domingo, 29 de dezembro de 2013

Memória e Imaginação



                Todos nós somos dotados com uma memória que nos possibilita relembrar eventos passados para podermos conviver adequadamente ou resolver algum problema. Fico pensando como seria nossa vida se não conseguíssemos lembrar quem são as pessoas do nosso convívio ou de como se resolve um problema de matemática que tenhamos aprendido no dia anterior.

                Certa vez assisti ao filme “Como se fosse a primeira vez”. Era a história de uma mulher que não conseguia lembrar-se das coisas que ocorreram com ela no dia anterior. O mocinho que se apaixonou por ela, tinha que conquistá-la todos os dias já que ela não se lembrava do dia anterior.

                Esta reflexão nos mostra como a memória é tão importante para conseguirmos viver neste mundo. Recentemente li que produzimos aproximadamente 60 milhões de pensamentos num dia normal e que 95% deles são lembranças de dias anteriores trazidas da memória. Apenas 5% são pensamentos novos. Isto começa a ser um problema quando uma pessoa (na verdade a grande maioria) tem o hábito de remoer eventos negativos.

                Sabemos que os pensamentos afetam a química do corpo. Portanto lembrar e relembrar os momentos, ditos ruins, da vida acaba se tornando um hábito extremamente nocivo à saúde. Se refletirmos atentamente nós veremos que não temos o controle eventos deste mundo. Não podemos controlar o trânsito caótico ou o humor das pessoas a nossa volta, mas podemos controlar a nossa atitude em relação estas coisas. A nossa mente é a única coisa que temos certamente o poder de controlar . E a mente é a ferramenta de criação do mundo particular de cada um.

                Vamos voltar um pouquinho à questão dos hábitos. Sabemos que o hábito de fumar é nocivo à nossa saúde. Tudo começa como uma experiência. Fumamos um e ele não nos parece bom, mas se por alguma razão continuarmos a fumar por algum tempo, nosso organismo se adapta e quando tentamos deixar de fumar ele reclama.
               Lembro como foi comigo. Eu tinha aproximadamente 14 anos quando tive acesso a um maço de cigarros. A sensação de uma experiência nova e na ocasião, proibida para um adolescente me fez sentir importante. O gosto era horrível. Todavia me senti  "importante" igual aos mais velhos embora não entendesse como alguém poderia apreciar aquele gosto. Há momentos, na vida, que prestamos atenção àquela voz silente dentro de nós e para mim ela disse: “Porque continuar com isso se tu não estás apreciando o gosto”? Felizmente eu a escutei e vagarosamente fui jogando fora um a um os cigarros restantes.

                O hábito de remoer dissabores também se adquire pela repetição. Se toda vez que nos acontece algo que não é agradável tivermos o hábito de refletir para procurar a lição que certamente existe em cada evento, mudaríamos o enfoque e o sofrimento não existiria. Toda dificuldade é um degrau no nosso aprendizado. Uma vez compreendido, evoluímos.

                Imaginação é a capacidade que temos de criar ou inventar. Lembram-se daqueles 5% de pensamentos novos. Eles são gerados através do uso da imaginação. Ainda nos dias de hoje pensadores bem preparados usam apenas um centésimo de 1% do potencial da mente. Portanto exercitar a imaginação nos transformará em pessoas criativas e bem sucedidas capazes de exercer o domínio sobre nossa mente para criarmos o nosso mundo individual da forma como quisermos.

                Em Paz e Harmonia.

domingo, 15 de dezembro de 2013

O amor ao próximo


            A vida é um constante fluir de experiências. Desde cedo aprendemos a buscar o pão de cada dia para sobrevivermos neste mundo. Na maioria das vezes somos gentis e amáveis com patrões, clientes, conhecidos e desconhecidos porque de alguma forma, talvez inconscientemente, acreditemos que eles serão úteis para nossa sobrevivência ou para nossa satisfação íntima. No entanto, quando se trata dos que estão mais próximos de nós (filhos, esposa, marido, irmãos, etc.), há uma tendência global de não sermos tão amáveis ou gentis.

            Não importa aqui tentar explicar a razão para este comportamento, até porque não temos competência para tal, mas basta observarmos para ver que isto acontece constantemente em relacionamentos de pessoas intelectuais, mas também nos relacionamentos de pessoas simples.

            A célebre frase do Mestre dos mestres diz: “ama o próximo como a ti mesmo” e creio que nos dias de hoje poderíamos acrescentar: principalmente quando a pessoa estiver mais próxima de ti. O fato é que muitas vezes descuidamos daqueles que participam mais de perto da nossa jornada nesta vida e  assim deixamos de lado a maior oportunidade de amar.

            O amor é a energia que torna a vida mais bela e nos dá forças para superar as dificuldades. Sem amor, até os mais ricos não passam de miseráveis internamente. É preciso ser grande internamente para dizer com sinceridade a quem, embora conosco, tenhamos deixado de dar a devida atenção: “obrigado por existir na minha vida. Desculpe se não lhe dei a atenção que você merece”.

            É bastante lógico supor que, quem nasceu em nosso grupo familiar, para ali veio a fim de vivenciar experiências comuns e por isso não são menos importantes que as demais pessoas que cruzam nosso caminho. Na verdade temos uma dívida de amor para com estes, pois com a sua participação mais constante em nossa vida ajudam nosso crescimento interior.
             Doar-se é enfim um gesto de amor. Dar atenção, carinho e principalmente compreensão torna-nos seres dignos e merecedores da maior dádiva: a vida.
              Em Paz e Harmonia.