domingo, 30 de outubro de 2011

Desiderata




Desiderata - Max Ehrmann


Ouça agora a sabedoria do sábio: "Siga placidamente em meio ao barulho e à pressa e lembre-se da paz que se encontra no silêncio. Tanto quanto possível, sem se humilhar, viva bem com todas as pessoas. Fale sua verdade clara e mansamente. Escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; eles também têm uma história para contar.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas; elas afligem o espírito. Se você se comparar com outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, pois sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Viva intensamente seus ideais e o que você já pode realizar. Mantenha-se interessado em sua carreira, por mais humilde que seja; ela é um verdadeiro tesouro na contínua mudança dos tempos. Tenha cautela nos negócios, pois o mundo é cheio de armadilhas. Mas não deixe que isso venha a cegá-lo para a presença da virtude; muitas pessoas lutam por grandes ideais e em todos os lugares a vida é cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Sobretudo não finja afeição. Nem seja cínico quanto ao amor; pois, diante de toda aridez e de todo o desencanto, ele é tão perene quanto a relva. Aceite delicadamente o conselho dos anos, renunciando graciosamente às coisas da juventude. Cultive a força do espírito para proteger-se em caso de um inesperado infortúnio. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão.

Ao lado de uma disciplina saudável, seja gentil consigo mesmo. Você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas; você tem direito de estar aqui. E, quer você entenda, quer não, o universo está se desenrolando como deveria. Portanto, fique em paz com Deus, seja qual for a forma como você o concebe. E, quaisquer que sejam seus trabalhos e aspirações, na confusão ruidosa da vida, mantenha a paz em sua alma. A despeito de todas as fraudes, enganações e sonhos perdidos, este ainda é um mundo belo. Seja alegre. Esforce-se para ser feliz".

Este parece ser um documento intrigante mas com profundos conceitos. É necessário refletir sobre o texto, após lê-lo ou ouví-lo várias vezes afim de compreendê-los. Os direitos autorais pertencem a Max Ehrmann, todavia quem já leu todos os outros poemas deste autor refere-se a Desiderata como totalmente diferente das demais obras dele. É como se fosse uma gota de oleo na água. Não tem o seu estilo. Na primeira edição de um livro de Max Ehrmann registrado em 1927, onde consta este belo texto, há um comentário sobre a lenda de que este texto teria sido encontrado na igreja de St. Paul, em Baltimore, EUA, em 1684.

Curioso observar que certos documentos aparecem, desaparecem e tornam a aparecer de tempos em tempos. A exemplo de Desiderata, a voz do silêncio de Helena P. Blavatski, luz no caminho de Mabel Collins entre outros, sejam obras cujo conteúdo era mais antigo do que quando foi lançado por seus autores. Não estamos dizendo que estes autores não tenham escrito tais obras. Acreditamos que realmente as tenham escrito. O que se sugere é que de alguma forma eles vislumbraram um conhecimento que já existia. Diz-se que quando uma pessoa está adequadamente receptiva, uma verdade começa a fluir através dela e assim, algo valioso que estava esquecido, perdido, pode voltar como algo novo ocupando novamente um espaço em nossa fraca memória.

Vivemos num mundo ruidoso onde "tempo é dinheiro". Como se o dinheiro fosse a coisa mais importante. Dinheiro é importante apenas como um meio para alcançar algo. Um fenomeno interessante acontece quando de repente vemos muitas pessoas correndo numa direção. Temos a tendencia de correr também, mesmo sem saber porque. Assim, na vida passamos a obrigar nossos filhos a viverem uma vida stressante para que um dia eles possam ter melhores condições de competir neste mundo ruidoso. E quando chegarem lá, será que valeu a pena? Viver o momento presente, isto sim é o mais importante. O presente é a única coisa que existe. O passado já foi presente e o futuro ainda o será. Viver bem não significa necessariamente ter muito dinheiro. Todos sabemos que existem coisas que ele não compra. Sentimento é uma delas. Não se pode comprar verdadeiramente os sentimentos das pessoas.

A mensagem do texto acima é um chamado para uma maneira de viver cautelosa, mas verdadeira. "Seja você mesmo"; "busque a felicidade"; "não finja afeição"; "mantenha a paz em sua alma". É preciso parar, desligar a TV para não sofrer influência da mídia e então, repensar os nossos objetivos.

