domingo, 3 de julho de 2011

O Único Ser que Ama

Na última postagem coloquei um texto falando da Unidade versus individualismo. Porque parece que o efeito da consciência humana gera em nós uma falsa sensação de individualismo. Depois de alguns anos, hoje minhas mãos voltaram a tocar num pequeno livro, que contém três pérolas espirituais. Uma delas é de Curuppumullage Jinarajadasa. A sua leitura, faz perceber claramente a nossa posição dentro do esquema cósmico. Vou transcrever aqui parte do texto que é encimado pelo título:

O Amor que é força.


"Em todos os reinos visíveis e invisíveis só existe um Ser: Aquele que ama tudo que existiu e sempre existirá. Os homens O chamam por vários nomes: Senhor e Deus, Logos e Redentor, ou Deusa Sabedoria, e alguns ainda, Senhora do Lótus, Rainha da Pureza. Sua é toda a vida que existe.

A menor vibração que temos de força é derivada de Sua vida. E tanto o mais poderoso Salvador dos homens, a cujos pés milhões de sêres se prostraram, como o ente mais humilde, respiram a Sua vida com o Seu amor.

Através de todas as coisas, através da força, da matéria, da vida e da conciência, Ele ama. O mundo inteiro não é senão um fenômeno e uma manifestação brilhante do Seu amor.

Ele exerce o Seu amor por inexplicáveis e assombrosos caminhos. Age enérgica e firmemente no éter, forma pontos de força, agrupa-se em átomos e moléculas, e ama esse todo.

Ora atrai e ora repele, sendo sempre isto duas feições do Seu amor. Positivo e negativo, união e desunião, são somente belos sonhos desse Seu amor.

Faz a morte aparecer, e é assim que o torpor surge com a vida. A planta, o animal, o homem, que são Sua vida, fanam-se e morrem.

Ainda o morrer é uma ilusão, porque morrem as formas para ressurgir nelas o Seu amor, que é a vida delas, que até Ela sobe.

E assim as formas se tornam mais aptas e com maiores possibilidades de revelar, mais do que antes, o Seu amor.

Se, porém, não pudéssemos sonhar com Ele, compreenderíamos não só porque Ele ama tão grandiosamente, como, também, porque destroi tão prodigiosamente, pois o amor deve sempre atingir o objetivo mais elevado.

Ele, o destruidor, é também a forma destruida; destroi para Ele próprio reconstruir em formas mais perfeitas, para amar mais gloriosamente através de cada forma que se sucede.

Cria os homens que se odeiam e injuriam, egosistas e miseráveis, crucis e guerreiros, que aparecem na vida apenas como estágios do Seu amor revelado. Sonha através de todos os homens; cada um é um sonho diário do Seu Ser, tanto o homem que fere como o que cura: ambos possuem o Seu amor, um em maior escala, outro em menor, pois, atrás de ambos Ele está, idealizando o dia em que o amor seja tudo em todos.

Porque do malvado Ele modelará o mártir e o guia, força para resistir e força para salvar; daquele que cura formará o sábio e o artista para retratar aquilo que só Ele pode produzir.

Egoismo e ganância, ódio e sensualidade, préstimos e renúncias, amor e devoção, são apenas estágios em Seus sonhos, em relação ao terno sonho de amor em que Ele vive.

O lírio, a rosa, a margarida , o miosotis e qualquer outra flor que vos agrade: poderemos dizer que uma é mais bela do que a outra? Não são todas elas flôres ou frutificação do sonho da planta, quando considerava sobre o seu futuro?

O mesmo acontece com os pensamentos concebidos, que são as religiões. Seja maior ou menor o relicário, contanto que seja o Seu relicário. Sua luz brotará do altar porque o Único que ama modela uma religião que não está limitada nem ao espaço nem ao tempo, a Religião de Sua Beleza. As nossas religiões mundanas não passam de experiências dessa Religião, que um dia há de existir.

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Infelizmente não sei quem gravou o audio que está abaixo para poder citar a sua fonte. Há mais de vinte anos eu ouvi esta gravação e a guardei como uma relíquia. Por seguir a mesma linha de pensamento, gostaria de compartilhá-la com aqueles que acessarem esta página.


Que nossa vibração seja geradora de Harmonia e Paz até que nos encontremos outra vez.



IN ETERNO

sábado, 28 de maio de 2011

O Que Sou Eu?

Estávamos, certa vez, reunidos tentando entender um pouco mais profundamente o que somos. Lembro que na ocasião, algumas perguntas surgiram naturalmente. O que é o eu? Seria a alma aquilo que dizemos que está em evolução e que temos a sensação de ser um indivíduo? Mas se a alma é divina, precisaria evoluir? Então se não for a alma, o que está em evolução? Será que esta sensação de individualidade persistiria após a perda do corpo físico?


Além destas, muitas outras perguntas sobre o assunto vem à mente daquele que busca conhecimento e compreensão de si mesmo e do universo.


Posteriormente, organizando alguns livros na prateleira do meu ambiente de estudos, me deparei com um texto do Doutor em Filosofia H. Spencer Lewis que lança um pouco mais de luz sobre este tema de forma razoavelmente clara. Partindo do pressuposto que somos um ser dual com uma parte divina que ele chama de Eu Interior e outra em evolução que ele chama de eu exterior. Diz o texto:


"Será possível alcançar o Eu Interior para desenvolvê-lo e torná-lo superior ao eu exterior? Parece uma pergunta tão simples! Ela é usualmente feita de forma casual e ligada a outras perguntas de resposta fácil. Entretanto, esta pergunta envolve a operação de todo o domínio místico, espiritual e divino. Conhecer a resposta é conhecer todo o problema do domínio do Eu.

