domingo, 5 de maio de 2013

O Poder do Agora - Parte 12

     Tenho encontrado pessoas que tem muitas dúvidas, mas também pessoas que são sempre negativas, do contra a tudo que aparece.  Aquele que é do contra mostra que já adotou um posicionamento. Já tem um preconceito e só lhe sobra tentar provar que seu preconceito é o certo. Olhando por este lado a dúvida não é tão ruim assim. A dúvida significa que aquela pessoa ainda não tem um conceito formado e porisso sua mente ainda está aberta para analizar o novo sem nenhuma tendência. Assim, a dúvida é um ótimo ponto para começar sua investigação. Diz-se que a dúvida é espiritual enquanto que a negatividade é doentia.
 
     Portanto quando tomarmos conhecimento de algo novo é sábio refletirmos antes de emitirmos qualquer parecer.
 
     Ao respeitavel leitor desejo uma semana cheia de experiências novas em Paz e Harmonia.


Continuação do livro O Poder do Agora de Eckahrt Tolle

A chave para a dimensão espiritual

 
Em situações em que a nossa vida está ameaçada pode ocorrer naturalmente essa mudança na consciência do tempo para o momento presente. A personalidade que tem um passado e um futuro retrocede e é substituída por uma presença consciente intensa, serena, mas, ao mesmo tempo, alerta. Sempre que uma reação se faz necessária, ela surge desse estado de consciência.

 
Muitas pessoas, embora não percebam, gostam de se envolver em atividades perigosas, como escaladas de montanhas, corridas de automóvel, voos de asa-delta, pela simples razão de que essas atividades as trazem para o Agora, livre do tempo, dos problemas, dos pensamentos e das obrigações pessoais. Nesses casos, desvia sua atenção do momento presente, nem que seja por um segundo, pode significar a morte. Infelizmente, essas pessoas passam a depender de uma atividade em particular para ficarem nesse estado. Mas você não precisa escalar a face norte do Eiger. Você pode entrar nesse estado agora.

 
Desde a antiguidade, mestres espirituais de todas as tradições apontam o Agora como a chave para a dimensão espiritual. Mas parece que isso permaneceu como um segredo. Com certeza, não é ensinado em igrejas ou em templos. Se você vai a uma igreja, pode ouvir passagens do Evangelho como “Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo”,ou “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus”. A profundidade e a natureza radical desses ensinamentos não são reconhecidas. Parece que ninguém percebe que os ensinamentos foram formulados para serem vividos e, dessa forma, provocarem uma profunda transformação interior.

 
Toda a essência do zen consiste em caminhar sobre o fio da navalha do Agora, em estar tão absolutamente presente que nenhum problema, nenhum sofrimento, nada que não seja quem somos em essência, possa permanecer em nós. No Agora, na ausência do tempo, todos os nossos problemas se dissolvem. O sofrimento precisa do tempo e não consegue sobreviver no Agora.

 
O grande mestre zen Rinzai, visando desviar a atenção de seus alunos do tempo, levantava o dedo com frequência e perguntava calmamente: “O que está faltando neste exato momento?” Uma pergunta poderosa, que não requer resposta no plano da mente. É formulada para conduzir uma atenção profunda para o Agora. Outra questão muito usada na tradição zen é: “Se não é agora, então quando?”.

 
O Agora é também um ponto central no ensinamento do sufismo, o braço místico do islamismo. Os sufistas têm um ditado que diz: “O sufista é filho do momento presente”. Rumi, grande poeta e mestre do sufismo, também ensina: “Passado e futuro ocultam Deus de nossa vista, ponha fogo em ambos”.

 
Mestre Eckhart, um mestre espiritual do século treze, resumiu tudo isto com poucas e belas palavras, ao afirmar: “O que impede a luz de nos alcançar é o tempo. Não há maior obstáculo para Deus do que o tempo”.

 
Nota do autor: Eiger - Pico dos Alpes Berneses, na Suiça, com 3.970 metros de altitude.
(Continua)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Poder do agora - parte 11


“Em vez de pedir as coisas que gostamos,

é mais sábio gostar do que temos. 

 

          Qual o propósito da vida? Sua Santidade o Dalai Lama diz que o propósito da nossa existência é a felicidade. Mas onde está a felicidade? Um homem com grande sabedoria disse que a vida é uma dádiva. Ela simplesmente nos foi dada de presente. Assim como a vida, o amor e a felicidade também são dádivas. Elas (as dádivas) não podem ser conquistadas. Não podem ser forçadas. Estas coisas simplesmente acontecem independente do nosso ego. Independente da nossa vontade.
 
          O esforço que fazemos em busca da felicidade são atividades do pequeno ego e não do Ser interior. Diz-se que a vida, a felicidade e o amor não podem ser forçados porque são presentes da vida do Todo. Com a primeira respiração inicia-se a vida. A partir daí o novo ser não pode por vontade própria prender sua respiração. Porisso dizemos que uma dádiva não é um direito. É um presente. É tolice pensar que através de esforço, trabalho, posição social ou qualquer outra forma de ação conquistaremos a felicidade.
 
          Assim como a vida é uma dádiva, tudo o que é inerente a ela também o é. Podemos esperar de forma receptiva por ela, mas não podemos exigir o direito a ela.
 
