha de raciocínio, lembro de uma passagem do filme Apocalito, dirigido pelo Mel Gibson, onde um guerreiro indio em determinado momento ensina o filho a não levar o medo para dentro da aldeia a fim de não contaminar os demais. Mais tarde, diante da morte inevitável, o guerreiro demonstra ao filho extrema serenidade. Acredito que poucos, em nossos dias, estariam na condição mental de enfrentar a morte com tamanha serenidade. Todavia estas cenas do filme nos mostram algo que merece ser alcançado: Serenidade.

Existem muitas formas de alcançá-la, mas todas dependem exclusivamente de nós mesmos. Podemos usar o ritmo que é uma lei universal a nosso favor na busca desta meta. Certa vez ouvi alguém falando que, antes de agir, devemos decidir a ordem prioritária das atividades. Vivendo num ritmo ordenado e harmônico durante as atividades diárias e fazendo isso de forma voluntária, teremos uma distribuição de atividades e horários regulares de modo flexível onde poderemos dedicar atenção adequada a cada ato, conscientes de que o mais importante está sendo feito. Uma vida ritmada extingue a ansiedade e nos permite direcionar a atenção, o pensamento e nossos sentimentos para cada momento presente e não em divagações sobre um futuro esperado que talvez nunca chegue. Agindo assim, a rotina diária não mais incomodará. A percepção de que a vida é o eterno agora nos liberta dos limites do tempo e passamos a sentir prazer a cada instante. Observe a atitude de quem passou por um evento de quase morte. Seus valores mudaram.

Quanto mais penetrarmos no eterno presente, vivenciando cada instante e usando sabiamente as pausas entre uma atividade e outra, poderemos vivenciar a sensação de imortalidade tal como a sentimos no intervalo entre uma encarnação e outra. O fato de aproveitarmos com sabedoria a pausa entre uma tarefa e outra, propicia estarmos restaurados ao começarmos cada nova tarefa. Desta forma os períodos maiores de repouso, tão necessários para a saúde, serão mais eficientes já que não estaremos desgastados mas apenas cansados.

Houve um tempo em que povos antigos faziam cerimônias e rituais para alcançar uma vida cadenciada. Algum tempo atrás era comum a família sentar-se à mesa e ninguém se servia antes que se fizesse uma prece de agradecimento. Percebe-se hoje pessoas sem tempo para sentar-se ao fazer certas refeições. Parece que estão sempre atrasadas. A falta de tempo impede que o cérebro tenha presteza para registrar o que a alma nos diz. O "alinhamento" com a alma é extremamente favorável para gerar em nós paz e serenidade.

Se praticarmos por longo tempo pequenos períodos de descanso para o cérebro, sem ansiedades ou expectativas, onde passamos a assistir o que se passa em nossa mente e nas sensações do nosso corpo, chegará um momento em que as coisas externas não mais abalarão nossa serenidade. Então sim estaremos aptos a viver a vida em toda sua plenitude podendo, inclusive, ajudar pessoas necessitadas de paz interior.

Que possamos todos ter uma semana de Paz, Harmonia e Serenidade.

domingo, 6 de março de 2011

Transformação

Diferentemente da informação, o conhecimento real é algo a ser alcançado através de uma prática. De nada vale a informação se seu conteúdo não for colocado em uso. A informação refere-se ao saber intelectual enquanto que o conhecimento é algo que foi assimilado a partir do domínio de seu uso no dia a dia.

Quando o corpo retorna aos seus componentes originais com a sua morte, o intelecto desaparece e a consciência, que é um atributo da alma, leva consigo apenas o que foi assimilado durante a última encarnação. Somos portanto, o somatório deste conhecimento acumulado ao longo de muitas encarnações.

Somente a vivência de determinada informação é que nos leva ao verdadeiro conhecimento. Por isso dizemos que o verdadeiro conhecimento não é adquirido nas escolas. Lá apenas acumulamos informações.

A nossa transformação evolutiva portanto não é feita a partir das informações, mas do conhecimento adquirido pelo emprego adequado das informações que vamos catalogando ao longo da vida.

Hoje acredita-se que existam vários níveis de consciência além do físico, emocional e mental. Também acredita-se que as leis naturais de um nível de consciência o regem exclusivamente não servindo a outro.

