quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Raiva e Ódio


De todas as emoções que nos afligem tanto o ódio como a raiva situa-se na parte mais alta de todos os males. Estes dois sentimentos são tão parecidos que talvez alguma pessoa ache que são iguais.


O dicionário define raiva como a privação de raciocínio lógico, falta de calma, distúrbio do equilíbrio emocional e o ódio como um sentimento de profunda antipatia, desgosto, aversão, raiva, rancor profundo, horror, inimizade ou repulsa contra uma pessoa ou algo, assim como o desejo de evitar, limitar ou destruir o seu objetivo.


Assim vemos que o ódio é mais profundo que a raiva. Enquanto a raiva seria mais uma emoção, o ódio seria, predominantemente, um sentimento. O que é certo, segundo a medicina, é que ambos são nocivos à nossa saúde.


A raiva aumenta significativamente os riscos de ter algum problema sério de saúde. Durante um acesso de raiva nossos vasos sanguíneos se contraem aumentando a pressão arterial e aumenta a agregação de placas causando uma oclusão das coronárias que como consequência poderá causar um infarto do miocárdio. Fora isso, se a pessoa for alérgica poderá ter uma crise ou se tiver uma úlcera digestiva terá seu estado agravado.


Médicos pesquisadores descobriram que as pessoas que se irritam têm três vezes mais probabilidades de sofrer um infarto do que aquelas que encaram as adversidades com mais calma e serenidade. Segundo eles, isso ocorre porque o organismo libera uma carga extra de adrenalina no sangue e é essa adrenalina que causa os efeitos citados acima.


Já se sabe que quem fuma tem até cinco vezes mais possibilidades de sofrer um ataque cardíaco, pessoas de vida sedentária apresentam risco 50% maior de ter problemas de coração. Agora, depois de muitos estudos sabe-se que a influência da raiva no desenvolvimento de doenças cardíacas é comparável a essas causas anteriormente conhecidas, e mais, independentemente delas. Isso quer dizer que, se a pessoa não tiver nenhuma dessas condições relacionadas ao desenvolvimento de doenças cardíacas, mas for raivosa, estará igualmente sujeito a elas.


A raiva sendo apenas uma emoção gera apenas estresse e não mágoa. Já o ódio sendo um sentimento provoca mágoa crônica, angústia e frustração. Ele consome o equilíbrio interno e sendo mais durável é compatível com um câncer, com arteriosclerose, com diabetes ou hipertensão crônica.


Observando a natureza podemos perceber que até mesmo animais podem sentir raiva quando defendem o seu território ou lutam por uma fêmea. No entanto passada a causa do evento eles voltam a ter um comportamento normal sem mágoa alguma.


No livro A arte de lidar com a raiva, escrito a partir de palestras do Dalai Lama, ele cita que em termos gerais o propósito da nossa existência seria a busca da felicidade e da realização e que para experimentar mais plenamente esse nível de alegria e felicidade a chave é a atitude mental da pessoa. Ele ressalta alguns fatores que contribuem para alcançarmos a felicidade: saúde, conforto (mesmo que com simplicidade) e um círculo de amigos.


Por ser muito interessante a abordagem feita sobre o assunto vou transcrever a seguir um excerto do livro.
Para que possamos aproveitar plenamente, com o objetivo de desfrutar uma vida feliz e realizada, o estado de espírito da pessoa é crucial. Se há pensamentos de ódio lá no fundo, ou uma raiva forte e intensa, a saúde fica arruinada. Com isso um dos fatores que contribuem para a felicidade é destruído. Mesmo quando se tenha bens maravilhosos, a pessoa sente vontade, num momento de raiva ou ódio, de jogar tudo fora, de quebrar tudo. Portanto não há garantia de que a riqueza por si só possa proporcionar a alegria ou a realização que procuramos. Da mesma forma quando se experimenta um estado de intensa raiva ou ódio, até mesmo um amigo íntimo parece frio e distante, talvez irritante.


O que isso indica é que o nosso estado de espírito é crucial para determinar se vamos ou não encontrar alegria e felicidade. Assim quanto maior o nível de serenidade da mente, maior a paz de espírito e maior a capacidade de desfrutar uma vida alegre e feliz.


Cabe ressaltar, no entanto, que quando falamos num estado de serenidade mental ou paz de espírito, não devemos confundir com um estado de completa insensibilidade e apatia em que não há sentimento, como se a pessoa estivesse completamente vazia. Não é a isto que nos referimos quando falamos de serenidade da mente e paz de espírito. A genuína paz de espírito está enraizada na afeição e compaixão. Há um nível elevado de sensibilidade e sentimento envolvido. Portanto, enquanto carecermos de disciplina interior, de serenidade da mente, nunca poderemos alcançar o sentimento de alegria e de felicidade que procuramos, quaisquer que sejam as facilidades ou condições externas que possamos ter. Por outro lado, se possuímos essa qualidade interior é possível levar uma vida alegre e feliz, mesmo que não tenhamos as circunstâncias externas que são normalmente consideradas necessárias para isso.