O que é o Eu? A menos que tenhamos uma completa compreensão de quem e o que seja o Eu, não poderemos responder a pergunta anterior. O Eu é a personalidade, dizem uns; é o caráter, dizem outros; outros ainda afirmam que é a individualidade. Na verdade, o Eu não é nenhum deles, mas todos eles e ainda mais. Influências externas podem dominar ou determinar nossa personalidade e assim moldar nossa vida. Mas o destino absoluto é determinado pelo caráter, e o caráter é formado pela vontade. Não somos indivíduos. Individualismo significa separação, distinção, isolamento determinado e liberdade ilimitada. É a própria antítese da unidade.


No estudo da matéria grosseira vemos que a ciência dividiu a substância em átomos, a menor unidade dos elementos que conserva uma identidade química. Mas embora os átomos sejam considerados criações primárias, eles não possuem um real individualismo. Os átomos de cada molécula podem parecer ter individualidade, no esquema das coisas tais como ocorrem em condições de laboratório, mas os cientistas sabem que cada átomo vibra com o espírito da vida de todos os átomos, que ele está relacionado a uma grande força. É parte de uma grande força. A força criativa que permeia todos os demais átomos. Nenhum átomo poderia existir como átomo independente daquela força ou de outros átomos. Este mesmo princípio se aplica às moléculas, a divisão seguinte da matéria. É a unidade dos átomos que forma a molécula e é a unidade das moléculas que forma a matéria. Por trás de tudo isto está a unidade da energia divina que forma o átomo.


UNIDADE


O corpo humano é uma criação material. Cada centímetro quadrado de carne é composto de minúsculos elementos, operando em unidade e manifestando-se através da unidade. Se toda a criação (o corpo humano), pode afirmar uma individualidade, por que não os milhões de células que compõe cada centímetro quadrado de carne? Sabemos por experiência o que acontece quando duas ou mais células de tecido ou dois ou mais corpúsculos do sangue proclamam sua individualidade e se separam dos demais e de seu trabalho unificado e cooperativo. O resultado é a doença. Há uma rebelião. Os que proclamam individualidade estão em desarmonia e subsequentemente são rejeitados. Declara-se uma guerra da unidade contra o individualismo. A medicina encontra mil e um termos diferentes para as condições fisiológicas ou mentais que decorrem desta guerra.


O mesmo acontece com o corpo ou a alma de cada homem, mulher ou criança. A grande energia criativa em nosso interior, à qual devemos nossa existência, é indivisível! Se compreendemos esta verdade, veremos de imediato que nenhuma alma ou espírito pode ser individualizado. A alma ou espírito é indeterminável, sem definição, indivisível. A matéria também é indivisível, pois toda substância é material e cada átomo, molécula, célula ou porção não é mais do que parte de um todo.


Mas os que proclamam individualidade não falam de matéria. Eles afirmam a individualidade, não de seu corpo mas da sua personalidade, sua alma. Eles desejam colocá-las à parte, distingui-las de todas as outras, e fazer delas idividualidades superiores. Desta forma eles destroem toda a harmonia com o universo e estabelecem as mesmas condições nos planos espiritual e planetário que existiam nas células de tecidos no mundo material. A unidade então é destruida, ou talvez seria melhor dizer interrompida e falta a harmonia. Isto é individualismo!


Entretanto, o Eu pode ser dominado e desenvolvido. O Eu, no sentido que lhe empresto, é a manifestação da personalidade, expressão da alma. A alma se manifesta através da matéria, através do corpo. A personalidade se expressa através da vontade do ser. Não podemos modelar a alma, porém podemos modelar os canais através dos quais a alma se expressa. Podemos desenvolver os atributos da alma e liderar esses atributos, treiná-los, para que façam aquilo que faz reinar o bem e o amor.


Nosso Eu interior deveria receber mais liberdade. Não deveria ficar tão encerrado dentro do corpo que não possa encontrar espaço para seu desenvolvimento, expansão ou expressão sem restrições. Uma forma de chegar a isso é reservar cinco minutos todas as noites, se possível, para uma silenciosa conversa com o Eu. Senten-se num quarto sem luzes fortes, em silêncio, e desviem os pensamentos das coisas materiais, do corpo. Procurem não perceber o corpo, ou o ambiente que os cerca, e deixem que o Eu interior domine tudo e se expanda. Concentrem a mente no Eu interior, aquela grande força que reside no mais íntimo de cada um, vejam e sintam seu contato com as infinitas energias e com a mente do universo.


Gradualmente, sentirão a harmonização com a Consciência Cósmica e sentirão paz, harmonia, amor, bondade e perfeição. Perderão o corpo, que é o manto, a cobertura, a casca que descobrirá a alma, e serão livres das limitações da matéria. Sentirão a alma fora de seu corpo, envolvendo-os como uma aura. Esta expansão será rejuvenescedora, jubilosa e divinamente bela. As mais maravilhosas sensações lhes advirão. Então conversem com seu Eu. Quaisquer sugestões, quaisquer palavras de encorajamento, esperança, amor e bondade que forem pensadas ou pronunciadas encontrarão receptividade imediata.


Quando procurarem, gradualmente, trazer para o interior do corpo a consciência expandida e voltar à percepção objetiva de seu ambiente, perceberão com que dificuldade a contém no espaço limitado de seu corpo. Esta sensação de expansão, desenvolvimento e progresso serão como um conhecimento da alma. Sentirão durante muitas horas a sensação de estar transbordando de bênçãos internas e infinitas graças."


O texto do Dr. Spencer é bastante claro e o exercício noturno sugerido no final é algo que merece uma atenção especial.


Que tenhamos todos os dias atitudes mentais capazes de nos envolver numa aura de Paz e Harmonia.