          Existe algumas coisas que se forem forçadas a acontecer acabam produzindo um efeito contrário, mas quando não há nenhuma interferência do ego elas simplesmente acontecem. Assim como a criação mental, a felicidade é uma destas coisas. Um exemplo mais simples que acredito todos já tenham vivenciado é o sono. Quando desejamos dormir não adianta ficar forçando o sono. É preciso relaxar sem nenhum esforço para que o sono aconteça.
 
          Como alcançar então a felicidade? O caminho não é buscá-la diretamente. A vida anda em círculos. Ela não é direta. Então parece ser mais fácil ser feliz sendo sutil. É como se tivessemos persuadindo-a  de forma indireta. O problema é que as pessoas definem padrões para serem felizes. Pensam que a felicidade virá com um carro novo ou com um barco ou ainda com uma conta bancária polpuda. Aí quando alcançam a meta estipulada, descobrem que tudo aquilo pode trazer conforto, alguma alegria temporária, mas com certeza não é felicidade.
 
          Esta conversa toda me lembrou a estória de um caipira que estava sendo visitado por um amigo bem sucedido da cidade. Estava o caipira sentado na rede com sua mulher enrolando um cigarro de palha quando o amigo lhe pergunta:
          - O amigo nunca pensou em evoluir e melhorar de vida?
          - Prá que? - respondeu o caipira.
          - Para comprar um carro novo ou uma casa nova.
          - Prá que? - insistiu o caipira.
          - Para ter uma vida melhor e viver tranquilamente.
          - Ora, eu já vivo em paz na minha casinha com a minha muiezinha. Num priciso fazê todo esti trabaio prá vivê bem.
 
          Bem alguém pode até concordar com o amigo rico e dizer que dinheiro não traz felicidade, mas ajuda.
          Não temos nada contra ganhar dinheiro para poder viver bem neste mundo, mas ele só serve para adquirir coisas mundanas. Ele só serve para satisfazer nossos desejos e necessidades físicas. Felicidade é um estado de espírito. Não é material. Conheço pessoas ricas e outras tantas pobres que são infelizes. Desejos partem do ego. É muito comum confundir-se paixão com amor ou felicidade com alguma alegria passageira.
          Parece que é preciso desligar-se. Abandonar o esforço. É um estado de entrega à vida sem tentarmos determinar como vamos ser felizes. As belezas da vida já estão aí. Não precisam ser conquistadas. A grande maioria das pessoas não acreditando, adiam a alegria de viver o momento presente.

          Uma ótima semana em paz e harmonia.

(Continuação do livro O Poder do Agora de Eckahrt Tolle)

O fim da ilusão do tempo

            É praticamente impossível deixarmos de nos identificar com a mente. Estamos mergulhados nela. Como se ensina um peixe a voar?

            O segredo está em acabar com a ilusão do tempo. O tempo e a mente são inseparáveis. Tire o tempo da mente e ele pára, a menos que você escolha utilizá-lo.

            Estar identificado com a mente é estar preso ao tempo. É a compulsão para vivermos quase exclusivamente através da memória ou da antecipação. Isso cria uma preocupação infinita com o passado e o futuro, e uma relutância em respeitar o momento presente e permitir que ele aconteça. Temos essa compulsão porque o passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e de realização. Ambos são ilusões.

            Mas, sem o tempo, qual seria a razão de nossa existência? Não teríamos objetivos a alcançar, nem mesmo saberíamos quem somos. O tempo é algo precioso e acho que precisamos aprender a utilizá-lo com sabedoria, em vez de desperdiçá-lo.

            O tempo não tem nada de precioso, porque é uma ilusão. Aquilo que achamos ser precioso não é o tempo, mas um ponto que está fora dele: o Agora. Isso é realmente precioso. Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o Agora, a coisa mais importante que existe.

            Por que o Agora é a coisa mais importante que existe? Primeiramente, porque é a única coisa. É tudo o que existe. O eterno presente é o espaço dentro do qual se desenvolve toda a nossa vida, o único fator que permanece constante. A vida é agora. Nunca houve uma época em que a nossa vida não fosse agora, nem haverá. Em segundo lugar, o Agora é o único ponto que pode nos conduzir para além das fronteiras limitadas da mente. É o nosso único ponto de acesso para a área atemporal e amorfa do Ser.

         Nada existe fora do Agora

            O passado e o futuro não são tão reais quanto o presente? Afinal, o passado determina quem somos e de que forma agimos no presente. E os nossos objetivos futuros determinam as atitudes que tomamos no presente.

            Você ainda não captou a essência do que estou dizendo por que está tentando entender mentalmente. A mente não pode entender esse assunto. Só você pode. Por favor, preste atenção ao seguinte:

            Você alguma vez vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Acha que conseguirá algum dia? É possível alguma coisa acontecer ou ser fora do Agora? A resposta é óbvia, não é mesmo?

            Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no Agora.

            Nada jamais irá acontecer no futuro, acontecerá no Agora.

            O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. Quando lembramos do passado, reativamos um traço da memória e fazemos isso agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro acontece, acontece como sendo o Agora. Quando pensamos sobre o futuro, fazemos isso no Agora. Obviamente o passado e o futuro não têm realidade própria. Do mesmo modo como a lua não tem luz própria e apenas reflete a luz do sol, o passado e o futuro são apenas reflexos pálidos da luz, do poder e da realidade do eterno presente. A realidade deles é “emprestada” do Agora.

            A essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parece vivo, irradia energia, emanada do Ser.
 
(Continua)