Se examinarmos como surgem os pensamentos de raiva ou ódio, vamos descobrir que, de um modo geral, ocorrem quando nos sentimos magoados, quando sentimos que fomos tratados com injustiça por alguém, ao contrário de nossas expectativas. Se no mesmo instante, analisarmos a maneira como a raiva aflora, poderemos observar que contém um elemento protetor, como se fosse um amigo para ajudar em nossa batalha, ou a consumar a vingança contra a pessoa que nos infligiu tanto mal. Ou seja, o pensamento de raiva ou ódio apresenta-se como um escudo, como uma proteção. Na realidade, porém, isso não passa de uma ilusão. É um estado mental distorcido.


Se alguém foi tratado com injustiça e a situação não foi resolvida, as consequências para a pessoa responsável podem ser extremamente negativas. Uma situação assim exige uma neutralização forte. Em tais circunstâncias, é possível que, por compaixão pelo responsável e sem gerar raiva ou ódio, a pessoa assuma uma posição firme e adote contramedidas vigorosas.

Desejo a você uma semana de paz e harmonia.

domingo, 16 de setembro de 2012

Sabemos Escolher?

            Tomar a decisão correta sobre nosso destino torna-se um fator da mais alta relevância. Normalmente ao tomarmos uma decisão o fazemos baseados em nossa experiência. Quando não possuímos conhecimento em determinada área temos de aprender mais sobre o assunto ou aceitar a opinião de quem domina a área em questão. A nossa decisão produzirá resultados que serão bons ou razoáveis se nossa escolha foi acertada e resultados medíocres ou ruins se a escolha foi errada.
            A meu ver o caos em que se encontra o mundo hoje é consequência de escolhas mal feitas. Mais uma vez estamos em plena campanha eleitoral. A exceção do Distrito Federal a população escolherá representantes para os municípios. Vivemos numa democracia – “o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Isto na verdade é apenas um slogan, pois o povo, como um todo, não pode deter o poder. Por isso ele tem de delegar este poder. Assim, na verdade, não é o povo que governa, mas as pessoas que são escolhidas pelo povo. Quais os critérios desta escolha? Como se administra esta escolha? O povo é capaz de escolher a pessoa certa? Será que ele foi treinado, educado para esta vida democrática? Na verdade não. Os interesses dos que detêm o poder é manter o povo exatamente assim porque as massas ignorantes podem ser exploradas e manobradas com facilidade.
            Normalmente as pessoas votam por questões arbitrárias. Alguém fala bem e é um bom orador e por isso passa uma imagem bonita, mas isto não significa que ele será um bom vereador, prefeito, governador ou presidente. Será que as pessoas já tomaram consciência da maneira como votam? Que critério usam? Fico pensando como se poderia mudar o quadro político que vivenciamos atualmente. O Brasil sempre foi um país de conchavos. Na mudança do império para a República, D. Pedro (pai) diz ao seu filho: “Se é para qualquer aventureiro tomar o poder, melhor que seja para você, meu filho”. Algum tempo depois se ouviu o Grito do Ipiranga.
            Para mudar é preciso que haja uma tomada de consciência muito grande de todos os brasileiros. Sou bastante propenso a concordar com a visão do filósofo Bhagwan Shree Rajneesh.
Quando vivo ele defendia a idéia de que o mundo deveria viver num regime chamado “meritocracia”. Segundo ele “meritocracia” significa que só as pessoas instruídas numa determinada área deveriam ter permissão para votar nesta área. Por exemplo: somente os educadores do país deveriam votar no cargo de ministro da educação. Talvez então tivéssemos o melhor ministro da educação possível. Da mesma forma só votariam para ministro das finanças apenas pessoas que conhecessem profundamente finanças e assim por diante em todas as áreas em que seriam necessários ministros. Uma vez escolhidos os ministros, teríamos a “nata” da genialidade que por sua vez, escolheria o presidente ou o primeiro-ministro.
            Atualmente ao atingir 16 anos considera-se a pessoa apta para votar. Mas só o fato de fazer 16 anos não é suficiente para uma pessoa saber escolher certo. Em geral alguém com esta idade  não têm experiência nenhuma dos problemas da vida e suas complexidades. Com certeza uma pessoa com pós-graduação em determinada área saberá escolher muito melhor dentro da sua área. Desta maneira teríamos um governo instruído, competente e culto. Qualidades necessárias para levar a bom têrmo o País. Cabe ressaltar que além de todas estas qualidades é imperativo que a honra seja parte intrínseca do caráter daqueles que irão decidir os destinos de todos nós.
            Eu sei que esta postagem parece fugir da finalidade deste blog, mas como disse Gandhi: "quando um indivíduo evolui, o grupo a que ele pertence também evolui".  Façamos, portanto, a nossa parte.
            Finalizando, deixo para reflexão, o vídeo com a belíssima interpretação de Rolando Boldrin da montagem de um texto da poetisa Cleide Canton com uma fala de Rui Barbosa, pois ele é adequado aos tempos atuais.
            Que tenhamos uma semana mais consciente em Paz e Harmonia.