sábado, 28 de maio de 2011

O Que Sou Eu?

Estávamos, certa vez, reunidos tentando entender um pouco mais profundamente o que somos. Lembro que na ocasião, algumas perguntas surgiram naturalmente. O que é o eu? Seria a alma aquilo que dizemos que está em evolução e que temos a sensação de ser um indivíduo? Mas se a alma é divina, precisaria evoluir? Então se não for a alma, o que está em evolução? Será que esta sensação de individualidade persistiria após a perda do corpo físico?


Além destas, muitas outras perguntas sobre o assunto vem à mente daquele que busca conhecimento e compreensão de si mesmo e do universo.


Posteriormente, organizando alguns livros na prateleira do meu ambiente de estudos, me deparei com um texto do Doutor em Filosofia H. Spencer Lewis que lança um pouco mais de luz sobre este tema de forma razoavelmente clara. Partindo do pressuposto que somos um ser dual com uma parte divina que ele chama de Eu Interior e outra em evolução que ele chama de eu exterior. Diz o texto:


"Será possível alcançar o Eu Interior para desenvolvê-lo e torná-lo superior ao eu exterior? Parece uma pergunta tão simples! Ela é usualmente feita de forma casual e ligada a outras perguntas de resposta fácil. Entretanto, esta pergunta envolve a operação de todo o domínio místico, espiritual e divino. Conhecer a resposta é conhecer todo o problema do domínio do Eu.

O que é o Eu? A menos que tenhamos uma completa compreensão de quem e o que seja o Eu, não poderemos responder a pergunta anterior. O Eu é a personalidade, dizem uns; é o caráter, dizem outros; outros ainda afirmam que é a individualidade. Na verdade, o Eu não é nenhum deles, mas todos eles e ainda mais. Influências externas podem dominar ou determinar nossa personalidade e assim moldar nossa vida. Mas o destino absoluto é determinado pelo caráter, e o caráter é formado pela vontade. Não somos indivíduos. Individualismo significa separação, distinção, isolamento determinado e liberdade ilimitada. É a própria antítese da unidade.


No estudo da matéria grosseira vemos que a ciência dividiu a substância em átomos, a menor unidade dos elementos que conserva uma identidade química. Mas embora os átomos sejam considerados criações primárias, eles não possuem um real individualismo. Os átomos de cada molécula podem parecer ter individualidade, no esquema das coisas tais como ocorrem em condições de laboratório, mas os cientistas sabem que cada átomo vibra com o espírito da vida de todos os átomos, que ele está relacionado a uma grande força. É parte de uma grande força. A força criativa que permeia todos os demais átomos. Nenhum átomo poderia existir como átomo independente daquela força ou de outros átomos. Este mesmo princípio se aplica às moléculas, a divisão seguinte da matéria. É a unidade dos átomos que forma a molécula e é a unidade das moléculas que forma a matéria. Por trás de tudo isto está a unidade da energia divina que forma o átomo.


UNIDADE


O corpo humano é uma criação material. Cada centímetro quadrado de carne é composto de minúsculos elementos, operando em unidade e manifestando-se através da unidade. Se toda a criação (o corpo humano), pode afirmar uma individualidade, por que não os milhões de células que compõe cada centímetro quadrado de carne? Sabemos por experiência o que acontece quando duas ou mais células de tecido ou dois ou mais corpúsculos do sangue proclamam sua individualidade e se separam dos demais e de seu trabalho unificado e cooperativo. O resultado é a doença. Há uma rebelião. Os que proclamam individualidade estão em desarmonia e subsequentemente são rejeitados. Declara-se uma guerra da unidade contra o individualismo. A medicina encontra mil e um termos diferentes para as condições fisiológicas ou mentais que decorrem desta guerra.


O mesmo acontece com o corpo ou a alma de cada homem, mulher ou criança. A grande energia criativa em nosso interior, à qual devemos nossa existência, é indivisível! Se compreendemos esta verdade, veremos de imediato que nenhuma alma ou espírito pode ser individualizado. A alma ou espírito é indeterminável, sem definição, indivisível. A matéria também é indivisível, pois toda substância é material e cada átomo, molécula, célula ou porção não é mais do que parte de um todo.


Mas os que proclamam individualidade não falam de matéria. Eles afirmam a individualidade, não de seu corpo mas da sua personalidade, sua alma. Eles desejam colocá-las à parte, distingui-las de todas as outras, e fazer delas idividualidades superiores. Desta forma eles destroem toda a harmonia com o universo e estabelecem as mesmas condições nos planos espiritual e planetário que existiam nas células de tecidos no mundo material. A unidade então é destruida, ou talvez seria melhor dizer interrompida e falta a harmonia. Isto é individualismo!


