sábado, 23 de julho de 2011

O Supremo Ser

Na eterna busca pela compreensão de si mesmo e do universo, algumas perguntas não cessam de martelar a mente dos buscadores: Por que Deus teria nos criado? Qual a finalidade de estarmos aqui? Como entender um mundo divinamente criado, cheio de dores e sofrimento? As respostas dadas a estas e outras questões pelas religiões não conseguem satisfazer plenamente estas dúvidas. Já não se consegue aceitar a imagem de Deus semelhante a de um pai bonzinho que deu vida a outro ser: seu filho. Ficamos com a sensação de que são dois seres separados. Mas se Deus é o todo, então nada pode estar fora dele ou de sua consciência.


Há poucos dias atrás, eu organizava alguns livros que estavam empilhados no porão da minha casa, quando um, intitulado A Potência do Nada - O vazio incondicionado e a infinitude do Ser, despertou minha atenção de forma insistente. Na ocasião eu não sabia quem o colocara ali. Mais tarde fiquei sabendo que uma filha o havia adquirido. O fato é que comecei a lê-lo.


Neste livro o autor Marcelo Malheiros Galvez, discorre sobre o Criador, a criatura e o Universo. O autor entra na seara da física e mecânica quântica para fundamentar conclusões interessantes. A bem da verdade, devo dizer que estas conclusões suavizaram um pouco, em mim, as dúvidas que descrevi no início deste texto.


Assim, para dar um idéia melhor do conteúdo do livro, vou transcrever a seguir a introdução que foi feita para esta obra.


"A vida do homem transcorre entre três infinidades que assinalam o limite e a insuficiência do seu conhecimento racional o infinitamente pequeno, de que se ocupa a física quântica; o infinitamente grande, tratado hoje pela cosmologia relativística; e o infinitamente complexo, objeto do estudo da biologia, da psicologia, da filosofia e da religião. O homem - o infinitamente conplexo - "habita", espacialmente, o ponto médio entre o micro e o macrocosmo. Devido à natureza de nossa percepção, é lícito dizer que o conhecimento racional transita precisamente entre estes dois limites materiais cognitivos. De fato, não compreendemos - e isso significa "conhecer" ou descrever - o infinitamente pequeno e o infinitamente grande, que, por estarem além da fronteira da sensibilidade, podem ser chamados de realidades transfinitas ou transcognitivas.


Isso não significa que não possamos ter acesso a elas, mas tal possibilidade, no entanto, dependerá do desenvolvimento de novas formas de percepção, conhecimento e compreensão que, certamente, possímos como capacidades latentes dentro de nós.


Este livro é, acima de tudo, um exercício de reflexão a respeito da natureza de tais realidades, sobretudo sobre o mistério de Deus. Na sua elaboração, o pensamento do autor evoluiu até o ponto de compreender que Deus, homem e Universo constituem três aspectos de uma mesma realidade. São uma trilogia eterna e inseparável. Deus "é" somente pelo homem manifestado em um Universo físico. Da mesma forma, o homem só realiza sua humanidade - e torna-se plenamente homem - quando expressa e manifesta Deus em si mesmo no processo da evolução, no âmbito do Universo. E este, o campo onde o jogo da Criação tem lugar, nada é sem as leis divinas que o estruturam e o impulsionam em seu dinamismo descendente e ascendente, involutivo e evolutivo.


Deus é o aspecto universal, Uno e Ideal da Criação, enquanto o homem constitui o aspecto manifestado, vivente, múltiplo dessa mesma Criação. O objetivo do homem é realizar e manifestar o aspecto universal e Ideal de Deus no Universo de infinitas maneiras (cada indivíduo é Deus em Sua universalidade e unicidade, mas também constitui um aspecto de Deus concretamente manifestado, particular e "vivo" - Deus é a vida do individuo). É nesse ponto que Deus , como Deus, nasce do espírito do homem e no Universo real.


A vida do Universo é um jogo divino entre as possibilidades ideais e suas infinitas maneiras de se expressar na vida. A vida só existe no Universo. O Universo é um Ser vivo. É Deus, como totalidade, brincando de esconde-esconde, evoluindo, conhecendo-se eterna e infinitamente. E uma das maiores diversões de Deus é "brincar" de ser homem. Contudo, por paradoxal que possa parecer - e o paradoxo parece ser a única maneira de falar de Deus, como totalidade de possibilidades -, Deus é ao mesmo tempo o criador do homem e também sua criatura; é o alfa, o início, e ômega, o fim. Deus é o alfa porque cria o Universo e a vida, e é o ômega porque é constantemente recriado por ela, de tal modo que a evolução do homem e do Universo é a evolução de Deus. Enfim, Deus é inteligência objetiva, amor ativo e vontade dinâmica que penetra cada partícula do Universo e de nossas almas e espíritos. Como Nada que é Tudo, é absoluta liberdade. Liberdade essa que deve manifestar-se pelo homem, que é, também, pura liberdade e em essencia, Deus.


