Ao criar este blog eu sabia que não seria fácil mantê-lo em atividade. Criamos tantas atividades ao longo da vida que para atendê-las temos de nos desdobrar. As nossas metas, nossos ideais, nossos desejos são correntes que criamos com as quais nos acorrentamos.
Hoje percebi que ainda não havia feito nenhuma postagem este mês que finda. Isto me fez lembrar da minha amiga Maria Neta. Outro dia ela chamou minha atenção para o fato de que eu estava escrevendo pouco aqui.
Parei por alguns instantes a fim de pensar num tema para abordar aqui. Havia uma música tocando e sem me dar conta, eu viajei na magia da melodia. Naquele momento em que a atividade mental diminuiu uma sensação de prazer invadiu o meu ser envolto pelas vibrações da música.
No cotidiano não nos damos conta de como a vida é simples quando a deixamos fluir sem interferências ou explicações. Realmente nós a complicamos com nossos desejos e ideais.
As nossas necessidades são poucas e simples. O ser humano necessita muito pouco para viver e sentir-se feliz. Pena que tenhamos sido programados para competir na sociedade atual. Foram criados padrões de beleza, de sucesso, de comportamento. A mídia é usada para nos impingir estes padrões que uma vez aceitos, nos forçam a andar como uma boiada que vai para o matadouro. Passamos a lutar para conseguir satisfazer desejos que, as vezes, nem eram nossos. Há quem diga que desejo é uma necessidade enlouquecida. Quanto mais tentamos satisfazê-lo, mais ele pedirá.
Há algum tempo atrás, convivi com um jovem que realizava, temporariamente, uma atividade na mesma área onde eu trabalhava aqui em Brasília. Ele era noivo e sua amada residia em Patos de Minas, MG. O pai da moça tinha um pequno comércio lá. Quase todo fim de semana ele viajava para vê-la. O emprego dele era estável com garantia de futuro. Certo dia ele veio se despedir porque se demitira para ir morar na cidade da noiva. Perguntei-lhe o que o motivara a tomar a decisão de abandonar um trabalho estável pela vida simples e até certo ponto insegura de uma cidade menor. Qual a minha surpresa quando ele me disse fora por causa de uma conversa que haviamos tido algum tempo atrás. Disse-me que refletira sobre o comentário que eu fizera de que nós precisávamos muito pouco para ser feliz e chegara a conclusão de que a sua felicidade estava lá e não aqui em Brasília. Mais tarde eu soube que ele realizara o seu sonho de casar com a moça.
Vivemos em função das decisões que tomamos. Tomamos nossas decisões em função dos nossos desejos. Parece que começam a aparecer problemas quando temos muitos desejos e eles começam a ficar grandes demais.
Dizem que a grande sabedoria da vida está em andarmos no caminho do meio. Mas até mesmo para trilharmos este caminho é preciso que não seja de forma forçada. Toda vez que tentamos suprimir algo, ele começa a se tornar significativo para nós. O problema reside na preocupação de viver de tal forma. Ocupar-se é bom. Nocivo é pré ocupar-se porque nos tornamos tensos. A naturalidade desaparece. Assim, se vez por outra saímos do caminho do meio, não há nada de errado com isso. O importante é que não nos culpemos por ter agido assim. Nenhum bem material irá conosco ao deixarmos este corpo. Os nossos sentimentos e as nossas experiências, isto sim é algo que vale a pena vivenciar da melhor maneira possível. Deixemos, pois a vida fluir sem culpas, sem mágoas, sem stress ... em paz.
E assim, fica o meu desejo de que possamos viver em paz e harmonia até que nos encontremos outra vez.