Um dos fatores que auxiliam a nossa saúde física, mental e emocional é a serenidade. No mundo atribulado em que vivemos, pode-se questionar: Como alcançar a serenidade? Primeiro temos de tomar consciência de que a serenidade é um fator interno. Não é algo que as coisas externas devam servir de empecilho. Lembram daquela frase de Chico Xavier: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim". Pois é, tudo depende da nossa maneira de encarar os fatos. Em nossa vida existem coisas que naturalmente por nossa ação chegam a bom termo. Outras jamais poderemos evitar que aconteçam. Neste caso temos de tomar uma atitude de neutralidade, pois como diz o provérbio: "o que não tem remédio, remediado está".
Como a serenidade é algo interno ao nosso ser, não adianta tentar alcançá-la fora com pessoas tais, ambientes ou religiões tais. O trabalho a ser feito é dentro de nós mesmos.
Um dos fatores internos que contribuem para a perda da serenidade é o medo. Vivemos hoje num mundo onde o medo determina a nossa vida. As pessoas, num modo geral, sentem-se inseguras nos relacionamentos comerciais e emocionais. Por isso usam diversos artifícios para enfrentar isso: documentos assinados, normas de atitudes, procedimentos diversos em público, grades nas janelas, etc. Todos são artifícios externos que nem sempre dão certo. O medo como fator interno deve ser superado internamente.
Se refletirmos um pouco veremos que o medo é usado hoje como forma de coerção e controle. Inclusive nós mesmos, muitas vezes, o usamos exatamente desta mesma forma para manter o controle da situação quando nossos argumentos não surtem resultados positivos. Normalmente agimos assim com quem temos ascendência (filhos, empregados, etc.) ao invés de aproveitar a oportunidade e serenamente encontrarmos outra maneira de convencer quem quer que seja.
Há quem diga que a passagem e o consequente alinhamento do nosso sistema solar com o centro da galáxia, em 2012, farão ocorrer eventos capazes de causar o fim desta era do medo. Diz-se que nesta ocasião a humanidade subirá um degrau na espiral evolutiva.
Voltando à nossa linha de raciocínio, lembro de uma passagem do filme Apocalito, dirigido pelo Mel Gibson, onde um guerreiro indio em determinado momento ensina o filho a não levar o medo para dentro da aldeia a fim de não contaminar os demais. Mais tarde, diante da morte inevitável, o guerreiro demonstra ao filho extrema serenidade. Acredito que poucos, em nossos dias, estariam na condição mental de enfrentar a morte com tamanha serenidade. Todavia estas cenas do filme nos mostram algo que merece ser alcançado: Serenidade.
Existem muitas formas de alcançá-la, mas todas dependem exclusivamente de nós mesmos. Podemos usar o ritmo que é uma lei universal a nosso favor na busca desta meta. Certa vez ouvi alguém falando que, antes de agir, devemos decidir a ordem prioritária das atividades. Vivendo num ritmo ordenado e harmônico durante as atividades diárias e fazendo isso de forma voluntária, teremos uma distribuição de atividades e horários regulares de modo flexível onde poderemos dedicar atenção adequada a cada ato, conscientes de que o mais importante está sendo feito. Uma vida ritmada extingue a ansiedade e nos permite direcionar a atenção, o pensamento e nossos sentimentos para cada momento presente e não em divagações sobre um futuro esperado que talvez nunca chegue. Agindo assim, a rotina diária não mais incomodará. A percepção de que a vida é o eterno agora nos liberta dos limites do tempo e passamos a sentir prazer a cada instante. Observe a atitude de quem passou por um evento de quase morte. Seus valores mudaram.
Quanto mais penetrarmos no eterno presente, vivenciando cada instante e usando sabiamente as pausas entre uma atividade e outra, poderemos vivenciar a sensação de imortalidade tal como a sentimos no intervalo entre uma encarnação e outra. O fato de aproveitarmos com sabedoria a pausa entre uma tarefa e outra, propicia estarmos restaurados ao começarmos cada nova tarefa. Desta forma os períodos maiores de repouso, tão necessários para a saúde, serão mais eficientes já que não estaremos desgastados mas apenas cansados.
Houve um tempo em que povos antigos faziam cerimônias e rituais para alcançar uma vida cadenciada. Algum tempo atrás era comum a família sentar-se à mesa e ninguém se servia antes que se fizesse uma prece de agradecimento. Percebe-se hoje pessoas sem tempo para sentar-se ao fazer certas refeições. Parece que estão sempre atrasadas. A falta de tempo impede que o cérebro tenha presteza para registrar o que a alma nos diz. O "alinhamento" com a alma é extremamente favorável para gerar em nós paz e serenidade.
Se praticarmos por longo tempo pequenos períodos de descanso para o cérebro, sem ansiedades ou expectativas, onde passamos a assistir o que se passa em nossa mente e nas sensações do nosso corpo, chegará um momento em que as coisas externas não mais abalarão nossa serenidade. Então sim estaremos aptos a viver a vida em toda sua plenitude podendo, inclusive, ajudar pessoas necessitadas de paz interior.
Que possamos todos ter uma semana de Paz, Harmonia e Serenidade.