Que possamos alcançar a compreensão para vivermos em Paz e Harmonia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Arrependimento

Há um momento, na vida de cada pessoa, em que ela alcança a compreensão de que a única coisa que realmente levará desta vida é a compreensão advinda das experiências aqui vivenciadas. Quando isto acontece pode-se dizer que um grande passo foi dado na evolução de tal pessoa.



Desde pequenos somos orientados a lutar pela sobrevivência. Para isso vamos à escola, fazemos faculdade buscando sempre conhecimentos que nos possibilitem conquistar um bom emprego para termos uma vida confortável. Tudo isso é necessário, mas neste percurso somos levados a mostrar sempre uma imagem bela de nós mesmo que, muitas vezes, ela não seja verdadeira. Este é o instante em que começamos a nos corromper no sentido de nos afastarmos do nosso verdadeiro eu. Nosso equilíbrio interior é quebrado. Criamos máscaras que usamos ao nos relacionarmos com outras pessoas. O fato de agirmos de forma a sempre parecermos bons é uma tentativa de sermos aceitos pela sociedade. Ninguém gosta de conviver com o lado ruim das pessoas. Mas isto é superficial.



Alguém já disse que se "arranharmos" a pintura externa do santo que se quer parecer, o lado verdadeiro aparece. Ou seja, basta, as vezes, uma pressão um pouco maior para tudo acontecer. Uma "fechada" no trânsito ou algo que fuja do nosso controle torna-se motivo suficiente para que a máscara caia. Então o que se faz ou diz mostra a nossa expressão verdadeira que estava por baixo da máscara. Quase sempre nos arrependemos posteriormente. Passada a tensão, nos mostramos arrependidos e pedimos desculpas por nossa atitude ou por alguma palavra rude que tenhamos proferido e que provavelmente magoou a outra pessoa. Aceita as desculpas tudo fica bem, seguimos nosssa vida, mas quando menos se espera novamente caímos no mesmo erro.



Por que isto acontece? Será que realmente estávamos arrependidos na vez anterior? Acredito que não. O que normalmente acontece é que passado o momento de raiva, vemos que a nossa imagem de bom moço ficou avariada e a única maneira de consertá-la é pedindo desculpas ou perdão. A pessoa que foi ofendida e estava magoada com a nossa atitude ou palavra, normalmente aceita as desculpas.



Na nossa mente a coisa acontece mais ou menos assim: se pedimos desculpas ou perdão por algo e a outra pessoa, também preocupada em parecer bom, nos perdoa, fica tudo bem e nos sentimos em paz com nossa imagem. Por outro lado, se ela não nos perdoar então, na maioria das vezes, também nos sentimos bem com nossa imagem porque fomos humildes e pedimos perdão e o problema passou a ser da outra pessoa que para nós passará a ser vista como uma pessoa ruim que não é capaz de perdoar. Neste caso jogamos a responsabilidade sobre o ofendido porque ele não foi bom e magnânimo para nos perdoar. Isto na verdade não é arrependimento. É apenas uma forma esperta de reparar a nossa imagem.



Eu tenho um amigo que de vez em quando usa uma expressão bastante humorada e que vou citar para ilustrar este fato. Ele brinca dizendo: "depois que inventaram o me perdoe, nunca mais matei ninguém".



No mundo atual todos se preocupam com a sua imagem. Usa-se esta forma de arrependimento para solucionar um ato que se pratica num momento de raiva ou desequilíbrio.



O verdadeiro arrependimento não se refere aos nossos atos, mas a toda uma qualidade de ser. Isto implica em alcançarmos uma profunda compreensão de que determinados padrões de nosso comportamento não são corretos e consequentemente será preciso uma mudança real nos nossos princípios.



Em aramaico, idioma que Jesus usava, o termo usado para arrependimento tinha o significado de retorno. Retorno à sua essência verdadeira. Ao equilíbrio interior. Retorno a um reto viver. Retorno à divina consciência que existe dentro de cada um e que alerta quanto ao certo ou errado.



Estamos enganando a nós mesmos. Esta atitude não melhora a nossa personalidade. Não melhora a única coisa que vamos levar quando o fim das experiências desta vida chegar. Hoje os valores estão em ordem inversa. Valorizamos vaidosamente o ego, aquilo que mostramos aos outros, em detrimento da nossa divina essência.



Que possamos todos ter uma ótima semana em Paz e Harmonia.