Deus pode ser visto, ainda, como a interioridade una e universal que toma consciência de Si mesmo por meio do indivíduo que vive na exterioridade múltipla do mundo. Nesse sentido, o homem é o "lugar" onde se encontram e se realizam o interior e o exterior, o temporal e o eterno, o finito e o infinito. O homem é a Coroa da Criação, porque é Deus existindo e vivendo no Universo."



Aproveitando algumas palavras do autor e outras que brotaram em minha mente, montei o áudio abaixo como forma de uma interiorização em busca de maior compreensão e integração com o Supremo Ser. O fundo musical é uma versão de "Amazing Grace" entoado no idioma Cherokee.


Que possamos todos vivenciar uma semana de Harmonia e Paz.





















domingo, 3 de julho de 2011

O Único Ser que Ama

Na última postagem coloquei um texto falando da Unidade versus individualismo. Porque parece que o efeito da consciência humana gera em nós uma falsa sensação de individualismo. Depois de alguns anos, hoje minhas mãos voltaram a tocar num pequeno livro, que contém três pérolas espirituais. Uma delas é de Curuppumullage Jinarajadasa. A sua leitura, faz perceber claramente a nossa posição dentro do esquema cósmico. Vou transcrever aqui parte do texto que é encimado pelo título:

O Amor que é força.


"Em todos os reinos visíveis e invisíveis só existe um Ser: Aquele que ama tudo que existiu e sempre existirá. Os homens O chamam por vários nomes: Senhor e Deus, Logos e Redentor, ou Deusa Sabedoria, e alguns ainda, Senhora do Lótus, Rainha da Pureza. Sua é toda a vida que existe.

A menor vibração que temos de força é derivada de Sua vida. E tanto o mais poderoso Salvador dos homens, a cujos pés milhões de sêres se prostraram, como o ente mais humilde, respiram a Sua vida com o Seu amor.

Através de todas as coisas, através da força, da matéria, da vida e da conciência, Ele ama. O mundo inteiro não é senão um fenômeno e uma manifestação brilhante do Seu amor.

Ele exerce o Seu amor por inexplicáveis e assombrosos caminhos. Age enérgica e firmemente no éter, forma pontos de força, agrupa-se em átomos e moléculas, e ama esse todo.

Ora atrai e ora repele, sendo sempre isto duas feições do Seu amor. Positivo e negativo, união e desunião, são somente belos sonhos desse Seu amor.

Faz a morte aparecer, e é assim que o torpor surge com a vida. A planta, o animal, o homem, que são Sua vida, fanam-se e morrem.

Ainda o morrer é uma ilusão, porque morrem as formas para ressurgir nelas o Seu amor, que é a vida delas, que até Ela sobe.

E assim as formas se tornam mais aptas e com maiores possibilidades de revelar, mais do que antes, o Seu amor.

Se, porém, não pudéssemos sonhar com Ele, compreenderíamos não só porque Ele ama tão grandiosamente, como, também, porque destroi tão prodigiosamente, pois o amor deve sempre atingir o objetivo mais elevado.

Ele, o destruidor, é também a forma destruida; destroi para Ele próprio reconstruir em formas mais perfeitas, para amar mais gloriosamente através de cada forma que se sucede.

Cria os homens que se odeiam e injuriam, egosistas e miseráveis, crucis e guerreiros, que aparecem na vida apenas como estágios do Seu amor revelado. Sonha através de todos os homens; cada um é um sonho diário do Seu Ser, tanto o homem que fere como o que cura: ambos possuem o Seu amor, um em maior escala, outro em menor, pois, atrás de ambos Ele está, idealizando o dia em que o amor seja tudo em todos.

Porque do malvado Ele modelará o mártir e o guia, força para resistir e força para salvar; daquele que cura formará o sábio e o artista para retratar aquilo que só Ele pode produzir.

Egoismo e ganância, ódio e sensualidade, préstimos e renúncias, amor e devoção, são apenas estágios em Seus sonhos, em relação ao terno sonho de amor em que Ele vive.

O lírio, a rosa, a margarida , o miosotis e qualquer outra flor que vos agrade: poderemos dizer que uma é mais bela do que a outra? Não são todas elas flôres ou frutificação do sonho da planta, quando considerava sobre o seu futuro?

O mesmo acontece com os pensamentos concebidos, que são as religiões. Seja maior ou menor o relicário, contanto que seja o Seu relicário. Sua luz brotará do altar porque o Único que ama modela uma religião que não está limitada nem ao espaço nem ao tempo, a Religião de Sua Beleza. As nossas religiões mundanas não passam de experiências dessa Religião, que um dia há de existir.

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Infelizmente não sei quem gravou o audio que está abaixo para poder citar a sua fonte. Há mais de vinte anos eu ouvi esta gravação e a guardei como uma relíquia. Por seguir a mesma linha de pensamento, gostaria de compartilhá-la com aqueles que acessarem esta página.


Que nossa vibração seja geradora de Harmonia e Paz até que nos encontremos outra vez.



IN ETERNO