domingo, 27 de novembro de 2011

A simplicidade da vida

   Ao criar este blog eu sabia que não seria fácil mantê-lo em atividade. Criamos tantas atividades ao longo da vida que para atendê-las temos de nos desdobrar. As nossas metas, nossos ideais, nossos desejos são correntes que criamos com as quais nos acorrentamos.
   Hoje percebi que ainda não havia feito nenhuma postagem este mês que finda. Isto me fez lembrar da minha amiga Maria Neta. Outro dia ela chamou minha atenção para o fato de que eu estava escrevendo pouco aqui.
   Parei por alguns instantes a fim de pensar num tema para abordar aqui. Havia uma música tocando e sem me dar conta, eu viajei na magia da melodia. Naquele momento em que a atividade mental diminuiu uma sensação de prazer invadiu o meu ser envolto pelas vibrações da música.
   No cotidiano não nos damos conta de como a vida é simples quando a deixamos fluir sem interferências ou explicações. Realmente nós a complicamos com nossos desejos  e ideais.
   As nossas necessidades são poucas e simples. O ser humano necessita muito pouco para viver e sentir-se feliz. Pena que tenhamos sido programados para competir na sociedade atual.  Foram criados padrões de beleza, de sucesso, de comportamento. A mídia é usada para nos impingir estes padrões que uma vez aceitos, nos forçam a andar como uma boiada que vai para o matadouro. Passamos a lutar para conseguir satisfazer desejos que, as vezes, nem eram nossos. Há quem diga que desejo é uma necessidade enlouquecida. Quanto mais tentamos satisfazê-lo, mais ele pedirá.
   Há algum tempo atrás, convivi com um jovem que realizava, temporariamente, uma atividade na mesma área onde eu trabalhava aqui em Brasília. Ele era noivo e sua amada residia em Patos de Minas, MG. O pai da moça tinha um pequno comércio lá. Quase todo fim de semana ele viajava para vê-la. O emprego dele era estável com garantia de futuro. Certo dia ele veio se despedir porque se demitira para ir morar na cidade da noiva. Perguntei-lhe o que o motivara a tomar a decisão de abandonar um trabalho estável pela vida simples e até certo ponto insegura de uma cidade menor. Qual a minha surpresa quando ele me disse fora por causa de uma conversa que haviamos tido algum tempo atrás. Disse-me que refletira sobre o comentário que eu fizera de que nós precisávamos muito pouco para ser feliz e chegara a conclusão de que a sua felicidade estava lá e não aqui em Brasília. Mais tarde eu soube que ele realizara o seu sonho de casar com a moça.
   Vivemos em função das decisões que tomamos. Tomamos nossas decisões em função dos nossos desejos. Parece que começam a aparecer problemas quando temos muitos desejos e eles começam a ficar grandes demais.
   Dizem que a grande sabedoria da vida está em andarmos no caminho do meio. Mas até mesmo para trilharmos este caminho é preciso que não seja de forma forçada. Toda vez que tentamos suprimir algo, ele começa a se tornar significativo para nós. O problema reside na preocupação de viver de tal forma. Ocupar-se é bom. Nocivo é pré ocupar-se porque nos tornamos tensos. A naturalidade desaparece. Assim, se vez por outra saímos do caminho do meio, não há nada de errado com isso. O importante é que não nos culpemos por ter agido assim. Nenhum bem material irá conosco ao deixarmos este corpo. Os nossos sentimentos e as nossas experiências, isto sim é algo que vale a pena vivenciar da melhor maneira possível. Deixemos, pois a vida fluir sem culpas, sem mágoas, sem stress ... em paz.
   E assim, fica o meu desejo de que possamos viver em paz e harmonia até que nos encontremos outra vez.

