quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A difícil tarefa de mudar nossas verdades.

Todos nós, em alguma ocasião já passamos pela dificuldade de mudar um conceito que era tido como verdade por nós. Mesmo o fato de termos de mudar um tipo de atividade que já era rotineiramente realizada para um novo modelo, causa reações antagônicas.


Há alguns anos atrás eu trabalhava em um local por onde circulavam muitos documentos que eram redirecionados para várias subseções. Com o advento da informática, foi criado um programa de computador para controlar a situação de cada documento que ali entrasse e ele fosse redirecionado a fim de ser ter uma exata posição de cada documento e sua solução. Este trabalho até então era feito manualmente com a ajuda de pastas, assinaturas, etc. Embora o novo sistema fosse bem mais ágil e eficiente, muitas foram as reações à sua implantação. De tal monta foram estas reações contrárias que a chefia teve de usar de extrema energia para que os contrários aceitassem trabalhar no novo sistema.


Então uma pergunta parece gritar em nossa mente: por que é tão difícil aceitarmos uma mudança? Na semana passada comecei a ler o livro "Palavras de fogo" do Osho e nele encontrei uma interessante reflexão feita por este grande pensador sobre este assunto. Em determinada parte do livro o autor referindo-se ao fato de os judeus não terem aceitado Jesus como o Messias tão esperado por eles, assim como os hindus não aceitaram Buda, diz:


" Ele veio para ajudar; ele veio para preencher uma aspiração de eras, mas não o receberam. Isto é algo muito irônico, mas sempre aconteceu. Jesus nasceu judeu: os judeus não o aceitaram. Buda nasceu hindu: os hindus não o aceitaram. É assim que sempre foi. Por quê? Porque sempre que um homem como Jesus ou Buda nasce, ele é tanta rebelião que tudo que está estabelecido é abalado.


Um homem comum vive no passado - e para o homem comum o passado é mais importante, porque o passado já está estabelecido, enraizado. Ele tem muita coisa do passado em jogo, tem muito investimento no passado. Por exemplo, se de repente eu vou até você e lhe digo que o modo como você está rezando é errado e você esteve rezando deste modo por cinquenta ano - agora há muito em jogo. Acreditar em mim será acreditar que seus cinquenta anos foram inúteis. Acreditar em mim será desacreditar cinquenta anos de sua vida; acreditar em mim será acreditar que esteve sendo tolo durante cinquenta anos. Isto é demais! Você lutará. Você se defenderá.


E quando se trata de uma raça... Por milhares de anos aquele povo esteve fazendo certas coisas e, então, vem um Jesus e bota tudo de cabeça para baixo! Tudo vira um caos novamente. Ele dissolve o que estava estabelecido, ele arranca tudo o que se pensava ser muito significativo, cria uma confusão. Mas ele não podia deixar de fazê-lo, porque ele trazia a coisa certa. Mas durante séculos estiveram acreditando que outra coisa era o certo. O que escolher - Jesus ou a tradição?"


Todos sabem que eles escolheram a tradição e estão até hoje esperando o Messias. A espera se tornou mais importante que o Messias. Para exemplificar melhor, mais abaixo Osho diz:


"Eis porque vocês verão mais gente nova perto de mim e menos gente velha, porque gente nova não tem muitos interesses investidos no passado. Na verdade, um jovem tem um futuro; um velho tem somente passado. O futuro significa morte; sua vida inteira é passada. Assim, quando um homem de setenta anos vem a mim, é muito difícil mudá-lo, porque setenta anos lutarão comigo. Quando vem um garotinho de sete anos, um pequeno Sidarta, não há com o que lutar. Ele pode se render absolutamente, não há nada - ele não tem passado algum, só futuro. Ele pode ser aventureiro, ele pode correr riscos; ele não tem nada a perder. Mas um velho tem muito a perder. É por isso que, se vier um erudito - uma pessoa que sabe muito e não conhece nada, ele lutará muito; ele terá toda a sorte de argumentos, irá se defender. Ele tem muito a perder. Mas quando vem um inocente que diz: eu não sei muito, não, ele se sente a vontade para soltar as rédeas."


O tema é interessante, porque a partir do momento em que compreendemos a natureza ou estrutura da nossa mente, poderemos olhar e analizar conceitos diferentes dos nossos com a mente aberta. Isto nos dá liberdade.


A vida é um constante fluir mudando e evoluindo a cada instante. Hoje é diferente de ontem. Amanhã será diferente de hoje. Assim tem que ser, pois esta é a dinâmica da evolução. Pensar que aquilo em que acreditamos não mudará nunca é não acreditar na vida.


Que possamos todos vivenciar uma semana de Paz e Harmonia.

sábado, 23 de julho de 2011

O Supremo Ser

Na eterna busca pela compreensão de si mesmo e do universo, algumas perguntas não cessam de martelar a mente dos buscadores: Por que Deus teria nos criado? Qual a finalidade de estarmos aqui? Como entender um mundo divinamente criado, cheio de dores e sofrimento? As respostas dadas a estas e outras questões pelas religiões não conseguem satisfazer plenamente estas dúvidas. Já não se consegue aceitar a imagem de Deus semelhante a de um pai bonzinho que deu vida a outro ser: seu filho. Ficamos com a sensação de que são dois seres separados. Mas se Deus é o todo, então nada pode estar fora dele ou de sua consciência.