Como ilustração podemos citar que os vegetarianos dizem que o reino vegetal segue uma lei superior a reino humano: a da doação pura. Por esta lei, os vegetais teriam sua finalidade em servir os reinos superiores ao seu. Assim, uma fruta, por exemplo, não sofreria ao ser usada como alimento. Outros defendem que o reino vegetal está num estado de consciência semelhante ao sono sem sonhos e portanto não sentiria dor ao ser consumida. O importante aqui é percebermos que existem níveis diferenciados de consciência.

Muito se fala hoje nas mudanças que ocorrerão no nosso planeta quando o nosso sistema solar alinhar-se com o centro da galáxia. Cita-se que o eixo magnético da Terra mudará de posição e ocorrerão várias transformações na sua crosta.

Hoje já percebemos que a poluição ambiental, o derretimento das calotas polares além de várias alterações climáticas estão acontecendo. Muitos destes fatores só estão acontecendo pela maneira com que a humanidade vem vivendo.

Embora a maioria saiba disso, poucos são os que se dispõe a mudar sua forma de vida. Isto nos remete ao ponto inicial: muitos possuem a informação, mas não a transformaram em conhecimento real. O que se observa é que prevendo catástrofes, pensa-se em armazenar mantimentos e água quando o mais correto seria mudarmos a maneira de viver. Somente se tivéssemos vivido com esta consciência teríamos evitado muitos dos problemas pelos quais a Terra está passando. Isto sim, seria uma elevação do nosso nível de consciência para um mais elevado.

Por que então não agimos assim? Porque estamos acostumados a pensar e decidir pelas leis do plano físico. O intelecto, que é físico, só sabe trabalhar com as leis do plano físico.

A verdadeira mudança acontece através da compreensão de que precisamos nos harmonizar com leis de planos superiores de consciência e passarmos a viver de acordo com elas. Isto propiciará que nossa compreensão seja alargada cada vez mais. Porém, precisamos estar dispostos a esta mudança, pois "que nada muda se você não mudar"(letra da música Companheiro - Maria Eugenia).

Acredito sinceramente que este seria o caminho mais correto para se viver numa época de grandes e rápidas transformações como as que o nosso planeta está passando.

Que possamos ter uma semana de Paz e Harmonia.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Intuição

Dentro de nossa consciência, em níveis mais profundos do que a objetiva, existem soluções prontas para todos os nossos problemas. Quando descobrimos e passamos a acreditar nisso, damos um grande passo em nosso desenvolvimento. A intuição é a ferramenta que o nosso Eu Superior tem para responder nossas questões. Precisamos, todavia, deixá-la fluir livremente, sem sentimentos, emoções, preconceitos ou mesmo desejos e idéias sobre o que vem do mundo interior.

Esta atitude é importante para desobstruir a comunicação com este mundo interno. Através da intuição alcançamos a compreensão sobre algo do qual tenhamos dúvidas. Ela acontece sem que tenhamos que raciocinar. Ela independe da nossa atividade mental. Quando acontece sempre é entre um pensamento e outro. Os pensamentos estão em constante movimento. Vem um pensamento seguido de outro e mais outro. No entanto sempre há uma espaço vazio entre um pensamento e outro. Quando nos tornamos conscientes deste espaço, podemos fazer com que ele se amplie. Este domínio é importante porque quanto maior consciência tivermos dos espaços entre os pensamentos, com mais clareza e definição a intuição será captada.

Poucas pessoas sabem que se perguntarem algo ao seu inconsciente, obterão a resposta adequada à sua questão. Para isso basta estar receptivo.

Existem diversas maneiras de perguntar ao nosso inconsciente. Há pessoas que formulam as suas perguntas em voz alta, como se estivessem conversando com alguém. Outros fazem suas perguntas mentalmente voltadas para o seu interior. Há ainda aqueles que escrevem suas questões para fixar com mais clareza aquilo que querem saber. Por fim há pessoas que não formulam perguntas. Estas pensam no problema que as aflige e depois ficam como se fosse um expectador deixando sua mente livre.

O importante é que haja uma intensidade ao formularmos nossa questão ou pensarmos no nosso problema afim de plasmar as idéias de modo a que elas sejam claras e coerentes. Devemos articular como se fosse um projeto com começo, meio e fim. Quando conseguimos este estado de concentração sobre nossa pergunta, devemos liberá-la para o mundo interno desapegadamente. Do desapego com que a liberamos, vem um equilíbrio e uma paz, pois confiamos em nosso Eu superior e isso propicia que a intuição aconteça.