domingo, 30 de outubro de 2011

Desiderata




Desiderata - Max Ehrmann


Ouça agora a sabedoria do sábio: "Siga placidamente em meio ao barulho e à pressa e lembre-se da paz que se encontra no silêncio. Tanto quanto possível, sem se humilhar, viva bem com todas as pessoas. Fale sua verdade clara e mansamente. Escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; eles também têm uma história para contar.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas; elas afligem o espírito. Se você se comparar com outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, pois sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Viva intensamente seus ideais e o que você já pode realizar. Mantenha-se interessado em sua carreira, por mais humilde que seja; ela é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. Tenha cautela nos negócios, pois o mundo é cheio de armadilhas. Mas não deixe que isso venha a cegá-lo para a presença da virtude; muitas pessoas lutam por grandes ideais e em todos os lugares a vida é cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Sobretudo não finja afeição. Nem seja cínico quanto ao amor; pois, diante de toda aridez e de todo o desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Aceite delicadamente o conselho dos anos, renunciando graciosamente às coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se em caso de um inesperado infortúnio. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão.

Ao lado de uma disciplina saudável, seja gentil consigo mesmo. Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas; você tem direito de estar aqui. E, quer você entenda, quer não, o universo está se desenrolando como deveria. Portanto, fique em paz com Deus, seja qual for a forma como você o concebe. E, quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na confusão ruidosa da vida, mantenha a paz em sua alma. A despeito de todas as fraudes, enganações e sonhos perdidos, este ainda é um mundo belo. Seja alegre. Esforce-se para ser feliz".

Este parece ser um documento intrigante mas com profundos conceitos. É necessário refletir sobre o texto, após lê-lo ou ouví-lo várias vezes afim de compreendê-los. Os direitos autorais pertencem a Max Ehrmann, todavia quem já leu todos os outros poemas deste autor refere-se a Desiderata como totalmente diferente das demais obras dele. É como se fosse uma gota de oleo na água. Não tem o seu estilo. Na primeira edição de um livro de Max Ehrmann registrado em 1927, onde consta este belo texto, há um comentário sobre a lenda de que este texto teria sido encontrado na igreja de St. Paul, em Baltimore, EUA, em 1684.

Curioso observar que certos documentos aparecem, desaparecem e tornam a aparecer de tempos em tempos. A exemplo de Desiderata, a voz do silêncio de Helena P. Blavatski, luz no caminho de Mabel Collins entre outros, sejam obras cujo conteúdo era mais antigo do que quando foi lançado por seus autores. Não estamos dizendo que estes autores não tenham escrito tais obras. Acreditamos que realmente as tenham escrito. O que se sugere é que de alguma forma eles vislumbraram um conhecimento que já existia. Diz-se que quando uma pessoa está adequadamente receptiva, uma verdade começa a fluir através dela e assim, algo valioso que estava esquecido, perdido, pode voltar como algo novo ocupando novamente um espaço em nossa fraca memória.

Vivemos num mundo ruidoso onde "tempo é dinheiro". Como se o dinheiro fosse a coisa mais importante. Dinheiro é importante apenas como um meio para alcançar algo. Um fenomeno interessante acontece quando de repente vemos muitas pessoas correndo numa direção. Temos a tendencia de correr também, mesmo sem saber porque. Assim, na vida passamos a obrigar nossos filhos a viverem uma vida stressante para que um dia eles possam ter melhores condições de competir neste mundo ruidoso. E quando chegarem lá, será que valeu a pena? Viver o momento presente, isto sim é o mais importante. O presente é a única coisa que existe. O passado já foi presente e o futuro ainda o será. Viver bem não significa necessariamente ter muito dinheiro. Todos sabemos que existem coisas que ele não compra. Sentimento é uma delas. Não se pode comprar verdadeiramente os sentimentos das pessoas.

A mensagem do texto acima é um chamado para uma maneira de viver cautelosa, mas verdadeira. "Seja você mesmo"; "busque a felicidade"; "não finja afeição"; "mantenha a paz em sua alma". É preciso parar, desligar a TV para não sofrer influência da mídia e então, repensar os nossos objetivos.

Que possamos alcançar a compreensão para vivermos em Paz e Harmonia.