Há poucos dias atrás, eu organizava alguns livros que estavam empilhados no porão da minha casa, quando um, intitulado A Potência do Nada - O vazio incondicionado e a infinitude do Ser, despertou minha atenção de forma insistente. Na ocasião eu não sabia quem o colocara ali. Mais tarde fiquei sabendo que uma filha o havia adquirido. O fato é que comecei a lê-lo.


Neste livro o autor Marcelo Malheiros Galvez, discorre sobre o Criador, a criatura e o Universo. O autor entra na seara da física e mecânica quântica para fundamentar conclusões interessantes. A bem da verdade, devo dizer que estas conclusões suavizaram um pouco, em mim, as dúvidas que descrevi no início deste texto.


Assim, para dar um idéia melhor do conteúdo do livro, vou transcrever a seguir a introdução que foi feita para esta obra.


"A vida do homem transcorre entre três infinidades que assinalam o limite e a insuficiência do seu conhecimento racional o infinitamente pequeno, de que se ocupa a física quântica; o infinitamente grande, tratado hoje pela cosmologia relativística; e o infinitamente complexo, objeto do estudo da biologia, da psicologia, da filosofia e da religião. O homem - o infinitamente conplexo - "habita", espacialmente, o ponto médio entre o micro e o macrocosmo. Devido à natureza de nossa percepção, é lícito dizer que o conhecimento racional transita precisamente entre estes dois limites materiais cognitivos. De fato, não compreendemos - e isso significa "conhecer" ou descrever - o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, que, por estarem além da fronteira da sensibilidade, podem ser chamados de realidades transfinitas ou transcognitivas.


Isso não significa que não possamos ter acesso a elas, mas tal possibilidade, no entanto, dependerá do desenvolvimento de novas formas de percepção, conhecimento e compreensão que, certamente, possímos como capacidades latentes dentro de nós.


Este livro é, acima de tudo, um exercício de reflexão a respeito da natureza de tais realidades, sobretudo sobre o mistério de Deus. Na sua elaboração, o pensamento do autor evoluiu até o ponto de compreender que Deus, homem e Universo constituem três aspectos de uma mesma realidade. São uma trilogia eterna e inseparável. Deus "é" somente pelo homem manifestado em um Universo físico. Da mesma forma, o homem só realiza sua humanidade - e torna-se plenamente homem - quando expressa e manifesta Deus em si mesmo no processo da evolução, no âmbito do Universo. E este, o campo onde o jogo da Criação tem lugar, nada é sem as leis divinas que o estruturam e o impulsionam em seu dinamismo descendente e ascendente, involutivo e evolutivo.


Deus é o aspecto universal, Uno e Ideal da Criação, enquanto o homem constitui o aspecto manifestado, vivente, múltiplo dessa mesma Criação. O objetivo do homem é realizar e manifestar o aspecto universal e Ideal de Deus no Universo de infinitas maneiras (cada indivíduo é Deus em Sua universalidade e unicidade, mas também constitui um aspecto de Deus concretamente manifestado, particular e "vivo" - Deus é a vida do individuo). É nesse ponto que Deus , como Deus, nasce do espírito do homem e no Universo real.


A vida do Universo é um jogo divino entre as possibilidades ideais e suas infinitas maneiras de se expressar na vida. A vida só existe no Universo. O Universo é um Ser vivo. É Deus, como totalidade, brincando de esconde-esconde, evoluindo, conhecendo-se eterna e infinitamente. E uma das maiores diversões de Deus é "brincar" de ser homem. Contudo, por paradoxal que possa parecer - e o paradoxo parece ser a única maneira de falar de Deus, como totalidade de possibilidades -, Deus é ao mesmo tempo o criador do homem e também sua criatura; é o alfa, o início, e ômega, o fim. Deus é o alfa porque cria o Universo e a vida, e é o ômega porque é constantemente recriado por ela, de tal modo que a evolução do homem e do Universo é a evolução de Deus. Enfim, Deus é inteligência objetiva, amor ativo e vontade dinâmica que penetra cada partícula do Universo e de nossas almas e espíritos. Como Nada que é Tudo, é absoluta liberdade. Liberdade essa que deve manifestar-se pelo homem, que é, também, pura liberdade e em essencia, Deus.


Deus pode ser visto, ainda, como a interioridade una e universal que toma consciência de Si mesmo por meio do indivíduo que vive na exterioridade múltipla do mundo. Nesse sentido, o homem é o "lugar" onde se encontram e se realizam o interior e o exterior, o temporal e o eterno, o finito e o infinito. O homem é a Coroa da Criação, porque é Deus existindo e vivendo no Universo."



Aproveitando algumas palavras do autor e outras que brotaram em minha mente, montei o áudio abaixo como forma de uma interiorização em busca de maior compreensão e integração com o Supremo Ser. O fundo musical é uma versão de "Amazing Grace" entoado no idioma Cherokee.


Que possamos todos vivenciar uma semana de Harmonia e Paz.