Porém, se nos concentrarmos excessivamente com ansiedade impedimos que a resposta venha, já que nossas expectativas agem como obstáculo entre nós e o mundo interno. Por outro lado, se não dedicarmos atenção suficiente, o apelo não chegará às camadas superiores do nosso ser onde está a solução. Percebe-se que há um equilíbrio a ser alcançado entre a pergunta e a espera. Este ponto de equilíbrio vem com a prática e dedicação. Uma boa medida é fazer esta prática um pouco antes de dormir. Assim não corremos o risco de atrapalhar o processo interno.

Portanto após formular a questão com clareza e liberá-la corretamente, devemos por de lado o assunto, não pensando mais nele para que nosso mundo interior possa agir sem interferências.

É bastante comum o principiante nesta prática insistir na mesma pergunta ou ainda ficar pensando no assunto e até mesmo cobrando uma resposta. Isto seria a mesma coisa como se mandássemos uma carta a alguém e ficássemos chamando o emissário constantemente de volta. Desta forma nossa carta nunca chegará ao destinatário. Precisamos ter fé em nós mesmo. Se não tivermos fé na sabedoria do nosso ser interno, nos envolveremos com questões psicológicas e intelectuais e assim, a mente estará inquieta deixando de cumprir o seu papel de espelho refletor.

Muitas vezes as respostas do nosso ser interior vem através de outra pessoa ou em forma de símbolo. Porisso toda vez que algo relacionado ao nosso questionamento interno acontecer devemos analizar com carinho.

Existem muitos fatores que costumam abafar uma discreta intuição. Podemos citar o orgulho, a crítica, o autoritarismo, a dissimulação, o apego, a curiosidade, a impaciência e a inflexibilidade mental.

É comum se fazer confusão entre os termos intuição e convicção pessoal. A convicção pessoal se faz de fora para dentro ao passo que a intuição brota de dentro para fora.

Em geral a intuição é mais nítida quando entramos em um estado de calma, com um vazio mental e estivermos totalmente receptivos. Os contatos com o mundo interior trazem alívio e sabedoria para o mundo consciente. A conscientização de que os pensamentos, as emoções, as nossas dores e o corpo físico não são a nossa essência ajuda-nos na interiorização.

Que possamos todos ter uma ótima semana de Paz e Harmonia.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Declarações de Crenças e Convicções Vitais

Há muitos anos atrás participei de um churrasco com os irmãos da Fraternidade da Rosa e da Cruz, em Foz do Iguaçú no Paraná. Naquele dia uma pessoa muito especial colocou em minhas mãos algumas fitas K7 contendo textos interessantes. Nós nos conhecemos naquela ocasião e, por isso mesmo, fiquei surpreendido com o seu desprendimento quando disponibilizou seu carro, enquanto dava atenção a outras pessoas, para que eu ouvisse alguns daqueles textos no toca- fitas.

Era um domingo com um sol maravilhoso. Cada fita K7 continha vários textos. Ouvi o primeiro, o segundo, o terceiro e então perdi a consciência de onde estava. A beleza e a profundidade das idéias me fizeram ficar parado no tempo. Algo despertou em mim naquele dia. Creio que foi mais um ponto de partida, nesta encarnação, para a busca por um sentido maior para viver do que apenas ter nascido.

Hoje, minha idéia sobre a finalidade da vida ampliou-se um pouco, mas como tudo está em movimento, como tudo muda, inclusive nossas verdades, sei que meus conceitos mudarão quando eu estiver preparado para uma nova verdade na espiral da evolução.

Aquele foi um momento muito importante para mim. A amabilidade e o desapego de uma pessoa propiciou o abrir de uma porta por onde pude passar para um outro nível de compreensão.

O psicólogo e escritor Antonio Roberto Soares escreveu muitos textos na área de desenvolvimento comportamental. O belíssimo e profundo texto, criado por ele, contido no video deste post, fala da relação do homem com o universo. Sei que existem sites nos quais este texto está disponível, porém a montagem do vídeo abaixo foi feita com a interpretação do saudoso Tonio Luna cuja voz é clara, pausada e inconfundível.

Pela profundidade das idéias acredito que talvez seja interessante ouvi-lo várias vezes e dedicar algum tempo para refletir sobre o mesmo a fim de alcançar uma maior compreensão de sua mensagem.

Que possamos todos ter uma semana de Paz e Harmonia.