Entretanto, o Eu pode ser dominado e desenvolvido. O Eu, no sentido que lhe empresto, é a manifestação da personalidade, expressão da alma. A alma se manifesta através da matéria, através do corpo. A personalidade se expressa através da vontade do ser. Não podemos modelar a alma, porém podemos modelar os canais através dos quais a alma se expressa. Podemos desenvolver os atributos da alma e liderar esses atributos, treiná-los, para que façam aquilo que faz reinar o bem e o amor.


Nosso Eu interior deveria receber mais liberdade. Não deveria ficar tão encerrado dentro do corpo que não possa encontrar espaço para seu desenvolvimento, expansão ou expressão sem restrições. Uma forma de chegar a isso é reservar cinco minutos todas as noites, se possível, para uma silenciosa conversa com o Eu. Senten-se num quarto sem luzes fortes, em silêncio, e desviem os pensamentos das coisas materiais, do corpo. Procurem não perceber o corpo, ou o ambiente que os cerca, e deixem que o Eu interior domine tudo e se expanda. Concentrem a mente no Eu interior, aquela grande força que reside no mais íntimo de cada um, vejam e sintam seu contato com as infinitas energias e com a mente do universo.


Gradualmente, sentirão a harmonização com a Consciência Cósmica e sentirão paz, harmonia, amor, bondade e perfeição. Perderão o corpo, que é o manto, a cobertura, a casca que descobrirá a alma, e serão livres das limitações da matéria. Sentirão a alma fora de seu corpo, envolvendo-os como uma aura. Esta expansão será rejuvenescedora, jubilosa e divinamente bela. As mais maravilhosas sensações lhes advirão. Então conversem com seu Eu. Quaisquer sugestões, quaisquer palavras de encorajamento, esperança, amor e bondade que forem pensadas ou pronunciadas encontrarão receptividade imediata.


Quando procurarem, gradualmente, trazer para o interior do corpo a consciência expandida e voltar à percepção objetiva de seu ambiente, perceberão com que dificuldade a contém no espaço limitado de seu corpo. Esta sensação de expansão, desenvolvimento e progresso serão como um conhecimento da alma. Sentirão durante muitas horas a sensação de estar transbordando de bênçãos internas e infinitas graças."


O texto do Dr. Spencer é bastante claro e o exercício noturno sugerido no final é algo que merece uma atenção especial.


Que tenhamos todos os dias atitudes mentais capazes de nos envolver numa aura de Paz e Harmonia.


domingo, 24 de abril de 2011

Por que estamos aqui?

Lembro que algumas vezes já me ocorreu tentar saber, objetivamente, qual o principal motivo da presente encarnação, ou seja, o que eu vim fazer aqui. Acredito que, em algum momento, muitoas pessoas devem ter feito a si mesmo a mesma pergunta. Esta não é uma questão que possa ser respondida com facilidade.


Como nossa alma é parte da divina alma, depreende-se que as decisões principais quanto ao caminho que vamos seguir, sejam da nossa alma. Porém nossa personalidade, que está em evolução, também possui certo grau de decisão. É o que chamamos de livre-arbítrio. Através dele vamos fazendo nossas escolhas. Se o resultado delas não for positivo para a nossa evolução, pela compreensão ou pela dor, mudamos nossa maneira de agir. A capacidade de decisão correta da nossa personalidade varia segundo o nível de evolução que ela possui. Quando, porém estamos abertos para o mundo da alma, começamos a ser mais receptivos à sua silente voz. A partir daí a vontade da alma vai prevalecendo nas nossas escolhas porque passamos a aceitar a orientação interior.


Normalmente quando decidimos pautar nossos atos por princípios elevados, muitos problemas começam a aparecer. Pode até parecer, ao menos reflexivo, que o cósmico está conspirando contra nós, mas na verdade são provas necessárias à nossa purificação, pois são reais oportunidades de consolidarmos novos conceitos na nossa personalidade.


Durante este período pleno de oportunidades para exercermos nossas decisões corretamente, muitas vezes ainda erramos. Mas agora compreendendo nosso erro podemos nos arrepender adequadamente para prosseguirmos nossa purificação.


O verdadeiro arrependimento é aquele em que reconhecemos nosso erro e agimos adequadamente para corrigí-lo e equilibrá-lo. Muitos confundem o arrependimento com desculpas, lamentações e às vezes até lágrimas. Todavia estas atitudes, por si só, não modificam nossa personalidade para melhor. Compreendendo que erramos é preciso alterar nosso padrão de comportamento para nunca mais retornarmos ao mesmo erro. Assim, um mero pedido de desculpas, ainda que necessário, não pode ser confundido com arrependimento.


Vencidas as provas nossa personalidade vai aos poucos se tornando mais obediente às orientações da alma. É quando estamos aptos a compreendermos nossa missão principal como uma alma encarnada.


Que possamos todos ter uma semana Paz e Harmonia.