Declaração de Crenças e Convicções Vitais


domingo, 16 de janeiro de 2011

Ansiedade

Morar na área rural tem vantagens e desvantagens. Se você é uma pessoa que tem uma visão romântica de como é a vida no campo e tem o sonho de residir junto à natureza, saiba que nem tudo é tranquilidade. Há um ditado gaúcho que diz: "Para viver no campo é preciso saber pastar". Em outras palavras ele nos quer dizer que é preciso em primeiro lugar, gostar de viver relativamente isolado e em segundo lugar, que é preciso possuir uma boa quantidade de conhecimentos práticos. Isto porque sempre haverá ocasiões em que pequenos consertos ou trabalhos rotineiros terão que ser realizados por você mesmo, a não ser que não se importe de perder tempo e gastar muito por pouco. Por fim, quem não é oriundo do campo tem de estar disposto a aprender tudo ou quase tudo sobre a atividade rural. Atualmente, o exodo rural causado por diversos fatores, faz com que a mão de obra (qualificada ou não) seja escassa.

Uma das vantagens que traz a vida junto à natureza é o ritmo diferenciado da cidade. Na área rural o ritmo é determinado pelos ciclos da mãe natureza. Não se pode fazer atalhos ou querer andar mais rápido do que os ciclos de cada coisa. Há um tempo certo para preparar a terra, para plantar e para colher. Os animais tem o seu próprio ciclo. Enfim, é preciso compreender e respeitar uma das leis da natureza: a lei do ritmo.

E ela nos diz: "Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações compensadas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação". (O Caibalion)

Na prática esta lei se aplica a tudo. No entanto, junto à natureza, tem-se mais consciência dela no dia a dia.

Depois de algum tempo vivendo dentro desse ritmo natural, percebe-se que o nosso nível de stress diminuiu e que só sentimos ansiedade quando estamos na cidade mais do que algumas horas.

Ansiedade, o mal do século. Estima-se que ao longo da vida pelo menos um em cada quatro norte-americanos irá sofrer de uma ansiedade ou preocupação de intensidade debilitante. A situação em outros grandes centros não é muito diferente. Níveis excessivos de ansiedade não servem a nenhum objetivo útil, mas atrapalham a felicidade interferindo na realização de nossos desejos.

Segundo o Dr. Howard Cutler, o cérebro humano é preparado para registrar as emoções do medo e da preocupação para nos proteger em situações de perigo. O problema é quando os sentimentos de medo e ansiedade persistem e se agravam mesmo na ausência de um perigo real. A ansiedade e a preocupação excessivas podem causar problemas na mente e no corpo transformando-se em sofrimento emocional ou mesmo enfermidade física.

Quando estamos conscientes deste problema, procuramos estratégias para lidar com a ansiedade. Dentre as diversas técnicas para diminuir a ansiedade, uma se sobressai por ser especialmente eficaz: a intervenção cognitiva. Esta técnica envolve um enérgico questionamento dos pensamentos geradores da ansiedade, bem como a sua substituição por atitudes e pensamentos positivos bem ponderados.

Perguntado como lidar com a ansiedade, S.S. o Dalai Lama respondeu: "se a situação ou problema causador da ansiedade for tal que possa ser resolvido, não há necessidade de preocupação. Por outro lado, se não houver saída, se não houver solução para o problema, também não fará sentido nos preocuparmos já que nada poderemos fazer a respeito do mesmo". Neste caso quanto mais rápido aceitarmos esse fato, menos ele nos incomodará. É claro, que esta fórmula implica em enfrentarmos diretamente o problema. Porque se não for assim, nunca descobriremos se existe ou não solução para ele.

Exercícios de relaxamento, quando praticados rotineiramente, também ajudam a equilibrar nossas energias.

O áudio a seguir é um destes exercícios capazes de nos fazer relaxar. Ele foi colocado aqui apenas como um exemplo para aqueles que nunca fizeram um exercício semelhante. Portanto, para aqueles que desejarem ouvi-lo, sugiro que se sentem confortavelmente e em paz. Acompanhem as sugestões de visualização que ele contém. Evidentemente, com uma melodia suave de fundo, qualquer um pode e deve fazer seu relaxamento usando suas próprias visualizações e sugestões.

Que possamos todos ter uma semana de Paz e Harmonia.

Relaxamento

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Você Aprende

Willian Shakespeare é considerado o mais importante dramaturgo e escritor de todos os tempos. Seus textos literários são verdadeiras obras de arte e permanecem vivos até os dias de hoje. Recebi recentemente um de seus textos em forma de pps que gostaria de compartilhar com vocês pela simplicidade, beleza e verdade.